Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Julho/2025 com o coração cheio

Não! Desse jeito, o senhor é uma folha ao vento. Essa vontade, o senhor tem de encontrá-la dentro de si mesmo. Somente assim vai poder cuidar de fato da sua neta. As crianças são extraordinárias, o senhor sabe disso, percebem mais o que é silenciado do que o que é dito. Se o senhor cuidar de Miraijin com um vazio no coração, transmitirá esse vazio a ela. Se, ao contrário, tentar preencher esse vazio, e não importa se vai conseguir ou não, basta que tente preenchê-lo, então, transmitirá a ela esse esforço, e esse esforço, simplesmente, é a vida. Pode acreditar. (…)

“– Trabalhamos com os desejos, com os prazeres. Porque os desejos e os prazeres sobrevivem até mesmo na situação mais desastrosa. Somos nós que os censuramos. Atingidos pelo luto, censuramos nossa libido quando é justamente ela que pode nos salvar. Você gosta de jogar bola? Pois então, jogue. Gosta de caminhar à beira-mar, comer maionese, pintar as unhas, capturar lagartixas, cantar? Faça-o. Isso não vai resolver nenhum dos seus problemas, mas também não vai agravá-los, e, nesse meio-tempo, seu corpo se livrará da ditadura da dor, que quer mortificá-lo.”

“– E o que tenho de fazer?
– Não sei, são coisas complexas, não dá para dizer pelo telefone. Mas, basicamente, deve ter em mente que, neste momento, o senhor está frágil, está em perigo. E tem de tentar salvar do naufrágio todas as coisas de que gosta.” (Sandro Veronesi, O Colibri, p. 176-7)

As falas acima são do doutor Carradori, psiquiatra aposentado que aconselha Marco Carrera, protagonista do romance O Colibri, de Sandro Veronesi, em luto profundo por perder sua amada filha de 20 e poucos anos.

Os contrastes extremos da conversa me encantam. Há um reconhecimento da dor e de sua legitimidade: o que nos puxa para o naufrágio e mortifica é real e perigoso. Mas, ao mesmo tempo, há a persistência da libido, “porque os desejos e os prazeres sobrevivem até mesmo na situação mais desastrosa”.

Diante desse paradoxo, que bonito lembrar que nossas tarefas na vida são “coisas complexas” , que não se resolvem com fórmulas ou truques do tiktok! É preciso encontrar nossas vontades mais profundas, sem censura, pois a libido é o que “pode nos salvar”. Mais do que o resultado, é o esforço da busca que conta: “esse esforço, simplesmente, é a vida”.

Se no mês passado eu trouxe a ideia de felicidade como “viver na primeira pessoa do plural”, nesse mês lembro de como precisamos de uma conexão íntima com nossas vontades e prazeres para poder estar no coletivo. Se nosso coração estiver vazio, é isso que transmitiremos ao mundo.

Nesse momento, escrevo com o coração cheio. Partes dele permanecem escuras, difíceis ou vazias? Sim, mas olho para elas com ternura. Há muita beleza em reconhecer as pessoas que “estão sepultadas dentro de nós” (Veronesi, p. 241).

Bom julho, pessoas queridas!

Faça aqui o download do PDF em alta resolução para imprimir.

PS-alerta: Este post não é um apoio à ditadura da felicidade! Resgatar nossa libido quando ela é necessária e preciosa não é o mesmo que positividade a qualquer custo ou negação do valor do sofrimento. Sobre isso, acabei de ler Happycracia e recomendo!

Sobre as citações: As frases iniciais estão no romance O Colibri, de Sandro Veronesi (trad. Karina Jannini, ed. Autêntica). Agradeço à minha querida amiga Julia O’Donnell pela indicação! O Happycracia é uma livro de não-ficção Edgar Cabanas e Eva Illouz (Trad. Humberto do Amaral, ed. Ubu). A obra foi indicada no primeiro semestre do clube do livro do Calma Urgente. Não participei mas estou lendo a listinha deles. Gostei tanto das indicações que comecei a participar do segundo semestre de 2025!

Sobre as felicidades coletivas acessíveis: Para participar do clube do livro do Calma Urgente, cliquem aqui: https://clubedolivro.calmaurgente.com/. Acho que ainda dá tempo. Para ter um gostinho de boas discussões trazidas por eles, um exemplo aqui sobre espionagem digital, capitalismo e política. Nesse mês, gostei de ouvir algumas conversas do Christian Dunker sobre psicanálise, como essa sobre ter raiva na terapia (tem no spotify também). De podcast, o Não inviabilize continua meu top10 para a faxina. Ouço no app de assinantes mas tem no spotify.

Sobre o calendário: Para imprimir, não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”.

Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de lilás no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de julho e fiz o PDF.

