Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


16 Comentários

Retorno ao blog: aquecimento e academinktober

Pessoas queridas, que saudades!

Esse é um mini post para tirar a poeira e retomar o ritmo. O blog ficou adormecido por uns meses enquanto eu doava minha energia para outras frentes da vida. Com vocês também é assim? Cobertor curto que chama, né? A gente volta pra ginástica, oferece curso de extensão, conecta com amigas, fica a mil nessas coisas; e quando vê a casa está com infiltração, as plantas morrem e os relatórios travam. Me digam que isso acontece com vocês também, por favorzinho… Porque comigo é sempre assim: enquanto uns pratinhos rodam, outros vão caindo pelo chão. A diferença do “pratinho blog” é que esse é o meu xodó. Apesar de não ter postado, continuei desenhando, lendo (muito) e escrevendo pensando em vocês. Outro dia, fiz uma maratona de digitalizações que gerou 174 páginas de desenhos ainda não publicados — em breve trago eles para cá!

Enquanto o próximo post não chega, convido vocês a acompanharem a série de desenhos sobre a vida acadêmica que estou publicando no Instagram. Na comunidade das artes, o mês de outubro é conhecido como “inktober”, um período de 31 dias para fazer e compartilhar um desenho por dia (31 desenhos). Como seu criador é um chato e patenteou o nome, as pessoas começaram a criar suas próprias propostas. As antropólogas e ilustradoras Rachel Paterman @desorientanda e Melina Vaz @melina_vax do @academicomics criaram o “Academinktober”. Abaixo uma amostrinha. Sigam os desenhos lá pela #academinktober.

5 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ A melhor coisa da semana está sendo retomar o blog, mas isso não vale! A explicação desta seção, para quem é novo ou esqueceu, está no post Artes, cadernos, livros e coisas impossíveis.

♥ Ainda saudosa da série Ted Lasso, da Apple Tv. Demorei a engrenar, mas terminei apegada aos atores e personagens. É fofa e chega ótima na terceira temporada.

♥ Ando apaixonada e lendo tudo do Leon Tolstói. Entre os contos, fiquei impactada por A nevasca (1856) que achei para compartilhar. (Leiam lá e me digam se concordam que a neve parece o algoritmo do tiktok.)

♥ Uma coisa linda da semana foi ter a companhia da Mel participando do “jogo do melhor e do pior” na hora do jantar. Se vocês não conhecem o jogo, vale reler o post As cores de cada dia! Dá para jogar sozinho, em dupla ou com um monte de gente. É uma alegria.

♥ Outra boniteza e alívio é que meu gato Charlie melhorou de um resfriado longuíssimo. Nada com um bom spray de corticóide no nariz, hahaha. 😉

Sobre o desenho: Desenho de observação e “distorção para maior” de uma caixa de fósforo pequena feito no caderninho Laloran. Linhas com canetinha Pigma Micron 0.05 ; cores feitas com aquarelas, lápis de cor, um pouco de guache e canetinha de gel branca Sakura Gelly Roll. Achei legal conectar a volta ao blog aos fósforos que produzem fogo e energia de uma forma que sempre parece meio mágica pra mim.

Você acabou de ler “Retorno ao blog: aquecimento e academinktober“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 

Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Retorno ao blog: aquecimento e academinktober“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-43B. Acesso em [dd/mm/aaaa].


13 Comentários

Esperanças para 2021

Pessoas queridas, saúde e esperança para todos nesse ano novo! ♥

Registrei os meus desejos de “menos” e “mais” para 2021, inspirada por uma proposta da artista Wendy Macnaughton. Quase refiz antes de postar para ser simples: meu sonho é apenas um 2021 sem Covid-19! Menos vírus, mais vacinas. Não sei de onde tirei que queria “mais washi tapes”!?

Pensei em refazer o desenho, acertando as proporções, passando a limpo. Mas o propósito desse blog não é ser todo arrumadinho. Meu objetivo é falar dos bastidores da vida, daquelas partes que nos trazem embaraço, medo, insegurança. Ao expor essas coisas, quem sabe a gente poder rir um pouco das nossas doidices e valorizar as alegrias do cotidiano. Se pudermos ser úteis, melhor ainda!

E os sonhos de vocês para 2021, quais são? O que vocês colocariam em listas de “menos” e “mais”?

