
Volta e meia me vejo como uma mãe-abaixo-de-zero no termômetro de felicidade das redes sociais. Não vou à praia com as crianças, esqueço que é feriado e morro de preguiça de encher o pneu da bicicleta. E, pior, quando passo o dia caçando Pokémon e andando de patins, esqueço de tirar fotos! Haja auto-estima.
Para completar, é um enorme desafio produzir um-dia-com-foto-feliz aqui em casa. Meus filhos têm idades, vontades e personalidades diferentes. Vamos pro sol: Alice ama, Antônio resmunga. Vamos pra feirinha de antiguidades: Antônio vibra, Alice se esconde no armário. Vamos para a vovó? Antônio quer show de música alternativa.Vamos de metrô? Alice quer táxi. Vamos ao cinema, eba, pipoca: perdemos a sessão porque não há consenso do filme! Haja persuasão.
Há duas semanas, cansada de ser a pior mãe do mundo, resolvo propor uma troca: vamos a uma exposição (Antônio) e depois à Lagoa (Alice). “– Uma horinha em cada local, gente!” Só com essa frase para convencê-los a aceitar o programa do outro. Ufa, vambora.
Não tirei foto, mas nem precisava. Saí desse dia com o coração maior que o mundo. Já no final da exposição do Picasso, Alice propôs: “Vamos desenhar?” Claro, claro, pensamos, tirando os cadernos e as canetas da bolsa (por sorte, ou premonição?, tínhamos três de cada). E o resultado está nos desenhos que abrem o post: três olhares sobre a “Grande banhista com livro”, por Alice, Karina e Antônio, nessa ordem. Os tamanhos originais são mini, pequeno e médio (A5), da esquerda para a direita, em função da dimensão dos cadernos que usamos. Igualei para facilitar a visualização. Amo as pequenas diferenças, as legendas de cada um, a conversa silenciosa dos traços vistos lado a lado, as lembranças do momento em que trabalhávamos juntos em silêncio, nossas risadas de comparação, os guardas sorrindo com a cena.
Mais tarde, na Lagoa, cumprindo o trato, lá fomos andar naquele carrinho desengonçado, meio charrete, meio triciclo, que quase capota na menor curva. Eu e Antônio reclamamos tanto que a Alice aceitou trocar os dez minutos finais por um milho cozido, na barraquinha da vendedora simpática, nossa conhecida dos tempos em que eu era 5 anos mais nova e bem-disposta. Sentados na beira do pier, terminamos o dia nos divertindo observando a disputa dos peixes com um frango d’água por uns pedacinhos de milho. Sem fotos, mas com o termômetro interno lá em cima!
…
Sobre os desenhos: Os materiais da Alice foram um caderninho-mini com canetinha nanquim Graphik Derwent 0.1. O meu desenho (no meio) foi feito num caderno Moleskine 14x9cm, com canetinha Pigma Micron 0.05. O Antônio estava com o caderno preferido dele, um Canson Artbook A5, e a canetinha preferida também: a Unipin 0.4. Para quem não sabe, ele é o artista da família, autor de várias pinturas e centenas de desenhos — alguns à vista na página Onimul. A imagem do quadro do Picasso que observamos-desenhando pode ser vista na wikiart.org (explorem lá, esse site é o máximo!!): aqui.

Resolvi compartilhar também um retrato recente que fiz da Alice. Ficou com a carinha de tédio dela depois que eu e o Antônio cansamos de brincar na piscina. Para vocês verem como a minha avaliação de boa mãe dura pouco!
PS: o título do post é inspirado na série “Family time” do Nelson Paciência, um dos meus desenhadores preferidos, sobre quem já escrevi aqui.
31/10/2016 às 17:11
Como diz o ditado popular, você é mãe de mão cheia. Mas é também uma mãezona para um monte de pessoas, causas e afins. Bjs!
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01/11/2016 às 16:19
saudades, querido Geo!!! vem comer macarrão com a gente? agora o dia é quarta!! ♥ ♥ semana que vem, dia 9?
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21/10/2016 às 12:37
Um beijo amoroso para a pior mãe do mundo♡ que os termômetros de qualidade materna zerem em você ♡ 3 Beijos pra vocês
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28/10/2016 às 16:49
♥ love love love love & saudades, linda ♥ todos os beijos pra segunda pior mãe-e-avó-mundo também! rs
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21/10/2016 às 11:21
Adorei o texto. Sei exatmente o que passas com duas filhas adolescentes que gostam de fazer coisas diferentes. Sempre sentindo-me uma màe atípica….. Com todo respeito e admiração um cheiro no Coração.
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28/10/2016 às 16:48
Obrigada, Ana! Ainda não estou considerando a Alice adolescente, mas já sei que minha vida vai complicar bastante até lá!! rs Um beijão pra vc também! ☺
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19/02/2021 às 18:33
E aí? como estão Alice e Antônio após quatro anos?