Você acabou de ler “Junho/2025 e a felicidade no plural”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Junho/2025 e a felicidade no plural”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48z. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Junho/2025 e a felicidade no plural

“Então aquilo era felicidade, viver na primeira pessoa do plural.” (Chimamanda Adichie)

Hoje, a aula de antropologia foi sobre o texto “A expressão obrigatória dos sentimentos” (1921), de Marcel Mauss. Há uns anos, inventei de começar essa aula fazendo uma dinâmica inspirada em exercícios teatrais. Chamo um grupo de estudantes para a frente da sala e peço para eles sortearem um papel. Neste, está descrita uma situação que eles devem representar para a turma. As situações evocam emoções fortes do tipo “medo de uma barata”, “feliz por receber uma mensagem de amor”, “prendendo o riso”, “com dor de queimadura”, “com raiva de alguém” etc. Na dinâmica, o grupo que sorteia a situação fica de costas e, ao ouvir “1, 2, 3, já”, se vira para a turma com a expressão facial correspondente. A turma precisa adivinhar o que estava escrito no papel.

Eles acertam logo. Às vezes, é preciso relaxar, voltar a ficar de costas e repetir o gesto ou expressão facial. Mas é fascinante como, em qualquer turma, esse exercício sempre dá certo. Dele concluímos um dos principais conceitos do texto: o de que existem modos de expressão dos sentimentos padronizados, reconhecível tanto para quem emite quanto para quem recebe o gesto, quando ambos participam dos mesmos códigos culturais.

Mauss chama isso de expressão “obrigatória”, provocando propositalmente uma sensação de desconforto em pessoas que se acreditam únicas e singulares, ainda mais naquilo que consideram íntimo. Pois é aí que está a beleza: o “mais que humano em nós” está nos coletivos, onde vivemos e naqueles que vivem em nós, nossa língua, nossa memória, nossos afetos, nossas músicas queridas.

Nessa virada de maio para junho, agradeço por tantas sensações de viver plenamente “na primeira pessoa do plural”, como diz Chimamanda. Na aula de hoje, vendo os psicólogos do futuro encenando suas emoções; no teatro Poeira, assistindo “Deserto”, inspirada em Roberto Bolaño; no show de Gilberto Gil, cantando “Se eu quiser falar com Deus”, junto com a multidão; no almoço festivo de domingo, comemorando e compartilhando pratos, comidinhas e afetos feitos de gatos e gente.

Viva Marcel Mauss, viva a antropologia e a sociologia. Podemos até não ter as soluções, mas sem suas reflexões não poderíamos sequer vislumbrá-las.

Bom junho para nós, pessoas queridas!

Faça aqui o download do PDF em alta resolução para imprimir.

Sobre as citações: A frase que abre o post está na p. 112 do livro “A contagem dos sonhos”, de Chimamanda Adichie (Companhia das Letras, 2025). A expressão “o mais que humano em nós” é da canção “Tá combinado”, de Caetano Veloso. O texto “A expressão obrigatória dos sentimentos” (1921), de Marcel Mauss tem várias edições, mas a referência que utilizo é: Leitura: MAUSS, Marcel. 2003. “A expressão obrigatória dos sentimentos”. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac & Naify.

Sobre as felicidades coletivas acessíveis: Vejam no RJ a peça “Deserto”, inspirada em Roberto Bolaño, no teatro Poeira, ou acompanhem possíveis viagens pelo país no instagram deles. O show Tempo Rei de Gilberto Gil vai seguir acontecendo até o final do ano. Não percam!

Sobre o calendário: Para imprimir, não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”.

Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de lilás no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de junho e fiz o PDF. (Estou em busca de um Ipad usado, pois o meu tem 7 anos e está pifando. Se alguém tiver interesse em vender, me manda uma mensagem por favorzinho.)

Você acabou de ler “Junho/2025 e a felicidade no plural”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Junho/2025 e a felicidade no plural”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48z. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Maio/2025 e a beleza de atrasar

Quando eu crescer, quero chegar atrasada!

Essa frase saiu de surpresa junto com a vontade de compartilhar o calendário de maio de 2025, mesmo já sendo dia 7. E, de repente, vejo tantos significados nela… Desde muito pequena, me cobri de metas e obrigações. Por fora, talvez eu fosse só uma espectadora de novelas, como já contei aqui. Por dentro, porém, o norte da minha bússola era a independência: trabalhar, fazer o certo, servir.

E o que tem isso a ver com chegar atrasada? Tudo. A pessoa responsável não atrasa, não passa mal, não pode ter um defeitinho para não decepcionar ninguém. E haja terapia. Até que um dia, finalmente eu cheguei atrasada — e o terapeuta me deu parabéns!

Isso foi há mais de 25 anos e, com o tempo, acabei esquecendo os encantos do atraso. Voltei para os meus padrões: planejar tudo, entregar no prazo, chegar no horário, emitir pareceres e relatórios em dia. Aprendi a dizer não, mas só para não falhar. Foi importante, mas nada de improvisos — aí já seria demais!

