É (quase) como escrever uma tese que nunca acaba:
Foram 16 dias para achar um apartamento e assinar uma promessa de compra e venda — dei sorte nessa fase!
Seguiram-se 107 dias de espera, filas, bancos, cartórios, prefeitura, mais certidões, e muitas caixas de mudança… e afinal sair da antiga casa.
Foram mais 177 dias em duas casas provisórias até podermos abrir a porta, entrar e morar no nosso novo apartamento!
…
Nesses 300 dias, aprendemos (com a colaboração do Antônio e da Alice):
– Um cartório é como uma loja de ferragens: você gasta muito mais do que pode e sempre precisa voltar no dia seguinte e no outro e no outro.
– A Caixa Econômica é a sucursal do purgatório.
– Os impostos, taxas, certidões e carimbos para mudar de casa são infinitos.
– Nunca alugue um apartamento provisório ao lado de um posto de gasolina.
– Uma boa fita adesiva pode consertar uma porta sanfonada caindo aos pedaços.
– Sem casa, seus gatos sofrem mais do que você.
– Amoedo é para os fracos. Leroy Merlin é para os fortes. (Eu sou fraca.)
– O entulho pode ser bonito:
– Uma portaria verde pode ser mais bonita ainda:
– A Casa Homero ainda existe.
– Morar perto da escola dos seus filhos tem preço; e vale.
– A obra acaba. A poeira é infinita.
– Uma máquina de lavar roupa precisa de uma tomada de 20 amperes. (Mas não me perguntem o que são amperes.)
– Ficar sem casa: engorda os adultos; emagrece as crianças.
– Bacalhau não é um peixe; é emenda feita por um marceneiro.
– Passar detergente no cabo da Net facilita sua entrada nos conduites da parede.
– Morar em três casas diferentes = fazer 42 cópias de chaves em 177 dias.
– Nunca jogue fora um pedaço de arame.
– Morar num prédio antigo de quatro andares é… sua filha chegar no térreo pela escada mais rápido do que você descendo no (velho) elevador.
– Telas anti-mosquito valem mais do que mil cortinas. (Pensamento positivo, porque o dinheiro pra cortina acabou…)
– A vida surpreende, para o mal e para o bem: armários comidos por cupins; porteiro apaixonado por Saramago!
…
Palavra da Alice (escritas por ela mesma):
“Gente que nem eu, aí vai uma dica: se sua mãe não deixar você dormir com ela, faça uma greve, pegue seu cobertor e durma na frente da porta dela=D!… depois ela e seu irmão vão aprender uma lição.”
[Lição aprendida: nem eu nem o Antônio conseguimos abrir a porta dos nossos quartos na manhã seguinte porque alguém (e seu colchãozinho) se instalou no corredor.]
…
Sobre os desenhos: O desenho que abre o post foi feito bem antes da mudança. O lado direito é a nossa sala em sonho… pois ainda não temos estantes nem livros fora de caixas, mas os gatos já estão sim (muito) felizes! (O lado esquerdo é meu estojinho de aquarelas.) O desenho seguinte, do entulho, foi feito umas seis semanas antes da obra acabar. Passei uma hora e meia no meio da poeira, mas feliz de ver o fim chegando… Os elementos da portaria e da fachada do prédio (cobogós verdes) foram feitos durante uma longa espera por um vidraceiro que não veio. Em todos: usei canetinhas Unipin de 0.05 a 0.2, aquarela e lápis de cor. Os cadernos quadradinhos são Laloran e o caderno em paisagem é um moleskine de aquarela.



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25/11/2014 às 10:51
Delícia de post, Karina; a casa deve estar igualmente saborosa; Para béns por sobreviver, agora é aproveitar!
Beijo,
Helê
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18/11/2014 às 22:23
Karina adorei o relato poético e pleno de realidades, algumas encantadoras e outras desesperadoras. Fazer obra, comprar imóvel, depender de negócio na Caixa Econômica, geram angústia.
Adorei os desenhos.
Parabéns pela nova casa e que vocês sejam felizes nela.
Abraço
Sonia
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20/11/2014 às 13:31
Obrigada Sônia! Essa força enviada é muito bem vinda!
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17/11/2014 às 14:49
Delícia de crônica ! parabens por transformar uma angustia numa crônica bem humorada !
Vejo que Alice segue teus passos, ate nas anotaçoes dos materiais usados ! bjs
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20/11/2014 às 13:32
Valeu querida!!! Alice segue sim, cada dia mais monstrinha na escrita!!
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17/11/2014 às 10:51
É. Nanquim, aquarela e bom humor salvam a gente de (quase) tudo…Bem divertido ler suas aventuras 🙂
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20/11/2014 às 13:35
Valeu Tânia! Por incrível que pareça a gente ainda tem que se lembrar disso todos os dias
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15/11/2014 às 00:13
Entulho nas suas mãos fica lindo !! Texto delicioso sobre mudança, burocracias, obras, desconforto, expectativas, descobertas… enfim está tudo aí e os desenhos estão fantásticos. Beijo
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20/11/2014 às 13:34
Querida, muito obrigada pelos comentários tão gentis!
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14/11/2014 às 20:28
Gostei tanto!
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20/11/2014 às 13:33
Obrigada Nelson!
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14/11/2014 às 20:07
Querida comadre, me identifiquei com cada comentário, cada conta… que linda crônica pra quem já se mudou muitas vezes! Os desenhos, te ajudando a suportar as esperas, as dificuldades! que beleza o antídoto da criatividade para o veneno da mediocridade…
Vai fundo, Karina, desenhar, escrever, observar, entender! E leva a gente com você!
Linda viagem!
Adorei a revolta de Alice, acampando no corredor!
beijos clau
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14/11/2014 às 20:16
Querida comadre, obrigada!!! Teu comentário me fez rir tanto. Foi uma delicia a tua visita e as panelas tb agradecem!
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20/11/2014 às 13:33
Linda, sou privilegiada de ser lida e visitada por você!!!
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14/11/2014 às 19:40
O desenho do entulho não abre…
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14/11/2014 às 19:50
obrigada — já corrigi!
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14/11/2014 às 18:53
Muitas felicidades na casa nova!
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14/11/2014 às 20:16
Obrigada querido! Vou voltar à vida normal!
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