“Há uma frase de Gustave Doré que sempre achei muito bonita: Eu tenho a paciência de um boi. Vejo nesta frase ao mesmo tempo algo bom, uma certa honestidade decidida; enfim, esta frase contém muitas coisas: é uma verdadeira frase de artista. (…) Eu tenho paciência, como é calmo, como é digno;” (Vincent Van Gogh)
Paciência é das virtudes que mais admiro. Como escreveu Van Gogh: como é calma, honesta e digna.
Desejo paciência nos dias em que o luto parecer interminável; paciência para a mãe do bebezinho aprendendo a mamar; paciência para a amiga fazendo quimio (tendo que lidar com a pneumonia do companheiro); paciência para a Ana Paula Lisboa continuar escrevendo; paciência para quem enfrenta enfermidades longas; paciência para todos os brasileiros para mais um dia, apesar de tudo.
Que a calma e a dignidade da paciência contagiem vocês, leitores queridos. Que o mês de julho venha renovar o nosso estoque. Baixem aqui o arquivo PDF para imprimir.
Que a segunda metade de 2022 seja generosa para nós. ♥
Vincent Van Gogh, 1883, vaca deitada
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Sobre a citação na epígrafe: Trecho da página 123 do livro “Cartas a Théo”, de Vicent Van Gogh, edição L&PM Pocket, tradução de Pierre Ruprecht.
Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval, depois desenhada com canetinha Wacom e editada no Photoshop. Uma explicação detalhada sobre como tenho feito os calendários está no post de junho.
Sobre a pintura: Imagem de pintura a óleo de Van Gogh de sua página na Wikiart (onde se pode ver mais 1930 desenhos e pinturas dele). Há lá também uma página sobre o artista Gustave Doré, citado por Van Gogh na epígrafe.
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Você acabou de ler “Julho/2022 – Com a paciência de um boi“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada!
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Julho/2022 – Com a paciência de um boi“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Y3 Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Uma única pessoa está ausente, mas o mundo inteiro parece vazio.” (Phillipe Ariès)
“E então… não mais. (…) o que chamamos de luto é como estar em um submarino, em silêncio sobre o leito do oceano, sentindo a carga da profundidade, ora perto, ora longe, açoitados por recordações. (…)
Você se senta para jantar, e a vida que você conhecia termina. Em uma batida do coração. Ou na ausência de uma. (….) Eu queria gritar. Eu queria que ele voltasse.” (Joan Didion)
No dia 9/4/2022, às 11:50h da manhã, faleceu meu companheiro de amor e de vida, Juva Batella. Ao contrário da Joan, que passou seus primeiros meses de luto tentando entender se havia algo que ela pudesse ter feito para evitar a morte do marido, sinto-me serena quanto à inevitabilidade do que ocorreu. Não havia nada que alguém, máquina ou medicamento pudesse ter feito. Ele precisava da cirurgia, ele marcou a data, e fomos avisados dos imensos riscos.
Minhas tempestades são outras: acordo com a certeza de que ele ainda está aqui, e já não está; lembro que preciso lhe contar o que está acontecendo, e já não posso. Tudo dói uma dor sem remédio, porque não há sorrisos e abraços dele à venda nas farmácias. Seus áudios no Whatsapp soam menos reais a cada dia. Havia tantos planos — nossa rede, nossa varanda –, e já não há.
É preciso reaprender a viver, ser, sentir, pensar, falar… É como se as bordas do mundo que eu conhecia tivessem desaparecido. Sinto-me no oceano de que fala Didion, mas em mar aberto, sem os contornos de um submarino ou de alguma terra à vista.
Ao mesmo tempo, não estou só. O Juva — como falarei no próximo post — foi a pessoa das pessoas. Deixou-me numa ilha cuidadosamente povoada por seres que o amavam, aquecendo o meu coração.
A cada um dos “navegantes e navegantas”, como ele escreveu, agradeço o imenso carinho, sem o qual eu não poderia estar aqui, tentando seguir. Na mensagem que mandou à família, amigos e alunos avisando da cirurgia, terminou por me deixar instruções sobre o que fazer:
“A Karina vai cuidar de vocês, este grupo de amigos do coração, mandando-lhes as novidades acerca do andamento do update [do coração].