Uma das minhas descobertas de 2020 foi ter um “caderno de terapia”, justamente onde fiz o desenho acima. Eu estava recém-começando um tratamento quando veio a quarentena. As sessões passaram a ser por zap. A cada telefonema, eu ia anotando frases em papeis avulsos ou junto com as tarefas do trabalho. Um dia, achei um caderno semi-novo da Alice largado num canto. Arranquei as páginas usadas, colei todos os papeis relacionados à terapia nas primeiras folhas e passei a utilizá-lo para anotar os temas que queria abordar na sessão seguinte. Quando vi, estava abrindo o caderno praticamente todos os dias, registrando eventos do dia, sensações boas e más, sonhos-pesadelos, pequenos desenhos do cotidiano. Virou uma espécie de diário, um companheiro de pandemia. É para onde corro quando me sinto paralisada e angustiada demais; é também onde tenho procurado registrar os momentos em que me sinto bem.

Sim, às vezes a gente precisa reconhecer: agora, nesse exato momento, está tudo bem. Tenho uma amiga querida que tem um filho adulto com uma saúde mental comprometida. Quando a gente pergunta “Tudo bem?”, ela pára um segundinho, olha o relógio de pulso e responde: “– Sim! Hoje, às oito horas e dezesseis minutos está tudo bem. Daqui a pouco, já não sei!” E solta uma gargalhada. Não tem como não rir junto.

Vejam vocês: comecei a escrever esse post e não sabia onde ia dar… Isso me lembra uma imagem que desenhei para uma palestra sobre vida acadêmica:

Nossa mente é um novelo de pensamentos embolados! Muitas vezes só descobrimos o que queremos — e precisamos — escrever, escrevendo!

Estou nessa vida de criar textos há tempos e garanto para vocês: ideias que achávamos incríveis às vezes se desmancham em poucas palavras, enquanto outras que pareciam meras notas de rodapé se tornam capítulos inteiros. É importante fazer planos e sumários, mas o que realmente faz um bom texto é começar a escrever. E revisar, claro. 😉

Se estiverem chegando no blog pela primeira vez, sejam bem-vindos! Tem dezenas de posts sobre escrita, criatividade, monografia, mestrado e doutorado na seção Vida Acadêmica e Aulas.

Para todos, recebam meu abraço virtual apertado! Hoje, nesse exato momento, estou bem — e contente de estar nesse espaço, compartilhando com vocês. ♥

Sobre o desenho: Imagens e texto feitos com uma canetinha que descobri recentemente numa papelaria do bairro: Uniball Signo DX 0.38, da Mitsubishi. É fininha, com a tinta bem preta, e super gostosa para escrever e desenhar. Só não é à prova d’água nem é baratinha. Acho que custou 24 reais, mas acredito que dure muito mais do que as canetas de naquim descartáveis, porque já escrevi dezenas de páginas com ela e a tinta continua perfeita. Nesse ritmo, uma Pigma Micron acabaria em poucos dias. O caderno-terapia é de espiral, capa dura, A5, com um elástico para fechar, da Papel Craft (não sei o preço porque foi um presente que a Alice ganhou). As cores do desenho foram feitas com lápis de cor aquareláveis Caran d’Ache Swisscolor. Nossa, uma das melhores coisas de fazer essa ilustração foi lembrar de como eu estava morrendo de saudades de lápis de cor e não sabia! Passei uma boa parte da quarentena apenas na aquarela ou fazendo cursos de Procreate (app do Ipad), mas conto sobre isso num próximo post.

Você acabou de ler “Esperanças para 2021“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2021. “Esperanças para 2021”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Sp. Acesso em [dd/mm/aaaa].


30 Comentários

Caderninho bom, bonito e barato

sketch&note_p

Queria dividir com vocês uma pequena grande alegria da minha semana: estão à venda na Papelaria Botafogo meus amados caderninhos Hahnemühle. Taí um raro item importado que se encaixa na categoria bbb (bom, bonito e barato)! Por 16,00 reais, leva-se para casa um kit de 2 cadernos, cada um com 40 páginas de papel marfim (claro) 125 gr, costura na lateral e uma etiqueta de brinde para identificar.

Aprendi a amar esses caderninhos super leves, com folhas que aguentam bem uma ou duas camadas finas de aquarela. Comprei os primeiros em Lisboa e me apaixonei. Parece bobagem, mas quem adora desenho sabe como é difícil não sair de casa com dois quilos extras de material na mochila. Claro que meu pequeno estoque (de 6) terminou logo.

Para minha felicidade, essa semana fui bater ponto na Papelaria Botafogo e lá estavam não só esses caderninhos maravilhosos, como uma enorme variedade de papeis Hahnemühle de todos os tipos. Fiquei tonta.

