Às vezes sou tomada por pensamentos torturantes. “Por que desenhar e pintar a essa altura? Como usar bem as cores se não me formei numa escola de artes? Se ao menos eu tivesse mais tempo e dinheiro… Quando vou me convencer de que não tenho talento?”
— Quem já ouviu variantes dessas frases no próprio cérebro, levanta a mão!
É tão irritante não existir atalho, fórmula mágica ou poção-de-talento-de-pirlimpimpim. Nas farmácias do Humaitá não têm! Só me vendem Tylenol-com-cafeína e olhe lá.
O engraçado é que meus pensamentos torturantes mudaram de tema. Antes, toda a agonia girava em torno do trabalho acadêmico. Agora, levo minha vida de professora e pesquisadora sem drama. Sento, me esforço, faço. Como me transformei tanto?? De alguém que quase morria para entregar um simples trabalho de curso no mestrado para essa pessoa que não se abala para escrever, examinar tese, dar aula ou palestra?
“Um dia depois do outro” e “Só erra quem faz”, diria a vovó Trude (que não é minha vó, vocês sabem, mas é como se fosse).
Ai, detesto essa parte chata. Nos filmes eles passam o esforço diário como se fosse um cineminha rápido. Aprendi que esse pedaço do roteiro se chama “stock shots”: em trinta segundos, o ator lê vinte volumes da enciclopédia, ou o fraquinho vira fortão, tipo Rocky-eca-Balboa. É um embuste: na vida real não passa depressa! Trabalhar, estudar, praticar diariamente demora, cansa, enjoa, e muito!!
— Quem preferia pular a parte chata, levanta a mão!
…
* 2 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:
* Foi emocionante receber milhares de pessoas aqui no blog por conta de um livro que adoro! O Howie (Becker) também leu o post e agradeceu pelo nosso entusiasmo. Ele está ótimo, trabalhando, fazendo ginástica todos os dias com a Dianne e apaixonado pela bisnetinha baby Naomi Rose.
* Parte legal: Vimos um documentário simpático sobre Woody Allen. Parte chata: lembrei que li uma biografia sobre ele escrita pelo Eric Lax, mas emprestei… e o livro sumiu da minha biblioteca.
…
* Sobre os desenhos: Páginas de desenhos e anotações no caderninho Laloran no primeiro semestre de 2015, para mostrar meu dia-a-dia enfrentando o aprendizado do desenho e da aquarela. De cima para baixo, da esquerda para a direita: 1) Testando as misturas de cores de aquarelas novas; 2), 3) e 4) Mini desenhos feitos durante a aula da professora Chiara Bozzeti, onde registro os que os outros alunos estão desenhando, o chá, os materiais ou alguma dica; 5) Experimentando diferentes misturas de cores para fazer o pássaro que veio na embalagem de um caderno Stillman & Birn que ganhei. O pássaro original é o último à direita (recortado e colado).



03/08/2015 às 15:05
Levanto a mão! nos dois lados de sua vida. Seu blog ma encanta
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17/08/2015 às 18:33
obrigada, querida!!
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24/07/2015 às 11:37
Puxa, Karina, acho você tão talentosa. Imagine eu que só comecei a pegar num pincel no ano passado e nunca desenhei na vida, a não ser com minhas filhas qdo eram pequenas. A resposta que encontro prá mim é: quando estou aquarelando, tenho os momentos de maior paz e felicidade do meio dia. É claro que gostaria de fazer bem melhor e mais bonito, mas na minha idade já sei que temos de lidar com o possível….
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17/08/2015 às 18:31
Agora sim, Zezé, respondendo o seu comentário & sabendo quem você é! hehe Você escreveu exatamente como me sinto. Quando estou pintando, tenho os “momentos de maior paz e felicidade” da vida! Obrigada por me lembrar disso!
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24/07/2015 às 11:09
esse tema ( as dúvidas) é tão presente para tantos de nós que o Danny Gregory até escreveu um livro ( que estou bem curiosa para ler). Vc já experimentou seu Stillman & Birn? Fala-se tanto nele que gostaria de saber se vale mesmo quanto custa. Quanto à questão do esforço, conversava sobre isso esses dias mesmo com um amigo que é músico. Ainda vende-se muito a ideia de que talento é algo mágico, especialmente em se tratando de arte, seja visual ou outra. A pessoa nasce com esse talento desenvolvido ou não se pode fazer nada a respeito. Pouco se fala do esforço, do trabalho envolvido, e penso que seja uma das razões para tanta gente achar-se incapaz de desenhar, por ex. E como tudo, é aprendizado, dedicação, esforço.. é querer. É processo.
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17/08/2015 às 18:19
Concordo muito com suas palavras, Glaucia. Esforço, trabalho, dedicação, persistência: tudo isso junto! O Danny Gregory tem posts ótimos sobre esse assunto sim. Leio sempre o blog dele. Acho que esse livro ainda não saiu. Sobre o Stillman & Birn, ainda não experimentei! Mas já percebi que comprei a série errada… (o papel tá fino…) hahaha
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24/07/2015 às 00:00
Li uma vez que Borges, o mestre argentino, disse que livros não devem ser emprestados. “Haja visto todos os que perdi emprestando e todos os que estão na minha biblioteca e não me pertencem! “♡
amei. Bj clau
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17/08/2015 às 18:14
Pobrezinhos dos livros perdidos… Mas tenho saudades de todos!
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23/07/2015 às 22:21
É privilegio de poucos desenhar por gosto. Seus desenhos são lindos demais e seus posts super interessantes.
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17/08/2015 às 18:13
Obrigada pelas palavras tão gentis, Fatima!!
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23/07/2015 às 22:12
quando você se perguntar porque desenhar ou pintar nessa altura da vida, pense que triste seria para nós ficarmos sem os seus desenhos.
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17/08/2015 às 18:09
Que mensagem linda… me emocionou muito! Obrigada por me apoiar tanto. Suas palavras estão sempre no meu coração. ❤
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