Agora, crescidinha, desejo atrasar bastante! Em vez de querer ser grande logo, como na época da A bolsa amarela, estou tentando ser mais espontânea, mais criança. É meio clichê dizer isso? Mas quem se importa? Ninguém, como diz o bordão favorito aqui de casa: “ninguém liga!”.

Então, bora andar na chuva, ficar enrugada no mar, queimada de sol na trilha, feliz em São Gonçalo, atrasada ouvindo Beto Guedes e Ana Frango Elétrico. Ah, e que o mês mais lindo do ano só comece no dia 7!

Bom maio para nós, pessoas queridas!

Faça aqui o download do PDF em alta resolução para imprimir.

Sobre o calendário: Não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”. Testei na minha impressora (Epson L386) e a cor ficou ok. Espero que gostem!

Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de azul no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de maio e fiz o PDF. Estou em busca de um Ipad usado, pois o meu tem 7 anos e está pifando. Se alguém tiver interesse em vender, me manda uma mensagem por favorzinho.

Você acabou de ler “Maio/2025 e a beleza de atrasar”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Maio/2025 e a beleza de atrasar”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48p. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Abril/2025

Pessoal, hoje um post só para compartilhar o calendário de Abril/2025 — espero que a gente tenha um ótimo mês!

Aqui o PDF para imprimir em alta resolução.


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Março/2025 e os desafios da escrita

“A vida ainda era vivível. Bastava esquecer, tomar essa decisão com determinação, brutalmente. A escolha era simples: a escrita ou a vida. Teria eu a coragem (…)?” (Jorge Semprún, A escrita ou a vida)

Pessoas queridas, calendário atrasadíssimo mas feito! Perdi meus óculos e fiquei sem condições de trabalhar no computador. Mas foi por uma ótima causa: fiz uma pequena viagem à serra, imersa no verde, em banhos de rio e até chuva! Foi mágico! E vocês? Blocaram, descansaram ou ficaram presos na escrita da tese?

Recebam meu abraço apertado e votos de força e paciência aos que estão com os prazos de 31 de março nos calcanhares. Tá acabando, vai passar. E abraço também aos que têm outros prazos pela frente.

Escrever durante um período como o Carnaval é renunciar à viver, sejam as delícias da gandaia ou do ócio. Não é fácil. Precisamos nos entregar ao texto, enquanto o mundo continua a girar lá fora. E haja paciência para lidar com o tempo da criação, com seus ritmos, pausas e acelerações fora do nosso controle. E haja disciplina para aplacar a ansiedade pelas cobranças internas e externas, junto à sensação de que não somos suficientes.

Passei por tudo isso nos primeiros 15 dias de fevereiro. Tive um artigo para entregar e foi desafiador demais. Tentei seguir planos, rotinas, pomodoros, mas passei pelos clássicos: evitação, lentidão, empacamento, inspiração, descrédito, para-que-serve-isso-tudo, e aquele final de horas seguidas sobrecarregadas de cafeína para finalizar.

Ufa. Por que precisa ser assim?

Sobre a dúvida de Semprún, sigo acreditando: coragem é optar pela escrita e pela vida, no pêndulo de difícil equilíbrio, mas de permanente tentativa. No dia 15 de fevereiro, o artigo foi enviado, o prazo foi cumprido. E a sensação no dia seguinte é indescritível. O alívio, a leveza, o desejo de sol e ar, vem tudo junto, como uma mini-primavera pessoal florescendo.

Aprendi sofrendo (muito) no mestrado: terminem primeiro, pensem depois.

Porque “depois” os pensamentos irão embora e sobrará só uma doçura de ter feito.

Pelo menos até que cheguem os pareceres! Hahaha Depois conto como foi.

Sobre o calendário: aqui vai o PDF em alta resolução para imprimir. Não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”. Apesar da corzinha desmaiada na tela, na minha impressora (Epson L386) a cor ficou simpática. Espero que gostem!

Sobre a citação: SEMPRÚN, Jorge. A escrita ou a vida. Tradução de Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. A citação está na página 193 da versão eletrônica.

Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei o de fevereiro e acrescentei camadas transparentes de verde no aplicativo Procreate (Ipad). Dessa vez, refiz os números dos dias em cor preta pois achei o branco difícil de ler no dia a dia. Para os demais desenhos: canetinha Pigma Micron 0.3 e lápis de cor, em caderno Tilibra A5, linha Happy. Datas com carimbo Colop, mini-dater s120.

Um ótimo março para nós.