Navegar é preciso. (Mas viver também é preciso.) Pensem em mim. ♥”
Cá estou, procurando as palavras e “cuidando de vocês”, escrevendo as “novidades” que eu não queria escrever, vivendo a vida — porque “é preciso” — e pensando nele, com todo amor do mundo, pra sempre.
Relendo os últimos posts, me surpreendi que minhas prioridades para 2022 continuam válidas, ainda que a vida tal como eu conhecia tenha desaparecido. Registrei: “preciso manter a saúde física, mental e artística em dia — e não esquecer disso depois do Carnaval”. O que eu não imaginava era o significado desse “carnaval”, uma época de inversões e liminaridades festivas que se assemelha tanto ao tempo da morte, como a antropologia nos ensina.
Ainda não estou “do outro lado” do meu luto. Mas 52 dias, 8 horas e dez minutos depois, estou aqui escrevendo, já tendo pintado uma aquarela, desenhado um padrão de corações, feito três sessões de terapia e duas de musculação. É um degrauzinho.
Bom junho para todos, com amor, saúde e paciência. ♥
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Sobre a citação: Os trechos das epígrafes estão no livro “O ano do pensamento mágico”, de Joan Didion (Harper Collins, 2021, tradução de Marina Vargas).
Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em pedaços A4). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de lilás, pincelando com outras cores. Achei que ia seguir os processos anteriores, trabalhando no app Procreate, mas minha canetinha do Ipad quebrou (não carrega, não funciona ). Lembrei da minha velha plaquinha de digitalização Wacom Intuos que graças às deusas funcionou direitinho associada ao Photoshop (mencionei essa compra de 2019 aqui). O processo foi o mesmo dos demais calendários desse ano: mantive duas camadas da aquarela sobrepostas, uma mais escura por cima de uma mais clara. Depois desenhei as linhas dos corações apagando a camada de cima com a canetinha eletrônica (modo lápis-borracha no Photoshop). Para a grade do calendário, adaptei as de 2021 como sempre.
A estampa de corações foi baseada em um desenho que fiz para o Juva quando ele estava em Portugal. Minha inspiração foram as aulas da artista Neha Modi, que assisti no Skillshare em janeiro. Vocês podem ver o trabalho dela no Instagram @expressionsbyneha.
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Você acabou de ler “Junho/2022 – Viver é preciso“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada!
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Junho/2022 — Viver é preciso“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3UJ. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Pessoas queridas, aí vai o mês de abril, com o arquivo em PDF em alta resolução para imprimir.
Continuo lendo muito e planejando posts, mas a energia de produzir novas publicações ainda não está se encaixando na rotina. Os posts que vocês mais gostam levam um dia inteiro para ficar prontos, sem contar o tempo de elaboração das imagens. Sim, eu contei: são 6 horas em média para cada parte!
Minhas prioridades para esse ano, como escrevi em janeiro, são manter a saúde física, mental e artística em dia — e não esquecer disso depois do Carnaval! Março passou e sigo na musculação, na terapia e no meu caderninho (desenhando e pintando) todos os dias. Recomendo muito!
Desinstalei o aplicativo Instagram para ter mais tempo. Estava muito viciada em ver stories e reels. Esses algoritmos são malignos! Agora entro de vez em quando pelo navegador, o que é uma experiência tosca, porque eles nos querem viciados no app.
Como estou geneticamente programada para ter vícios, claro que já me viciei em outras coisas: ouvir audiobooks gratuitos no Spotify.
Espero que vocês curtam o calendário de abril e se planejem. Bom novo mês para nós! ♥
PS: O subtítulo é “seguindo” porque é o que temos pra hoje. Estou com duas pessoas amadas doentinhas, precisando de atendimento de saúde sério e acolhimento. Não é hora de metas. O plano é ficar bem. Por isso, mando um abraço fraterno aos alunos de graduação, pós-graduandos, pesquisadores e professores que me seguem — e a todos os amigos e leitores de outras áreas também — vamos superar essa fase!
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Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em pedaços A4). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de verde, pincelando com outras cores. Escaneei e abri no app Procreate do Ipad, mantendo duas camadas da aquarela sobrepostas, uma mais escura por cima de uma mais clara. Depois desenhei as linhas e folhas apagando a camada de cima com a canetinha eletrônica (pincel Narinder Pencil). Para a grade do calendário, adaptei uma de 2021 com o Photoshop.
