Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Sete coisas invisíveis na vida de uma professora

71 Comentários

estojokkpEsse post não é uma obra de ficção: todos os fatos relatados abaixo aconteceram (e acontecem) comigo, professora universitária desde 1992, e com todas as professoras que conheço. Dedico esse texto às colegas da UERJ e das instituições do Estado do Rio de Janeiro em geral, trabalhando em condições aviltantes, há vários meses sem salário.

Dando aula sobre a obra “A representação do eu na vida cotidiana”, de Erving Goffman, sempre me sensibilizo com o exemplo das enfermeiras. O autor utiliza essa profissão para ilustrar um tipo de atividade que precisa encontrar estratégias para tornar seu trabalho visível, já que boa parte de suas tarefas e habilidades técnicas passa despercebida pela maioria das pessoas.

Me espanta que o Goffman não tenha usado o caso dos professores, esses seres que só parecem trabalhar quando estão diante de alunos numa sala de aula, algumas horas por semana. Opa, que beleza de emprego, né? Só que não! Aquela horinha diante dos estudantes é uma ínfima parte de trabalho na representação cotidiana da nossa vida.

Para sanar esse problema, aí vão os bastidores da vida de uma professora, atividade que adoro exercer, mas que me faz acordar todos os dias pensando: como vim parar aqui?

1) A aula em si — Para cada 50 minutos de aula ministrada com entusiasmo, passo umas 3 horas estatelada de exaustão depois. Se a aula foi ruim, me torturo pela minha incompetência. Se foi boa, fico feliz e mais cansada ainda, porque dar uma aula boa significa empenhar mais o corpo, a emoção e a voz. Como a maioria das aulas é de dois ou três tempos seguidos, de até 3 horas e 30 minutos, multipliquem o tempo de “estatelamento” proporcionalmente. Ou seja, uma manhã dando aulas é um dia inteiro perdido. Um amigo meu chama esse cansaço pós-aula de “estado vegetativo”. É bem por aí.

2) Antes da aula (1) — Retrocedendo um pouco. Antes de dar uma aula, é preciso prepará-la, certo? Na minha prática, pelo menos, sim. Não confio na memória, muito menos na ideia de que os alunos lerão todo o material didático e terão perguntas capazes de me ocupar por um tempo inteiro. Portanto, só me resta preparar. Para 50 minutos de aula sobre um autor, digamos que eu tenha sugerido um texto de 50 páginas. Para reler esse texto com calma, anotando um resumo com seus pontos mais importantes, levo de duas a três horas. Para ler material de apoio e, em alguns casos, preparar um datashow, mais duas ou três horas. Agora multipliquem novamente para as 8 horas semanais em sala de aula. Numa semana dando aula terça e quinta, por exemplo, a segunda e a quarta estão perdidas nisso.

3) Antes da aula (2) — Ok, vocês devem estar pensando, mas você não repete os cursos de um semestre para o outro? Sim, às vezes. Por isso escrevi acima que iria “reler” um texto. Dificilmente coloco um material num programa de curso que eu nunca tenha lido antes. É muito arriscado. Por outro lado, se quero ser uma boa professora, vou ficar repetindo eternamente os mesmos autores, textos e aulas? Não dá. Preciso ler coisas novas, acompanhar debates interessantes na área e, no meu caso, principalmente, estou sempre me desafiando a planejar uma aula, não apenas um monólogo. Portanto, seja relendo, seja ampliando meus conhecimentos, seja planejando coisas novas, para cada hora em sala de aula, gasto pelo menos o triplo para me preparar.

