Como prometi ontem, segue a paleta produzida com o estojo de aquarela da Giotto (Acquarelli Mini), de 12 cores, do post anterior. Fiz as bolinhas a lápis primeiro, com ajuda de uma régua modelo, como a desenhada abaixo, só que toda de bolinhas vazadas. Comecei pelo gabarito do lado direito, reproduzindo as cores do estojo nas versões bem clara (aguada) e bem densa, para ter uma ideia da variação de tons de cada pigmento. Vou recortar esse gabarito para manter junto ao estojo, facilitando na hora de escolher a tinta. As mini-bolinhas em volta foram misturinhas que fiz nas combinações que costumo gostar.
Depois do gabarito, resolvi fazer a paleta maior do lado esquerdo, com 9 colunas e 10 linhas de misturas. (Como o espaço era reduzido, deixei o verde escuro e o branco de fora.) Fui misturando cada cor com as demais na ordem de amarelo, laranja, vermelho, magenta, marrom, verde claro, azul claro, azul escuro, roxo e preto (na última fila). As cores principais formam uma diagonal que começa no canto superior esquerdo e termina no canto inferior direito (vocês podem ver que coloquei pequenos números a lápis nas cores puras nessa diagonal, para não me perder).
A paleta está longe de perfeita, pois faltou coluna do preto (que virou linha rs). E há uma troca no início da segunda linha, pois sem querer inverti amarelo e laranja. Mas o resultado desse tipo de exercício é sempre gostoso de ver! Ajuda demais a entender o mundo de possibilidades de um conjunto de cores. Ainda não fiz os testes de misturas de trios, que são mais complexas. Se conseguir um jeito de fazer de modo organizado, posto aqui para vocês.
Para mais materiais de pintura e desenho, tem a página Materiais e sobre essa régua de gabarito tem esse post de Junho/2018 sobre o desenho e os bastidores do blog.
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Sobre o desenho: Círculos feitos a partir de uma régua gabarito de círculos com lápis Toison D’Or HB (bem clarinho) em uma folha do bloco Watercolour Joy Hahnemuhle 300g textura fina, tamanho A4. O tamanho A4 esgotou, mas tem o A5 na Papelaria Botafogo, que agora se chama PB Artes. Essa é uma opção nova de papel mais “econômica” da Hahnemuhle para iniciantes. Comprei para experimentar, mas não gostei tanto. Ainda experimentando, vamos ver. Os pigmentos foram os da aquarela Giotto (Acquarelli Mini), de 12 cores. Escaneei na impressora Epson L396 (bem antiga, não recomendo) e depois editei um pouquinho no Photopea — software online gratuito que tenho utilizado feliz. Se interessar, posso explicar o tipo de edição mínima que faço nas minhas aquarelas. Avisem nos comentários.
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Você acabou de ler “Paleta Giotto Acquarelli Mini 12 cores”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2026. “Paleta Giotto Acquarelli Mini 12 cores”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-49s Acesso em [dd/mm/aaaa].
Passando para indicar esse estojinho de aquarela da Giotto (Acquarelli Mini), de 12 cores. É o que eu utilizo para desenhos rápidos nos meus cadernos e diários. É leve, barato e tem cores bem saturadas, que produzem ótimas misturas. Acho um formato muito prático para quem quer começar a brincar sem gastar (o melhor jeito).
Ainda sobre o estojo: não sei se os pigmentos são duráveis à luz do sol, mas vou testar e volto para contar. Fiz uma paleta completa das combinações de cores, mas deixo para um próximo post. Resolvi simplificar meus padrões de publicação aqui no blog para tornar o processo de postar mais leve, pra mim e pra vocês.
Link para comprar na Amazon ou Mercado Livre, com variação entre 16 e 25 reais (em abril/2026). Caso vocês não tenham pincéis em casa, sugiro ter pelo menos um Pincel de água, além do que já vem no estojo. Outro material muito útil é um spray de água pequeno como esse aqui:
Spray de água plástico comprado numa loja de materiais de perfume na Saara (no Centro do Rio) para pulverizar e umedecer as pastilhas de aquarela antes de começar a pintar. Custava só R$ 1,50 (deve ser mais). Serve também de pote de água para molhar ou lavar o pincel quando uso a aquarela fora de casa. Para mais materiais de pintura e desenho, tem a página Materiais.
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Sobre o desenho: Desenho feito com canetinhas Pigma Micron 0.05 no verso de uma folha do bloco A4 XL Aquarelle Canson (capa turquesa). Cores feitas com aquarela e lápis de cor Caran D’Ache. Brilhos com caneta Posca branca bem fina (tamanho PC 1-MR). Escaneei na impressora Epson L396 (bem antiga) e depois editei um pouquinho no Photopea — software online gratuito que substitui bem o caríssimo Photoshop.
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Você acabou de ler “Aquarela boa, bonita e barata”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2026. “Aquarela boa, bonita e barata”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-497 Acesso em [dd/mm/aaaa].