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Você acabou de ler “Abril/2022 – Seguindo!“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada!
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Abril/2022 – Seguindo!“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Uz. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Pessoas queridas, aí vai o mês de março, com o arquivo em PDF em alta resolução para imprimir.
Nem vou me justificar muito para não atrasar esse post. Espero que ainda dê tempo de vocês curtirem o calendário e se planejarem. Bom março para nós! ♥
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Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em pedaços A4). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de rosa, pincelando com outras cores. Escaneei e abri no app Procreate do Ipad, mantendo duas camadas da aquarela sobrepostas, uma mais escura por cima de uma mais clara. Depois desenhei as flores apagando a camada de cima com a canetinha eletrônica (pincel Narinder Pencil). Para a grade do calendário, adaptei uma de 2021 com o Photoshop.
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Você acabou de ler “Março/2022 – Atrasadaaaa!“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Março/2022 – Atrasadaaaa!“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3TS. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Conforme alteramos nossas referências, transformamos também nossas definições do possível e do impossível.” (Tamara Klink)
Há quanto tempo a gente não encara algo fácil?
Vamos relembrar, porque estamos enferrujados: “fácil” é o que se faz sem dificuldade ou esforço; algo claro, compreensível, cristalino!
Então? Repassemos nossa vida:
Habitar: custoso, complicado, apertado.
Comer: caro, dá trabalho e a louça nunca acaba.
Ter saúde: viva o SUS, mas a conta da farmácia tá maior que a do mercado.
Usar máscara: sufocante, apertado, indispensável.
Testar pra Covid: qual, onde, quanto, quando?
Namorar: Tinder? Socorro.
Transportar: demora, sufoca e estorque.
Estudar: quem ainda aguenta aulas online? Manda o link que eu ass… zzzzzz…
Escrever: aconselham desligar as notificações e digitar… Mas o quê? Pra quê? Por quê? Socorro 2!
Há tempos, o bom senso rareia na vida coletiva. Do lockdown de algumas semanas, aqui estamos, tendo que engolir que “não somos coveiros” e que os e-mails da Pfizer foram parar no spam.
Se você está lendo isso, você sobreviveu, bate aqui.
Vim trazer a esperança de fevereiro porque ninguém aguenta mais. Chegamos. Sequelados, vacinados, seguimos!
Meu maior sonho é aglomerar igual sardinha (no mar, né? não no BRT). Nem sou tanto de carnaval, mas passei a ser. Que mágica será maior do que pular num bloco de rua, cantando uma marchinha bem louca sobre um mundo sem vírus, desemprego e inflação?
Sinal de que estamos mesmo em 2022: é permitido sonhar! O Carnaval de 23 está logo ali.
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Calendário de Fevereiro de 2022: Segue o mês de fevereiro no PDF em alta resolução para imprimir.
O desenho é inspirado na viagem da Tamara Klink. Ela partiu da Noruega no veleiro “Sardinha” e veio sozinha até o Recife. Agora está descendo a costa brasileira em direção a São Paulo. Vejam abaixo um pouquinho da história dela e onde acompanhá-la nas redes.
Esses peixinhos também são uma homenagem a um moço-peixe que amo muito, que tá sentindo falta da água mas que, já já, estará de volta nas piscinas do mundo. Conta comigo, sempre. Nadamos juntos há exatos 11 anos hoje. 🐟🐟
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Coisas:
♥ A citação da Tamara Klink está numa entrevista que ela deu para o canal #Sal, no Youtube.
♥ Tem uma matéria resumindo a primeira parte da viagem dela aqui.
♥ Dá para acompanhar a viagem em tempo real pelo Instagram dela.
♥ E ainda tem livros!! Sim, Tamara Klink já escreveu dois livros (que estão na minha lista de desejos), publicados pela Editora Peirópolis.
♥ Fiquei sabendo de tudo isso pela Helê, do Duas Fridas, que tem também a Monix. Assinem a newsletter delas. É sempre uma delícia de ler.
