Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Caderninho bom, bonito e barato

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Queria dividir com vocês uma pequena grande alegria da minha semana: estão à venda na Papelaria Botafogo meus amados caderninhos Hahnemühle. Taí um raro item importado que se encaixa na categoria bbb (bom, bonito e barato)! Por 16,00 reais, leva-se para casa um kit de 2 cadernos, cada um com 40 páginas de papel marfim (claro) 125 gr, costura na lateral e uma etiqueta de brinde para identificar.

Aprendi a amar esses caderninhos super leves, com folhas que aguentam bem uma ou duas camadas finas de aquarela. Comprei os primeiros em Lisboa e me apaixonei. Parece bobagem, mas quem adora desenho sabe como é difícil não sair de casa com dois quilos extras de material na mochila. Claro que meu pequeno estoque (de 6) terminou logo.

Para minha felicidade, essa semana fui bater ponto na Papelaria Botafogo e lá estavam não só esses caderninhos maravilhosos, como uma enorme variedade de papeis Hahnemühle de todos os tipos. Fiquei tonta.

Só quem ama material de artes sabe o sofrimento de tentar comprar alguma coisa no Rio de Janeiro. Aqui era preciso escolher entre a falida Casa Cruz (que nos deprimia mais a cada visita, até fechar), o tumulto impessoal da Caçula (com suas filas de supermercado Guanabara) e os poucos produtos e altos preços da JLM.

A paisagem era essa até que o Claudio Lopes, dono da Papelaria Botafogo, começou uma pequena revolução. Foi enchendo sua lojinha de coisas maravilhosas — Sakura, Staedtler, Copic, Faber-Castell, Hahnemühle, Van Gogh, Canson, Posca, Stabilo, Kum –, a maioria inéditas no Rio, com preços mais justos que a concorrência (quando tem).

A Botafogo é uma papelaria-de-raiz, na beira do asfalto, com caneca de Feliz Dia das Mães na vitrine de alumínio, com dezenas de miudezas no balcão e uns trambolhos pendurados aleatoriamente no teto. É a antítese da esnobe Casa do Artista de São Paulo.

Entrar lá é uma viagem às papelarias da infância, daquelas de bairro, onde se parava de bicicleta na porta para comprar um lápis, uma borracha e, de vez em quando, um presente no dia das crianças. Tinha duas dessas perto da casa da minha avó.

Imaginem a sensação de caça-ao-tesouro: você entra na Papelaria Botafogo e acha uma estante de Copics e Hahnemühle. Sim, estou parecendo deslumbrada, né? Tudo bem, me deixa. É tão raro a gente ter uma pequena alegria nessa cidade! E a minha custou apenas 16,00 reais.

Aviso importante: esse não é um texto pago! Só falo aqui no blog de materiais que realmente amo e utilizo. Escrevo porque sou extremamente grata de ver essa loja acreditando tanto nos materiais de arte. Além de ser uma simpatia, o Claudio me dá uns descontinhos, como a todos os clientes frequentes. Ele nem sabe que estou escrevendo esse post. Espero que goste e se sinta homenageado!

Queria agradecer a todos que comentaram o post da semana passada. Hoje e nos próximos dias vou responder os comentários. Foi muito emocionante ler os depoimentos da Deise, da Eunícia, da Marília, da Sarah e de tantas pessoas maravilhosas que abriram o coração. Muito obrigada pelo carinho! ♥

Como disse a Viola Davis, numa entrevista linda à Brené Brown, de 9/5/18, para aguentar as agruras da vida:

“Eles dizem para você desenvolver uma casca grossa, então as coisas não chegam até você. O que eles não dizem é que sua casca grossa impedirá que tudo saia, também. Amor, intimidade, vulnerabilidade.

Eu não quero isso. A casca grossa não funciona mais. Eu quero ser transparente e translúcida. Para que isso funcione, não vou absorver críticas de outras pessoas. Não vou colocar o que você diz sobre mim nas minhas costas.” (Viola Davis)

(Tradução acima do Google, com algumas trocas minhas, especialmente de “thick skin” por “casca grossa” que achei mais usual em português do que a literal pele grossa sugerida. Vale a pena ler a entrevista toda.

Amanhã faz dois meses: bora participar das manifestações #JustiçaParaMarielleEAnderson

Um final de semana com alguma leveza para todos nós!

Sobre o desenho: Caderninhos desenhados com Pigma Micron 0.2, coloridos com aquarelas Winsor & Newton, no verso de um bloco Canson (Mix Media). Utilizei uma canetinha  Gelly Roll 0.8 branca da Sakura para fazer as costuras laterais, uma canetinha Pigma Micron  0.05 cor sienna queimada para os galos do símbolo da Hahnemühle e uma canetinha 0.5 cinza Graphik Derwent Line Maker para fazer as sombras da etiqueta e do símbolo da Papelaria Botafogo.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Caderninho bom, bonito e barato”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ev. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Querido diário

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“Querido diário,
Oi, hoje quando acordei estava uma chuva danada, aí fiquei vendo televisão, afinal não tinha nada para fazer. (…) Depois eu joguei War com meu irmão e como sempre perdi.” (K, 11 anos)

Tenho lido diários de escritores. Não gosto de reler os meus, principalmente os da infância… As minhas páginas são uma coleção de fracassos e eventos banais. No colégio, eu penava nas aulas de Educação física, onde havia duas Sílvias, a professora e a melhor aluna:

“Rio, quarta
Hoje foi um dia comum, tive educação física, e outra vez fiquei morrendo de ódio só que desta vez foram das duas sílvias (com letra minúscula). A pequena ficava dizendo que eu não sabia jogar, e como tinha gente demais ela dizia que era para eu sair. Quando alguém errava a bola ela falava: Aí, a bola foi na sua frente! E quando a bola ia pra ela, ela errava e dava um risinho idiota. Hug! que raiva. Karina” (11 anos)

