Imaginem um lugar onde todos andam a olhar para cima e para baixo ao mesmo tempo; onde as pessoas se sentam em banquinhos minúsculos, munidas de seus cadernos e de instrumentos delicados e coloridos. Um lugar onde se pode ficar horas a fio numa atividade silenciosa, sob o sol ou sob a chuva, na calçada, na mesa ou no chão, e ninguém acha estranho. Um lugar em que se pode estar só, mas também se comunicar com facilidade, ainda que não se fale a mesma língua. Um lugar onde cadernos, papéis e cartões passam de mão-em-mão; onde se compartilham técnicas, materiais e ferramentas.
Imaginem um lugar onde não importa a idade, a cor, a religião, o sexo, a renda ou a nacionalidade. Um lugar onde um caderno é o passaporte; onde todos são iguais, mas ao mesmo tempo únicos, com direito a expressar seu olhar íntimo sobre o mundo, com suas cores, sua voz, seu ritmo…
Vocês podem não acreditar, mas esse lugar existe: é a terra do desenho! E eu estive lá na semana passada. Nosso encontro foi em Paraty, cidade histórica do Rio de Janeiro, durante o 5o. Simpósio Internacional dos Urban Sketchers. Foi mágico passar seis dias nessa pequena “Drawing Land” com seus adoráveis 243 habitantes.
Vai demorar para eu processar tudo que aprendi nessa semana. E mais ainda para acreditar na incrível recepção que recebi ao apresentar o projeto sobre antropologia e desenho que venho desenvolvendo. Acho que nunca estive diante de uma platéia que compartilhasse tão intimamente das mesmas motivações.
Aos poucos, prometo que vou publicando aqui no blog mais desenhos e anotações que produzi antes, durante e depois do evento! Abaixo, as primeiras páginas de anotações da excelente atividade de mapeamento gráfico ministrada por Richard Alomar.
…
Novas da Alice
Eu [brincando de jornalista] — Alice, como você se sente tendo uma mãe que dá palestra em inglês em Paraty?
Alice — Ah, mãe, legal. Mas eu preferia que fosse em Nova Iorque!
…
E na terça à noite:
Alice — Mãe, preciso faltar a escola amanhã!
Eu — Por que, Alice?
Alice — Ah, porque sim!
Eu [naquele tom de conta-outra] — A-li-ce…
Alice — É o meu Neuer, mãe!!! Ele vai jogar contra a Argentina!
…
Sobre o desenho: Na parte de cima do calendário de setembro, redesenhei coisinhas que vi em Paraty durante a já mencionada atividade proposta por Richard Alomar. Para a parte de baixo do calendário, fui atrás das portinhas de Paraty que registrei em fotos e achei na internet. Tudo feito com canetinha Pigma Micron 0.05 e colorido com aquarela e lápis de cor Prismacolor.


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20/09/2014 às 08:45
Love it! What a fun activity it was with Richard. 🙂
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10/09/2014 às 08:37
Karina, já te tinha dito o quanto delicioso achei esse teu texto. Estou ansioso por ver os outros desenhos que fizeste em Paraty.
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06/09/2014 às 18:20
Que coisa mais bonita de se ouvir… Alice é nossa ídola!!
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04/09/2014 às 08:30
É uma experiência muito forte. Não estive lá, mas consigo imaginar. Conheço Paraty e estive no simpósio de Lisboa.
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03/09/2014 às 21:05
Que delicia visitar por alguns dias a Drawing Land! Um dos grandes momentos da minha vida. Compartilhar com você esta experiência foi incrível, O calendário ficou lindo e cheio de paixão.
Murilo, adorei te conhecer!!! Quando você vier ao Rio, vamos combinar de desenhar.
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03/09/2014 às 19:49
Bom demais! Paraty, nessa última semana, foi uma experiência incrível.
“Drawing Land” ficará para sempre na memória.
Gostei da cara do Richard – capturou bem as características dele, que foi excelente !
Também adorei te conhecer e à Nathalia .
Tadinho do Neuer, levou dois.
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03/09/2014 às 19:49
Me senti exatamente assim! “Drawing land” é meu lugar favorito no mundo!
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03/09/2014 às 19:35
Lindo esse calendário, também!!
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