
Alice adora quando encontra mulher dirigindo táxi. Ontem avistou uma no trânsito e me perguntou:
— Mãe, você gostaria de ser taxista?
Eu — Não, filha, detesto trânsito! E ainda o dia inteiro…
Alice — Ah, mas imagina só: cada passageiro tem uma história para contar! Quando você se dá conta, já acabou o caminho!
Eu — E você, filha, o que gostaria de fazer quando for adulta?
Alice — Hum, será que pode ser “treinadora de futebol da seleção brasileira”? Será que pode ser mulher? Eu acho que pode!
Eu — Deveria poder sim.
Alice — … Ou então: professora de educação física, artista, desenhista, jogadora de futebol e… diretora da Globo!
Eu — Legal, filha.
[e mais tarde…]
Alice — Mãe, estou tão feliz! Atualmente eu tenho “zero problema”.
Eu — Como assim?
Alice — Eu resolvi o problema do cabelo na escola, o da falta da minha bola e o da falta da minha bicicleta, que você buscou hoje.
Eu — Que bom, filha! E como é que a gente faz para ter “zero problema”?
Alice — Ué? É só resolver todos. Resolve um, depois outro, depois outro e assim vai.
Eu — Mas os meus problemas nunca acabam…
Alice — É que nem jogo de futebol, mãe. Não pode sair todo mundo da defesa de uma vez; nem atacar com todos os jogadores de uma vez. Tem que defender quando precisar defender, e atacar quando precisar atacar. E não pode perder a bola.
Eu — Eu sempre perco a bola…
Alice — Não deixe nada te causar problema, mãe.
Eu — É, filha, você tem razão. Quer dizer que você não tem problema…?
Alice — Pensando bem, eu tenho um problema sim: não tenho com quem brigar!
Eu — Como é que é?
Alice — É que o Antônio está viajando! Ah, e tenho outro problema também: a Alemanha vai ganhar a Copa de 2018…
…
Sobre o blog: Vamos combinar que a semana passada não existiu? Eu finjo que não deixei de escrever o post-de-quarta e de brinde a gente ainda anula os jogos infames da seleção brasileira! Como os jogadores, não sei explicar o que aconteceu: apagão, excesso de Copa, volta às aulas das crianças, mudança número três, obras, gatos, dor nas costas, tudo-isso-junto. Só que não; não adianta dar desculpa. Desde que o blog existe, tive motivos bem piores do que esses para não escrever ou não desenhar ou os dois. Então, bora pra frente. Faz de conta que a semana passada não existiu.
(Mas vamos abrir uma exceção para não apagar a crônica deliciosa do Arthur Dapieve que saiu no Globo na sexta e nenhum dos textos sempre lúcidos do Mário Magalhães no Uol. A Copa ficou melhor com eles.)
Sobre o desenho: Feito no último dia do Simpósio Urban Sketchers em Barcelona, em julho de 2013. Que saudades dessa semana incrível! Queria voltar a desenhar assim… A mistura de cores e materiais foi influência dos workshops que fiz com duas artistas maravilhosas: Inma Serrano e Marina Grechanik. Usei de tudo um pouco: lápis de cor, caneta de pena e nanquim, aquarela, caneta Pentel com ecoline dentro, canetinha Unipin 0.1 e até lápis de cera (acho). Por falar nisso, em agosto acontecerá o 5o. Encontro dos Urban Sketchers no Brasil, em Paraty — ainda dá para participar!
E como alguns têm escrito para saber como se desenvolver no desenho, recomendo a maravilhosa Sketchbook Skool, uma escola online criada pelos ultra-simpáticos e talentosos Danny Gregory e Koosje Koene. Amei o primeiro semestre e estou sonhando com o segundo…