Sei que nunca fui popular, mas guardava uma imagem de ter sido boa aluna, interessada nas aulas. Nos diários, escrevo para contar essas alegrias? Não. Encontro isso:

“Acho que o mês foi positivo, apesar de eu ainda não ter muitos amigos na escola. Estou muito chatiada com isso. Quarta feira passada eu fiquei muito chatiada, eu quase chorei. Quando formaram os grupos na aula ninguém quis que eu entrasse no seu grupo e ainda assim eu entrei porque a [professora] mandou. E elas ainda ficaram reclamando. Um beijão da Karina. Tchau!!!!!” (12 anos)

Na minha memória, eu era uma criança apaixonada por livros, que amava a biblioteca do bairro e a da escola. Nas páginas do passado, estou sempre vendo novela!

Oiíííí… gostou do meu oi? Poxa, eu tô chateada, sabe o que é? é que Água Viva acabou e agora vou ter que ver aquela novela ridícula “Coração Alado”. Não aguento mais essa Janete Clair, uma careta. (…) Hoje tive aula de Datilografia, adorei! (…) De noite a mamãe trouxe uma amiga pra cá. Jantamos e fui ver Planeta dos Homens e Malu Mulher. Um beijão, Karina” (11 anos)

Foi uma fase difícil: mudei de escola, tinha medo de bomba atômica, estava virando adolescente e percebendo que não tinha pai. Aqui e ali, registrei que gostava das aulas de datilografia e de andar de bicicleta; outro dia, minha empolgação por trabalhar como babá das minhas sobrinhas, uma praia, um livro, várias brigas de irmãos; eu sempre escrevendo cartas e querendo ser certinha:

Ah!! Uma coisa que eu tava louca pra te contar. Sabe a minha professora de violão, pois é, eu não tô confiando muito nela não, sabe porque? Eu vou te contar. Ela tem 13 anos, e não é lá maravilhas no violão, e tá sempre desmarcando as aulas falando que vai ligar e não liga. Sabe o que eu penso? Eu acho que ela não tem responsabilidade, né?! (K, 11 anos)

Coitada dessa professora, aos 13, sendo criticada pela aluna de 11!

Ao final, acho graça de perceber que, mesmo depois das histórias mais tristes, eu terminava o registro do dia com uma despedida animada:

Gostou? Por hoje é só! Um beijo e boa noite. Até a próxima. Já vou. Amanhã tem mais! (K, 11 anos)

Será que eu já pensava em escrever um blog?

A ideia de fazer esse post veio das minhas leituras atuais (depois conto) e dos cadernos feitos à mão pela artista Marilisa Mesquita, que registrei nessa página durante a viagem à Portugal no ano passado. São forradinhos de papel ou tecido, cada um mais bonito do que o outro — tem até caderno-colar. Nesse dia, no café da Fundação Gulbenkian, tive a sorte de apresentar a Marilisa às queridas Sonia Vespeira de Almeida e Ana Isabel Afonso, duas pesquisadoras que admiro imensamente. Ai, que saudades dos amigos de Lisboa! (Mais sobre Portugal nesses posts aqui.)

Sobre o desenho: Linhas feitas com canetinhas Pigma Micron 0,2 num caderno Stillman & Birn, Delta Series, Ivory, 270 gr., 8 x 10 inches. Depois colori com aquarelas diversas, deixando secar bem entre uma camada e outra. Na parte inferior do desenho, brincamos juntas com o carimbo (também feito pela Marilisa) e as tintas da aquarela mesmo.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Querido diário”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3DW. Acesso em [dd/mm/aaaa].
 

 


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Abril/2018, Frágil

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“Tem horas que é caco de vidro
Meses que é feito um grito
Tem horas que eu nem duvido
Tem dias que eu acredito.”
(Paulo Leminski)

Como criar nesse mar de sangue que vivemos no Brasil? Pensei na vida e lembrei do vidro, da beleza e da fragilidade desse material que vem da areia e vira tudo. Fiz o calendário e reencontrei o poema do Leminski. Caco, grito, dúvida, acredito.

Que dor esse país despedaçado, em que a vida da maioria da população não vale nada… Temos que seguir acreditando, protestando, achando um jeito de nos engajar, por todos que ainda estão vivos, pelas crianças que não pediram para nascer, pelos idosos que nos deram a vida, pela natureza, pelos animais, por nós. As lutas justas são muitas. Desdenhar dos que estão lutando ou ficar parado assistindo é que não dá.

Por falar nisso, hoje, dia 2/04/2018, tem o evento “Luzes para Marielle e Anderson”, às 19h. Onde você estiver, acenda uma vela ou luz, sinalizando às autoridades que não esqueceremos. Para confirmar ou se engajar em algum evento presencial, veja as opções na página Marielle Franco e compartilhe imagens e mensagens com a hashtag #LuzesParaMarielleEAnderson.

E para os pós-graduandos e professores que me escrevem, duvidando de suas escolhas: nosso trabalho tem valor sim. Fazer pesquisa, ensino e extensão com consciência, seriedade e ética para com seus interlocutores e a sociedade em geral é uma forma de contribuir para um mundo melhor, mesmo que os resultados sejam a longo prazo. Vamos continuar comparecendo, lendo, escrevendo, desenhando, pesquisando, publicando, produzindo, compartilhando — só não esqueçamos de respirar, nos abraçar e nos cuidar pelo caminho.

