Era uma vez um professor discreto, tímido, amável e talentoso: William Cordero. Antes de Paraty eu nunca tinha ouvido falar dele. Mas bastou uns poucos minutos ao seu lado, e diante de seus desenhos, para me apaixonar! (Paixão artística, pessoal.) Ele é daquelas pessoas que parecem fazer tudo sem esforço, num raro encontro de delicadeza de personalidade e obra. E ainda tem o charme de ser recém-casado, morar numa casa feita por ele próprio, na Costa Rica, e gostar de cachorros! No penúltimo dia do evento, passou quatro horas trabalhando num desenho, como se não existisse mais nada no mundo para fazer, e o resultado foi um arraso… Linhas leves como se tivessem sido feitas em poucos minutos… Quero ser assim quando eu crescer.
Foi no seu workshop que fiz esses desenhos-em-quadrinhos. A proposta era narrar o dia-a-dia misturando diferentes escalas. A sugestão dele foi que trabalhássemos com “caixas” feitas de linhas para enquadrar pessoas, coisas, falas e movimentos. Os trabalhos dos colegas ficaram incríveis!

No meu caso, levei um tempo para achar que esses desenhos tinham um destino melhor que o fundo da gaveta… Nesse dia, eu tinha acabado de dar minha segunda palestra — estava feliz, mas exausta! Só quando voltei para casa (oopss… que casa?) é que tive coragem de adicionar as cores. Tudo começou como um grande pretexto para tentar imitar o céu do Tommy Kane. 🙂 No fundo, o que me diverte mesmo é copiar o desenho dos outros! (Pelo menos, dou as fontes para vocês conferirem.)
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100 anos! Hoje, 10/09/2014, minha avó querida faria 100 anos… Passei o dia pensando em desenhar esse bolinho para ela (abaixo), que acabou saindo mais com cara de chapéu do que de bolo! Mas ela nem ia ligar. Acharia lindo!! Ela adorava amarelo, adorava rosas e todas as flores. Adorava viver bem e com festa. Gosto de lembrar de como às vezes eu tinha medo de contar alguma coisa pra ela, tipo uma decisão arriscada ou difícil na minha vida. Receava que ela fosse me dizer (por ser mais velha): “fique onde está, permaneça, conserve.” Mas ela quase sempre dizia: “Que bom, isso mesmo, vá em frente! Viver empacada não vale a pena!” E é desse espírito de coragem que gosto de lembrar. “Que você nos inspire e viva pra sempre na nossa memória, vó.”

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Sobre os desenhos: Utilizei os mesmos materiais de sempre: canetinhas de nanquim descartável Unipin e Pigma Micron 1.0, 0.1 e 0.05. A cor foi feita com aquarela Winsor & Newton e um pincel Pentel waterbrush. No primeiro desenho, o céu dos quadradinhos ficou pesado (com waterbrush); daí troquei para um pincel de pelo (no quadro maior do lado direito) e achei que funcionou melhor. Meu sonho era fazer aquarelas leves mas com cores intensas. Ô coisa difícil! Daqui a alguns anos a gente conversa…
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Leitura da semana: Não levei livro pra Paraty, mas li uma crônica do Arthur Dapieve que lavou a alma: “Saudades do Rio“. É daqueles textos pessoais e ao mesmo tempo universais para todos nós, cariocas, do tempo em que domingo era dia de passear de carro com a família…


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16/09/2014 às 12:06
Gostei muito do capacete do ciclista, parece coisa de outro mundo, predador, astronauta.
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11/09/2014 às 17:12
Que lindos desenhos Karina. E as estórias que os envolvem são tão ricas, tenho a certeza que vão ficar-nos gravadas na memória pelo menos mais… Cem anos.
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11/09/2014 às 13:26
Karina, lindos desenhos! Que saudades de minha avó!!!
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11/09/2014 às 12:14
Kau, seus desenhos têm leveza e movimento. Parece que estamos ouvindo descompromissadamente a conversa de alguém que passa. E o bolo parece mesmo um chapéu. Chapéu de vovó. claro.
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11/09/2014 às 09:30
Adorei! Me senti em Paraty por alguns minutos. Beijão pra vc
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11/09/2014 às 09:22
Karina, I love the sketches Especially the top page on the left and bottom page left.(with the red curtain).I feel the same as both you and Beliza about William 🙂
I love reading your posts. SO thoughtful and eloquent.
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11/09/2014 às 09:06
Correção:
esqueci de contar pra vc que tb tinha uma Lydia.
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11/09/2014 às 09:04
Esqueci de contar pra vc que a minha Lydia. A minha se chamava Judith.
Que sortudas nós!
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11/09/2014 às 09:02
Querida ídAla,
adorei ver vcs tão lindos! É assim que a gente fica qdo é bem cuidada/, bem amada, afinal.
Já anotei todas as dicas da maravilha de hoje. Que delícia ter vc no meio de cada semana. Muda tudo. Puro luxo.
Bjs e obrigadíssima.
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11/09/2014 às 08:27
Gostei demais do último quadrinho – Café Margarida – parece até um “curta”.
Pena que não vi nada do Cordero em Paraty, mas percebo que vc aprendeu bem as liçõeSuas “cópias” de desenhos dos outros têm personalidade própria – queria poder copiar assim.
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11/09/2014 às 07:31
Parabéns Karina! Pelos seus desenhos, texto, dicas e pela avó e grande amiga Lydia!!!! beijos
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11/09/2014 às 03:38
Adorei este post, Karina! E estou como tu: apaixonei-me ainda mais pela arte do William e quando crescer quero ser como ele!!
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