“A vida ainda era vivível. Bastava esquecer, tomar essa decisão com determinação, brutalmente. A escolha era simples: a escrita ou a vida. Teria eu a coragem (…)?” (Jorge Semprún, A escrita ou a vida)
Pessoas queridas, calendário atrasadíssimo mas feito! Perdi meus óculos e fiquei sem condições de trabalhar no computador. Mas foi por uma ótima causa: fiz uma pequena viagem à serra, imersa no verde, em banhos de rio e até chuva! Foi mágico! E vocês? Blocaram, descansaram ou ficaram presos na escrita da tese?
Recebam meu abraço apertado e votos de força e paciência aos que estão com os prazos de 31 de março nos calcanhares. Tá acabando, vai passar. E abraço também aos que têm outros prazos pela frente.
Escrever durante um período como o Carnaval é renunciar à viver, sejam as delícias da gandaia ou do ócio. Não é fácil. Precisamos nos entregar ao texto, enquanto o mundo continua a girar lá fora. E haja paciência para lidar com o tempo da criação, com seus ritmos, pausas e acelerações fora do nosso controle. E haja disciplina para aplacar a ansiedade pelas cobranças internas e externas, junto à sensação de que não somos suficientes.
Passei por tudo isso nos primeiros 15 dias de fevereiro. Tive um artigo para entregar e foi desafiador demais. Tentei seguir planos, rotinas, pomodoros, mas passei pelos clássicos: evitação, lentidão, empacamento, inspiração, descrédito, para-que-serve-isso-tudo, e aquele final de horas seguidas sobrecarregadas de cafeína para finalizar.
Ufa. Por que precisa ser assim?
Sobre a dúvida de Semprún, sigo acreditando: coragem é optar pela escrita e pela vida, no pêndulo de difícil equilíbrio, mas de permanente tentativa. No dia 15 de fevereiro, o artigo foi enviado, o prazo foi cumprido. E a sensação no dia seguinte é indescritível. O alívio, a leveza, o desejo de sol e ar, vem tudo junto, como uma mini-primavera pessoal florescendo.
Aprendi sofrendo (muito) no mestrado: terminem primeiro, pensem depois.
Porque “depois” os pensamentos irão embora e sobrará só uma doçura de ter feito.
Pelo menos até que cheguem os pareceres! Hahaha Depois conto como foi.
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Sobre o calendário: aqui vai o PDF em alta resolução para imprimir. Não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”. Apesar da corzinha desmaiada na tela, na minha impressora (Epson L386) a cor ficou simpática. Espero que gostem!
Sobre a citação: SEMPRÚN, Jorge. A escrita ou a vida. Tradução de Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. A citação está na página 193 da versão eletrônica.
Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei o de fevereiro e acrescentei camadas transparentes de verde no aplicativo Procreate (Ipad). Dessa vez, refiz os números dos dias em cor preta pois achei o branco difícil de ler no dia a dia. Para os demais desenhos: canetinha Pigma Micron 0.3 e lápis de cor, em caderno Tilibra A5, linha Happy. Datas com carimbo Colop, mini-dater s120.
Um ótimo março para nós.
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Você acabou de ler “Março/2025 e os desafios da escrita”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Março/2025 e os desafios da escrita”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-47O. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Hoje, 16 de dezembro, Jane Austen faria 249 anos! Vovó Jane nasceu em 1775 em Steventon, Inglaterra. Suas obras não são os romances água com açúcar que a gente vê na Netflix. Ao contrário, se olharmos com cuidado, veremos que a maioria dos casamentos de suas histórias são péssimos, cheios de implicâncias, tédio, jogos de interesses e, sobretudo, péssimos maridos — até os que se casam com suas heroínas. Suas personagens mulheres são bem mais interessantes, tanto por suas qualidades quanto por suas imperfeições, deslizes, dramas e erros que a autora faz questão de nos mostrar.
Não sou nenhuma Agatha Christie (que homenageou Jane batizando Miss Maple com seu nome de batismo), mas honro a memória da senhorita Austen com trechinhos de um de seus livros menos conhecidos, A Abadia de Northanger (1817). Este livro, pra mim, simboliza a luta (e o fracasso) de Jane para se estabelecer como autora com rendimentos à altura de sua obra, enquanto estava viva. O manuscrito foi vendido, depois recomprado e editado por ela que, infelizmente, morreu antes de vê-lo pronto.
