Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Canetinhas, pra que te quero!

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Não me lembro quando descobri essas belezinhas Pigma Micron (da marca japonesa Sakura). Só sei que me apaixonei. São canetas de naquim à prova d’água (isto é, não borram quando você pinta com aquarela por cima), disponíveis em várias cores,  espessuras e até em ponta pincel (BR, de brush). Infelizmente, são descartáveis e, se usadas todos os dias, acabam rapidamente. As que eu mais utilizo (005, 0,1 e 0,2 pretas) duram cerca de um mês. Mas no dia do lançamento do Ulisses, gastei duas numa noite só, fazendo quase 150 dedicatórias! As coloridas eu economizo porque são lindas e difíceis de achar. Atualmente, estou comprando a Unipin (da marca Mitsubishi, também japonesa) porque tem em qualquer papelaria e está mais barata (cerca de R$11,00). A versão da Staedtler (alemã) é excelente, mas difícil de comprar aqui no Rio. Esse ano testei também a Copic Multiliner SP (mais uma japonesa) que permite o uso de refil.

Comparando as quatro marcas: a Pigma Micron é a minha preferida segundo quatro critérios: cores intensas (linha bem preta ou na cor escolhida); macia de desenhar, secagem rápida e embalagem bonita — além da cor bege pouco usual, tem a florzinha (símbolo da marca Sakura) e detalhes em violeta. Vejam que sonhos de consumo esse estojinho básico e essas cores!

A Staedtler fica em segundo lugar: empata na cor intensa e na secagem, mas a ponta é menos macia e a embalagem é sem graça. A Unipin vem em terceiro em todos os critérios. E a Copic ficou em último na minha lista pela decepção. O  atendimento no site brasileiro é impecável e preço parece valer a pena para um produto reutilizável (e portanto, mais ecológico). Apesar de bonitinha, a caneta é pesada, a ponta é áspera e o refil dura poquíssimo, além de ficar se soltando do corpo principal, por mais que eu aperte.

(PS: Todas as quatro são à prova d’água! *obrigada ao Durval Amorim por me lembrar de escrever isso!)

Há muito tempo atrás, meu avô me deu um estojo de canetas técnicas Rapidograph (marca Koh-i-Noor), que utilizam refil de nanquim. Infelizmente, acabei me afastando do desenho  e não fui cuidadosa o suficiente com suas peças delicadas. Acho que doei para alguém que me disse que sabia como limpá-las. Até hoje tenho dificuldade de usar caneta tinteiro. As poucas que ainda possuo estão encostadas, semi-entupidas ou com as pontas amassadas, aguardando o destino.

Esta foi mais uma contribuição para a nova seção do blog sobre materiais de desenho. O tema está sendo como brinquedo novo de criança: difícil de largar!

* 4 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-emocionantes-vertiginosas-ou-dignas-de-nota da semana:

* Pesquisando para o post, descobri que a Koh-I-Noor começou na Áustria, em 1790. E isso me lembrou que adorei o filme A dama dourada (Woman in gold), sobre a trajetória do quadro de Gustav Klimt, da sua origem ao enfrentamento do nazismo e do nacionalismo. (Não vou fazer link porque acho que os trailers estragam a experiência de assistir aos filmes.) Minha irmã disse que o livro é melhor (sempre, né?), mas muitas pessoas da minha família se emocionaram com a história. Há vários pontos em comum com a violência sofrida pelos meus bisavós de Berlim. Meu avô fugiu da Alemanha na mesma época em que a personagem principal fugia de Vienna, sabendo que provavelmente nunca mais veria seus pais, seu irmão, familiares e amigos, como de fato aconteceu.

* Uma amiga queridíssima trouxe de Londres um kit de cinco pincéis da coleção Anna Mason Art para a Rosemary & co. São específicos para aquarela, com pelo sintético bem macio e curto, nos tamanhos 5, 3, 1, 0 e 000. Estou adorando!

* E já que estamos falando tanto de materiais, deliciem-se com a tag Art Tools do Parka Blogs (já indicado na lista de inspirações aqui do blog). O site todo é vertiginosamente legal!

* Fiz esse cartãozinho para agradecer às dezenas de mensagens de feliz aniversário (21/08) que recebi na semana passada. Para todos que ainda não viram (no facebook), aí vai meu muito, muito obrigada!

florespq

Sobre os desenhos – O desenho da canetinha Pigma Micron foi feito no verso de um papel Canson Pintura escolar Bloco A3. Fiz tudo com lapiseira primeiro, depois passei o nanquim (por ironia: com canetinha Unipin! 0.05) e apaguei com um limpatipos Staedtler (adorei, aquisição recente!). Pintei com os pincéis novos e aquarela Winsor & Newton (usando principalmente Ochre, Burnt Siena, Payne’s Grey e Neutral Tint). Mas usei também uma cor emprestada pela Chiara chamada Amarelo Napoles (só vem em kits Pentel), que é meio fosca e perfeita para fazer esse bege de plástico. O desafio foi fazer as letrinhas em violeta. O “Pigma” foi escrito com uma Staedtler triplus fineliner, que era fina o suficiente, embora não da cor certa. O número “005” foi feito com uma Stabilo point 88 mini violeta. As duas canetinhas não são à prova d’água e borraram um pouco (principalmente a Stabilo). A linha horizontal foi pintada com tinta Cobal Violet (WN) e pincel 000 Winsor & Newton University (aquele vermelhinho que desenhei para a página de materiais, pois descobri que faz uma linha mais fina do que o mesmo número da Anna Mason). As tampinhas das canetas vistas de cima foram feitas com os materiais acima, mas coloridas com as próprias canetinhas, no caso da vermelha, da azul e da siena. Vejam como as cores são incríveis: super brilhantes, mesmo nessas miniaturas.