♥ Aviso: a abertura da exposição do Antonio Kuschnir no MAC-Niterói foi adiada por causa de um problema no ar-condicionado do Museu. Já já aviso a nova data.
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Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em pedaços A4). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de azul, pincelando com outras cores. Escaneei e abri no app Procreate do Ipad, mantendo duas camadas da aquarela sobrepostas, uma mais escura por cima de uma mais clara. Depois desenhei as sardinhas apagando a camada de cima com a canetinha eletrônica (pincel Narinder Pencil). Para a grade do calendário, adaptei uma de 2021 com o Photoshop.
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Você acabou de ler “Fevereiro/2022 – É permitido sonhar“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Fevereiro/2022 – É permitido sonhar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3TS. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Quando não souberes pra onde ir, olha para trás e saiba pelo menos de onde vens.” (Provérbio africano, citado em Um defeito de cor)
Oi! Tem alguém aí? Passando para dizer que estou com saudades e trago o calendário do mês de janeiro, com o PDF em alta resolução para imprimir! Queria ter feito o ano todo de 2022, mas o meu possível foi um mêszinho só.
Como vocês estão? Espero que bem, vacinados e acolhidos entre pessoas queridas e por si mesmos.
Passei 2021 como a maioria: numa Montanha russa emocional. Atravessei ondas internas e externas difíceis. Precisei aceitar a vontade de ficar quietinha. Trabalhei, cuidei de mim, curti meus amores, me refugiei nos livros, desenhei (pouco) e escrevi (bastante) em papéis de verdade.
Agora veio o desejo de voltar pro blog, grata pela montanha de coisas boas que esse espaço virtual me trouxe, em especial, vocês, leitores tão gentis.
Para 2022, meus votos são por saúde, alegria e simplicidade; que possamos respeitar e considerar as emoções uns dos outros, acolhendo tristezas e dores, promovendo estimas e afetos. Tudo passa. Os tempos difíceis vão passar também.
Sei que temos motivos de sobra para chorar e ter medo, mas gostaria de um 2022 que nos desse permissão para cantar, dançar e sorrir. Por isso adotei um lema que achei no Google (sem autoria): “Life is hard. Choose joy anyway.” (Algo como: “A vida é dura. Escolha alegria mesmo assim.”)
Meu lado Addams olha com certo nojinho para esse conselho tipo “seja feliz”. Como assim, tanta desgraça acontecendo, não dá! Só que dá sim, tem que dar. Há crianças nascendo, livros sendo publicados, médicas se formando, negros protagonizando séries de amor, pessoas recebendo alta, organizações plantando árvores e salvando bichos, pesquisadores descobrindo remédios contra Covid, chilenos votando, jovens se apaixonando. E tem a 5ª temporada de The Office.
Desespero tem limite: bora acreditar. Sei que virada de “ano novo” é apenas um dia normal em que o sol dá uma volta ao redor da terra. Mas pesquisas comprovam que datas rituais nos ajudam a mudar, de verdade.
Façamos planos, sem culpa. Quais são os de vocês?
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Coisas:
♥ O provérbio citado na abertura do livro “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves (Record). Leitura maravilhosa de 2021. Espero trazer para cá num futuro post.
♥ Ouvi sobre como as datas especiais no calendário (festas, aniversários, estações, signos, feriados etc.) são boas para aumentar nossa capacidade de mudança em entrevistas com a Katy Milkman, autora do livro How to Change, no Intagram (Igtv do @peopleiveloved) e en vários podcasts (só procurar o nome dela). A autora é uma simpatia.
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Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em 14 pedaços A4, me preparando para o ano todo, só que não deu tempo). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de amarelo e laranja, pincelando com toques de outras cores. Depois desenhei com lapiseira fina (e grafite HB) as coisinhas de praia: conchas em vários formatos (viva o Pinterest), mas também pequenos objetos que às vezes esquecemos na areia. A ideia era fazer tudo à mão, mas depois que exagerei nos detalhes, acabei finalizando no app Procreate do Ipad. Mantive duas camadas da aquarela sobrepostas e apaguei uma delas com a caneta eletrônica. Para a grade do calendário, consegui adaptar das que fiz para 2021 no Photoshop. Boa passagem de ano, pessoal! ☼
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Você acabou de ler “Janeiro/2022 – Planos sem culpa“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2021. “Janeiro/2022 – Planos sem culpa”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3T2. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Utilizei imagens anteriores, aproveitando o Photoshop para acertar as cores, ocupar melhor os espaços e clarear o branco do papel. Também marquei com desenhos os principais feriados de 2020 no Brasil. Espero que gostem!