O aniversário é de Jane, mas o presente foi ela que escreveu para nós. Sua narradora-autora de Northanger Abbey surge aqui e ali na história, conversando conosco com um jeitinho cúmplice e irônico que tantas vezes vimos suas personagens incorporarem. Neste livro é a própria Jane que nos fala, desde o prefácio com a advertência sobre as vicissitudes da publicação, até a justificativa de entregar ao público uma heroína meio burrinha:
“As vantagens da tolice natural em uma linda menina já foram estabelecidas pela excelente pena de uma autora irmã*. E à forma como ela tratou o assunto acrescentarei, por justiça aos homens, que, embora [para eles] a imbecilidade nas mulheres seja um grande aprimoramento de seus encantos pessoais, há uma porção deles (…) muito bem informada para desejar algo mais na mulher do que a ignorância”. (AN, p.103, estes e demais grifos são meus)
Quase 100 páginas depois, após nos contar as desventuras de Catherine Morland em Bath, Jane ressurge no texto culpando-se pelos insucessos de sua protagonista, que não volta em triunfo à terra natal, como lamenta a autora:
“Minha tarefa, porém, é completamente diferente; trago minha heroína de volta para casa em solidão e desgraça (…). Uma heroína viajando em uma carruagem de correio é um golpe tão forte nos sentimentos que nenhuma (…) compaixão pode suportar.” (AN, p.210)
Como em outros romances de Austen, a leitura é um remédio para a tristeza e até para alegria demais. Em A Abadia de Northanger, o conselho vem da mãe de Catherine com ironia. Receando que a filha esteja entediada por não morar numa casa grandiosa como Northanger, recomenda:
” — Tem um ensaio muito bom em um dos livros lá em cima que fala desse assunto: é sobre moças que se tornam mimadas demais para suas próprias casas depois de conviver com pessoas de classe social mais alta. (…) acho que lê-lo lhe fará muito bem.” (AN, p.229)
Fico pensando em como Jane Austen conseguia ser tão sensível a emoções como a desta mãe diante de sua adolescente insuportável! Está claro que foi o bom-humor da própria autora que a embalou nessa narrativa que é simultaneamente da personagem e do próprio romance. Ao se surpreender com o amor do herói pela heroína, Jane se explica ao leitor:
“Esta é uma circunstância inédita nos romances, reconheço, e terrivelmente aviltante da dignidade de uma heroína. Mas, caso isso também seja inédito na vida corriqueira, pelo menos a honra de ter uma imaginação extravagante será toda minha.” (AN, p.232)
E é nesse espírito de galhofa que Jane comenta a necessidade de resumir sua história para não nos aborrecer; de fingir que Catherine não recebia correspondências clandestinas, nem que seus pais “viravam o rosto para o outro lado” ao vê-las chegar. Faz concessões mencionando personagens que não pertencem à fábula e termina entregando aos leitores a decisão de escolher qual a moral da história preferem!
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Obrigada, querida Jane, por tudo que você criou, pensou, leu, escreveu e nos brindou nesse mundo. Que seu aniversário seja sempre uma oportunidade de reler, sorrir e chorar contigo.
Abaixo, uma outra Jane, em forma de mini estátua, do Instagram da Helô Righetto, que dá dicas, faz lives e ainda tem um ótimo podcast sobre Jane Austen com Rapha Perlin — sou tão fã das duas que até ganhei brinde!
Sobre o livro: As citações acima são do volume “A abadia de Northanger”, de Jane Austen. Tradução de João Sette Camara e Marcelo Barbão. Jandira, SP: Tricaju, 2021. *A pena da autora-irmã indicada na primeira citação é uma referência ao romance Camilla, de Fanny Burney, muito em voga na época da redação original do livro (1803).
Dica de podcast sobre Jane Austen: “É uma verdade universalmente reconhecida … por @raphaperlin e @helorighetto, intitulado em homenagem à frase de abertura do romance “Orgulho e preconceito”.
Sobre os desenhos: Desenho de abertura: página de um caderninho Laloran com três pétalas de orquídea coladas com fita mágica (do lado esquerdo) e três pétalas de orquídea desenhadas com lápis grafite e aquarela por mim em 2023. A ideia dessa imagem foi brincar com o que é real e o que é pintura, como a autora brinca com sua narrativa. Ao escanear, ficou mais visível a presença da fita mágica que quase não se vê ao vivo.
Desenho da estátua de Jane com base na foto que ilustra o podcast. Feito num caderninho de folha comum, com canetinha Pigma Micron 0.1 e sombras com caneta pincelTombown (provavelmente cor 75).
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Você acabou de ler “Feliz aniversário, Jane!”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Feliz aniversário, Jane!“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-45I. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Hoje é sexta mas tenho me sentido numa eterna segunda-feira, sempre distante do momento-descanso! Faço tanta coisa, mas só consigo pensar no que ainda-não-fiz. Vocês também se sentem assim? Mês passado, comprei uma pasta transparente para colocar posts-its coloridos onde anoto os “feitos” (aprendi na Oprah, 😅me julguem). A ideia era ter uma forma analógica e lúdica de me lembrar das “entregas”, como se diz hoje em dia. Mas já não estou me lembrando de atualizar (hahaha, me julguem 2.)
O chato é que as tarefinhas do dia-a-dia consomem horas e não são anotáveis. A gente roda roda roda na casa e nem tem direito a um post-it colorido no final.😒 Mas lavar a louça e esvaziar o e-mail é uma perda de tempo? Não, gente, não é. Organizar o mundo externo organiza o mundo interior. A casa e a vida arrumadas parece que “aterrissam” nossa mente. Tem uma expressão em inglês perfeita pra isso: a gente se sente mais “grounded”, com os pés no chão.