Força pra todos nós. Bom abril: tem feriado no Rio de Janeiro dias 21 e 23. ♥

Sobre o calendário:  Foi um desafio criar algo leve como vidro e ao mesmo tempo colorido o suficiente para escanear e imprimir. Espero que tenha dado certo. Para imprimir, abram o .pdf aqui. Desculpem o atraso!

Outros posts: Fiquei com vontade de indicar os posts “Um Matisse para Maria Eduarda” e “Mortos pelo Rio“, algumas das homenagens que escrevi às vítimas da violência na história do blog, tão atuais e antigas, sobre tudo isso.

Sobre o poema: O trecho citado é do poema “Passe a expressão“, do livro Distraídos venceremos, republicado na coletânea Toda Poesia — Paulo Leminski, pela Companhia das Letras, p.183.

Sobre o desenho: Desenhei as coisas de vidro com canetinha Pigma Micron 0,05; depois colori com lápis de cor Polychromos, da Faber-Castell e alguns Prismalo da Caran D’Ache; tudo em papel comum A4 90gr. Comecei com cores individuais, mas depois cheguei a essa mistura de verde, amarelo e rosa para dar uma certa unidade ao conjunto. No final, utilizei uma caneta pincel cinza quente (warm grey) Pitt Faber Castell para fazer as sombras embaixo dos objetos.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Abril/2018, Frágil”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3DN. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Não Passei (2) – Janeiro foi fork!

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. Perdi minha bolsa de produtividade do CNPq.

. Minha proposta de workshop para o evento Urban Sketchers em co-autoria com o Eduardo Salavisa não foi aceita.

. A obra que fiz no meu apartamento há apenas 3 anos está cheia de infiltrações.

. Meu ombro esquerdo não reage à fisioterapia; minha retina direita continua nublada, meus dentes dão problema desde quando eu tinha 8 anos.

Era só isso mesmo. Queria deixar registrado aqui, como uma atualização da primeira versão do Não Passei (1). A gente vê tanta comemoração nas redes sociais. E quem tá mal fica nos bastidores chorando; até a Fran Meneses fica mal, imagina a gente!

Estudar para concurso sem a menor certeza de que vai passar é fork, redigir proposta que não é aceita é fork, reprovar na prova é fork, se ferrar na escola, na entrevista de emprego… tudo holy shirt, como diz a Eleanor da série The Good Place. Já viram?

Por outro lado, tem o outro lado: estou feliz, bem feliz, para ser sincera. Meus amores estão com saúde, temos uma vida cansativa, mas também alegre, musical, artística, engraçada. Nossa onda é pegar sol, fazer mímica, cosquinha, macarrão, mate e pipoca. A gente se ajuda e se alegra tão fácil quanto tá junto.

Alice fez 12, Antônio fez 17, cada dia mais lindos. Os primos estão próximos, tem som de teclado o dia todo na casa, a temporada do TACA tá chegando, as mulheres e os amados lgbtxyw estão na rua, os estudantes norte-americanos estão reagindo; e para não dizer que sou imune à vaidade: os pareceres ad hoc do CNPq foram ótimos (o comitê é que me deu zero em tudo) e o trabalho que tenho desenvolvido na graduação foi citado e comentado num livro incrível sobre antropologia e desenho. E ainda tenho a companhia e o aconchego de vocês aqui: chegamos a mais de 450 mil visitas!

Eu tenho esperança, sempre.

Força para todos que estão precisando. Não vamos ficar nos comparando, nos julgando. A gente se ferra e acerta, tudo é aprendizado. Os cientistas do futuro serão vegetarianos, viverão em comunidades e terão amigos. Vão por mim.

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Sobre os desenhos: Imagens que fiz para o projeto de workshop idealizado pelo meu ídolo do desenho, Eduardo Salavisa. As primeiras foram feitas por observação na PUC-Rio, direto com canetinha de nanquim permanente (Pigma Micro n.2, eu acho) e depois coloridas com aquarela em casa. Os desenhos embaixo foram feitos nos jardins do Museu da República, no Catete, no Rio.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Não Passei (2) – Janeiro foi fork!”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Dy. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Março/2018 e a difícil arte de ter tempo

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Pessoas queridas, aí vai mais um calendário e o arquivo .pdf para imprimir.

Foi super difícil encontrar energia para finalizar hoje! Olhando de fora, talvez vocês pensem que faço as coisas com a maior tranquilidade… mas não! Vivo discutindo comigo mesma sobre qual trabalho priorizar, como dedicar meu tempo, como manter o blog sem atrapalhar a pesquisa, a vida em família, as leituras, os escritos e mais um monte de tarefas da vida de professora.

Meu tempo é finito, como o de vocês. A diferença é que, ao longo dos últimos anos, fui decidindo abrir mão de coisas pequenas (tipo fazer unha, ler revista e ver Tv) e de coisas grandes, como atuar numa pós-graduação. A morte do meu ex-orientador (Gilberto Velho) em 2012 foi o momento que me fez ver o quanto é crucial ter calma e dedicação para ler, escrever e preparar aulas, sem deixar de viver. Quando me sinto desolada e ansiosa (como ontem, por exemplo), agradeço meu lado cigarra — e toda a sorte que veio de graça na minha vida –, mas valorizo também o meu lado formiga e as pequenas suadas conquistas, como esse espaço aqui.

Obrigada pela companhia! Obrigada por ficarem clicando na página Calendários sempre que o mês tá acabando!! A pressão de vocês me ajuda a recarregar as baterias e encarar a folha do mês em branco. Que vocês recebam essa recarga em dobro!

Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Muji preta 0,25. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Caran D’Ache Swisscolor. Os potinhos são inspirados nos que tenho na minha mesa, com uma ou outra decoração extra para alegrar. Meus preferidos do desenho desse mês foram o verde água (no cantinho esquerdo), que é uma embalagem de café usada, o listradinho (que é um copo de louça portuguesa), o potinho de clipes (uma embalagem antiga de canetinhas de criança) e o estojo lilás de coraçõeszinhos, bem adolescente, mas super prático (amo embalagens transparentes). As várias canecas coloridas com frases escritas são de um projeto social da Natura e o desenho do gatinho branco (no pote verde, à direita) é da Alice! ♥

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Março/2018 e a difícil arte de ter tempo”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Dn. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Permissão para descansar

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Pessoas queridas, obrigada pelas leituras e comentários generosos dos últimos posts. Fico sinceramente agradecida! Esses milhares de acessos aqui no blog me deixam super envergonhada e tímida, como se vocês tivessem aparecido na janela da minha casa e me flagrado escrevendo bobagens ao invés de trabalhando “de verdade”.

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Resolvi postar os desenhos que fiz durante o Carnaval, quando me permiti ficar lendo bastante. Misturei algumas plantas que observei com imagens da minha imaginação. Minha ideia de paraíso é mais ou menos essa: estar num jardim, com um livro e o Charlie, meu gatinho gordo.

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A Lola, meus filhotes e meu namorado também contam, coitados. É que às vezes um longo feriado como o Carnaval nos lembra de que precisamos descansar uns dos outros!

Mentira minha, eu é que fiquei com preguiça de desenhar tanta gente junta. Eles moram no meu jardim imaginário também. A verdade é que passei a semana escrevendo o fichamento do livro que li (no Carnaval) e não deu tempo de bolar um post decente, desculpem. Para quem estiver com saudades dos textos acadêmicos, leiam os comentários super legais dos últimos dois posts, ou cliquem nos links dos mais lidos na lateral (ou no rodapé, se estiver no celular) do blog.

Que vocês tenham um bom final de semana, com boas escritas, defesas, qualificações, leituras, ideias!!

Nos vemos semana que vem!

Sobre os desenhos: Estou usando um bloquinho de desenho (espiral) que achei perdido aqui em casa: XL Extra White, A5, Canson, papel 90 gr. As linhas foram feitas com uma canetinha japonesa azul marinho (Muji hexagonal gel ink 0,25). Amei essa canetinha mas desenhei tanto com ela que já acabou — não admira que foram tão baratinhas… Muito chato!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Permissão para descansar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Dc. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)

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“Existem dois tipos de teses, as perfeitas e as defendidas.”

Continuando o post da semana passada, trago a colaboração de colegas professores que me responderam como ajudar a terminar TCCs, dissertações e teses. Seguem as últimas seis dicas (que viraram sete). As fontes estão indicadas no texto, mas a responsabilidade por tudo que houver de errado é minha, claro.

Começo lembrando rapidinho as lições da primeira parte do post: 1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho; 2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais; 3. Curtir a escrita; 4. Cercar-se de pessoas que te ajudem; 5. Ler autores e livros que te inspirem; e 6. Visualizar a tese pronta. Aí vão as próximas!

7. Ter paciência, respeito ao próprio tempo e humildade

escrevendo paciencia

O depoimento da professora Andréa Moraes me emocionou. Ela conta que seu principal trabalho de orientação é nos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) numa área com pouca tradição de pesquisa. Sua maior preocupação é que os alunos não desanimem. É comovente ver que há professoras tão comprometidas com o percurso acadêmico, em especial, dos que chegam à universidade menos preparados.

“O desafio é gigantesco: alunos sem preparo têm que enfrentar uma exigência colossal: escrever pelo menos 50 páginas de um tema de investigação. É um suplício. O TCC tem duração de um ano, mas poucos conseguem concluí-lo nesse prazo. Desistem, voltam, desistem, voltam, o TCC vira um grande fantasma. (…)

Gosto que os alunos de graduação aprendam sobre autonomia e sobre criatividade, sobretudo. Mas, não creio que sejam coisas que conquistamos de uma vez, elas vêm aos poucos. Escrita e pensamento requerem paciência, respeito ao próprio tempo e uma dose de humildade. A humildade é amiga das boas perguntas. São coisas preciosas que aprendemos ao longo da vida.

Nada está pronto, nunca, tudo está ainda por fazer. O trabalho escrito pode vir assinado por um autor, mas é sempre fruto dos encontros e das oportunidades que aquela pessoa teve ao longo da vida. Pensar nisso é ter compromisso com uma orientação (acredito na orientação como processo pedagógico) mais compassiva e mais amorosa. Eu acredito nisso e acho que é necessário nos tempos que correm. A escrita é sempre criação e violência, precisamos de calma com ela.” (Andrea Moraes)

8. Perceber que a escrita se faz escrevendo

escrevendo editandop

O professor Christiano Tambascia mandou uma ideia em que acredito demais: o trabalho se faz trabalhando, no processo.

“A dica que eu dei recentemente, para alguém que não estava conseguindo fazer as pazes com o Word: o mais importante é contar sobre o seu trabalho. Se for teclando um pouco, desenhando um pouco, falando um pouco, fotografando um pouco, ou tudo isso em doses variadas, não importa tanto num primeiro momento. Depois que tudo começar a andar, o trabalho de burilar, mexer e refazer se torna um pouco mais tranquilo e saudável.” (Christiano Tambascia)

Esse comentário me lembra de algo que já contei aqui: quando eu era pequena, achava que existia uma estante com todas as ideias do mundo, prontinhas para serem utilizadas pelas pessoas sábias. Mais crescida, passei a achar que os argumentos tinham que estar completamente elaborados antes de começar a escrever. Isso me causava um sofrimento enorme porque as minhas ideias nunca estão acabadas quando começo um texto. É o contrário: a escrita é que me ajuda a entender o que estou pensando!