Quem sabe agora vou começando a desenhar 2021 no ritmo certo: com calma. ♥
Muito obrigada pelas mensagens tão positivas pelo post de ontem. Continuar a desenhar e escrever voluntariamente aqui no blog é um dos meus focos de 2020.
Minha palavra-chave nos últimos anos têm sido “força”, mas estou cansada de tentar ser forte o tempo todo. Pra 2020, estou querendo liberdade e leveza.
Revendo os calendários, amei os passarinhos que ficaram no mês de abril. Essa duplinha fofa (acima) parece que tá conspirando: — Bora voar?
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Seguem todos os meses em imagens para vocês verem melhor:
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Sobre os desenhos: Quase todos os desenhos foram feitos com canetinha nanquim à prova d’água 0.05 (Pigma Micron ou Unipin) e coloridos com lápis de cor em papel A4 90gr comum. O único mês feito com marcadores é o de maio (tema Matisse), pois as cores tinham que ser bem fortes e sem textura.
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Você acabou de ler “Calendários 2020 de Janeiro a Dezembro“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Nas últimas duas semanas, quantas vezes você se sentiu…
• …nervosa, ansiosa ou no limite?
• …sem conseguir parar ou controlar suas preocupações?
• …preocupando-se muito com diferentes coisas?
• …com dificuldade de relaxar?
• …agitada, sem conseguir ficar parada?
• …facilmente aborrecida ou irritável?
• …com medo de que algo terrível aconteça?
Se você respondeu “quase todo dia” para a maioria dessas perguntas, bem-vinda ao clube dos ansiosos. Assim me diagnosticou um aplicativo chamado “FearTools”, indicado pela ilustradora chilena Fran Meneses.
Respondi honestamente e tirei 17 (em 20): “sintomas severos” de ansiedade. Sério?
Achei tão óbvias as minhas respostas! A culpa é do Brasil e dos problemas mundiais, ora. Será que alguém não tiraria nota máxima nesse teste?
Sim, gente, tem esse tipo sim. Meu namorado, por exemplo, tirou 3: “sintomas mínimos ou inexistentes” de ansiedade.
Pois é. E a vida dele está longe de ter menos problemas do que a minha. Para ser bem sincera: é o contrário! A diferença é que ele dorme bem, nada todo dia e se concentra em uma tarefa de cada vez. Já eu… estou sempre dormindo menos do que deveria (e tendo pesadelos), não conseguindo manter uma rotina de exercícios por mais de 3 ou 4 meses, além de pensar em mil coisas ao mesmo tempo.
Por isso, meu recado para mim mesma hoje é esse: a culpa não é (só) dessa conjuntura abominável. Tenho certeza de que, se fizéssemos o mesmo teste em 2011, eu ia continuar tirando 17 e ele 3. Talvez eu tirasse 13, vá lá. Mas 3 não…
Chega a ser engraçado. Ele não entendeu o significado da pergunta “preocupar-se constantemente” (no app está “constant worrying”). Me respondeu: “Não sei, depende… preocupar-se com o quê?” Tive que rir. “Meu anjo, quem se preocupa, se preocupa com tudo o tempo todo. Quando resolvemos um grande problema, sentimos um vazio que nos faz pensar ‘hummm, com o quê vamos nos preocupar agora?’.”
Apesar de tudo isso, vai entender, me considero uma pessoa calma e organizada. Foi um longo aprendizado. Durante alguns tipos de tarefas, minha mente se aquieta: escrever, desenhar, ler, dar aulas, estar focada nas pessoas que amo — e correr (quando eu conseguia; porque correndo não dá tempo de pensar). No mais, sigo sempre com as preocupações (que vão da lista da farmácia à fome no país).
E vocês? Como se sairiam nesse teste? (Alunos de graduação e pós-graduação têm bônus de -10 pontos.)