O difícil é conciliar tudo isso com a mágica de escrever, mas às vezes a gente consegue. E dá até para escrever sem I.A., coisa que nossos alunos em 2024 não estão sabendo, socorro… (Mas esse assunto fica para um próximo post.)
Hoje trago para vocês a imagem e o link de um verbete recém publicado que eu e Julia O’Donnell escrevemos sobre o antropólogo Gilberto Velho (1945-2012) para a Bérose, enciclopédia internacional de antropologia. Aproveitamos para agradecer a Fernanda Arêas Peixoto e Stefania Capone, pelo convite para publicação e pelo retorno cuidadoso sobre nossas primeiras versões. Agradecemos também aos diretores da Bérose, Christine Laurière e Frederico Delgado Rosa, e à editora Anabel Vazquez pelas edições finais. Finalmente, nosso muito obrigada a Christiano Tambascia e aos colegas do seu grupo de pesquisa pela leitura e ótimas sugestões ao nosso trabalho. Quem dera tivéssemos esse diálogo em todos os espaços acadêmicos. Esperamos que gostem!
Sobre os desenhos: Desenhos que fiz em 2012 por ocasião do falecimento do professor Gilberto Velho, a partir de fotos suas. Linhas feitas com canetinha Pigma Micron 0.1 preta, em papel comum A4, com uso de mesa de luz improvisada. Os desenhos de base foram coloridos e limpos no Photoshop.
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Você acabou de ler “Verbete sobre Gilberto Velho (com Julia O’Donnell) para a Bérose – Enciclopédia internacional de antropologia“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Verbete sobre Gilberto Velho (com Julia O’Donnell) para a Bérose – Enciclopédia internacional de antropologia“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-44O. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Meu Instagram entrou para a era da inteligência artificial! Não, ele não está me mostrando os melhores posts, nem aprimorando minha vida, muito menos me trazendo a sensação de que aproveitei o tempo. O algoritmo resolveu me soterrar com anúncios sobre ferramentas de I.A.
Minha primeira reação foi de “fomo” (fear of missing out; ou medo de estar perdendo a moda do momento). Quantos apps, quantas soluções, quantos resultados! Depois de salvar uns 20 posts e anúncios — que nunca mais vou ver, claro, pois a gente salva para ter a sensação de que “guardou” a informação — me deu um estalo. Essa tsunami de I.A.s é só uma repaginação para a) propagandas de antigamente: fume Malboro e conquiste o mundo; b) anúncios do final do século 20: compre esse carro e seja livre; c) mensagens multimídias pulverizadas de hoje: faça como eu e seja feliz.
Socorro, é tudo pegadinha do capitalismo! Minha experiência na Comunicação grita nessas horas. Li o clássico Para ler o Pato Donald desde a graduação e reli umas mil vezes para dar aula. Essa obra prima de Ariel Dorfman (argentino-chileno) e Armand Mattelart (belga) é uma lente que nos ensina a perceber como a indústria cultural estadunidense nos seduz e diverte ao mesmo tempo que propaga subrepticiamente a ideologia capitalista.
O que isso tem a ver com a tsunami de aplicativos de I.A. na vida acadêmica (meu “nicho”)? Os anúncios e posts tentam nos convencer de que é possível ler um livro de 500 páginas em 15 minutos, escrever uma revisão bibliográfica em 1 semana, formular um “excelente” artigo em 30 dias e produzir uma tese acadêmica defensável em 6 meses.
Sinto ser a mensageira do “não”… Nenhum desses anúncios cumprirá o que promete. Se você leva a vida acadêmica a sério, sabe que não há “fast-conhecimento”.
Um resumo, por mais bem feito que seja (e muitos não são), não substitui a leitura de um livro. Uma compilação de artigos não é uma revisão de um tema de pesquisa e um coach de escrita competente não produz reflexão original numa área.
Esses recursos podem te ajudar na vida acadêmica? Poder, podem. Mas a que preço? Quantas horas você vai gastar vendo dicas e propagandas até entender qual I.A. é melhor e para qual finalidade? Quanta energia negativa virá de um aplicativo que te disser que existem 1763 artigos na sua temática que você precisa mapear, classificar e decidir se são úteis? Quantas horas de sono e ansiedade você vai passar pensando se o que você está fazendo é plágio, está correto ou é válido de fato para sua produção intelectual?
O que compõe a receita básica do fazer acadêmico: boa noite de sono; alimentação saúdável; bolsas com valores decentes; bons professores e orientadores; colegas e grupos de pesquisa acolhedores; equipamento básico para escrita e/ou pesquisa. Imagina ter isso tudo garantido? Seria 85% do caminho, concordam? Deixamos então uns 15% para inovação, quem sabe um software novo (I.A.s incluídas), um amor, uma descoberta do destino…
Ah, Karina, você não está entendendo: as I.A.s são *revolucionárias*. Serão, pessoal. Acredito que serão. Mas ainda não são. Por enquanto, são ferramentas úteis e até divertidas. Inclusive, tenho testado bastante. Mas isso é assunto para um próximo post, prometo! Abaixo adianto os prompts que utilizei enquanto estava escrevendo esse post e as I.A.s que tenho testado.