9. Afastar os fantasmas

escrevendo fantasma

Como bem disse a Andréa, TCCs, dissertações e teses vão se tornando verdadeiros fantasmas na nossa cabeça. O Chris Tambascia fala sobre isso também, lembrando que a escrita também pode ser uma aventura, como dito na Parte 1 desse post:

“Há casos em que a pessoa sabe direitinho o que quer dizer, até mesmo como quer construir o texto, mas termina por ficar angustiada e triste na frente de uma tela em branco. Uma das coisas que acaba travando a escrita é o medo de não produzir um texto que corresponda ao que temos na nossa cabeça; que faça jus a uma espécie de texto fantasmagórico, que só nos resta digitar.

Nos esquecemos que uma tese ou uma dissertação, no fundo, é um bom projeto de uma ideia que então pesquisamos e depois comunicamos para o mundo (um mundo bem pequeno, mas que amedronta e que tememos muito que vá nos julgar).

O exercício da autoria pode ser empolgante, quando começamos a lidar melhor com essa paralisia. E, vai saber, o texto não vai ser aquele da cabeça (porque ele é formado justamente no processo, que inclui bater algumas teclas por algum tempo) e pode ficar ainda melhor do que antecipado! Vai ficar aquém e além do planejado – e tudo bem!

Claro, faz parte da formação acadêmica aprender a produzir num certo formato. Mas parece que isso vem à custa do esquecimento de que, afinal de contas, queremos contar sobre o trabalho que fizemos. Tenho convicção de que não há uma tese ou uma dissertação definitiva. Elas são o que fazemos delas.” (Christiano Tambascia)

10. Lembrar que uma tese é só uma tese

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A professora Julia O’Donnell foi na mesma direção do Chris apontando que precisamos olhar o projeto de escrita numa perspectiva menos grandiosa:

“A coisa mais verdadeira e a mais difícil de introjetar: É só uma tese! Passamos anos dedicados a esse bicho-tese, que suga nossas energias, compromete nossa saúde e nossa vida social, nos faz sentir burros(as) 30 vezes por dia (nos bons dias) e por todo esse tempo parece que a vida é a tese. E, por incrível que pareça, não é – ainda bem!

Então meu mantra era: ‘É só uma tese!’. Claro que, nos momentos de desespero (que eram quase todos os momentos na fase de escrita), eu nem ligava pro mantra. Mas de vez em quando eu me permitia repeti-lo e levá-lo a sério. Isso me ajudava a pôr os pés no chão e me reconectar com aquilo que realmente importa: o mundo-além-da-tese.” (Julia O’Donnell)

Concordo com tudo, inclusive com a parte de que é muito difícil colocar essa dica em prática em meio à ansiedade escrever. Só quando fiquei mal de saúde é que me dei conta de que não podia deixar a tese engolir todas as esferas da minha vida. De que adianta terminar a tese, acabando com o próprio corpo junto?

11. Não se apavorar com a defesa

escrevendo tim

Diante dos fantasmas da defesa, a professora Maria Claudia Coelho mandou uma mensagem tranquilizadora:

“Uma coisa que digo sempre aos meus orientandos, quando recebo aquele inevitável e-mail, um ou dois dias antes da defesa, apontando um problema terrível que acabaram de constatar (geralmente ‘grave’ como uma data errada na bibliografia) e que, naquele momento, têm certeza de que os fará serem reprovados: a angústia recrudesce imediatamente antes da defesa, é o pior momento, todos temos isso, porque é quando os fantasmas vêm nos atormentar.

É a proximidade da defesa que acorda os fantasmas. Essa data errada na bibliografia (ou o que for, varia muito a natureza do ‘problema-grave-que-causará-a-reprovação’) é apenas a sua versão de uma angústia pela qual passamos todos. Pare de ler e reler a tese, vá ao cinema, vá tomar um chope, vá à praia, enfim, relaxa, a tese está entregue.” (Maria Claudia Coelho)

Ai, como eu queria ter recebido esse recadinho antes do meu dia-D!! Meu orientador não era desses de mandar relaxar… Ele era capaz de pedir para eu repassar a apresentação por telefone, isso sim! Agora acho graça desses excessos, mas na época eu tinha muitos pesadelos, como já contei aqui.

12. Lembrar que tudo tem começo, meio e fim

escrevendo maca

Retomo a mensagem enviada pela professora Andréa Moraes para falar de como é importante colocar um ponto final no processo de escrita e seguir adiante:

“Ajudar a encerrar o percurso é tão importante quanto ajudar a começar. A hora de acabar é a hora de constatar que o autor ou autora caminhou o melhor que pôde até aquele momento.

Encerrar para começar coisas novas a partir dali. Dar um ponto final em uma etapa da vida, a graduação, no caso. Uma etapa que em um país tão profundamente desigual e injusto como o nosso é ainda exclusividade de poucos. Ter um TCC escrito e apresentado é uma vitória por si só, na minha opinião.” (Andrea Moraes)

Como lembrou a professora Yvonne Maggie, sua máxima predileta na hora de escrever é “tudo tem começo, meio e fim”! Prazos podem ser tirânicos, mas também nos trazer tranquilidade: uma hora a tese tem que acabar! Precisei muito me embalar com esse mantra não só durante o doutorado, mas desde quando enfrentava os trabalhos de curso da graduação e do mestrado. Até hoje uso essa ideia para as escritas com datas de entrega apertadas.