4) As bombas de efeito moral — A sobrevivência ao looping preparação-aula-cansaço-preparação-aula-cansaço até que vai bem por umas seis ou sete semanas. O problema é que na oitava semana existem as bombas de efeito moral: corrigir a primeira leva de provas e trabalhos. Pelo menos na universidade, ainda não inventaram um sistema de dar aulas sem avaliar. Para corrigir bem cada prova levo cerca de 15 minutos. Se tenho 100 alunos num semestre, são 1500 minutos ou 25 horas. Ok, vocês vão dizer que estou exagerando. Não estou, mas darei um desconto. Digamos que eu não tenha tantos alunos assim, ou que eu leve apenas 8 minutos por prova (considerando que algumas são muito curtas ou inacabadas): ainda seriam quase 14 horas de correção. Como sou humana, o máximo que consigo me concentrar nesse tipo de atividade num dia é 5 ou 6 horas, o que, contando os intervalos para comida e cafeína, somam três dias inteiros só para as primeiras provas do semestre. Multipliquem pelas duas ou três avaliações seguintes… Isso sem falar na hipótese de ter que ficar verificando no Google se o estudante copiou um texto da internet. Quando acontece, volto três casas no video-game, porque preciso ligar para uma amiga professora, pedir um ombro para desabafar e me convencer de que nem tudo está perdido.

5) Como tudo aconteceu — Se vocês leram até aqui esse post, devem ter simpatia pelos professores ou, quem sabe, querem até exercer o ofício, certo? Pois então… como alguém se torna professor(a)? Nossa-senhora-do-tempo-de-estudo te abençoe, meu filho. São meses estudando para concurso, anos fazendo doutorado, mestrado, especialização e mais alguma coisa. Não vou entrar nas minúcias dessas pedreiras… Só façamos as contas. Nos tempos atuais, são uns dois anos de mestrado, mais 4 de doutorado, e pelo menos 1 ou 2 anos de dedicação (e um pouco de estado vegetativo, claro) antes ou depois disso tudo, o que dá fácil uns 8 anos estudando, escrevendo e outras coisinhas.

6) A vida paralela — Essas “outras coisinhas” que mencionei acima acontecem todas fora da sala de aula, e não são detalhes. Sempre que uma professora entra em uma sala de aula, dezenas de outras professoras estão: realizando pesquisas, dando palestras, orientando alunos (um mundão à parte!), participando de bancas e concursos de seleção, escrevendo pareceres e cartas acadêmicas, colaborando em comissões de inúmeros tipos, atuando junto às agências de fomento, implementando projetos de extensão, assumindo cargos administrativos, criando programas de pós-graduação, mestrados e doutorados, editando revistas científicas, gerindo grupos de pesquisas e entidades da área, preenchendo formulários, editais, relatórios e prestações de contas, lendo, escrevendo, publicando. O tempo nunca é o suficiente, porque a produção de conhecimento da humanidade é infinita — e esta é a matéria-prima de todos esses trabalhos, das aulas inclusive.

7) E a vida não-paralela — Ah, sim, e eu já ia esquecendo: também temos uma vida não acadêmica para viver. Nos apaixonamos, casamos, descasamos, sofremos, envelhecemos, temos filhos, doenças, famílias, casas, mudanças, paixões, histórias, atividades políticas, práticas e lúdicas. Tudo isso e mais um pouco.

Com certeza, esqueci de um monte de coisas, pessoal. Mas tudo bem. Que esses bastidores da nossa vida cotidiana sejam mais visíveis para que, além de faltar salário, não falte o reconhecimento de vidas inteiras dedicadas a esse ofício tão essencial a todos os outros.

Outros posts sobre esses assuntos podem ser lidos seguindo a tag mundo acadêmico. Gosto especialmente de um antigo, que escrevi sobre o Paulo Rónai.

Me contem nos comentários se tudo isso faz sentido para vocês.

Pós-escrito 1 (22/06) – Pessoal, muito obrigada! Não imaginava que tanta gente ia se identificar… Juro que acordei pensando que devia ter agradecido mais e enfatizado como gosto de ser professora etc. Felizmente, uma amiga querida me escreveu no Whatsapp: não precisa agradecer mais não! Fui rever o texto e vi que, afinal, já estava escrito que “adoro exercer” a profissão. O que me faz perceber o quanto de culpa todos carregamos por ter uma ocupação privilegiada sim (por nos permitir estudar e ler coisas maravilhosas), mas que nem por isso deixa de nos exigir sangue, suor e lágrimas quase todos os dias. Como não gosto de alimentar a cultura do sacrifício, o que tenho feito é abrir mão de muitas das coisinhas paralelas que listo no texto… Também queria agradecer especialmente aos professores não universitários que têm escrito e compartilhado… Tenho uma admiração infinita por vocês . E a todos que estão começando: espero que o texto não seja para desanimar e sim para perceber o tanto de planejamento e cuidado consigo próprio que um professorx precisa ter… O que não dá é para aceitar tudo, nem passar por cima, nem achar que é normal viver esgotado, tomando remédios para dormir e acordar, sem vida pessoal. E viva a chegada das férias 🙂 — só precisamos sobreviver às bombas de efeito moral antes!! 😉