Só quem ama material de artes sabe o sofrimento de tentar comprar alguma coisa no Rio de Janeiro. Aqui era preciso escolher entre a falida Casa Cruz (que nos deprimia mais a cada visita, até fechar), o tumulto impessoal da Caçula (com suas filas de supermercado Guanabara) e os poucos produtos e altos preços da JLM.

A paisagem era essa até que o Claudio Lopes, dono da Papelaria Botafogo, começou uma pequena revolução. Foi enchendo sua lojinha de coisas maravilhosas — Sakura, Staedtler, Copic, Faber-Castell, Hahnemühle, Van Gogh, Canson, Posca, Stabilo, Kum –, a maioria inéditas no Rio, com preços mais justos que a concorrência (quando tem).

A Botafogo é uma papelaria-de-raiz, na beira do asfalto, com caneca de Feliz Dia das Mães na vitrine de alumínio, com dezenas de miudezas no balcão e uns trambolhos pendurados aleatoriamente no teto. É a antítese da esnobe Casa do Artista de São Paulo.

Entrar lá é uma viagem às papelarias da infância, daquelas de bairro, onde se parava de bicicleta na porta para comprar um lápis, uma borracha e, de vez em quando, um presente no dia das crianças. Tinha duas dessas perto da casa da minha avó.

Imaginem a sensação de caça-ao-tesouro: você entra na Papelaria Botafogo e acha uma estante de Copics e Hahnemühle. Sim, estou parecendo deslumbrada, né? Tudo bem, me deixa. É tão raro a gente ter uma pequena alegria nessa cidade! E a minha custou apenas 16,00 reais.

Aviso importante: esse não é um texto pago! Só falo aqui no blog de materiais que realmente amo e utilizo. Escrevo porque sou extremamente grata de ver essa loja acreditando tanto nos materiais de arte. Além de ser uma simpatia, o Claudio me dá uns descontinhos, como a todos os clientes frequentes. Ele nem sabe que estou escrevendo esse post. Espero que goste e se sinta homenageado!

Queria agradecer a todos que comentaram o post da semana passada. Hoje e nos próximos dias vou responder os comentários. Foi muito emocionante ler os depoimentos da Deise, da Eunícia, da Marília, da Sarah e de tantas pessoas maravilhosas que abriram o coração. Muito obrigada pelo carinho! ♥

Como disse a Viola Davis, numa entrevista linda à Brené Brown, de 9/5/18, para aguentar as agruras da vida:

“Eles dizem para você desenvolver uma casca grossa, então as coisas não chegam até você. O que eles não dizem é que sua casca grossa impedirá que tudo saia, também. Amor, intimidade, vulnerabilidade.

Eu não quero isso. A casca grossa não funciona mais. Eu quero ser transparente e translúcida. Para que isso funcione, não vou absorver críticas de outras pessoas. Não vou colocar o que você diz sobre mim nas minhas costas.” (Viola Davis)

(Tradução acima do Google, com algumas trocas minhas, especialmente de “thick skin” por “casca grossa” que achei mais usual em português do que a literal pele grossa sugerida. Vale a pena ler a entrevista toda.

Amanhã faz dois meses: bora participar das manifestações #JustiçaParaMarielleEAnderson

Um final de semana com alguma leveza para todos nós!

Sobre o desenho: Caderninhos desenhados com Pigma Micron 0.2, coloridos com aquarelas Winsor & Newton, no verso de um bloco Canson (Mix Media). Utilizei uma canetinha  Gelly Roll 0.8 branca da Sakura para fazer as costuras laterais, uma canetinha Pigma Micron  0.05 cor sienna queimada para os galos do símbolo da Hahnemühle e uma canetinha 0.5 cinza Graphik Derwent Line Maker para fazer as sombras da etiqueta e do símbolo da Papelaria Botafogo.

Você acabou de ler “Caderninho bom, bonito e barato“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Caderninho bom, bonito e barato”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ev. Acesso em [dd/mm/aaaa].