13. Não existe trabalho perfeito

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Bora teorizar e demonstrar: aqui está um post de doze lições que viraram treze! Ao invés de espremer o texto nas ideias previstas, resolvi terminar errando a conta! Tudo porque a última liçãozinha é uma pérola que merece o seu item próprio:

“Existem dois tipos de teses, as perfeitas e as defendidas.”

A frase faz parte das lembranças do doutorado da professora Daniela Manica:

“Aquilo tocou fundo para mim num momento em que eu precisava terminar, mas não conseguia, pensando que, se eu tivesse mais um mês (um semestre, um ano), eu chegaria mais perto daquilo que queria fazer. Aprendi que, na maioria dos casos, ainda mais com tanta pressão que temos para produzir muito, e rápido, a tese é um ponto final no meio da conversa.

Mesmo assim, faltando só a introdução e a conclusão do texto eu, grávida de 20 e poucas semanas, entrei em trabalho de parto prematuro e tive que parar tudo. Exercício difícil para quem estava querendo concluir logo o trabalho e poder curtir o bebê! Mas não teve outro jeito. Assim que tive condições, depois dele nascer, terminei o que precisava, e finalmente defendi a tese quando meu filho estava com quatro meses. Aí aprendi que nossa vida pessoal, e nossa saúde, importam mais do que qualquer outra coisa.” (Daniela Manica)

Nossa, Dani, muito obrigada por compartilhar sua história. Fiquei emocionada pensando em você e em milhares de mulheres que vivenciaram situações semelhantes… Eu mesma passei a licença-maternidade da Alice estudando para o concurso de professora. Felizmente acabei entrando, mas até hoje me sinto culpada como mãe por esse momento!

Espero que essas treze lições-dicas-sugestões, ajudem vocês a enfrentar as dificuldades nos processos de escrita. Não tem fórmula, mas há qualquer coisa mágica na hora em que paramos de nos questionar e simplesmente fazemos o melhor que nos é possível.

Parafraseando os conselhos da Adriana Facina, na Parte 1 desse post: TCC, dissertação ou tese são trabalhos que exigem disciplina, foco e seriedade; mas sua escrita também pode ser uma arte que dá sentido às nossas vidas.

Meu muito obrigada a todos que colaboraram nessa série-saga; e a todos que leram, comentaram e compartilharam. Até semana que vem!

Sobre os desenhos: Fiz as linhas com uma canetinha japonesa preta (Muji hexagonal gel ink 0,25) e as cores com canetinhas hidrocor (Staedtler triplus color), tudo num papel comum (A4, 90gr).

Você acabou de ler “Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3CU. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)

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“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”. (Pablo Neruda)

Pela primeira vez aqui no blog, resolvi pedir a colaboração de colegas professores. Perguntei quais conselhos eles dariam para ajudar os estudantes a terminar seus trabalhos de conclusão de curso de graduação, dissertações de mestrado e teses de doutorado. O resultado foram doze carinhosas lições e dicas – as seis primeiras seguem abaixo.

Minha gratidão e abraço apertado a Aparecida Fonseca Moraes e Adriana Facina, que colaboram neste post. As fontes estão ao lado de cada citação, mas a responsabilidade pela edição, curadoria e eventuais erros de interpretação é minha.

1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho

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A professora Aparecida Fonseca Moraes fez um relato sobre seus tempos de mestrado que me emocionou:

Lembro-me que trabalhava tão arduamente na escrita da dissertação que não tinha interesse nem nas necessidades físicas mais básicas, como dormir ou comer. Uma coisa, porém, me relaxava e oferecia ânimo novo: os poemas e outros escritos de Pablo Neruda. Foi por isso que, até o final do mestrado, me acompanhou uma frase do livro autobiográfico do autor, ‘Confesso que vivi’:

“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”.

Parafraseando Neruda: confesso que assim sobrevivi. (Aparecida F. Moraes)

Amei a frase! Fui até procurar “intermitência” no dicionário, para ter certeza de que tinha entendido. 😉 Mas depois desencanei, porque o sentido do verso foi o conforto que a Aparecida encontrou para escrever, não esquecendo dos sonhos que a moveram para escrever um trabalho acadêmico.

Achei aqui uma versão inteira do poema de Neruda; e achei aqui vários outros textos e vídeos do poeta para inspirar.

2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais

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Adriana Facina escreveu três conselhos simples e profundos, que me tocaram muito! Desdobrei em quatro para dar destaque a cada passo descrito por ela. O primeiro:

Escrever, especialmente trabalhos de grande monta como dissertações e teses, exige foco, disciplina e um certo desligamento do mundo. Meu conselho número 1 a todas e todos que estão nesse processo é: saia das redes sociais.

Aqui você encontrará problemas políticos que vão te preocupar e te trazer incertezas sobre o futuro, debates estéreis (tretas) nos quais você vai querer opinar e que vão sugar suas energias, um monte de gente aproveitando as férias e lugares maneiros aonde você queria estar, eventos que você gostaria de frequentar etc.

Tudo isso rouba seu tempo e sua capacidade de trabalho. Acredite: nós escrevemos mesmo quando não estamos escrevendo. Ainda que nos momentos em que estamos distantes da tela do computador, nossa cabeça está funcionando no modo escrita, elaborando ideias e formatos que se tornarão textos. É muito importante a gente se concentrar nisso. Se divertir, se distrair é importante, mas procure aquelas atividades que te refazem e reenergizam, não as que desgastam e dispersam. (Adriana Facina)

Nossa, esse conselho vale para a vida, a qualquer momento, não apenas para quem está escrevendo tese, concordam? Eu teria naufragado se tivesse que fazer pós-graduação num mundo com redes sociais.

3. Curtir a escrita

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Mais um conselho perfeito da professora Adriana Facina:

[Meu] conselho número 2 é: aproveite a escrita. É difícil. Por vezes, solitário. No entanto, é um processo desafiador, instigante, cujos resultados podem ser muito prazerosos (ainda que dificilmente o processo em si o seja).