Pós-escrito 2 (22/06) – Gente, a coisa mais linda de ter escrito esse post é ver centenas de professores sendo elogiados em público! Nos compartilhamentos no Facebook, tem montes de alunos fazendo declarações de amor às suas professoras e professores. Só isso já vale tanto! No arte, se fala às vezes da ressaca da vulnerabilidade, quando você lança sua obra ao mundo e fica um vazio, porque nunca se tem bem a certeza de como vai ser recebida. Agora, multiplica isso por todas as aulas que já demos… é muita sensação de vulnerabilidade junta. Aliás, voltando ao Goffman, ele acerta de novo quando diz que a plateia (alunxs) tem uma vantagem enorme sobre o ator; ela não está lá se expondo… nós sim. Multiplico tudo isso por milhões para os colegas do ensino básico, para os horistas das faculdades privadas (já dei 26 horas de aula como horista por semana, em 3 empregos; e grávida). Obrigada por essa onda maravilhosa de energia a todos que comentaram aqui também. 

Sobre o desenho: Professora que é professora tem que ter um estojinho na bolsa, né? Aí vai o meu atual, com post-it, marcador amarelo, caneta, elástico, pen drive, lápis-borracha, canetinha roxa e marcador de quadro branco. Só esqueci da lapiseira! Desenhei direto com canetinha de nanquim permanente Pigma Micron 0.1. Depois pintei com aquarela e pincéis diversos. Utilizei um pouquinho de lápis-de-cor e uma canetinha de tinta branca Gelly Roll 0.8, da Sakura, para fazer o xadrez do estojo da marca Yes.

….

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Sete coisas invisíveis na vida de uma professora”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2lk. Acesso em [dd/mm/aaaa].

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Autor: karinakuschnir

artista & antropóloga

71 pensamentos sobre “Sete coisas invisíveis na vida de uma professora

  1. Avatar de Edvaldo Carlos de Lima

    Boa tarde Profa. Sou professor da UEPB. Por aqui as coisas nao estão tao diferentes da UERJ. Por isso me sensibilizei com seu texto e admiro sua capacidade de articulação do mundo académico com a realidade. Parabéns mesmo. Um abraço e salvem a nossa profissão.

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  2. Avatar de Eduardo Salavisa

    Os professores têm momentos inesquecíveis na sua vida profissional. Infelizmente não são todos. Vivam os professores! (finalmente consegui comentar e é o 50ºcomentário). E que bonito post Karina.

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  3. Avatar de Darcilia Simoes UERJ

    Colega
    Tenho 47 anos de sala de aula oficial e mais 4 no particular. Na Universidade são 42. Ainda preparo minhas aulas como se fosse o primeiro dia. Separo textos e imagens, produzo exercícios e tarefas. Não aplico provas. Prático a avaliação continuada o que multiplica meu trabalho por mil. Mas só assim me sinto bem.
    Comecei a estudar com 4 anos e nunca parei. 2 graduações completas e uma incompleta, mestrado, doutorado e dois pós-doutorados.
    Até hoje, com 65 anos e meio entro em sala com alegria.
    Porém a forma como os governantes vêm nos tratando tem me entristecido. Ficar sem meu salário é aviltante!
    Mas agradeço seu texto que certamente fará muita gente refletir sobre a relevância e as dificuldades de nossa profissão.
    Não há nenhuma profissão que dispense a ação do professor.
    Apesar de todo progresso, O PROFESSOR É INDISPENSÁVEL E INSUBSTITUÍVEL

