
“Quando se perde alguém querido, sempre resta algo de irreal nessa ausência.” (Arthur Dapieve)
Assim como a epígrafe, o título do post veio da crônica “Chuva permanente” de Arthur Dapieve, publicada no Globo de 6/05/2016. Um texto sobre o luto, lindo e triste, triste e lindo. Que bom que artistas como ele existem para nos explicar o que não tem explicação.
Aproveitei a deixa para compartilhar com vocês um pouco da minha “realidade alterativa”. Tenho tentado viver todos os dias pelo menos por alguns minutos nas páginas dos cadernos de desenho. Como me disse uma sábia terapeuta, a arte (ou qualquer atividade que amamos) não nos cansa. Ao contrário, é onde recarregamos as baterias do espírito. (Não reparem, estou relendo muito Lévi-Strauss ultimamente!)
. A crônica do Arthur Dapieve pode ser lida aqui.


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Sobre os desenhos: Os desenhos foram feitos a partir de diferentes fontes: fotografias (da Lagoa, das pessoas pintadas de preto, da sequência Alice-celular-perdido-no-taxi; flor lilás); do Google Street View (atelier da Dora); e da observação direta (Tristes trópicos, blusa, estampas no metrô e peixinho-chaveiro). Tenho muita dificuldade de desenhar em ambientes abertos: sinto-me vulnerável e desconfortável. Amo desenhar por observação, mas definitivamente prefiro me sentir segura, em casa, no metrô ou em algum local mais protegido. Terá sido minha adolescência na violenta cidade do Rio de Janeiro dos anos 1980 tão traumática? Acho que em parte sim. O Rio cidade-comum (não a turística) é barulhento, atropelativo, sujo. Ou eu é que não sei onde ir… Os materiais foram os de sempre listados aqui.
15/05/2016 às 22:21
Karina, o texto do Dapieve trouxe clareza ao sentimento que costumo experimentar: as pessoas com quem tivemos convivência nunca saem de nós; continuam presentes em nosso mundo pessoal. E retornam sempre que passamos por locais ou situações onde tivemos a oportunidade de partilhar, como um filme de episódios. E por contraditório que pareça, a crônica ‘chuva permanente’ me trouxe conforto para assumir que evoco com alegria, e não com pesar, os momentos vividos com os que se foram.
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14/05/2016 às 11:57
Muito obrigado pelas palavras, Karina. E que desenhos! Os movimentos do futebol, as flores, o atelier…
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13/05/2016 às 21:37
Noto certa tristeza no exposição das pinturas de hoje ou é impressão minha?
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14/05/2016 às 09:52
O texto doa Arthur é sobre perdas… de vez em quando é bom a gente reconhecer nossos lutos, ne? Nao tinha pensado na tristeza das imagens mas agora que você comentou, acho que tem um pouco de razão sim! Acho que o menino nambiquara que está na capa do Tristes Tropicos acabou dando o tom. O interessante é que esse menino não pensa a tristeza como nós!
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