15 Comentários

Querido diário

caderninhos_p

“Querido diário,
Oi, hoje quando acordei estava uma chuva danada, aí fiquei vendo televisão, afinal não tinha nada para fazer. (…) Depois eu joguei War com meu irmão e como sempre perdi.” (K, 11 anos)

Tenho lido diários de escritores. Não gosto de reler os meus, principalmente os da infância… As minhas páginas são uma coleção de fracassos e eventos banais. No colégio, eu penava nas aulas de Educação física, onde havia duas Sílvias, a professora e a melhor aluna:

“Rio, quarta
Hoje foi um dia comum, tive educação física, e outra vez fiquei morrendo de ódio só que desta vez foram das duas sílvias (com letra minúscula). A pequena ficava dizendo que eu não sabia jogar, e como tinha gente demais ela dizia que era para eu sair. Quando alguém errava a bola ela falava: Aí, a bola foi na sua frente! E quando a bola ia pra ela, ela errava e dava um risinho idiota. Hug! que raiva. Karina” (11 anos)

Sei que nunca fui popular, mas guardava uma imagem de ter sido boa aluna, interessada nas aulas. Nos diários, escrevo para contar essas alegrias? Não. Encontro isso:

“Acho que o mês foi positivo, apesar de eu ainda não ter muitos amigos na escola. Estou muito chatiada com isso. Quarta feira passada eu fiquei muito chatiada, eu quase chorei. Quando formaram os grupos na aula ninguém quis que eu entrasse no seu grupo e ainda assim eu entrei porque a [professora] mandou. E elas ainda ficaram reclamando. Um beijão da Karina. Tchau!!!!!” (12 anos)

Na minha memória, eu era uma criança apaixonada por livros, que amava a biblioteca do bairro e a da escola. Nas páginas do passado, estou sempre vendo novela!

Oiíííí… gostou do meu oi? Poxa, eu tô chateada, sabe o que é? é que Água Viva acabou e agora vou ter que ver aquela novela ridícula “Coração Alado”. Não aguento mais essa Janete Clair, uma careta. (…) Hoje tive aula de Datilografia, adorei! (…) De noite a mamãe trouxe uma amiga pra cá. Jantamos e fui ver Planeta dos Homens e Malu Mulher. Um beijão, Karina” (11 anos)

Foi uma fase difícil: mudei de escola, tinha medo de bomba atômica, estava virando adolescente e percebendo que não tinha pai. Aqui e ali, registrei que gostava das aulas de datilografia e de andar de bicicleta; outro dia, minha empolgação por trabalhar como babá das minhas sobrinhas, uma praia, um livro, várias brigas de irmãos; eu sempre escrevendo cartas e querendo ser certinha:

Ah!! Uma coisa que eu tava louca pra te contar. Sabe a minha professora de violão, pois é, eu não tô confiando muito nela não, sabe porque? Eu vou te contar. Ela tem 13 anos, e não é lá maravilhas no violão, e tá sempre desmarcando as aulas falando que vai ligar e não liga. Sabe o que eu penso? Eu acho que ela não tem responsabilidade, né?! (K, 11 anos)

Coitada dessa professora, aos 13, sendo criticada pela aluna de 11!

Ao final, acho graça de perceber que, mesmo depois das histórias mais tristes, eu terminava o registro do dia com uma despedida animada:

Gostou? Por hoje é só! Um beijo e boa noite. Até a próxima. Já vou. Amanhã tem mais! (K, 11 anos)

Será que eu já pensava em escrever um blog?

A ideia de fazer esse post veio das minhas leituras atuais (depois conto) e dos cadernos feitos à mão pela artista Marilisa Mesquita, que registrei nessa página durante a viagem à Portugal no ano passado. São forradinhos de papel ou tecido, cada um mais bonito do que o outro — tem até caderno-colar. Nesse dia, no café da Fundação Gulbenkian, tive a sorte de apresentar a Marilisa às queridas Sonia Vespeira de Almeida e Ana Isabel Afonso, duas pesquisadoras que admiro imensamente. Ai, que saudades dos amigos de Lisboa! (Mais sobre Portugal nesses posts aqui.)

Sobre o desenho: Linhas feitas com canetinhas Pigma Micron 0,2 num caderno Stillman & Birn, Delta Series, Ivory, 270 gr., 8 x 10 inches. Depois colori com aquarelas diversas, deixando secar bem entre uma camada e outra. Na parte inferior do desenho, brincamos juntas com o carimbo (também feito pela Marilisa) e as tintas da aquarela mesmo.

Você acabou de ler “Querido diário“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Querido diário”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3DW. Acesso em [dd/mm/aaaa].
 

 


4 Comentários

Caderninho azul

bluenotebook01p.jpg

Página inicial com as canetas que desse caderno: 1 Pigma Micron 0,2 azul, 1 Faber-Castell Pitt artist pen brush amarela (cor 184), 1 Muji 0,38 gel azul, 2 Tombow dual brush (1 azul clara, n.451 e 1 azul média n.526). 

