Numa aula de antropologia do mês passado, convidei os alunos para sentarem no chão e escutarem o silêncio por três minutos. Só isso. Escutamos o espaço, o tempo, os nossos pequenos sons, os ruídos dos colegas, os alarmes da rua, a conversa dos aparelhos de ar-condicionado.
Foi tão simples e tão bom. Um momento de paz coletiva. Saíram coisas bonitas na conversa posterior. Falamos dos filtros que impomos ao que escutamos e, principalmente, da dificuldade de ouvirmos uns aos outros; e do desafio de compreender o que as pessoas que nós estudamos têm a dizer.
Agora à noite, estou lendo os relatórios sobre as palavras que surgiram nos trabalhos de campo. Tem boca de cena, alma penada, espera, frentes, coração, treta, lobo, beijo, tic tac, parça, guia, lunfa, segura, ownn! É uma lindeza de ver como eles decifraram os contextos e significados desse vocabulário. Recupera o lugar do enigma na pesquisa. Ou, como disse o poeta: “Cada eco leva Uma voz Adiante”.
Nesses tempos difíceis, deixo essa flor em homenagem aos meninos assassinados, mas também aos jovens e vivos. Que a gente consiga se escutar e escutar uns aos outros. Estamos precisando.
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Escutas: O poeta citado é Arnaldo Antunes e o verso vem da música Pra Lá. Antes dos três minutos de silêncio na aula, ouvimos juntos esta palestra de Julian Treasure (tem legenda em português).
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Sobre os desenhos: Reproduções de caderninhos leves que costumo usar para desenhar no metrô e onde anoto os sons e palavras que escuto pelo caminho. Desenhei também alguns dos temas das páginas internas ao redor. Utilizei as canetinhas Pigma Micron 0.05 e aquarela para colorir. A flor foi feita com os mesmos materiais, copiada de um livro de botânica.
Ultimamente está tão difícil um minuto de silêncio que quando propomos um exercício desses é de tirar lágrimas dos olhos. Fiz algo parecido com a minha turma na semana passada. Propus que deitássemos nas pedras do estacionamento e observássemos o céu. O objetivo foi permitir a eles que mesmo em meio ao desconforto ainda ha beleza ao nosso redor, só precisamos mudar nossa perspectiva e observar o que nos cerca. Amo seus textos, obrigada por nos oferecer uma leitura tão prazerosa.
Muito lindo seu trabalho! Desejo sucesso! Obrigada pelos calendários! Colocar carinho e beleza em tudo é vital! Não desista nunca de amar! Dá certo! 💙🌟
Teu texto é simples e poderoso na sua mensagem. Ele é quase silencioso, de tão belo… Aqueles silêncios eloquentes… Se pudéssemos nos virar para o silêncio, como queria fazer Goethe com o Tempo, dizendo-lhe, ao Tempo: “Pára! És tão belo…” — e dizer ao Silêncio: “Não há nada como tu. Deves soar tão bem… Ah, se eu pudesse ouvir-te…”. Este teu texto me lembrou toda esta ideia do silêncio. É isso. Teu texto nos convida a ouvir o Silêncio. Mais uma vez: parabéns pelo brio e pela paixão com que fazes este blogue.
Karina, sua delicadeza é estonteante. Que privilégio ter uma professora como você! E que bom que estou viva para poder apreciar as coisas lindas que você faz e desenha.
Mil beijos e saudades
Simplesmente parar de falar e escutar… Eu mesma tive dúvidas de propor o exercício. Até que me dei conta de que eram afinal só três minutos!! E o efeito foi tanto! Obrigada pela leitura e pelo comentário!
28/08/2018 às 12:02
Ultimamente está tão difícil um minuto de silêncio que quando propomos um exercício desses é de tirar lágrimas dos olhos. Fiz algo parecido com a minha turma na semana passada. Propus que deitássemos nas pedras do estacionamento e observássemos o céu. O objetivo foi permitir a eles que mesmo em meio ao desconforto ainda ha beleza ao nosso redor, só precisamos mudar nossa perspectiva e observar o que nos cerca. Amo seus textos, obrigada por nos oferecer uma leitura tão prazerosa.
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04/11/2016 às 04:53
Muito lindo seu trabalho! Desejo sucesso! Obrigada pelos calendários! Colocar carinho e beleza em tudo é vital! Não desista nunca de amar! Dá certo! 💙🌟
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08/11/2016 às 21:53
Muito obrigada, Marília! Sim, pode deixar: amor sempre, acima de tudo! Um abraço grande pra você ♥
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05/12/2015 às 12:05
Teu texto é simples e poderoso na sua mensagem. Ele é quase silencioso, de tão belo… Aqueles silêncios eloquentes… Se pudéssemos nos virar para o silêncio, como queria fazer Goethe com o Tempo, dizendo-lhe, ao Tempo: “Pára! És tão belo…” — e dizer ao Silêncio: “Não há nada como tu. Deves soar tão bem… Ah, se eu pudesse ouvir-te…”. Este teu texto me lembrou toda esta ideia do silêncio. É isso. Teu texto nos convida a ouvir o Silêncio. Mais uma vez: parabéns pelo brio e pela paixão com que fazes este blogue.
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04/12/2015 às 14:29
Karina, sua delicadeza é estonteante. Que privilégio ter uma professora como você! E que bom que estou viva para poder apreciar as coisas lindas que você faz e desenha.
Mil beijos e saudades
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04/12/2015 às 14:52
Minha querida… nossa, que emoção a sua mensagem! Claro que vc tá viva, vivíssima! Muito muito obrigada
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04/12/2015 às 08:32
Inspirador de fato! Obrigada por lembrar-me do valor do silêncio em um mundo caótico e barulhento que por vezes nos faz esquecer do valor das coisas.
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04/12/2015 às 14:57
Simplesmente parar de falar e escutar… Eu mesma tive dúvidas de propor o exercício. Até que me dei conta de que eram afinal só três minutos!! E o efeito foi tanto! Obrigada pela leitura e pelo comentário!
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03/12/2015 às 21:50
Lindo e singelo… Post inspirador, como sempre!!
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04/12/2015 às 15:00
Inspiração mútua, Chris!
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03/12/2015 às 21:28
Muito bom Karina! Adorei! Beijos, Antonio
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03/12/2015 às 21:38
Que legal ver você por aqui — muito obrigada!
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