Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


21 Comentários

De mim, recap

“And we’ll collect the moments one by one // I guess that’s how the future’s done” (♫ Feist)
[E vamos colecionar os momentos um por um // Acho que é assim que se faz o futuro]

“Recap” sobre mim para as pessoas novas chegando: sejam bem-vindas!

Sou apaixonada pelo Antônio e pela Alice, duas criaturas sensacionais, segundo minha opinião isenta de mãe. Também amo meu gato e meu namorado — nessa ordem porque o Charlie veio primeiro (sorry, baby).

Adoro escrever sobre livros e coisas úteis. Falo de experiências pessoais quando acho que é engraçado ou bonitinho, mas não gosto de falar de mim. Evito tanto postar selfies em redes sociais que um dia recebi uma mensagem de um leitor do blog perguntando se eu era “de verdade” ou se era uma velhinha cheia de assistentes. Melhor comentário da vida! Virou lenda aqui em casa. Era de um estudante fofo, a quem agradeci muito e respondi que era de verdade sim, bastava buscar no Google.

Em 2022, meu lema será “alegria de viver” porque foi o que mais me faltou em 2021. Traduzindo em karinês: alegria pra mim é quando consigo escrever, desenhar, pintar e ler livros (de papel) todos os dias. Também estou reaprendendo a meditar (tá difícil) e conseguindo fazer 30 minutos de musculação 4x por semana (um micro-hábito bem específico que aprendi com meu filho e que tá indo bem). Meu principal desafio de 2022 é chegar em março sem esquecer disso tudo.

“As pessoas são complexas”, meu ex-orientador repetia. E eu, idem. Adoro ser solidária, mas morro de preguiça de passar álcool no tapetinho da academia. Sou apaixonada por estudar, mas já citei autor que não li só para agradar a banca. Tento ser saudável, mas vivo tomando Tylenol. Não bebo álcool, mas de vez em quando sim. Posso comer maçã todos os dias e depois nunca mais. Já fui festeira, mas invento um monte de desculpas para não sair de casa (mesmo antes da pandemia). Amo dar aulas, só que não também.

Além de jornalista, antropóloga e mãe, sou ex-voluntária da extinta ong Amigas do Peito (meu doutorado pessoal por 11 anos) e professora da UFRJ.

Em 2013, criei esse blog para ter o compromisso de publicar textos e desenhos toda semana. O lema dele é ser útil e bem humorado — para constrastar comigo, que, se deixar, fico chata e inútil rapidinho. Já publiquei 250 posts aqui, todos um pouco autobiográficos, a maioria sobre livros e vida acadêmica, sendo duas coleções de fracassos (Não Passei I e Não Passei II) super instrutivas para combater arroubos de vaidade (tudo pode dar errado) e momentos de desespero (já estive pior).

Acho que é isso. Ufa, que post difícil!

O que mais vocês gostariam de saber? ☼

Projetos para o blog em 2022: publicar novos planos de aulas; fazer uma Parte II sobre cursos de desenho e pintura online; escrever sobre hábitos e organização; falar de livros que li em 2021; e fazer um índice de todos os autores já citados aqui.

Coisas:

♥ Para quem quiser ver se sou de verdade, publiquei pela primeira vez uma selfie junto da imagem desse post no Instagram.

♥ A citação de abertura é da música Mushaboom, da Feist. Vocês podem ouvir no Spotify ou no Youtube.

♥ Sobre o Charlie, tem um desenho dele aqui, num post sobre os “defeitos” do Saul Steinberg.

♥ Amanhã (21/1/2022), às 17h, farei uma live sobre volta às aulas com a maravilhosa Thais Godinho do Vida Organizada, no IGTV dela.

♥ Dia 29/01/2022, estreia a Exposição CHORO, do Antonio Kuschnir, com curadoria do Victor Valery, no Museu de Arte Contemporânea — MAC, de Niterói. (Sim, uma exposição de mais de 70 pinturas do meu filho — artista mais jovem a expor numa individual na história do MAC. Pensem na mãe mais feliz e orgulhosa do mundo!)

Sobre o desenho: Traços feitos com canetinha de nanquim descartável Pigma Micron 0.05 e lapiseira Pentel grafite 0.7 feito em um bloco de desenho espiral “Meu Primeiro Canson” em abril de 2021. Feito a partir de uma fotografia, tentando registrar rapidamente, como se fosse no tempo do ao vivo, como aqui.

Você acabou de ler “De mim, recap“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “De mim, recap”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3TB. Acesso em [dd/mm/aaaa].


8 Comentários

5 razões para dizer sim e Maio/2017

mai2017p

Certa vez, minha amiga Claudia contou que sua neta mais velha era o oposto dela: adorava colocar salto alto, usar frufrus e passar maquiagem. Quando a avó hippie lhe perguntou porque ela fazia isso, a resposta foi curta e direta: “Porque sim, porque eu gosto, vó!”

Que simples. Isso de agradar a todo mundo é uma areia movediça que engole o nosso cérebro. No cotidiano, no mundo acadêmico, na vida. Com minha mania de querer justificar o que faço com base nos Valores Maiores do Mundo, vivo atormentada. Tocar violão com a Alice, comprar presentinho para os amigos, ir para a academia, desenhar e escrever para o blog — tudo que não se encaixa na categoria “útil/obrigatório” na minha agenda vira um debate interno: por que, por que, por que? Ainda estou aprendendo a dizer: “porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem”. Meninas que me leem: vamos treinar dizer essa frase em voz alta? Aí vai em destaque:

“Porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.”