Tenho visto tantas pessoas cansadas nas minhas redes sociais que hoje resolvi fazer um post só de imagens. Há tempos não mostro as páginas dos meus caderninhos do dia-a-dia. Como já mencionei, tenho feito desenhos com cores restritas como uma forma de treino (e também para carregar poucas canetas na bolsa!).

bluenotebook02p

Desenhando frases do Podcast da Fran Meneses (só da @frannerd) e uma versão psicodélica da Lola, minha gatinha tricolor

Uma das coisas legais do podcast da @frannerd é a sensação de ouvir a real do dia-a-dia de uma ilustradora, sem aquele estilo “olha como sou feliz” das redes sociais. As frases da página são dela: “estou tão cansada e culpada de estar cansada” (acho que todas as pessoas que conheço estão assim); e “estou morrendo de medo mas tentando seguir em frente” (idem).

bluenotebook03p.jpg

Raridade: fomos a um restaurante a pedido da Alice. Arrependimento total: comida ruim, preço caro.  Na volta, fiz esse desenho muito tosco do gatinho Charlie.

Uma das coisas estranhas de desenhar com azul é constatar que tudo fica com um clima melancólico, mesmo uma cena feliz.

bluenotebook06p

Charlie e Juva lendo num dia de chuva

Outro momento raro: depois de uma consulta médica, resolvi aproveitar o pátio do prédio para desenhar o camelô do outro lado da rua.

bluenotebook04p

Camelô baixinho com carrinho fofo e mesa com toalha de flores. ♥ 

Concluindo: ainda não cheguei nem na metade e já estou querendo desistir de tanto azul! Preferi mil vezes trabalhar com o rosa e o vermelho. Não deixa de ser um aprendizado sobre mim mesma… Vamos ver se sou persistente (ou teimosa) o suficiente.

Bom final de semana, pessoal! Que seja de sol e descanso! ☼

Sobre o desenho: Além das canetas indicadas no início, os desenhos foram feitos num caderninho Laloran. Foi justamente a capa azul escura, com borda de tecido em padronagem que lembra azulejos portugueses, que me fez instituir o azul como tema. É o caderno do meio na imagem abaixo.

bluenotebook05p

Três caderninhos Laloran que trouxe de Portugal em janeiro/2017

Você acabou de ler “Caderninho azul“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Caderninho azul”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3yU. Acesso em [dd/mm/aaaa].


4 Comentários

Realidade alternativa

20160513 lagoa tt

“Quando se perde alguém querido, sempre resta algo de irreal nessa ausência.” (Arthur Dapieve)

Assim como a epígrafe, o título do post veio da crônica “Chuva permanente” de Arthur Dapieve, publicada no Globo de 6/05/2016. Um texto sobre o luto, lindo e triste, triste e lindo. Que bom que artistas como ele existem para nos explicar o que não tem explicação.

Aproveitei a deixa para compartilhar com vocês um pouco da minha “realidade alterativa”. Tenho tentado viver todos os dias pelo menos por alguns minutos nas páginas dos cadernos de desenho. Como me disse uma sábia terapeuta, a arte (ou qualquer atividade que amamos) não nos cansa. Ao contrário, é onde recarregamos as baterias do espírito. (Não reparem, estou relendo muito Lévi-Strauss ultimamente!)

. A crônica do Arthur Dapieve pode ser lida aqui.

20160513 dora blusa 20160513 flores 20160513 peixe

20160513 aula taxi

Sobre os desenhos: Os desenhos foram feitos a partir de diferentes fontes: fotografias (da Lagoa, das pessoas pintadas de preto, da sequência Alice-celular-perdido-no-taxi; flor lilás); do Google Street View (atelier da Dora); e da observação direta (Tristes trópicos, blusa, estampas no metrô e peixinho-chaveiro). Tenho muita dificuldade de desenhar em ambientes abertos: sinto-me vulnerável e desconfortável. Amo desenhar por observação, mas definitivamente prefiro me sentir segura, em casa, no metrô ou em algum local mais protegido. Terá sido minha adolescência na violenta cidade do Rio de Janeiro dos anos 1980 tão traumática? Acho que em parte sim. O Rio cidade-comum (não a turística) é barulhento, atropelativo, sujo. Ou eu é que não sei onde ir… Os materiais foram os de sempre listados aqui.


18 Comentários

A possibilidade de escutar

caderninho5

Numa aula de antropologia do mês passado, convidei os alunos para sentarem no chão e escutarem o silêncio por três minutos. Só isso. Escutamos o espaço, o tempo, os nossos pequenos sons, os ruídos dos colegas, os alarmes da rua, a conversa dos aparelhos de ar-condicionado.