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  4. Avatar de Gladis Franck

    Professora só muda de lugar! Não há como não se identificar com o texto. Acrescentaria o sentimento de culpa por não estar trabalhando, quando estamos no merecido “repouso remunerado”, que ler esta expressão ainda há de pensar: só dão aulas e ainda recebem pelo repouso! O maior desafio de um professor ou professora é conseguir desligar-se. Em final de semestre é meio impossível, podemos estar fazendo qualquer coisa, mas nossa mente está nas aulas, nos alunos, nas avaliações… Em um final de semestre uma colega foi ao supermercado em um dia de chuva, estava andando pelo corredor quando um cidadão tocou levemente no seu ombro e falou: “Já podes fechar o guarda-chuva”.

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  5. Pingback: Julho/2017 e as fascinantes histórias da etnobotânica | Karina Kuschnir

  6. Avatar de Igor

    Muito bom!!!

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  7. Avatar de Verônica Domingues

    Estou escrevendo sobre amor e docência: da missão e do sacrifício à ação politicamente situada, perpassando pelo amor ao mundo. Será que seu adoro, poderia ser compreendido como expressão de amor?

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  8. Avatar de Mara Rubia Hoffmann

    Excelente matéria. É a realidade na profissão. Parabéns pelo texto.

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  9. Avatar de Bruna

    Amei o texto! Sou professora há 18 anos e nunca li um texto que retratasse tão bem a nossa realidade! Se soubessem como trabalhamos para o bem dos outros nos dariam mais valor! Enfim… parabéns pelo texto e pela sua linda profissão!

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  10. Avatar de Thaminne

    Boa tarde!!! Ótimo texto! Eu teria mais uma coisa para acrescentar: o cansaço de ter mensagens online via Facebook ou e-mail dos alunos. Já recebi até um pedido de revisão de prova pelo messenger do Facebook, pasme!

    Graças a deus isso tudo ainda não me tirou a felicidade de ter esse ofício.

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  11. Avatar de Maria Palmira da Silva

    Fiquei emocionada com o seu post. Sou professora universitária há mais de 22 anos. Sempre trabalhei como horista porque tinha outro emprego. Enfim, seu post é a minha cara.

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  12. Avatar de Regina Abreu

    adorei Karina! me identifiquei tanto, q bom q vc expressou nesse texto meu dia-a-dia. Mas, o q vale a pena mesmo é qdo conseguimos estabelecer uma troca de energias, afetos e pensamentos com alguns alunos e professores, criando uma rede q se estende num espaço denso e espesso. Ainda vale a pena ser professora! bjs Regina Abreu

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  13. Avatar de Edna Reis

    Assim mesmo! Eu me sinto até outra pessoa durante a aula, como se eu incorporasse um personagem ou baixasse um santo, sei lá. Depois a exaustão é física e emocional. Mas adoro o que faço!

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  14. Avatar de Cláudia

    Muito do que a autora diz faz parte da minha rotina, entendo ( como entendo!) e me solidarizo. Mas… lamente e tenha muita simpatia mesmo são pelos professores que lecionam na educação básica, estes sim estão completamente exaustos! Muitos dão até 40 aulas semanais- e não 8 – e ganham infinitamente menos, apesar de possuirem a mesma formação. Multipliquem tudo o que ela disse para atingir 40 aulas e terá uma noção….Digo isso não com a intenção de desmerecer as colocações pertinentes dela, mas talvez servirá de consolo para que reflita o quanto ela faz parte de um grupo muito privilegiado.

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  15. Avatar de pamela

    Caiu um cisco no meu olho ao ler esse texto. Sou estudante de Letras e atuo como professora no fundamental I, tenho só 1 ano e meio de experiência e sinto que essa jornada é longa, cheia de pedras, mas sempre haverá sorrisos também. Obrigada por esse texto! Um beijo de Belém!

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  16. Avatar de André Braga

    Perfeito! O fato é que não sabemos valorizar os mestres!