Você acabou de ler “Março/2025 e os desafios da escrita”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Março/2025 e os desafios da escrita”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-47O. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Fevereiro/2025 e quase tudo que fiz em Janeiro

Oi pessoal, postando hoje para ver se fevereiro chega mais rápido! O janeiro de vocês também tá demorando? O meu, sim! Não que tenha sido mal: foi um mês até simpático, com projetinhos concluídos. Estou em paz com ele. Só que meu foco de 2025 é “saúde com finanças em dia” [risos de nervoso]. E para isso o mês precisa acabar, já que não há salário que chegue para cuidados com “saúde”. Quem não amaria ter terapia toda semana, personal trainer à vontade, nutricionistas e médicos com hora marcada e mimos de brinde? E as roupinhas de Yoga, os cremes importados, as comidinhas fitness… Já viram o preço do cottage? Então o jeito é manter um olho na Smart Fit da esquina, outro na planilha de gastos.

Coisinhas que aproveitei para fazer em janeiro — segue uma lista para animar vocês já que nós universitários ainda temos Férias de professora com muitas aspas até meados de março.

. Usei bastante a furadeira e a aparafusadeira (sim, tenho uma, amo!), pendurei espelhos, ganchos, quadros, instalei mãos francesas em estantes querendo cair.
. Fui à praia depois de séculos sem ir (me lembra demais o Ju).

. Li 5 livros, 2 inéditos, 3 releituras. Das releituras, duas muito boas para férias. Uma curta: “Poirot perde uma cliente” (A. Christie); e uma longa: “David Copperfield” (C. Dickens). De primeira vez, amei “A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy” (L. Sterne). Maravilhoso; empreitada longa.
. Dei parecers para projetos e artigos, fui à reuniões, escrevi documentos de trabalho, me envolvi em tretas chatinhas mas no final deu tudo certo.
. Ajudei bastante na logística da vida dos filhos. Quando são crianças a gente leva e traz. Quando são adultos, é tipo: mãe, pode comprar peixe? ou pode receber o eletricista? Mas que delícia de filhos eu tenho. ♥

. Fui com Alice trocar e consertar instrumentos musicais; e comemos bastante pipoca vendo Dias perfeitos.
. Tentei consertar a bateria do Ipad (de 2018!) mas não deu certo.
. Visitei uma amiga que não via há muito tempo, recebi e mandei audios para os amigos que moram longe.
. Não vi nenhuma série boa; escutei muito Não Inviabilize (assinantes) e chorei com o podcast da Rádio Novelo sobre a escritora Vanessa Bárbara, “CPF na Nota” (começa a partir de 10 minutos). Fiquei revoltada com quem passou pano.

. Cuidei da gata da vizinha, mas não fui muito gentil com algumas baratas que ganhei de brinde!
. Fiz 2 sessões de acupuntura, fui a uma médica péssima e uma ótima (do plano).
. Arrumei estantes, armários, bagunças eternas e outras do semestre passado!
. Atualizei meus arquivos de finanças e organização (planilhas, listas, projetos).
. Aprendi a fazer biscoitos fininhos com sementes. Ficaram uma delícia mas segundo o ChatGPT têm umas 5 mil calorias por receita kkkk. Não dá.

. E por falar em ChatGPT, tenho usado muito a função “Projetos” na opção paga (sim, estou pagando por enquanto e acho que vale a pena!)
. Fui 11 vezes à academia, algumas só para andar um pouquinho na esteira, mas tá valendo.
. Finalmente, estou escrevendo um artigo, mas caminhando “com a barriga”, igual bicho-preguiça. Avancei só umas 1000 palavras. Faltam 3 mil. Torçam por mim
. Desenhei 215 mini pessoinhas, escrevi 31 diários, pintei o calendário de fevereiro, comi uma pizza e cortei o cabelo, ufa!

Um ótimo fevereiro para nós!

Segue o calendário em PDF para imprimir.

Sobre os desenhos: Para o calendário, a explicação detalhadinha está no post de Janeiro. Fiz tudo igual para Fevereiro, diminuindo o tamanho das bolinhas e dos números no Ipad.

Os mini-desenhos que ilustram a listinha foram feitos no meu “diário” que na verdade é um caderno espiral simples, marca Tilibra, tamanho A5, com 80 folhas pautadas (56g/m), da linha Happy, que custa cerca de 26 reais, dependendo da papelaria. É levinho e com bom espaçamento. Quando quero usar um pouco de aquarela ou canetinha que mancha, colo a página na seguinte com fita adesiva dupla face (atualmente uso uma mini Pentel “Glue Tape”). Meus materiais favoritos para o diário de papel são: carimbo de data, lápis de cor, canetinha Mitsubishi Signo DX 0.38 e canetinhas Pigma Micron.

Você acabou de ler Fevereiro/2025 e quase tudo que fiz em Janeiro”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 

Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Fevereiro/2025 e quase tudo que fiz em Janeiro”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-47g. Acesso em [dd/mm/aaaa].