Prompts que utilizei para apoiar a escrita deste post no Chat-GPT (versão gratuita)
. Título: “Você poderia me ajudar pensando em ideias de título para esse post, levando em conta um tom bem-humorado? (E junto colei o post já escrito.) → Não gostei de nenhuma das sugestões dele. Pedi mais algumas e continuei não gostando. As I.A.s tendem a trabalhar no registro “vendas” e “cliques-a-qualquer-preço”. Avaliação: ruim.
. Revisão 1: “Teria alguma frase para revisar no texto do post?” → Ele apontou 3 frases e deu 4 sugestões de trocas de palavras. Aceitei apenas 1: “nova roupagem” por “repaginação”. Não costumo pedir revisão geral porque gosto de saber exatamente o que e como ele optaria por revisar. Avaliação: ruim.
. Revisão 2: “Algum erro de digitação ou concordância?” → Ele apontou 4 correções: instagram em minúscula; cortar um “todos” desnecessário; trocar um “perder” por “gastar” [tempo] e compõe no plural. Avaliação: Ótimo em todas.
. Elogio-Destaque: “Qual a frase que você mais gostou ou considerou a mais bem escrita do texto?” → Inventei hoje esse prompt e ele destacou e comentou os aspectos positivos da frase que acabei colocando em negrito no post. Gostei de ter um feedback antes mesmo de publicar e acho que vou adotar esse prompt sempre. Avaliação: Ótimo, surpreendeu.
. Lista: “Você poderia listar aqui apenas os prompts que utilizei nesta conversa sobre o post de hoje?” → Ele listou os prompts acima, mas sem os subtítulos e juntou um agradecimento que não era um prompt. Avaliação: Regular.
Resumindo: o GPT foi útil, mas notem que nenhum dos resultados acima foi “revolucionário”. Continuarei testando e trazendo resultados para vocês. Atualmente estou avaliando: Chat-GPT, NotebookLM, ChatPDF, Scite_, Mapify.co, Connected Papers, Scispace, Docanalyzer.ai, além do Natural Reader e do Transkriptor que já uso desde 2023, como explico nesse post. Lá no “Abraço Acadêmico” temos conversado sobre o tema (Telegram, só clicar aqui.)
Sigamos, com moderação! Me contem o que tem dado certo para vocês. Bom final de semana! ♥
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4 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana
♥ No momento não estou vendo nenhuma série, mas indico Hacks, sobre uma comediante e sua redatora. Excelentes atrizes e diálogos. Foram três temporadas. Pena que acabou.
♥ Falando em desenho, continuo firme no #academinktober, com um desenho por dia sobre a vida acadêmica. O mais curtido da semana foi o da palavra “tóxico”. Tá no Instagram.
♥ Os 5 desenhos que abrem esse post foram feitos para colocar nas tampas dos potes onde guardo as sementes, aveia e passas. Os potes são de um doce de leite diet maravilhoso da marca Flormel que descobri nas Casas Pedro (RJ).
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Sobre os desenhos: desenho de observação das comidinhas feito com canetinha Pigma Micron 0.05 ; cores feitas com lápis de cor Caran D’Ache e canetinhas Pigma Micron coloridas. Foram feitos no verso de uma folha do bloco A4 XL Aquarelle Canson (capa turquesa).
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Você acabou de ler “Devagar com as I.A.s – dicas de como utilizei Chat-GPT para escrever esse post“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Devagar com as I.A.s – dicas de como utilizei Chat-GPT para escrever esse post“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-44z. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Vocês já tiveram vontade de arrumar uma gaveta mas desistiram porque, antes mesmo de começar, perceberam que não iam conseguir arrumar o armário inteiro? Acontece demais comigo! E não só com arrumação: desisto de ler uma parte porque o certo era ler o livro todo, deixo de fazer 20 minutos de academia porque a série dura 45 minutos, desisto de comprar só uma coisinha no mercado porque não verifiquei a lista de tudo que está faltando… E até de fazer mini post nesse blog porque o correto seria encarar a lista de posts sérios a serem escritos — mas isso exigiria a coragem e a energia que ainda não estou tendo.
Hoje mais cedo cheguei a começar a trabalhar em dois posts já iniciados mas percebi que não teria forças para terminá-los.
Fiquei pensando… qual é a dificuldade? Não é falta de concentração nem de vontade teórica. Meu corpo e minha mente estão muito acostumados a se concentrar e a trabalhar no computador depois de 34 anos de experiência. Também não é falta de ideias ou temas. Entendi que estou sem grandes estoques da energia específica que a escrita criativa necessita.
E que tipo de energia é essa? É aquela vontade de acolher as próprias ideias e a pulsão prazerosa de compartilhá-las com os leitores. É um equilíbrio tênue entre alegria da descoberta solitária (o momento da escrita em si) e o compartilhamento corajoso do olha-que-legal-eu-descobri (o momento de entregar sua escrita ao mundo).