Foi tão simples e tão bom. Um momento de paz coletiva. Saíram coisas bonitas na conversa posterior. Falamos dos filtros que impomos ao que escutamos e, principalmente, da dificuldade de ouvirmos uns aos outros; e do desafio de compreender o que as pessoas que nós estudamos têm a dizer.

Agora à noite, estou lendo os relatórios sobre as palavras que surgiram nos trabalhos de campo. Tem boca de cena, alma penada, espera, frentes, coração, treta, lobo, beijo, tic tac, parça,  guia, lunfa, segura, ownn! É uma lindeza de ver como eles decifraram os contextos e significados desse vocabulário. Recupera o lugar do enigma na pesquisa. Ou, como disse o poeta: “Cada eco leva  Uma voz   Adiante”.

flormini
Nesses tempos difíceis, deixo essa flor em homenagem aos meninos assassinados, mas também aos jovens e vivos. Que a gente consiga se escutar e escutar uns aos outros. Estamos precisando.
Escutas: O poeta citado é Arnaldo Antunes e o verso vem da música Pra Lá.  Antes dos três minutos de silêncio na aula, ouvimos juntos esta palestra de Julian Treasure (tem legenda em português).
Sobre os desenhos: Reproduções de caderninhos leves que costumo usar para desenhar no metrô e onde anoto os sons e palavras que escuto pelo caminho. Desenhei também alguns dos temas das páginas internas ao redor. Utilizei as canetinhas Pigma Micron 0.05 e aquarela para colorir. A flor foi feita com os mesmos materiais, copiada de um livro de botânica.


14 Comentários

Laloran, ondas de papel

laloranpq2

“minha mãe dizia
— ferve, água!
— frita, ovo!
— pinga, pia!
e tudo obedecia”
(Paulo Leminski, Toda poesia, p.39)

Os cadernos Laloran são como tudo que nos faz bem: comidinha de casa, trabalho com pausa, passeio com paisagem, vida com foco, apoio de mãe. De todos os materiais que uso para desenhar, são os mais especiais (e os mais bonitos). Comprei o primeiro em 2011, em Lisboa, das mãos da artista Ketta Linhares no evento anual dos Urban Sketchers.

Ketta e seu marido Mário Linhares são uma dupla doce e talentosa que se dedica a traçar delicadas pontes intercontinentais. Ambos também desenham e escrevem sobre suas viagens. Ano passado lançaram um livro encantador sobre a Costa do Marfim (Diário de viagem: Costa do Marfim). Em 2015, nasceu seu segundo bebé, como se diz em Portugal.

Na pilha que desenhei, só o caderno de cima é feito com tecido tais timorense artesanal. Os dois debaixo foram um pouco mais baratos porque originalmente tinham a lombada de tecido de algodão cru. As listras (de canetinhas e lápis de cor) foram pintadas por mim depois e por isso esses exemplares são únicos!

Ketta é filha de pais timorenses. Ela nos conta que a marca “Laloran” surgiu depois de ouvir a ladainha de sua mãe num telefonema, preocupada com as ondulações da vida da filha… “Laloran, laloran, laloran…” dizia a mãe, usando uma palavra que significa “onda” em tétum, língua nacional do Timor-Leste.

Assim surgiu o primeiro caderno, e depois outro e mais outro, devagarzinho. São pequenas obras de arte que saem das mãos de Ketta para criar…

“…espaços que revelam pensamentos, na forma escrita ou de desenhos, sobre o mundo” (palavras dela).

Sinto ainda uma emoção especial por esses Laloran pois sei que compartilho esse apreço com desenhadores mundo afora, mas especialmente com o Eduardo Salavisa, um dos artistas que tanto admiro e que me apresentou à Ketta e ao Mário.

E me despeço sem encher o post de links para que vocês possam focar nesse simpático filminho de um Laloran-sendo-feito: https://vimeo.com/45731877  (4:34min., criação de Patrícia Pedrosa)

E já ia me esquecendo do site dos cadernos! http://book-sketch.blogspot.com

Sobre o desenho: No verso de um pedaço de papel Canson Moulin du Roi (gran fin, mas não gostei desse papel…), o desenho foi feito com canetinha Pigma Micron 0.05, pintado com pincéis Anna Mason e  tinta aquarela Winsor & Newton. As listras foram feitas com canetinhas Staedtler triplus fineliner e lápis de cor Caran d’Ache, com auxílio de uma régua. As sombras foram pintadas com waterbrush Kuretake. Sobre esses equipamentos, tenho colocado mais informações na página Materiais.


