Karina Kuschnir

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Dezembro/2018 em cubos

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Sempre fui apaixonada por quebra-cabeças — seja de peças recortadas, de labirinto, de lógica ou até lego. Por volta dos 13 ou 14 anos, ganhei um cubo mágico. Consegui fazer a primeira fileira, mas não avançava além disso. Um dia, de tanto pensar e tentar, sonhei com a solução para a camada do meio! Acordei de madrugada com o coração batendo: testei a sequência e deu certo!

Dali em diante, porém, não teve jeito. Acabei apelando para um manual que ensinava as etapas finais: fazer a cruz na base, colocar os cantos no lugar, rodar esses cantos e, quando menos se espera: o cubo fica pronto. Parece mágica!

Ao longo dos anos, nunca me esqueci das primeiras partes, mas sempre preciso da cola para terminar.

Antônio herdou meu amor pelos quebra-cabeças (imaginem que delícia ter filho pequeno que fica horas montando quadros de 300 a 1000 peças!). Quando cresceu, ficou fascinado pelo cubo. Como já estávamos na era da internet, aprendeu as séries finais no Youtube. Hoje em dia, faz tudo de olho fechado em 1 minuto e meio! Ao contrário de mim, o bichinho nunca esquece a série inteira.

Achei que o cubo embaralhado seria uma boa metáfora para a fase que estamos passando: um desafio que parece impossível de desvendar! Ao contrário do brinquedo, porém, ninguém tem o manual para os próximos movimentos.

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Aí vai o calendário do mês de dezembro para imprimir em .pdf (em alta resolução).

Desculpem o atraso de alguns dias. Foi uma semana puxada no trabalho e a minha internet de casa anda uma verdadeira catástofre (assinatura NET cara e ruim… grrr).

O blog completou 5 anos em 6/11/2018 — portanto, estamos começando a 6ª sequência anual nesse mês de dezembro! Em 2019, vou tentar postar com mais antecedência (me cobrem).

Bom dezembro pra todos nós! Vamos tentar pensar em pequena escala? Que venham sonhos e soluções ao menos para a próxima fase.

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Sobre o desenho: Fiz desenhos de cubos em três posições diferentes utilizando caneta de nanquim descartável preta (Pigma Micron 0.2). Depois escaneei, copiei e colei um monte deles no calendário ainda em preto e branco, variando as posições. Imprimi todo o conjunto e colori à mão com lápis de cor Polychromos. Ficou tão bonitinho… Pena que, ao escanear novamente (a versão colorida), o laranja quase não se diferenciou do vermelho! Ajustei um pouco as cores no Photoshop, mas ainda assim não ficou como no original. Espero que vocês gostem mesmo assim!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Dezembro/2018 em cubos”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3J2. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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O quebra-cabeça do artista

agostopuzzle
Resolvi me dedicar ao calendário do mês porque estou numa semana de férias (com tempo!) e meu aniversário tá chegando (não que eu ligue, hehehe). Lembrei que amo quebra-cabeças e que tenho uma caixa de 250 peças de madeira com o tema da chuva na ponte do artista japonês Ando Hiroshige. O recorte das peças é uma lindeza, como vocês podem ver acima (ou na versão inteira, abaixo): todas são diferentes umas das outras e várias homenageiam as artes plásticas, como o potinho de pincéis, a paleta, o pincel e o vidro de nanquim… Adoro desenho e também adoro chuva: é uma combinação irresistível. Espero que vocês também gostem!

(No dia 21, coloquei a pecinha que traz o chapéu do barqueiro na chuva… É uma delicadeza infinita.)

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* 7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Leitores do post da semana passada me escreveram mensagens super gentis, dando força, elogiando os desenhos e me incentivando. Mil vezes obrigada a tod@s!! Como expliquei no Facebook, não estou desanimada não! Só quis compartilhar a montanha russa negativa-positiva que povooa a nossa (ou a minha? rs) cabeça no processo de aprender uma atividade nova. Devia ter enfatizado que, apesar das dúvidas, é justamente o *desafio* que me motiva, e muito! Meu maior prazer é estar sempre aprendendo, não me acomodar! Obrigada por compartilharem comigo essa jornada.

Algumas frases legais que surgiram sobre o assunto:

* “A vida é um desenho feito de múltiplas camadas. Não importa a ordem!”, escreveu a querida Yoko Nishio.

* “Acho que a gente sempre acha que está aquém do que pensamos que deveríamos ser ou fazer, mas na verdade estamos sempre além quando conseguimos seguir em frente e tentar e fazer, superar as auto sabotagens.”, comentário muito bacana e bem-vindo da Isadora Zuza.

* “One day, in retrospect, the years of struggle will stryke you as the most beautiful.”, por Sigmund Freud — Citação que me chegou pelo blog da ultra-plus-simpática-e-talentosa Lisa Congdon.

* “O artista tem que se autorizar e partir, sem culpa.  Acreditar no caminho.” Assim disse a escultora Denise Milan, num documentário do canal Arte 1.

* Uma amiga me escreveu: “Para certas atividades, só a longo prazo conseguimos ver algum resultado. Mas isso é o máximo. E uma ótima notícia. Pode demorar, mas uma hora ele aparece. E quando ele aparece ele é seu para sempre.”

* A mesma amiga contou que o Chico Buarque errou uma letra de música em pleno programa ao vivo na Rede Globo. Depois de um breve silêncio, olhou para a platéia e docemente disse: “Não sei porque eu insisto nessa profissão?”. O público derreteu literalmente e aplaudiu com vontade. Veja aqui! (Muito obrigada à Suzana pelo envio do link.)

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* Sobre o desenho, abaixo: Minha vida (de desenhadora) mudou depois que tomei coragem e comprei um bloco de papel Arches (300 g., Hot press, que em artês quer dizer um papel bem liso, sem textura). Além de ser uma delícia de pintar, a página “desaparece” no scanner, deixando que as imagens se sobressaiam. Para as pecinhas do quebra-cabeças, usei canetinhas Unipin (0.05, 0.1 e 0.2), tintas aquarela Winsor & Newton e pincéis WN da linha University 000, 0 e 1. Foi um desenho que levou horas para ficar pronto… Cada vez mais percebo a importância de pintar em camadas finas sobrepostas. E isso leva tempo. Cada pecinha foi feita a lápis primeiro, em seguida a nanquim (contorno e imagens internas) e depois ainda pintei de duas a cinco camadas de aquarela em cada uma. É isso que permite chegar nas cores sutis do Hiroshige com alguma segurança. Na hora de fazer a borda de madeira, eu já estava exausta… Então parti para a “ignorância” e fui de marcador Pitt-brush da Faber-Castell, em dois tons de marrom. Nas primeiras tentativas achei que tinha estragado o trabalho, mas até que não! A perspectiva não é meu forte, como vocês podem ver, mas as Pitts não fizeram feio e se misturaram bem. Aprendi mais essa!

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