Faça bons cafés, beba um drink de cara pro computador se isso te ajudar, ouça música ou prefira o silêncio. É a sua arte. Se dedique a ela. Encontre sentido. É sua escolha. É você se inscrevendo no mundo. É o seu pensar autônomo. Não deixe que nada te roube essa experiência tão forte e especial. (Adriana Facina)

Fiquei tão feliz de ler isso! A Adriana tocou num ponto fundamental para mim. É uma delícia quando a gente consegue engrenar no fluxo da escrita, aquele que desliga os sentidos para o mundo lá fora. Vivo para isso. Taí, inclusive, a razão desse blog existir.

4. Cercar-se de pessoas que te ajudem

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A quarta lição, e o conselho número três da Adriana:

Procure ajuda se precisar. Se a relação com orientador não estiver fluindo bem (ou mesmo que esteja, mas que não seja o suficiente pra você), procure amigos, pessoas de confiança afetiva e/ou intelectual, parentes. Peça que leiam. Discuta seu trabalho com elas. Mergulhe nisso. Fique obsessiva. Quanto mais a gente mergulha e vive nosso tema, mais insights de escrita surgem. (Adriana Facina)

Esse trecho me lembrou de uma história. No auge do meu sofrimento no doutorado, com o orientador pressionando para que eu defendesse no prazo mínimo, uma das coisas que mais me ajudou foi dar um telefonema. Liguei para a Myriam Lins de Barros, uma das professoras que iria participar da minha banca, e expliquei como estava me sentindo: cheia de dores, ansiosa e fraca, fisica e emocionalmente. Ainda hoje me lembro da voz dela, calma e serena, me tranquilizando de que não havia qualquer problema em adiar a defesa por quatro meses e que ela se dispunha a ligar para o meu orientador para me dar apoio. Nossa, que bálsamo ouvir aquilo! Foi a partir desse dia que consegui retomar a escrita e seguir em frente. Obter apoio de pessoas significativas, que nos afetam, seja no plano pessoal ou acadêmico, tem um valor imenso na conquista da estabilidade necessária para produzir!

5. Ler autores e livros que te inspirem

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A quinta lição, e última parte dos conselhos da Adriana Facina:

Por fim, nas horas de descanso, recomendo que leia textos que inspiram a escrever. A hora da estrela, da Clarice Lispector, tem uma linda introdução falando sobre escrita. Mas existe muita coisa disponível, inclusive um blog bem bacana: https://comoeuescrevo.com/. Isso ajuda no compartilhamento dessa experiência incrível que é escrever. Bom trabalho! (Adriana Facina)

Não sei vocês, mas eu vou procurar o meu exemplar de A hora da estrela. Não lembrava que havia uma introdução sobre escrita nesse livro! Sobre o blog “Como eu escrevo”, estou devendo uma entrevista lá! É um site cheio de escritores e professores contando seus rituais e métodos de escrita.

Também nunca é demais recomendar a leitura dos Anexos de A sociedade de esquina (William Foote Whyte), do apêndice “Algumas reminiscências e reflexões sobre o trabalho de campo” do livro Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande (E. Evans-Pritchard), a obra Truques da escrita (Howard S. Becker), além da lista incrível sobre escrita acadêmica compilada pela Eva Scheliga em seu blog …E ETC. *

Claro que, como sugeriu a Adriana Facina, literatura inspira e muito! Meus autores favoritos nessas horas são Mário de Andrade, Eça de Queirós, Virginia Woolf, Oscar Wilde, Anne Lamott, Umberto Eco, Agatha Christie… Na verdade, qualquer texto que me traga bom humor e inspiração já é um grande estímulo!

6. Visualizar a tese pronta

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Para encerrar as dicas de hoje, retomo a palavra da professora Aparecida Fonseca de Moraes sobre suas memórias de escrita:

Lembrei de outra que adoro contar.  No período de árduo trabalho de escrita da dissertação, meu filho, com mais ou menos dez anos, desenhava esplendidamente e montava algumas estórias em quadrinhos (não foi à toa que acabou trabalhando com cinema).

Bem, um dia chego em casa e encontro um desenho incrível sobre a minha mesa de trabalho. A cena: Um computador grande, como aquele que eu usava para trabalhar, com um personagem ao lado que apertava apenas uma tecla. Do aparelho saíam folhas de um documento onde se lia: “tese pronta”!  Claro que ri muito, mas fiquei imaginando a ansiedade dele para que esse “rival” saísse logo de nossas vidas… rs (Aparecida F. Moraes)

Que delícia de história, que vontade de apertar esse menino nos braços! Queria ter uma super memória para me lembrar de todas as situações desse tipo que já me contaram. Se vocês souberem de alguma, escrevam nos comentários por favor! No meu caso, só tive filhos depois de terminar o doutorado… Por isso, a marca do excesso de trabalho não ficou tão forte nas crianças. Para todos que estão escrevendo: lembrem da delícia que será cumprir as promessas sobre a vida pós-tese que vocês estão fazendo para os amores e família!

[Continua na Parte 2 aqui.]

Um bom Carnaval a todos, com descanso, trabalho e folia, conforme a dose recomendada!

Sobre os desenhos: Fiz as linhas com uma canetinha japonesa preta (Muji hexagonal gel ink 0,25) que ganhei do Juva, no final de janeiro, vinda da Muji, de Lisboa. Estou apaixonada por essa  caneta e suas irmãs azul, azul escura e vermelha. Como queria utilizar papel comum (A4, 90gr), colori com canetinha hidrocor (Staedtler triplus color). (Sobre todos os materiais que utilizo, ver aqui.)