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  17. Avatar de Mirian Gomes Gomes de Lima

    Ao ler esse post, me reportei à uma aula que assisti no dia 22/06/2017, por visualizar a competência e entrega da professora e sua imensa força para manter a atenção dos discentes, em plena véspera de feriado.

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  18. Avatar de Julia Bernstein

    Me identifiquei muito com alguns aspectos! E que texto gostoso de ler! Acompanhando desde já 😉

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  19. Avatar de Fabia

    Se você sente-Se assim, exausta, o que me diz de um professor de educação básica que trabalha em sala de aula por 30 horas semanais (sim 30 horas) e chega a ter 600 alunos? Me parece quase romântica a sua realidade perto da nossa. Ah agora nós também fazemos mestrado e doutorado.

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  20. Avatar de Angela Maria Dal Piva

    Professora Karina, imagina então ser professora de ensino fundamental e médio atendendo de 300 a 500 , 600 alunos adolescentes?

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  21. Avatar de Ely Francina Tannuri de Oliveira

    Texto excelente, real e verdadeiro! Mesmo o pós aula de uma aula produtiva e satisfatória, continua a nos exaurir!
    Penso que é assim porque gostamos do nosso fazer!

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  22. Avatar de lucia

    Parabéns Karina!!! Bjs

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  23. Avatar de Antonio B

    👍🏻👍🏻👍🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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  24. Avatar de Luiza Baptista

    Olá Professora! Parece que você descreveu exatamente a minha vida! Um abraço,

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  25. Avatar de Juva Batella

    Que texto bom. Simples, certeiro, sincero, escrito com a força da experiência e com o amor pela profissão. Não sou propriamente um professor, mas bem imagino o quanto todos os bons professores (que acreditam no que fazem) devem se sentir representados aqui. Parabéns, desenhista, pintora, ilustradora, escritora – Karina artista e professora. 🙂

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  26. Avatar de Clau

    ♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡

    Clau

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  27. Avatar de Priscila

    Professora Karina, sou filha de professora e conheço a realidade do lado B da vida do professor: fora da sala de aula, em casa, corrigindo provas, trabalhos e tudo o mais. Não tenho o que dizer. Vocês são heróis. E ponto.

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  28. Avatar de Style and Tips

    Professora Karina, obrigada. Este texto é maravilhoso! Não precisa nem dizer que ser professor/a é um ato de amor. Só assim para se dedicar a tantas tarefas invisíveis aos olhos alheios, mesmo os próximos, como os dos alunxs. Sou muito grata e construí essa vocação para a docência e a pesquisa graças à professores/as como você. Eu também não sei se agradeci suficientemente a cada um deles. Tenho certeza que não. Mas, me senti (e me sinto) motivada a cada texto, a cada postura ética e sincera, a cada demonstração de dedicação daqueles que ampliaram meus horizontes e me mostraram como é maravilhoso aprender e criar.

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    • Avatar de Style and Tips

      Meu wannabe blog acima não é nada inspirador ou instrutivo. Só distração!
      Fui sua aluna da UERJ, num período em que passou por lá, e do IFCS. Mas, só tive oportunidade de assistir suas excelentes aulas na UERJ. Hahahaha

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  29. Avatar de Maristela Assis Coura Gorgulho

    Adorei o texto. Parabéns. Me identifiquei com muitas coisas. 😊👍👏👏👏👏👏😘

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  30. Avatar de Alissan Maria da Silva

    Sem fôlego ao ler… me reconhecendo… saindo da auto culpabilização pelo estado vegetativo

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  31. Avatar de lucia tomaz

    Parabéns. Que real, que lindo , sofrido e apaixonante.Quem dera todo professor carregasse dentro do próprio coração e intelecto tanta competência. Um abraço sincero.

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  32. Avatar de Joao Fonseca

    Isso mesmo! Muito pertinente e bem escrito! Eu ainda acrescentaria alguns “detalhes”: o tempo para dedicar-se ao aprimoramento de outra língua (não dá pra parar); o tempo pra praticar alguma atividade física minimamente (porque o corpo cobra); o tempo pra cuidar da saúde que vai sendo afetada pelo adoecimento vinculado à atividade (um dos meus campos de estudo)… e por aí vai…!