13 Comentários

Artes, cadernos, livros e coisas impossíveis

Imaginem um lugar onde as marcas do tempo são belas, as falhas são histórias, as fragilidades são forças… Esse é o Atelier Palmarium, um espaço cheio de delicadezas, onde se respira fabricação de livros. Cada gesto de Cristina Viana, sua dona-artista, revive e reinventa tradições de centenas de anos…

Palmarium 01

Suas mãos são como as dos artesãos que aprederam com seus mestres, que aprenderam com seus mestres, que aprenderam com seus mestres… Papéis, linhas, agulhas, instrumentos, tecidos, colas, pincéis, máquinas de apertar, de cortar, de gravar… Tudo isso se junta de forma ritual e cheia de mágica para fazer um livro ou um caderno — e lindos!

Tive o prazer de conhecer um pouquinho desse mundo no início de abril/2015, num workshop de encadernação do tipo códice. O objetivo era nos ensinar a fazer um caderninho com papel de aquarela, ou “sketchbook”, como dizemos no mundo do desenho.

Palmarium 02

Essas são as imagens das minhas anotações das quase 8 horas de trabalho. Depois de uma certa altura, foi difícil continuar anotando, como vocês podem ver… Foram muitos detalhtes e coisas que nunca imaginei que existissem, medidas em 0,00 milímetros e precisas como num plano de vôo para a lua.

Palmarium 03

Abaixo, o caderno pronto (à esquerda) com os desenhos iniciais mostrando a capa-envelope — uma pequena obra de arte em si mesma, proposta pela Cristina para que pudéssemos terminar o trabalho num dia só.

Palmarium 04

Sobre os livros:

Toda essa aventura me fez lembrar de um monte de livros sobre livros que aprendi a amar ao longo dos anos… De tudo do Umberto Eco, do Robert Darnton e do José Mindlin, passando por Dom Quixote, pelos policiais de John Dunning, pelos textos da Alessandra El-Far, pelo livro sobre handmade-books que recuperei de um empréstimo, pelos “leitores-comuns” de Virginia Woolf e Anne Fadiman (cujo amor pelos livros foi tanto que levou seu filho a comê-los!), pelos autobiográficos de Anne Lamott, Stephen King e todos os seus companheiros-escritores de estante… E até do despretensioso “As memórias do livro: romance sobre o manuscrito de Sarajevo” de Geraldine Brooks (Ediouro, 2008, trad. Marcos Malvezzi Leal), porque fala de restaurações, ilustrações e páginas de um livro-tesouro que passa de mão em mão por centenas de anos.

Essa semana soube de duas pessoas que leram livros comentados por mim aqui no blog. Fiquei tão feliz! E me lembrei de indicar para vocês o blog “Seven Impossible Things Before Breakfast“, mantido por Jules Danielson, sobre os bastidores da ilustração de livros infantis (principalmente nos EUA). O arquivo do blog é vertiginoso, a seção de entrevistas é incrível e as imagens de ilustrações-em-processo são fantásticas.

O título do blog é uma homenagem a outro ícone dos apaixonados por livros: Lewis Caroll! É uma referência a um diálogo da Rainha Branca com Alice, em “Através do espelho”. Alice diz que “não se pode acreditar em coisas impossíveis”. Mas a Rainha discorda: “Quando eu tinha a sua idade”, conseguia “acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café-da-manhã”!

Por que parar em seis?, pensou Jules… E todas as semanas ela também publica uma pequena listinha de sete coisas (Kicks!) “impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota” que aconteceram na vida dela relacionadas ou não a livros. E ainda convida os leitores do blog a compartilhar as suas nos comentários.

Acho que vou adotar a prática aqui no blog também, pois nunca consegui explicar nem pra mim mesma a palavra “coisas” no subtítulo que inventei (“desenhos, textos, coisas”). Ficam sendo “coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota” que eu conseguir lembrar da minha semana passada, sem número fixo, que de fixa na vida já basta a conta da Light.

Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

* Alice me deu muitos abraços na sexta-feira porque eu a fiz estudar uma matéria que, afinal, caiu na prova de matemática (apesar de ela jurar que não cairia).

* Ensinei o Antônio a escrever uma referência bibliográfica — ele foi o único da turma que apresentou a formatação “correta” segundo a professora. Eu não acredito em “formatações corretas”, mas valeram 2 pontos num trabalho! Ufa. Meus anos e anos editando livros não foram em vão…

* Descobri no forno um empadão com a palavra CLARA feita de massa que me fez chorar… (Presente-surpresa da nossa funcionária Jô para o aniversário da Clarinha.)