Talvez muitos sofrimentos e procrastinações com os TCCs, dissertações, teses e escritas acadêmicas em geral venham desse entre-lugar, né? Estar aqui-e-aí-com-vocês ao mesmo tempo. Né fácil não, pessoas! Talvez fique um pouquinho menos difícil se a gente entender o que está acontecendo. Dois truques para ultrapassar esse obstáculo que (às vezes) funcionam para mim:
• Para o drama “eu e minhas ideias”: primeiro escrevo, depois questiono. Geralmente, depois de escrever, o questionamento diminui bastante! E você sai do outro lado já-tendo-escrito!
• Para o drama “minhas ideias e os leitores críticos”: penso só nos leitores que me apoiam, meus filhos, minha mãe e amigos. E sigo em frente, aproveitando as críticas construtivas para discordar, ajustar o que for possível ou aproveitar para um próximo texto.
Claro que isso tudo é bem mais fácil de escrever do que fazer. Mas… vejam só: se vocês estão lendo esse post é porque os truques funcionaram, hahaha. Esse micro-macro problema não se resolve com um post só. Mas o blog inteiro tá aqui para isso. Lembram da gavetinha bagunçada do armário? É isso. Arrumar uma só gaveta faz diferença sim. Não pensem no armário inteiro.
Finalmente, para citar um lema de vida, que o Antônio me ensinou para aqueles momentos em que sua roupa está furadinha, seu texto não tem muita fluência e sua aula foi um pouco capenga: “ninguém liga!”
Boas escritas e bom final de semana! #tamojunto ♥
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5 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:
♥ Participar da festa de desenhos do mês de outubro com as queridas Rachel Paterman, Melina Vaz e Patricia Matos está sendo a melhor coisa do mês. Acompanhem lá pelo meu Instagram e pela #academinktober.
♥ A experiência mais linda de desenho foi rascunhar para a palavra “reciprocidade” já exausta e, na versão final, a nanquim, ver que a imagem pareceu demais comigo e com o Juva — não foi planejado!
♥ Vi que vocês gostaram da indicação de série da semana passada, então hoje indico Only murders in the building, da Disney/Star+. Eu e Alice amamos. São 4 temporadas curtas e recomendamos ver aos poucos. O elenco é incrível, assim como a direção de arte, a música, a montagem e o roteiro. (Mesmo que eu quisesse, Alice não gosta de maratonar, nem ver dois episódios de uma vez, por mais empolgante que seja o final. Não sei onde ela aprendeu isso! Eu sou daquelas que vira a noite quando empolga.)
♥ De ficção, recomendo Oliver Kitteridge, de Elizabeth Strout. Em breve virá o terceiro volume para o Brasil e vocês vão me agradecer ter começado. Mas só recomendo para maiores de 50 anos, em idade biológica ou emocional. 😉
♥ Descobri que vão lançar um novo emoji com olheiras em 2025! Quem se identifica? É fofinho demais. Trouxe a imagem para compartilhar com vocês.
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Sobre o desenho: Desenho de observação de uma estojo de lápis de cor antigo feito no caderninho Laloran. Linhas com canetinha Pigma Micron 0.05 ; cores feitas com aquarelas, lápis de cor, um pouco de guache e canetinha de gel branca Sakura Gelly Roll. Eu ia aproveitar esse desenho para um post sobre lápis-de-cor na seção de materiais do blog, mas percebi que a imagem não mostra direito os lápis e nem foi feita com eles! Então veio para cá de ilustração aleatória mesmo. Pensando melhor, agora percebo que esse estojo, com uma parte de plástico transparente, é uma boa metáfora para os processos descritos no post. Afinal, quando a gente começa a escrever, só tem uma vaga ideia do que vai sair, como quem espia esses lápis-de-cor pelo visor da embalagem. Só escrevendo — ou só experimentando os lápis do estojo — que vamos descobrir o que somos capazes de dizer, fazer, desenhar.
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Você acabou de ler “Arrumar gavetas, escrever textos – 2 truques para driblar a procrastinação criativa“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Arrumar gavetas, escrever textos – 2 truques para driblar a procrastinação criativa“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-446. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Esse é um mini post para tirar a poeira e retomar o ritmo. O blog ficou adormecido por uns meses enquanto eu doava minha energia para outras frentes da vida. Com vocês também é assim? Cobertor curto que chama, né? A gente volta pra ginástica, oferece curso de extensão, conecta com amigas, fica a mil nessas coisas; e quando vê a casa está com infiltração, as plantas morrem e os relatórios travam. Me digam que isso acontece com vocês também, por favorzinho… Porque comigo é sempreassim: enquanto uns pratinhos rodam, outros vão caindo pelo chão. A diferença do “pratinho blog” é que esse é o meu xodó. Apesar de não ter postado, continuei desenhando, lendo (muito) e escrevendo pensando em vocês. Outro dia, fiz uma maratona de digitalizações que gerou 174 páginas de desenhos ainda não publicados — em breve trago eles para cá!