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Feliz 2025! Calendário de Janeiro, Planner e um pouquinho de Karen Blixen

“Pois era mais provável que a vida cotidiana arrastasse o palco para baixo, em seu próprio nível, do que o palco conseguir mantê-la num nível assim tão elevado; e toda a ordem do mundo podia muito bem acabar de pernas para o ar.” (Karen Blixen, Tempestades, p. 93)

Pessoas queridas, os calendários estão de volta! Como diz a epígrafe, criamos roteiros para classificar e organizar o cotidiano, mas ele insiste em virar tudo de cabeça pra baixo, né? Mas a gente continua tentando. Na estampa do calendário, acabei gerando um contraste entre as formas geométricas e as cores granuladas e imperfeitas da aquarela. Gosto dessa mistura de ordem e criatividade! Acho que é bem o meu estilo ansiar pela rotina das linhas limpas e também amar a bagunça e as formas orgânicas, falhas como nós, humanas.

Quem me acompanha no Instagram viu o processo de pintar essa aquarela para o planner (ainda está no feed). Acabei me empolgando e criei também o mês de Janeiro. Mantive a semana começando segunda-feira e o espaço para a listinha na lateral. A base das cores foi pintada em aquarela, mas as linhas e números foram feitos à mão no aplicativo Procreate. Será que ficaram muito grandes? Se sim, reclamem que reduzo no próximo mês. Por enquanto, é o que temos pra hoje! Hahaha. Espero que gostem!

A base da pintura foi em papel Waterford cold press (sem textura). Resolvi gastá-lo porque já é tão antigo que estava amarelando. Vocês também ficam economizando coisas caras e depois se arrependem? Eu sim!

Para o quadriculado, coloquei fitinhas washi tape super finas que ganhei da minha prima. Depois pintei com cores pouco saturadas, inspirada numa paleta que utiliza o Winsor Blue (da Winsor&Newton) como base. Escaneei o original e multipliquei por quatro no Photoshop, gerando um padrão com quadradinhos menores. Fiquei mais feliz assim porque prefiro estampas de motivos pequenos.

Após montar a aquarela no Photoshop, passei a imagem digitalizada para o aplicativo Procreate. Aqui, aproveitei os formatos da grade do mês e da lista do Planner de 2024, mudando apenas a cor, o ano e, para o mês de Janeiro, o nome e os números. Utilizei o “pincel” Narinder do Procreate em todas as etapas e a resolução de 300 dpi nas imagens (do scanner ao app), só reduzindo para colar no post.

Aqui em casa, vou usar esse calendário impresso na parede do meu mini-escritório (uma parte do meu quarto mesmo rs), anotando datas importantes, como aniversários, compromissos e prazos. Para o restante, vou de Google Agenda! Fiz o espaço da lista do mês para anotar ações recorrentes que preciso incorporar (tipo beber mais água) e tarefas sem prazo (como terminar um conserto, comprar algo difícil, organizar alguma bagunça específica). Quero anotar também os “melhores acontecimentos do mês”, no espírito do jogo “melhor do dia”, que já expliquei aqui.

Fiquem à vontade para compartilhar! Fico feliz de participar do cotidiano de vocês!🌟Como escreveu Karen Blixen: “As únicas coisas que devemos levar conosco desta vida terrena são as que doamos!” (A festa de Babette, p. 53) Que em 2025 vocês sigam como os peixes de Blixen: “erguidos e sustentados por todos os lados”, com confiança e harmonia (O mergulhador, p. 20-1)

PDFs para download e impressão

Janeiro/2025Baixem aqui o PDF em alta resolução para imprimir.

Planner utilizável para o ano inteiro – – Baixem aqui o PDF em alta resolução para imprimir.

Sobre a citação: O trecho da epígrafe é do conto Tempestades, e o das frases finais do post são dos contos A festa de Babette e O mergulhador. Todos estão incluídos no livro “Anedotas do destino”, de Karen Blixen (edição da saudosa CosacNaify, tradução de Cássio de Arantes Leite.) O meu volume foi presente do Juva e está todo marcado com trechos lindos, lidos em 2021, um ano difícil mas ainda puro da experiência do luto. Sinto saudades não só dele e de nós, mas também de quem eu era antes de sua morte. Hoje, vários dos trechos parecem sobrenaturais como o tema do próprio livro, mas deixo-os para um próximo post!

Você acabou de ler Feliz 2025! Calendário de Janeiro e Planner e um pouquinho de Karen Blixen”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 

Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Feliz 2025! Calendário de Janeiro e Planner e um pouquinho de Karen Blixen”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-46Q. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Vamos desenhar? Desenho como recurso etnográfico e expressivo – Livro em PDF (download gratuito)

Feliz demais de entregar esse presente de Natal para vocês: um livro interinho sobre desenho! A obra foi organizada por mim e pela querida parceira Patrícia Reinheimer, a partir de um projeto de extensão que desenvolvemos em 2021 e 2022, com apoio de nossas universidades: UFRRJ e UFRJ. Patrícia foi a capitã deste navio, incansável em todas as etapas. Meu luto de abril em diante me tirou do ar por muitos meses, até que consegui voltar em 2024 e contribuir um pouco.