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♥ Há tempos não recomendo links, mas hoje queria indicar o canal Afros e Afins, da Nátalie Neri. Que lindeza de pessoa, de conteúdos, de conversas sobre temas delicados ou cotidianos. Que menina incrível, ainda por cima aluna de Ciências Sociais da Unifesp (curso para o qual ela está voltando nesse semestre). Tão jovem e tão especial, Nátalie também foi a idealizadora e uma das diretoras do documentário Negritudes Brasileiras, patrocinado pelo YouTube, no projeto Creators for Change.
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Sobre o desenho: Resolvi trazer a tela do app para vocês verem como é. Baixei só para fazer o teste, pois não acredito (nem recomendo!) terapias por celular. Fiz o contorno do meu aparelho (um Moto G6) com lápis, depois tracei o corpo e os detalhes com canetinhas Pigma Micron de várias espessuras (de 0.5 a 0.05). Colori com lápis de cor variados, escaneei e depois tratei no Photoshop. É a minha primeira ilustração (no blog) com auxílio de uma caneta + mesa digitalizadora Wacom que comprei recentemente (a mais simples: Intuos pequena, sem ser touch, mod. CTL4100). O objetivo era reescrever os detalhes do aplicativo na cor branca, por cima do que eu havia escrito em preto. É sempre muito difícil trabalhar detalhes claros por cima de fundos coloridos (seja em lápis de cor, seja em aquarela ou guache). Nunca sai tão nítido quanto na versão digital. Mantive um traço solto, não muito forte, para não ficar com cara de imagem digital. Aumentando bem o zoom, torna-se uma tarefa calmante, ótima para desligar das preocupações — exceto pelo fato de que o meu computador resolveu travar várias vezes devido ao peso do Photoshop atualizado que tive que instalar… e agora, já ganhei uma questãozinha nova: será que preciso trocar de computador? 😉
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Você acabou de ler “Ansiedade extrema“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
O calendário de fevereiro é uma homenagem a uma das minhas artistas preferidas do Instagram: Elizabeth Barnett. Ela mora na Austrália e faz pinturas lindas de plantas e objetos. Resolvi copiar e/ou reinventar algumas das plantinhas dela utilizando materiais diferentes (caneta nanquim e lápis-de-cor). Deu para perceber que ela se inspira muito nas plantas do Matisse, que também já foram a base para um calendário — vejam como as cores e as formas são parecidas aqui!
Esse tipo de exercício me ajuda a perceber o quanto tenho receio de criar coisas próprias, sem ter o modelo diante dos olhos. Por outro lado, me lembra do sonho de um dia ter um estúdio com espaço para plantas, vasos e um mundo de coisas para observar e pintar!
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Quis terminar o calendário do mês logo pois, a partir de fevereiro, farei uma série de posts com dicas para terminar trabalhos acadêmicos.
Boa semana a todos!
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Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Pigma Micron 0.05, da Sakura. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Faber-Castell Polychromos e Caran D’Ache Prismalo.
Para os nerds do desenho: como uso o Photoshop e edito os calendários — Depois de escanear, utilizo o Photoshop para ajustar o contraste e deixar o fundo branco. Começo criando um documento A4, onde colo a imagem escaneada. Aumento um pouco o contraste geral (cerca de 10%, para ficar parecido com o original). Em seguida, utilizo a ferramenta Curves (usando o conta-gotas da direita e clicando no fundo branco) e a ferramenta Dodge (com o cursor bem grande, seleciono Highlights a 10%, e passo sobre toda a imagem; evitando passar por cima dos desenhos caso tenham cores muito claras, pois a ferramenta clareia tudo que já é claro, como o fundo). Para finalizar, seleciono a ferramenta Burn para Shadows 20% e passo por cima do nome do mês, das datas e das linhas, de modo que saiam com a cor preta intensa. No caso desse mês de fevereiro, no entanto, fiz o reforço no nome do mês a caneta mesmo, pois estava por cima da planta. Para criar o PDF, mando o Photoshop imprimir em “Print with preview” e seleciono a impressora “Microsoft print to PDF”. Para criar a imagem do post, reduzo o tamanho do original para 1800 pixels de largura na opção Image Size e salvo em .jpg. Ufa, acho que isso é o principal. Uma coisa que tenho feito errado e aprendi outro dia: eu deveria passar a imagem para o modo CMYK Color, que é o certo para impressão. Será que faz diferença mesmo nesse nosso uso caseiro? Se alguém souber, por favor, me dê as dicas!