Normalmente, numa revisão de texto bem-feita, eu cortaria o pronome “eu” dessa frase, já que há uma redundância em escrever “eu gosto”. No entanto, resolvi deixar redundante mesmo. Afinal, na contramão do mundo narcisista e egocêntrico, aqui no blog somos uma turma de problemáticos que precisa aprender a se aceitar.

Portanto, vamos treinar dizer, em várias situações:

  1. Vou fazer [tal e tal coisa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  2. Desejo [isso e isso] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  3. Vou me empenhar [em tal e tal coisa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  4. Vou me doar [para essa causa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  5. Gosto [dessa pessoa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.

E aí, conseguiram? É simples, é bobo, mas é forte, né? Notem que acrescentei na frase da neta da minha amiga a expressão final “porque me faz bem”. Sem esse detalhe, nosso eu destrambelhado correria o risco de sair por aí fazendo muitas, muitas besteiras. Não sei o de vocês, mas o meu com certeza. Por isso adicionei esse lembrete; para não me esquecer de que nem tudo que gosto, ou acho que gosto, me faz bem; e, para essas situações, talvez seja melhor dizer um singelo “não”.

O calendário de maio — esse mês que é o preferido de tantas pessoas e também um dos meus — foi inspirado num acontecimento das últimas semanas. Ajudando a Alice a arrumar as coisas da escola, percebemos que o lápis-de-cor vermelho dela estava no finzinho. Fui espiar na lata em formato de Bob Esponja onde guardamos lápis-de-cor usados. Ao procurar algum da cor vermelha, só achei cotoquinhos antigos, pequenos pedaços de memórias da vida das crianças. Fiz até uma foto para mostrar pra vocês.

mai2017 foto lapis akc 2017-04-28

Ainda bem que aquela Marie Kondo não faz sucesso aqui em casa. Ela jogaria tudo isso no lixo. Nós não conseguimos. Não foi à toa que outro dia a Alice tirou dez no trabalho autobiográfico para a aula de história. Um dos critérios de avaliação era a diversidade de fontes. Nem preciso dizer que tínhamos ticket de teatro infantil, ingresso de museu e até xerox do passaporte português do Ulisses. Imagina a felicidade do professor! E da mãe! Quanto ao lápis vermelho: consegui comprar um avulso na papelaria JLM, no Largo do Machado.

Sobre o desenho: Para o desenho no calendário, fiz os mini-lápis com uma canetinha preta de nanquim permanente Pigma Micron 0.2. Depois o Antônio me ajudou a escolher as cores e colorir. Tentamos sair do óbvio, explorando a caixa de Polychromos da Faber-Castell, utilizando ocres, sépias, sanguínea, turquesa, verde cobalto, entre outras. No final, fiz as sombras com uma caneta pincel Tombow cinza n.79.

Para imprimir o calendário, cliquem no .pdf ou na imagem acima (em .jpg).

6 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota das últimas semanas:

♥ Adorei o post Coordenando, escrito pelo João Marcelo Maia, avaliando o aprendizado positivo na sua gestão como coordenador do curso de Ciências Sociais da FGV do Rio. Acho importantíssimo valorizar o trabalho administrativo feito por professores, num campo que o torna invisível pelos critérios de agências e fóruns científicos. Li uma parte para minha turma no IFCS e tivemos uma boa conversa sobre o tema da saúde mental no mundo universitário. Em breve, conto aqui.

♥ Continuo na “dieta” de abstinência do Facebook e Instagram. Eu já tinha um uso parcimonioso, mas ando numa de escrever e ler mais, com menos interrupções. Também gosto da ideia de parar de enriquecer Zuckerberg e cia. Confesso que não sinto saudades dos feeds, mas sim dos amigos que fiz por lá… ainda estou na dúvida se devo (e como) voltar.

♥ Por falar em escrever mais, retomei a prática de escrever pelo menos 300 palavras todos os dias (de semana!). Utilizei um método assim na época em que escrevi as teses de mestrado e doutorado. É impressionante como dá para cumprir esse hábito, às vezes, em apenas 15 minutos! Além do prazer de “ter escrito”, acabo dando conta de registrar logo algum acontecimento do dia anterior que pode ser útil depois, como resumo de aulas dadas, ideias para o blog, aulas e planos futuros etc. Claro que, em alguns dias, fico empacada, digitando bobagens e tudo bem.

♥ Descobri um guia de Emojis fofo para usar no Todoist, o aplicativo que uso para anotar tarefas. Para quem gosta desse tipo de utilidade inútil, também existem guias de códigos-Alt para digitar símbolos em teclados comuns (como os coraçõezinhos — Alt-3 — dessa lista).

♥ Consegui convencer as crianças a dar uma chance à série Abstract: the art of design do Netflix. Muito simpática, pelo menos o primeiro episódio, com momentos que misturam documentário e animação.

♥ Pesquisando para dar uma aula, acabei assistindo a divertida palestra “Sua linguagem corporal molda quem você é“, da Amy Cuddy no TED Talks. Impossível não terminar sorrindo! ☺

Você acabou de ler “5 razões para dizer sim e Maio/2017“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “5 razões para dizer sim e Maio/2017”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/s42zgF-lapis. Acesso em [dd/mm/aaaa].