Enquanto o próximo post não chega, convido vocês a acompanharem a série de desenhos sobre a vida acadêmica que estou publicando no Instagram. Na comunidade das artes, o mês de outubro é conhecido como “inktober”, um período de 31 dias para fazer e compartilhar um desenho por dia (31 desenhos). Como seu criador é um chato e patenteou o nome, as pessoas começaram a criar suas próprias propostas. As antropólogas e ilustradoras Rachel Paterman @desorientanda e Melina Vaz @melina_vax do @academicomics criaram o “Academinktober”. Abaixo uma amostrinha. Sigam os desenhos lá pela #academinktober.
5 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:
♥ A melhor coisa da semana está sendo retomar o blog, mas isso não vale! A explicação desta seção, para quem é novo ou esqueceu, está no post Artes, cadernos, livros e coisas impossíveis.
♥ Ainda saudosa da série Ted Lasso, da Apple Tv. Demorei a engrenar, mas terminei apegada aos atores e personagens. É fofa e chega ótima na terceira temporada.
♥ Ando apaixonada e lendo tudo do Leon Tolstói. Entre os contos, fiquei impactada por A nevasca (1856) que achei para compartilhar. (Leiam lá e me digam se concordam que a neve parece o algoritmo do tiktok.)
♥ Uma coisa linda da semana foi ter a companhia da Mel participando do “jogo do melhor e do pior” na hora do jantar. Se vocês não conhecem o jogo, vale reler o post As cores de cada dia! Dá para jogar sozinho, em dupla ou com um monte de gente. É uma alegria.
♥ Outra boniteza e alívio é que meu gato Charlie melhorou de um resfriado longuíssimo. Nada com um bom spray de corticóide no nariz, hahaha. 😉
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Sobre o desenho: Desenho de observação e “distorção para maior” de uma caixa de fósforo pequena feito no caderninho Laloran. Linhas com canetinha Pigma Micron 0.05 ; cores feitas com aquarelas, lápis de cor, um pouco de guache e canetinha de gel branca Sakura Gelly Roll. Achei legal conectar a volta ao blog aos fósforos que produzem fogo e energia de uma forma que sempre parece meio mágica pra mim.
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Você acabou de ler “Retorno ao blog: aquecimento e academinktober“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Retorno ao blog: aquecimento e academinktober“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-43B. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Para ter esperança, é preciso reconhecer que não sabemos tudo e não sabemos o que acontecerá. Se abrir às possibilidades e se permitir se transformar é a única forma de seguir em frente e continuar a fazer arte.” (Austin Kleon, Keep Going, p. 132)
A todos que estão diante da página em branco: criar é desafiador mesmo. O desconhecido nos amedronta e desestabiliza. E a gente se pergunta: por que nos colocamos nessa situação? É que a criação tem um poder mágico — nos energiza e nos fascina! Como escreveu Austin Kleon, criar é assumir nossa esperança no mundo e “seguir em frente” mesmo com todas as dúvidas e incertezas. Continuemos!
E assim surgiu mais um presentinho para vocês (e para mim mesma)! Fiz um calendário mensal tipo planner. A mesma folha pode ser reimpressa ao longo do ano. Basta escrever o nome do mês no topo e preencher os números dos dias nos quadradinhos. Ao lado do mês, fiz um espaço para listas de objetivos, tarefas, compras e o que mais vocês quiserem registrar.
Um ano de muitas criações e esperanças para nós! ♥
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Sobre a imagem: A inspiração para esse formato de calendário-planner veio da ilustradora Fran Meneses (@frannerd), que costuma fazer um desses anualmente para quem participa da plataforma Patreon dela. Eu já tinha a estampa pronta de uma época em que fiquei viciada em fazer essas folhinhas com aquarela e depois desenhar padrões por cima. Não anotei data nem detalhes, mas foi feita no verso de uma pintura que não gostei, em papel Arches (não consigo desenhar nem pintar em materiais caros! rs). Folhinhas em aquarela de cores variadas. Padrões em linha preta com canetinhas Pigma Micron 0,1. Outros materiais de pintura e desenho que utilizo com frequência vocês encontram aqui.
A folha era maior do que A4, por isso o scanner não deu conta direito. Juntei quatro dessas imagens no aplicativo Procreate no Ipad e fiz os ajustes para preencher os vazios e manter o fundo branco. Depois desenhei as linhas em tom de verde com o pincel Narinder pencil (meu favorito do Procreate). Consultando Antônio e Alice, resolvi deixar a parte da lista com 15% de transparência para não ficar idêntica ao calendário. Inclusive, vocês podem cortar a imagem e imprimir só essa seção. ♥
versão escaneada sem ajustes
Sobre as citações: tradução livre de trechos do livro Keep Going, de Austin Kleon. A versão em português chama-se Seguir em frente (Rocco, 2019). Recomendo demais esse livrinho sábio e despretensioso.
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Você acabou de ler “Calendário 2024 para imprimir“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Calendário 2024 para imprimir“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-42V. Acesso em [dd/mm/aaaa].