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  33. Avatar de Lucia Glicerio Mendonça

    Olá Karina,
    Você falou da vida pessoal, mas falou da jornada de trabalhos domésticos que as professoras têm que enfrentar, além de tudo o que vc descreveu acima. A cada tópico que vc descreveu, lebrei de quantas latrinas lavei “enquanto” escrevia um artigo,preparava uma aula, fazia levantamentos bibliográficos para a tese no doutorado. Se fosse fazer a contabilidade, aff! Nem sei… Ainda mais, se formos levar em consideração as colegas da UERJ, que não têm mais para comer, o que dirá para pagar faxineira?! Portanto, como recém doutora, estou na ciranda de preparação para concursos ou para um pós-doc. Estou cansada e penso que não posso me dar o luxo de dar uma parada para descansar, porque, afinal, estou desempregada, pesando nas costa de alguém, o que é péssimo para uma pessoa adulta.
    Enfim, tudo o que vc descreveu acabou por tirar um grande peso da minha consciência, porque sempre pensei que eu seria uma espécie de impostora, por levar umas três horas para preparar uma aula de uma hora…e as demais atividades. Decidi me dedicar a docência do ensino superior por vocação, pois tinha outra profissão antes. Portanto, adoro o que faço e me dedico muito, quero fazer o melhor e contribuir. Por isso não aceitava não preparar bem a aula e as outras atividades.
    Agradeço o seu texto e espero melhores dias para a universidade, no Brasil.

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  34. Avatar de Waleska

    Karina, como professora da UERJ, agradeço muito por esse texto e sua solidariedade conosco. Senti um alívio enorme agora, pois achava que só eu demorava tanto para preparar uma aula e corrigir provas, e que seria por inexperiência, já que sou professora há poucos anos. Acho que vou andar com seu texto na bolsa para mostrar, didaticamente, a todos que dizem que professora universitária não trabalha. Obrigada!

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  35. Avatar de Marcia Siqueira

    Dizem que mãe é tudo igual (só muda o endereço). Professores(as) dedicados(as) são iguais às mães. Parabéns por ser assim. Me identifiquei em várias partes. Agora, rumo à aposentadoria, estou participando do corpo docente de um novo projeto de stricto sensu. Sênior no horizonte, hahahaha. Não dá pra gente se desacostumar dessa vida. Abração!

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  36. Avatar de dudaferraz

    Impressionante esse cotidiano escondido do professores! Beijos!

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  37. Avatar de Gustavo Lins Ribeiro

    O tempo de escrita de artigos e livros é também enorme, além daquele de participação em congressos, preparar conferências, etc. Sem falar nas correções de monografias, dissertações e teses. Seu lindo texto mostra que a sala de aula é apenas a ponta do iceberg. Um abraço.

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  38. Avatar de Ana Carla Bruno

    Adoreiiii Karina!!!Ser professoe é um exercício de afetamentos!!! Cheiro no coração.

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  39. Avatar de ELIS REGINA DE PAULA

    Sensacional. Sou professora da rede municipal da minha cidade, de vez em quando flertando em me tornar da Universidade, achando que seria mais fácil, menos desgastante. Doce ilusão, professor é professor SEMPRE, não importa se no ensino fundamental, médio ou superior. Tudo que você brilhantemente escreveu acontece em todas as esferas e, como fui aluna de uma época em que se estudava pra adquirir boas notas, me tornei uma professora das antigas, exigindo de mim o máximo, tudo pra dar uma boa aula, o que implica em toda a preparação que vc descreveu, no antes, durante e depois, embora, na atual situação que se encontra o ensino público, o desânimo bata constantemente em minha porta e me pergunto O QUE ESTOU FAZENDO AQUI, pra quê tanto esforço se não vejo a recompensa. Não falo de salário, embora esse seja um bom motivo. Me refiro ao retorno dos alunos por tanta dedicação e empenho em querer que eles aprendam, captem, se interessem e participem. Minhas aulas em 99,9% são um monólogo. Então, pra finalizar, você não só me descreveu nesse seu fantástico artigo, como descreveu milhões de “dessores” desse imenso é injusto país que está levando a educação pro buraco. Obrigada por tudo.