A obra é fruto das oficinas online de desenho, etnografia e experimentação criativa, que oferecemos durante a pandemia. Para complementar, traduzimos textos inéditos em português sobre o tema. O sumário ficou assim:

  1. Introdução: o desenho como ferramenta de expressão e pesquisa etnográfica;
  2. Capítulo 1: A ideia de lar: um tipo de espaço, de Mary Douglas (1921-2007). Artigo com reflexões sobre a casa como lugar de relações e significados, inserindo o desenho no universo das expressões artísticas com temporalidades, espacialidades, corporalidades e solidariedades que podem ser observadas no trabalho de pesquisa.
  3. Capítulo 2: Drawing it out – Delineando, de Haidy Geismar, com 14 imagens. Artigo sobre as conexões entre desenho, antropologia e práticas de campo, com foco nos esboços feitos por Arthur Bernard Deacon (1903-1927), delineando a relação entre convenções visuais, formas de pensar e ver na experiência etnográfica.
  4. Capítulo 3: Caderno de exercícios – 18 atividades práticas com mais de 100 ilustrações. Atividades para despertar a criatividade com traços, cores, observação e reflexão, divididas em exercícios síncronos, exercícios práticos e exercícios lúdicos.
  5. Referências Bibliográficas – Nove páginas de referências úteis para refletir sobre antropologia, desenho e áreas afins.
  6. Sobre os Autores e Organizadores – Além de nós e das autoras dos capítulos, contamos com desenhos e ilustrações de treze participantes das oficinas, muitos deles profissionais fantásticos da área, a quem agradecemos pelos debates riquíssimos e pela colaboração: Adriana Nunes; Ana Clara Damásio; Breno Taveira; Chel de Lima; Isabelle Barreto; Jéssica Nunes; Katianne de Souza Almeida; Lorena da Costa Wilpert; Marina Puzzilli Comin; Matheus Piter; Rachel Paterman; Renan Jacinto Monteiro; Thayane Tavares.

Os capítulos 1 e 2 são traduções de Patrícia Reinheimer, revisadas por mim. Nosso projeto original tinha cinco traduções, mas só conseguimos os direitos de duas. Infelizmente as editoras internacionais pedem centenas de dólares para liberar a publicação em outra língua, e nem ligaram que nosso projeto era de distribuição gratuita. Agradecemos em especial à Haidy Geismar que cedeu seu artigo publicado originalmente na Visual Anthropology Review, em 2017. Nosso muito obrigada também à editora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRRJ e ao Departamento de Antropologia Cultural do IFCS/UFRJ.

Esperamos que o livro inspire as leituras e oficinas de vocês! Desenhar traz tanta coisa boa pra vida. Não precisa — e não deve — ficar perfeito. Basta um rabisquinho de cada vez. Desenhar é um gesto generoso, consigo e com as pessoas à volta. Não gostou? Faz de novo! No final do livro, deixamos o email desenho.e.pandemia@gmail.com para vocês enviarem comentários sobre experiências e descobertas com o livro. Bora desenhar?

Download gratuito: REINHEIMER, Patrícia; KUSCHNIR, Karina (orgs.). Vamos desenhar? Desenho como recurso etnográfico e expressivo. Seropédica: Editora UFRRJ, 2024. Disponível no site da Editora da UFRRJ. Basta “comprar” por zero reais. 🎉 Acesse aqui https://editora.ufrrj.br/portal/produto/vamos-desenhar-desenho-como-recurso-etnografico-e-expressivo/.

Livro-irmão: Desenhando Coisas e Afetos: a casa que construímos a casa que nos constrói, organizado por Patrícia Reinheimer, Nathanael Araujo, Annelise Fernandes, Rachel de Lima e Paulo Vitor Dias. Edição de 2023, pela Enunciado Publicações. Este é o primeiro livro editado por Patrícia Reinheimer e colegas a partir do projeto de extensão por ela coordenado na UFRRJ. Por enquanto, disponível sob consulta no Instagram da editora.

Sobre o desenho: Desenho feito por mim, imaginando como seria nosso livro físico. Feito por observação da capa do livro eletrônico com desenho e layout de Patrícia Reinheimer. Usei um caderno antigo de espiral da marca Winsor & Newton. O papel é bem ruinzinho, mas estou naquelas de terminar cadernos ao invés de comprar novos. Fiz as linhas iniciais com canetinha Pigma Micron 0.1. Depois rascunhei as letras e o desenho interno da capa com um lápis Prismacolor Col-erase, scarlet red. A mão e o vermelho principal da capa foram pintados com misturinhas de cores Acryla Gouache. Tentei deixar as letras do título sem pintar (foi difícil); e as letrinhas pequenas foram desenhadas por cima do vermelho com caneta Posca branca. Retoquei com lápis de cor preto e vermelho; e usei um cor de telha para o desenho interno do papelzinho da capa. (São muitas meta-linguagens! rs) Ainda escrevi as letrinhas vermelhas da lateral com canetinha Uniball Signo dx 0.38 (amo!!). Utilizei também aquarela para a cor neutro-amarelada (Buff titanium, Daniel Smith) das páginas, e para as sombras do livro sobre a mesa (cinza, feito de mistura de azul ultramar e siena queimada). Ufa, acho que foi isso. Adoro essa misturinha de materiais. Se quiserem que eu fale mais deles, me digam! ♥