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Pessoas queridas, pensei que estava só com paciência e prática, mas lembrei que estou apaixonada pela George Eliot. Em sua escrita, tudo é sério e irônico — tudo é “brincadeira e verdade”, como na música do Caetano. É um deslumbramento.
No seu livro mais autobiográfico, O moinho à beira do rio Floss, Eliot nos conta a história de Maggie Tulliver, uma menina de “oito ou nove anos, bem-educada e bem instruída” que tinha frequentado “só um ano num colégio …e tinha tão poucos livros que às vezes lia o dicionário. Se déssemos uma volta pelo seu cérebro, encontraríamos lá a mais inesperada ignorância.” (p. 121) Será?
Logo que a conhecemos, Maggie se esconde com uma tesoura para cortar os próprios cabelos, cansada das críticas da família e de ser menina. Tempos depois, foge de casa para ser livre e viver com os ciganos. É comovente acompanhar como descobre a pobreza e seu despreparo diante do mundo.
Encanta-se com Philip, um jovem que sabia contar histórias, muito tímido devido à corcunda de nascença. Adorava-o, até porque:
“Maggie tinha uma certa ternura pelas coisas deformadas; preferia sempre as ovelhas de pescoço torto, porque lhe parecia que as que eram fortes e bem constituídas não apreciavam tanto os carinhos, e ela gostava de fazer festas a quem as apreciasse.” (p. 192)
Quando Maggie se apaixona pelos livros que finalmente tem às mãos, reflete:
“Nos livros havia sempre pessoas amáveis e ternas, e que gostavam imenso de agradar uns aos outros. O mundo fora dos livros não era um mundo feliz; parecia ser um mundo onde as pessoas se portavam o melhor possível com as pessoas que não amavam e que lhes não pertenciam.” (p. 256)
De todos, ouve que tem de “ter paciência”. Exercita essa habilidade, censura-se tanto que experimenta a paz no “quietismo” que a tudo renuncia. Até que a vida lhe chama e seu coração é fulminado por um amor impossível. Diante da necessária separação, Maggie (e Eliot) dizem:
“Não posso esquecer tudo e começar outra vida. Devo voltar para trás, muito embora eu sinta que, sob os meus pés, já não existe nada de sólido.” (p. 525)
Como Eliot já havia nos preparado, Maggie desejava o que, de certo modo, todos nós também queremos:
“…era uma criatura cheia de anseios apaixonados e entusiastas por tudo o que era belo e alegre; sedenta de todos os conhecimentos, (…) com um inconsciente desejo de qualquer coisa que (…) desse à sua alma uma sensação de abrigo.” (p. 257, no original, “a sense of home“)
É isso, queridos leitores. Que 2024 traga a todos nós paixão, paciência e prática, mas sobretudo o acolhimento da casa, com sua doce “sensação de abrigo”! ♥
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A imagem que abre este post está em alta resolução e segue aqui um pdf para download que vocês podem baixar para imprimir. Vai com carinho especial para todos que estão enfrentando as festas em meio aos prazos de TCC, dissertações, teses e outras pressões acadêmicas ou não.
Sobre o desenho: Grafia e cores inspiradas na arte de Tom Gauld. O lema dos três Ps inventei há uns anos inspirada em uma aula online que fiz com o artista indiano-canadense Prashant Miranda. Ele mencionou perseverança ao invés de paciência, mas esta é para mim a maior das virtudes. Tecnicamente, utilizei os materiais de sempre: canetinhas Pigma Micron 0.1 ou 0.05, aquarelas e papel Canson. Se quiserem, tem a versão abaixo dos três Ps para baixar aqui.
Sobre as citações: Li a versão portuguesa de O moinho à beira do rio Floss, de George Eliot (trad. de Fernando de Macedo, ed. Mimética). A versão original está disponível gratuitamente no Internet Archive, mas não me sinto confiante para ler ficcção em inglês. Trago aqui as duas citações finais no original pois são tão lindas:
Trecho orginal sobre a sensação de abrigo: ”Maggie in her brown frock, with her eyes reddened and her heavy hair pushed back, looking from the bed where her father lay, to the dull walls of this sad chamber which was the oentre of her world, was a creature full of eager, passionate longings for all that was beautiful and glad ; thirsty for all knowledge ; with an ear straining after dreamy music that died away and would not come near to her ; with a blind, unconscious yearning for something that would link together the wonderful impressions of this mysterious life, and give her soul a sense of home in it. “
Trecho orginal sobre não ter nada de sólido sob os pés: “No wonder, when there is this contrast between the outward and the inward, that painful collisions come of it. I can’t set out on a fresh life, and forget that : I must go back to it, and cling to it, else I shall feel as if there were nothing firm beneath my feet.”
Sobre a música do Caetano: Refiro-me ao verso “É tudo só brincadeira e verdade” da canção “Tá combinado”. Aqui a letra e o canto na versão de Betânia.
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Você acabou de ler “Uma doce sensação de abrigo em 2024“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2023. “Uma doce sensação de abrigo em 2024“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-42x. Acesso em [dd/mm/aaaa].
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