Para quem gosta do assunto, a ilustradora Holly Exley publicou recentemente um vídeo em seu canal do YouTube explicando seu método para tirar o fundo das imagens. Ela seleciona desenho por desenho com a ferramenta “Magnectic Lasso Tool”, pois muitos de seus clientes solicitam imagens com fundos transparentes (para aplicar sobre outras superfícies).
“Há, em cada um de nós, uma floresta virgem, emaranhada, inexplorada; um campo nevado onde não se veem nem pegadas de pássaros.” (Virgina Woolf)
Quando meu filho começou a comer frutas e legumes, depois de seis meses de amamentação exclusiva, fiquei insegura. Bora ligar para o médico: devo dar uma banana ou meia banana? Tempos depois, um primo pediatra me contou como os colegas fazem para responder as perguntas das mães aflitas: “basta dizer dois sim e um não, para a mãe não te achar nem rígido nem desatento demais”. Fica um diálogo assim: “– Meia banana? — Sim! — Um mamão? — Sim. — Morango? — Não, morango é melhor não.”
É brincadeira, mas é verdade!
O que isso tem a ver com o sofrimento na hora de escrever uma tese?
Ter que ligar para o pediatra para pedir autorização para dar uma fruta a um bebê de seis meses é só um sintoma. Mostra como eu estava vivendo a maternidade de forma isolada, sem contar com família extensa, vizinhos, comunidade. No meu caso, até que foram poucos momentos assim. Tive apoio, avós participativos, Amigas do Peito e amigas com bebês.
Quando a gente está na gestação do bebê-tese, porém, os sintomas de isolamento podem ser bem piores. No evento sobre saúde mental (que motivou a primeira parte desse post), ouvi depoimentos sobre depressão aguda, gastrite, angústia, anorexia, excesso de entorpecentes ou remédios, tentativas de suicídio, inseguranças profundas, término de relacionamentos, falência, sensação de estar permanentemente em dívida, exaustão, vergonha, falta de apoio, desistência. Além de todos esses sintomas, recebi comentários no Facebook dos que sofreram (e até desistiram da pós-graduação) pela falta de apoio por engravidar, ser vítima de estupro ou perder os pais com câncer.
Para qual pediatra essas pessoas podem telefonar? Quantos telefonemas seriam suficientes?
Escrevi no post anterior que não sou o meu trabalho, currículo ou diplomas. Acredito nisso, mas quem disse que consigo pensar sempre assim, super saudável, sem me definir por avaliações externas? Bem que eu queria ser esse tipo de pessoa: focada, vivendo meu caminho, sabendo que o processo é mais importante do que o fim etc. O problema é que em 89% do tempo eu não consigo! Vivo me comparando e sofrendo, com sintomas bem parecidos com os que os alunos relataram, apenas em doses menores.
Acho que tenho dificuldade de me distanciar porque o trabalho acadêmico não é apenas um trabalho. É algo muito íntimo. Nós, nossos dados e autores protagonizamos uma história intensa de amor, descoberta e decepção.
Por que sofreríamos tanto se não estivéssemos tão investidos emocionalmente?
Talvez uma parte desse sofrimento venha de nos depararmos com nossa “floresta virgem, emaranhada, inexplorada”, nosso “campo nevado” particular, onde nenhum pássaro pisou ainda, como escreveu Virgínia Woolf. A cada texto, ao invés de decidir a comida do bebê, preciso me perguntar:
O que penso sobre o mundo? O que tenho a dizer? Como posso contribuir para o conhecimento humano?
Parágrafo a parágrafo, duvido da minha capacidade de desemaranhar os pensamentos.
Ao longo da minha formação, as disciplinas eram super teóricas. O objetivo era demonstrar o “domínio da bibliografia”. Aprendi a salpicar meus textos com Weber, Bourdieu e seja-qual-for-o-nome-da-autora-da-moda. Me iludia que isso era fazer jus à história do pensamento — afinal, não se pode inventar a roda a cada texto.