Você acabou de ler Vamos desenhar? Desenho como recurso etnográfico e expressivo – Livro em PDF (download gratuito)”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 

Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Vamos desenhar? Desenho como recurso etnográfico e expressivo – Livro em PDF (download gratuito), Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-46i. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Feliz aniversário, Jane!

Hoje, 16 de dezembro, Jane Austen faria 249 anos! Vovó Jane nasceu em 1775 em Steventon, Inglaterra. Suas obras não são os romances água com açúcar que a gente vê na Netflix. Ao contrário, se olharmos com cuidado, veremos que a maioria dos casamentos de suas histórias são péssimos, cheios de implicâncias, tédio, jogos de interesses e, sobretudo, péssimos maridos — até os que se casam com suas heroínas. Suas personagens mulheres são bem mais interessantes, tanto por suas qualidades quanto por suas imperfeições, deslizes, dramas e erros que a autora faz questão de nos mostrar.

Não sou nenhuma Agatha Christie (que homenageou Jane batizando Miss Maple com seu nome de batismo), mas honro a memória da senhorita Austen com trechinhos de um de seus livros menos conhecidos, A Abadia de Northanger (1817). Este livro, pra mim, simboliza a luta (e o fracasso) de Jane para se estabelecer como autora com rendimentos à altura de sua obra, enquanto estava viva. O manuscrito foi vendido, depois recomprado e editado por ela que, infelizmente, morreu antes de vê-lo pronto.

O aniversário é de Jane, mas o presente foi ela que escreveu para nós. Sua narradora-autora de Northanger Abbey surge aqui e ali na história, conversando conosco com um jeitinho cúmplice e irônico que tantas vezes vimos suas personagens incorporarem. Neste livro é a própria Jane que nos fala, desde o prefácio com a advertência sobre as vicissitudes da publicação, até a justificativa de entregar ao público uma heroína meio burrinha:

“As vantagens da tolice natural em uma linda menina já foram estabelecidas pela excelente pena de uma autora irmã*. E à forma como ela tratou o assunto acrescentarei, por justiça aos homens, que, embora [para eles] a imbecilidade nas mulheres seja um grande aprimoramento de seus encantos pessoais, há uma porção deles (…) muito bem informada para desejar algo mais na mulher do que a ignorância”. (AN, p.103, estes e demais grifos são meus)

Quase 100 páginas depois, após nos contar as desventuras de Catherine Morland em Bath, Jane ressurge no texto culpando-se pelos insucessos de sua protagonista, que não volta em triunfo à terra natal, como lamenta a autora:

“Minha tarefa, porém, é completamente diferente; trago minha heroína de volta para casa em solidão e desgraça (…). Uma heroína viajando em uma carruagem de correio é um golpe tão forte nos sentimentos que nenhuma (…) compaixão pode suportar.” (AN, p.210)

Como em outros romances de Austen, a leitura é um remédio para a tristeza e até para alegria demais. Em A Abadia de Northanger, o conselho vem da mãe de Catherine com ironia. Receando que a filha esteja entediada por não morar numa casa grandiosa como Northanger, recomenda:

” — Tem um ensaio muito bom em um dos livros lá em cima que fala desse assunto: é sobre moças que se tornam mimadas demais para suas próprias casas depois de conviver com pessoas de classe social mais alta. (…) acho que lê-lo lhe fará muito bem.” (AN, p.229)

Fico pensando em como Jane Austen conseguia ser tão sensível a emoções como a desta mãe diante de sua adolescente insuportável! Está claro que foi o bom-humor da própria autora que a embalou nessa narrativa que é simultaneamente da personagem e do próprio romance. Ao se surpreender com o amor do herói pela heroína, Jane se explica ao leitor:

“Esta é uma circunstância inédita nos romances, reconheço, e terrivelmente aviltante da dignidade de uma heroína. Mas, caso isso também seja inédito na vida corriqueira, pelo menos a honra de ter uma imaginação extravagante será toda minha.” (AN, p.232)

E é nesse espírito de galhofa que Jane comenta a necessidade de resumir sua história para não nos aborrecer; de fingir que Catherine não recebia correspondências clandestinas, nem que seus pais “viravam o rosto para o outro lado” ao vê-las chegar. Faz concessões mencionando personagens que não pertencem à fábula e termina entregando aos leitores a decisão de escolher qual a moral da história preferem!