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21/10/2016 às 10:28
Adorei. Ler seus textos me deixam com os pés no chão. Ser mãe é ser imperfeita e amar a imperfeição. Que desenhos lindos, que artistas maravilhosos vc são. Bjs
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28/10/2016 às 16:45
Ganhamos o dia aqui, Ana, muito obrigada! Alice é bem convencida, então achei melhor não contar pra ela por enquanto…rs brincadeira, tá? beijo grande, seja sempre bem-vinda!
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21/10/2016 às 09:44
Querida Karina,
Há tempo não nos falamos, mas leio sp o seu blog, e gosto muito sempre.
Alguns, como o de hoje, me emocionam mais, e não poderia deixar de responder dizendo que sem dúvida alguma o Antônio e a Alice são muito sortudos, a mãe deles é MUITO legal, mas eles tb são, com as suas diferenças.
Os três desenhos são lindos, são três artistas com olhares diferentes, muito legal ver os três desenhos juntos.
Parabéns, vc é uma grande mãe e tem uma linda família.
E como sempre o seu texto nos faz parar para pensar, será que sou uma boa mãe? E agora já tenho que acrescentar, será que estou sendo uma avó legal?? rsrsrsrs
Bjos para toda a família
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28/10/2016 às 16:44
Ah, nem fala, e eu já sonhando com o dia de ser avó para deixar de me preocupar em ser boa mãe! hahaha Adorei a mensagem, querida. Que a sua delicadeza reverbere não só no meu coração como no mundo! Estamos precisando.
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21/10/2016 às 00:37
É linda a vida! Lindos desenhos e que mãe tão aberta ao diálagoe e à negociação! Um amor! ❤️
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28/10/2016 às 16:41
obrigada, linda! você é muito suspeita para falar de filhotes maravilhosos, não é? hahaha o seu é fantástico, como a mãe ☺
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20/10/2016 às 22:13
Virei mesmo sua fã! Não te conheço pessoalmente, talvez nossos caminho nunca se cruzem. Sou da Zona Oeste mesmo, Campo Grande, e tento viver um pouco dessa vida mais cult/culta/cabeça que é a Zona Sul dessa cidade linda/partida. Não é fácil, mas tento quando dá. Também sou mãe, 2 meninas, 13 e 18 anos. Tão diferentes quanto Alice e Antônio, Laura e Júlia enchem minha vida de prazer e tormentos, e muito, muito amor! Só sendo mãe é que podemos entender a dor e a delícia de ser mulher moderna…Beijo grande, querida!
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28/10/2016 às 16:40
Adorei, Claudia! Manda um beijo para a Julia e para a Laura. Do lado de cá do túnel tem muita livraria e cinema para enfiar as crianças em dia de chuva, mas às vezes eu sonho mesmo é com os quintais e as casas que parecem sítios em Campo Grande! A gente sempre querendo o que não tem, né? beijo grande também! ♥
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20/10/2016 às 21:55
Me identifiquei totalmente, Karina, tenho um de 6 e um de 13 com personalidades tão diferentes, assim como os seus. E devo dizer que só posso concordar no que se refere à percepção dos programas-de-fds-de-famílias-felizes-das-redes-sociais: “Gente, eu devo ser uma péssima mãe por não conseguir fazer esses passeios que TODOS fazem.” Mas, não devemos nos abalar… Sigamos em frente com um cinema a cada dois meses e um passeio no Aterro a cada três semanas. Com ou sem fotos! Um beijo.
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28/10/2016 às 16:37
Que lindo comentário, Beth, obrigadíssima! Nada como a solidariedade feminina para nos sentirmos menos estranhas. hahaha É dureza agradar a todo mundo e ainda tentar seguir um caminho próprio criativo. Haja força! Por falar nisso, parabéns pelas suas produções!! tenho acompanhado no fb como seu trabalho está lindo, parabéns! ☺
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20/10/2016 às 21:36
Uma delicia!!! Amei! E a nossa Alice também está se revelando!!! Vocês são demais. Um beijinho, Mamãe
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28/10/2016 às 16:31
♥ love you ♥
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20/10/2016 às 21:21
Seu blog é um dos melhores entre os que acompanho. parabéns!
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28/10/2016 às 16:30
Muito obrigada, Paulo — seja sempre bem-vindo! ☺
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20/10/2016 às 21:08
É bom demais de se ler e de se ver. É bom demais. Parabéns, Kau.
E parabéns à Alice e ao Antônio!
(A versão do próprio Picasso, a “original”, até que ficou razoável…)
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28/10/2016 às 16:29
♥ hahaha, elogio de amor não vale! ♥
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