* Os links para a editora Zahar foram indicados apenas como referência aos livros citados. Não recebo nada por compras dessas obras feitas no site deles.

Você acabou de ler “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Cz. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)

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Calendário antecipado aqui no blog significa que estou torcendo para o mês acabar. Quem já enjoou de janeiro levanta a mão!

Para imprimir, cliquem no .pdf.

O calendário de fevereiro é uma homenagem a uma das minhas artistas preferidas do Instagram: Elizabeth Barnett. Ela mora na Austrália e faz pinturas lindas de plantas e objetos. Resolvi copiar e/ou reinventar algumas das plantinhas dela utilizando materiais diferentes (caneta nanquim e lápis-de-cor). Deu para perceber que ela se inspira muito nas plantas do Matisse, que também já foram a base para um calendário — vejam como as cores e as formas são parecidas aqui!

Esse tipo de exercício me ajuda a perceber o quanto tenho receio de criar coisas próprias, sem ter o modelo diante dos olhos. Por outro lado, me lembra do sonho de um dia ter um estúdio com espaço para plantas, vasos e um mundo de coisas para observar e pintar!

Quis terminar o calendário do mês logo pois, a partir de fevereiro, farei uma série de posts com dicas para terminar trabalhos acadêmicos.

Boa semana a todos!

Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Pigma Micron 0.05, da Sakura. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Faber-Castell Polychromos e Caran D’Ache Prismalo.

Para os nerds do desenho: como uso o Photoshop e edito os calendários — Depois de escanear, utilizo o Photoshop para ajustar o contraste e deixar o fundo branco. Começo criando um documento A4, onde colo a imagem escaneada. Aumento um pouco o contraste geral (cerca de 10%, para ficar parecido com o original). Em seguida, utilizo a ferramenta Curves (usando o conta-gotas da direita e clicando no fundo branco) e a ferramenta Dodge (com o cursor bem grande, seleciono Highlights a 10%, e passo sobre toda a imagem; evitando passar por cima dos desenhos caso tenham cores muito claras, pois a ferramenta clareia tudo que já é claro, como o fundo). Para finalizar, seleciono a ferramenta Burn para Shadows 20% e passo por cima do nome do mês, das datas e das linhas, de modo que saiam com a cor preta intensa. No caso desse mês de fevereiro, no entanto, fiz o reforço no nome do mês a caneta mesmo, pois estava por cima da planta. Para criar o PDF, mando o Photoshop imprimir em “Print with preview” e seleciono a impressora “Microsoft print to PDF”. Para criar a imagem do post, reduzo o tamanho do original para 1800 pixels de largura na opção Image Size e salvo em .jpg. Ufa, acho que isso é o principal. Uma coisa que tenho feito errado e aprendi outro dia: eu deveria passar a imagem para o modo CMYK Color, que é o certo para impressão. Será que faz diferença mesmo nesse nosso uso caseiro? Se alguém souber, por favor, me dê as dicas!

Para quem gosta do assunto, a ilustradora Holly Exley publicou recentemente um vídeo em seu canal do YouTube  explicando seu método para tirar o fundo das imagens. Ela seleciona desenho por desenho com a ferramenta “Magnectic Lasso Tool”, pois muitos de seus clientes solicitam imagens com fundos transparentes (para aplicar sobre outras superfícies).

Você acabou de ler “Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3C7. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Viajantes (e resultado da votação das plantinhas)

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Há um ano atrás, eu estava em Portugal nessa época do ano. Foi uma viagem cheia de atividades e encontros com pessoas maravilhosas, como já contei em alguns posts (aquiaqui, aqui e aqui). Acreditam que até hoje não terminei de escanear o caderno que desenhei por lá? Achei que vocês podiam gostar dessa página com os personagens que vi no aeroporto, pois combinam com o espírito de férias que estou tentando manter na escrita do blog nesse mês de janeiro.

Sobre a votação do post da semana passada: muito obrigada pela participação! Recebi mais respostas do que imaginava: 136 votantes e 163 votos (algumas pessoas votaram em mais de uma opção). No final, o resultado foi quase um empate geral, com ligeira preferência pelas plantinhas 1 e 5, conforme vocês podem conferir abaixo:

plantas_votacao.jpg

O sistema de formulário do WordPress ajudou, mas não é nada prático! Contei os votos no Excel — até parece que não tenho nada mais importante pra fazer — e a verdade é que as diferenças não foram significativas:

grafico

A qual conclusão chegamos? Que vocês são muito bonzinhos ou que eu desenho muito bem? 😉

O exercício valeu pela brincadeira e para me mostrar que todas as formas de explorar o desenho e a aquarela são válidas. Muito obrigada pela companhia nessa jornada. ♥

Sobre o desenho inicial: Linhas feitas com canetinha Pigma Micron 0.05 e 0.1 em um caderno Stillman & Birn, Delta series, 8 x 10 polegadas, presente que ganhei da minha irmã. Todas as imagens foram coloridas com aquarela (Winsor&Newton e outras marcas). À esquerda, recortei e colei algumas etiquetas de bagagem da TAP. Minha mala voltou super pesada por conta dos muitos livros que ganhei ou comprei por lá, além de alguns que trouxe para as amigas!

Na próxima semana (ou na outra), volto com os posts sobre a vida acadêmica, dessa vez com a colaboração de ideias e citações de colegas da área.

Bom descanso a todos que estejam precisando e boa escrita a todos que estejam escrevendo!

Você acabou de ler “Viajantes (e resultado da votação das plantinhas)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Viajantes (e resultado da votação das plantinhas)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3BT. Acesso em [dd/mm/aaaa].