Obrigada, querida Jane, por tudo que você criou, pensou, leu, escreveu e nos brindou nesse mundo. Que seu aniversário seja sempre uma oportunidade de reler, sorrir e chorar contigo.

Abaixo, uma outra Jane, em forma de mini estátua, do Instagram da Helô Righetto, que dá dicas, faz lives e ainda tem um ótimo podcast sobre Jane Austen com Rapha Perlin — sou tão fã das duas que até ganhei brinde!

Sobre o livro: As citações acima são do volume “A abadia de Northanger”, de Jane Austen. Tradução de João Sette Camara e Marcelo Barbão. Jandira, SP: Tricaju, 2021. *A pena da autora-irmã indicada na primeira citação é uma referência ao romance Camilla, de Fanny Burney, muito em voga na época da redação original do livro (1803).

Dica de podcast sobre Jane Austen: “É uma verdade universalmente reconhecida … por @raphaperlin e @helorighetto, intitulado em homenagem à frase de abertura do romance “Orgulho e preconceito”.

Sobre os desenhos: Desenho de abertura: página de um caderninho Laloran com três pétalas de orquídea coladas com fita mágica (do lado esquerdo) e três pétalas de orquídea desenhadas com lápis grafite e aquarela por mim em 2023. A ideia dessa imagem foi brincar com o que é real e o que é pintura, como a autora brinca com sua narrativa. Ao escanear, ficou mais visível a presença da fita mágica que quase não se vê ao vivo.

Desenho da estátua de Jane com base na foto que ilustra o podcast. Feito num caderninho de folha comum, com canetinha Pigma Micron 0.1 e sombras com caneta pincelTombown (provavelmente cor 75).

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Feliz aniversário, Jane!, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-45I. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Verbete sobre Gilberto Velho (com Julia O’Donnell) para a Bérose – Enciclopédia internacional de antropologia

Gilberto Velho. desenhos de Karina Kuschnir

Hoje é sexta mas tenho me sentido numa eterna segunda-feira, sempre distante do momento-descanso! Faço tanta coisa, mas só consigo pensar no que ainda-não-fiz. Vocês também se sentem assim? Mês passado, comprei uma pasta transparente para colocar posts-its coloridos onde anoto os “feitos” (aprendi na Oprah, 😅me julguem). A ideia era ter uma forma analógica e lúdica de me lembrar das “entregas”, como se diz hoje em dia. Mas já não estou me lembrando de atualizar (hahaha, me julguem 2.)

O chato é que as tarefinhas do dia-a-dia consomem horas e não são anotáveis. A gente roda roda roda na casa e nem tem direito a um post-it colorido no final.😒 Mas lavar a louça e esvaziar o e-mail é uma perda de tempo? Não, gente, não é. Organizar o mundo externo organiza o mundo interior. A casa e a vida arrumadas parece que “aterrissam” nossa mente. Tem uma expressão em inglês perfeita pra isso: a gente se sente mais “grounded”, com os pés no chão.

O difícil é conciliar tudo isso com a mágica de escrever, mas às vezes a gente consegue. E dá até para escrever sem I.A., coisa que nossos alunos em 2024 não estão sabendo, socorro… (Mas esse assunto fica para um próximo post.)

Hoje trago para vocês a imagem e o link de um verbete recém publicado que eu e Julia O’Donnell escrevemos sobre o antropólogo Gilberto Velho (1945-2012) para a Bérose, enciclopédia internacional de antropologia. Aproveitamos para agradecer a Fernanda Arêas Peixoto e Stefania Capone, pelo convite para publicação e pelo retorno cuidadoso sobre nossas primeiras versões. Agradecemos também aos diretores da Bérose, Christine Laurière e Frederico Delgado Rosa, e à editora Anabel Vazquez pelas edições finais. Finalmente, nosso muito obrigada a Christiano Tambascia e aos colegas do seu grupo de pesquisa pela leitura e ótimas sugestões ao nosso trabalho. Quem dera tivéssemos esse diálogo em todos os espaços acadêmicos. Esperamos que gostem!

Sobre os desenhos: Desenhos que fiz em 2012 por ocasião do falecimento do professor Gilberto Velho, a partir de fotos suas. Linhas feitas com canetinha Pigma Micron 0.1 preta, em papel comum A4, com uso de mesa de luz improvisada. Os desenhos de base foram coloridos e limpos no Photoshop.

Você acabou de ler “Verbete sobre Gilberto Velho (com Julia O’Donnell) para a Bérose – Enciclopédia internacional de antropologia“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 

Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Verbete sobre Gilberto Velho (com Julia O’Donnell) para a Bérose – Enciclopédia internacional de antropologia“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-44O. Acesso em [dd/mm/aaaa].