No entanto, hoje, me pergunto: em que momento a repetição do que os outros autores dizem se torna tão automática que já não consigo mais saber o que penso? O que tenho para dizer por escrito? Ou seja: qual pedaço de mim estará no meu trabalho?
Não tenho respostas… Lembro que a escrita da minha tese se tornava menos sofrida quando eu percebia que estava escrevendo algo que fazia sentido no meu íntimo. Eram momentos raros, que faziam o esforço valer a pena. Nos demais, eu estava como no post anterior, perdida de mim, pensando que eu própria era quem ia “deixar de me amar se eu não acabasse a tese”.
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A academia, como a maternidade, é transitória. O tempo passa, os alunos se renovam, viram a página. A memória do sofrimento não é passada adiante.
Seria muito bom se pessoas que passaram por situações dolorosas na pós-graduação compartilhassem suas experiências. Acho que precisamos de grupos de apoio que, além de abraços, nos permitam manter essas memórias circulando, de modo a acolher quem esteja passando por dificuldades. (Acolher não é resolver, mas escutar, reconhecer — primeiro passo para ajudar qualquer que seja a situação. Não podemos tratar de algo que não enxergamos.)
Tenho conversado com algumas amigas. Fico sonhando em pensarmos juntas sobre espaços de apoio coletivos no mundo acadêmico. Alguém conhece experiências desse tipo?
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Nessas conversas, esclareci algumas coisas que talvez tenham ficado nebulosas na primeira parte do post:
* Para as orientadoras maravilhosas, atenciosas e dedicadas: sim, vocês existem!
* Não sei se orientação com tempo de escuta e paciência é exceção. Talvez a área das ciências humanas seja uma bolha melhorzinha até, pois recebo comentários de doutorandos de outras áreas com relatos punk.
* Aos orientadores em geral, acho importante ficarem atentos a sinais de alunos que têm muita vergonha de estar em sofrimento. É um ciclo vicioso: a pessoa entra em pânico/depressão e tem mais pânico/depressão por estar assim. Daí fica paralisada e não conta para o orientador(a). De vez em quando recebo relatos sobre isso também.
* Aos alunos: suas orientadoras e orientadores também sofrem, e muito.
* Sim, existem pessoas mimadas, preguiçosas, sem qualquer noção dos seus deveres. Mas não acho que a maioria dos alunos em sofrimento seja desse tipo. A pessoa sofre muito justamente porque valoriza sua vida acadêmica. Aliás, acho que alunos hiper exigentes e dedicados são dos que mais adoecem. Não sei a fórmula para identificar os casos do primeiro tipo, mas plágios costumam ser um dos sintomas.
* Prazos não são vilões em si mesmos. Como escreveu uma amiga: “Sem prazos nunca publicaríamos nada, já que todo artigo, por melhor que seja, sempre pode ficar melhor”. Trabalhar dá trabalho: exige foco e capacidade de priorizar, assim como de abrir mão de distrações. O segredo é conseguir equilibrar tudo isso, sem esquecer de se cuidar.
* Essa semana estive igual a vocês: digitando e apagando, digitando e apagando… Reescrevi esse post umas três vezes. Quis deixar isso registrado para ninguém pensar que escrevo sem revisar ou sem medo.
* Para terminar, indico o site maravilhoso da professora Eva Scheliga com referências, ferramentas, links, artigos e posts sobre escrita, editoração científica e desenvolvimento de projetos de graduação e pós-graduação, além de aplicativos e gadgets úteis para o trabalho acadêmico: https://evascheliga.wordpress.com/
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Sobre a epígrafe: O trecho da Virgínia Woolf está em “O sol e o peixe”, livro de ensaios publicado pela editora Autêntica, indicado por uma leitora do blog super querida. Estou adorando; talvez vire um post.
Sobre o desenho: Desenhei essa dupla inspirada em diversas fotos sobre o tema abraço que procurei no banco de imagens Shutterstock. Utilizei canetas de nanquim permanente 0,2 e 0,05 Pigma Micron, num papel Canson (bloco azul escuro, para Mixed Media; prefiro o verso da folha, que é mais liso). Depois escaneei a imagem e resolvi colorir no Photoshop, coisa que raramente faço (só uma vez, aqui).
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Você acabou de ler “Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese? (Parte 2)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