O desenho do cartão de agradecimento foi feito mais ou menos da mesma forma, a partir da observação de um buquê de cinco cores de astromelias (R$5,00 reais cada ramo na Cobal). Eu mesma comprei, mas não posso ter flor em casa porque os gatos ficam doidos de vontade de comer; e se comerem passam mal… Essas estão trancadas no banheiro, coitadas. (E logo depois que escrevi isso, o Ulisses deu um jeito de entrar no banheiro, comer algumas flores e vomitá-las no tapete do meu quarto!) Em relação ao desenho: achei que fiz linhas demais e o resultado saiu meio pesado. A inspiração foi o trabalho do artista Tommy Kane, mas não cheguei nem perto da mistura de precisão e leveza que ele consegue. A moldurinha do cartão foi feita de forma eletrônica no programa Picasa, um software de fotos grátis do Google, super fácil de usar.


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O quebra-cabeça do artista

agostopuzzle
Resolvi me dedicar ao calendário do mês porque estou numa semana de férias (com tempo!) e meu aniversário tá chegando (não que eu ligue, hehehe). Lembrei que amo quebra-cabeças e que tenho uma caixa de 250 peças de madeira com o tema da chuva na ponte do artista japonês Ando Hiroshige. O recorte das peças é uma lindeza, como vocês podem ver acima (ou na versão inteira, abaixo): todas são diferentes umas das outras e várias homenageiam as artes plásticas, como o potinho de pincéis, a paleta, o pincel e o vidro de nanquim… Adoro desenho e também adoro chuva: é uma combinação irresistível. Espero que vocês também gostem!

(No dia 21, coloquei a pecinha que traz o chapéu do barqueiro na chuva… É uma delicadeza infinita.)

* 7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Leitores do post da semana passada me escreveram mensagens super gentis, dando força, elogiando os desenhos e me incentivando. Mil vezes obrigada a tod@s!! Como expliquei no Facebook, não estou desanimada não! Só quis compartilhar a montanha russa negativa-positiva que povooa a nossa (ou a minha? rs) cabeça no processo de aprender uma atividade nova. Devia ter enfatizado que, apesar das dúvidas, é justamente o *desafio* que me motiva, e muito! Meu maior prazer é estar sempre aprendendo, não me acomodar! Obrigada por compartilharem comigo essa jornada.

Algumas frases legais que surgiram sobre o assunto:

* “A vida é um desenho feito de múltiplas camadas. Não importa a ordem!”, escreveu a querida Yoko Nishio.

* “Acho que a gente sempre acha que está aquém do que pensamos que deveríamos ser ou fazer, mas na verdade estamos sempre além quando conseguimos seguir em frente e tentar e fazer, superar as auto sabotagens.”, comentário muito bacana e bem-vindo da Isadora Zuza.

* “One day, in retrospect, the years of struggle will stryke you as the most beautiful.”, por Sigmund Freud — Citação que me chegou pelo blog da ultra-plus-simpática-e-talentosa Lisa Congdon.

* “O artista tem que se autorizar e partir, sem culpa.  Acreditar no caminho.” Assim disse a escultora Denise Milan, num documentário do canal Arte 1.

* Uma amiga me escreveu: “Para certas atividades, só a longo prazo conseguimos ver algum resultado. Mas isso é o máximo. E uma ótima notícia. Pode demorar, mas uma hora ele aparece. E quando ele aparece ele é seu para sempre.

* A mesma amiga contou que o Chico Buarque errou uma letra de música em pleno programa ao vivo na Rede Globo. Depois de um breve silêncio, olhou para a platéia e docemente disse: “Não sei porque eu insisto nessa profissão?”. O público derreteu literalmente e aplaudiu com vontade. Veja aqui(Muito obrigada à Suzana pelo envio do link.)

* Sobre o desenho, abaixo: Minha vida (de desenhadora) mudou depois que tomei coragem e comprei um bloco de papel Arches (300 g., Hot press, que em artês quer dizer um papel bem liso, sem textura). Além de ser uma delícia de pintar, a página “desaparece” no scanner, deixando que as imagens se sobressaiam. Para as pecinhas do quebra-cabeças, usei canetinhas Unipin (0.05, 0.1 e 0.2), tintas aquarela Winsor & Newton e pincéis WN da linha University 000, 0 e 1. Foi um desenho que levou horas para ficar pronto… Cada vez mais percebo a importância de pintar em camadas finas sobrepostas. E isso leva tempo. Cada pecinha foi feita a lápis primeiro, em seguida a nanquim (contorno e imagens internas) e depois ainda pintei de duas a cinco camadas de aquarela em cada uma. É isso que permite chegar nas cores sutis do Hiroshige com alguma segurança. Na hora de fazer a borda de madeira, eu já estava exausta… Então parti para a “ignorância” e fui de marcador Pitt-brush da Faber-Castell, em dois tons de marrom. Nas primeiras tentativas achei que tinha estragado o trabalho, mas até que não! A perspectiva não é meu forte, como vocês podem ver, mas as Pitts não fizeram feio e se misturaram bem. Aprendi mais essa!

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