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  40. Avatar de Luana

    Karina, olá! Eu leio seus textos desde a defesa da Tese (aquele texto sobre o dia da defesa me fez mais confiante e tranquila, obrigada!), passando pelas dicas de escrita e, agora, como docente, encontro nos seus textos um pouco de alento nas dificuldades da vida acadêmica como docente… Querer ser uma professora que saiba muito e, ao mesmo tempo, tenha leveza ao ensinar nos impõe muitas exigências. Mas não quero não ser assim, rs… Obrigada por cada palavra!

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  41. Avatar de Raro

    Confessa, vc mora em Saturno e seus dias tem uns 20 dias dos nossos aqui na Terra, confessa!

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  42. Avatar de Sarah FT

    Durante um tempo fui professora do ensino básico (ensino médio) e além de tudo o que você falou tinha o desafio de entrar em salas de aulas com quase 60 adolescentes para tentar dar essa aula de 50 minutos. E ainda lidar com a direção e coordenação da escola para conseguir fazer projeto, etc. Nem vamos comentar do salário, né? É complicado dedicar grande parte da vida e energia a esse trabalho, como você falou, e ouvir que um professor “trabalha por amor”. Claro que se não houvesse amor pelo trabalho, não sobraria ninguém. Mas essa fala é um jeito absurdamente cruel de desvalorizar ainda mais o professor. Obrigada por mais uma reflexão tão importante, Karina.

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  43. Avatar de Mônica Lemos de Matos

    Sou professora de ensino básico de escola pública. Sei muito bem como é toda essa produção para 50minutos de aula. Temos todas essas funções com a quantidade de alunos muito maior é com salário muito menor. Ainda convivemos com a crítica da sociedade de que não estudamos, não temos um formação adequada e não continuada e não trabalhamos, sou vagabundo e temos que lidar com esses preconceitos todos os dias.

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  44. Avatar de Artionka

    Obrigada pelo post, Karina, ele resume perfeitamente meu estado de estafa nesse fim de semestre. Lindo texto!

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  45. Avatar de Iza Quelhas

    O texto é tão bonito, tão humano e competente! Sent-me representada. A solidão diminui. Acompanharei o blog e os textos. Dão um colorido a dias tão desesperancados.

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  46. Avatar de Claudia Aguia

    Como professora dp ensino fundamental e médio, tenho a dizer que muitas de minhas necessidades são de outra ordem, mas não necessariamente antagonistas às suas. E compreende com bastante clareza seu desabafo. E fico igualmente indignada quando governantes irresponsáveis, administradores ” de araque” simplesmente ignoram a real importância da Educação, ou da Saúde, ou de alguma demanda insubstituível na vida dos cidadãos e escolhem fazer o que a seus olhos ( ou não) lhes parece suficiente para o bem comum(???) Minha solidariedade a todos os colegas Professores que lutam diariamente para exercer esse ofício apaixonante e árduo, que insistem, persistem, e muitas vezes não são vistos pela sociedade!

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  47. Avatar de Luciane Patricio

    Faz todo sentido!

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  48. Avatar de Francisco

    Fico me perguntando como tens tempo para manter esse blogue maravilhoso. Mas só gostando muito, não é?! Minha avó já me perguntou porque eu quis ser professor, sendo que tem um mundão de profissões aí fora. Pois é, vó, nem eu sei. Estou no meio do doutorado, e às vezes tenho muitos estímulos, às vezes muitas desiluões, e é difícil a empreitada mas eu amo meu trabalho e minha área acadêmica. Gostei do texto, e adoro seu blogue. Queria eu ter essa habilidade para desenhar, meus desenhos do meu diário de campo são garranchos esquadrinhados. Mantenha esse blogue vivo!

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  49. Avatar de Inês

    Lindo texto! Apesar de tudo, ensinar é uma das mais belas (e difíceis) carreiras que existem!

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