* Vi um documentário lindo: “Margaret Mee e a Flor da Lua” (6,00 reaiszinhos na locadora Cavideo).

* Ao invés de fazer o quase-atrasado relatório do CNPq, tenho lido textos e mais textos sobre ilustração científica, meu novo tema de pesquisa pelos próximos 3 anos!

Sobre os desenhos: Registros do workshop de encadernação feitos com canetinhas Pigma Micron e aquarelados no caderninho Laloran. Acrescentei algumas colagens de linhas, restos de papéis e tecidos. Muita gente viu os corações (na terceira imagem) e não reconheceu o local onde almoçamos… Alguém adivinha?

 


4 Comentários

Um caderno não é só um caderno

laloranmulti

A primeira vez que participei de um evento dos Urban Sketchers, em Lisboa, em 2011, fiquei maravilhada com a quantidade de desenhos que passavam de mão em mão. Todo mundo se cumprimentava assim: “Posso ver o seu caderno? Quer ver o meu?”

Já conhecia várias daquelas pessoas por blogs, flickrs e pelo livro Diário de Viagem de Eduardo Salavisa, mas nada se comparava a folhear os caderninhos pessoalmente. Um dos primeiros que vi ao vivo foi o de Richard Câmara, começando com uma sequência de imagens feitas através das janelas do avião (a pousar em Lisboa), seguida por dezenas de páginas com animais do zoológico. “Em quanto tempo você desenhou tudo isso?”, perguntei. “Ontem e hoje”, ele respondeu, sem nenhuma afetação; e ainda fazendo questão de me explicar que a ideia das janelas tinha sido inspirada no desenho de fulano-de-tal (infelizmente não lembro o nome).

“Como assim???”, pensava eu com minhas canetinhas… Desde 2004, eu tinha voltado a desenhar, mas nenhum dos meus cadernos se comparava àquelas páginas intensas e coloridas. Era como saber tocar “Gente Humilde” com três cifras no violão e encontrar pela frente a galera que toca “Brasileirinho” com os olhos vendados.

Felizmente, a essa altura da vida, eu já tinha aprendido que adoro aprender. Gosto de ser aluna, de enfrentar desafios, de descobrir uma montanha de coisas que ainda não sei. Amo legos e quebra-cabeças (os de verdade e os metafóricos).

É claro que morro de preguiça muitas vezes, e também já desisti de aprender a tocar Brasileirinho (o de verdade e os metafóricos) em várias oportunidades. Larguei pelo caminho um monte de coisas; e não sou nenhuma miss-certinha. (Os mais de quinze dias de atraso nesse blog são uma boa prova do meu sistema “bom mas nem tanto”, “bem feito, mas com defeito” ou o melhor, da vovó Trude: “só erra quem faz”. )

Então, bora comemorar! Muitas e muitas páginas e canetas depois daquele evento de 2011, até a imersão na Drawing Land do ano passado, agora já tenho coragem de perguntar: “Posso ver o seu caderno? Quer ver o meu?”

Sobre os desenhos: Quase todos os desenhos foram feitos com canetinhas de nanquim descartáveis (as minhas preferidas são as Pigma Micron da Sakura) e coloridos com aquarela, lápis de cor e vários tipos de canetas hidrocor (no momento estou apaixonada pelas Tombow e em vias de me apaixonar pelas Koi watercolor brush, da Sakura, que acabaram de chegar graças a uma amiga que foi aos EUA.) Estou sem tempo de escrever sobre cada imagem, mas se tiverem alguma dúvida ou curiosidade me escrevam nos comentários que eu respondo!

O caderninho é um Laloran com lombada de tecido Tais timorense feito pelas mãos talentosas de Ketta Linhares. Essa minha versão é com papel mais fino do que o ideal (de 220gr que usei no #UskParaty2014). Ainda por cima, o bichinho tomou um banho d’água logo no segundo dia de uso (daí as ondulações sombreadas em várias das páginas abaixo).

Laloran 2015 jan (7)Laloran 2015 jan (2)Laloran 2015 jan (1)Laloran 2015 jan (4)Laloran 2015 jan (3)   Laloran 2015 jan (5) Laloran 2015 jan (6)  Laloran 2015 jan (8)

caderninho laloran fev 2015-003 caderninho laloran fev 2015-005 caderninho laloran fev 2015-006 caderninho laloran fev 2015-007