Tudo isso era demais para mim, mas tia Melia mostrou-se maravilhosamente à altura da situação.
“Se pensa em tudo o que tem de fazer como se fossem coisas presentes à sua frente, que devem ser feitas todas ao mesmo tempo, acaba se estropiando.
O tempo obriga a gente a fazê-las em seqüência, uma de cada vez, e isso”, prosseguiu com a segurança de alguém que havia vencido por conta própria uma batalha igual,
“[isso] dissolve o peso quase inteiramente. Você é muito esperto e vai conseguir.”
Suas palavras calmas, quase sem emoção, mas de algum modo carinhosas, permaneceram desde então em mim, surpreendentemente úteis em épocas de crise súbita e desastre iminente, ainda que imaginário, quando os prazos finais de todos os tipos assomam diante de mim. (Edward Said, Fora do lugar, p. 247)
Pessoas queridas, quantas saudades. Sigo aqui e vocês aí, mas penso tanto em nossas conversas — passadas, presentes e futuras, como um fio mágico que nos une. Há tanto por retomar e tanto a propor.
Começo pelas palavras da tia de Edward Said, relatadas por ele em suas memórias. Mais do que o próprio autor, foi sua tia Melia quem ressoou em mim depois da leitura. Ela dedicou boa parte de sua vida auxiliando refugiados palestinos com menos recursos. Mesmo diante da tarefa imensa, soube acolher o pequeno, alimentar um de cada vez, achar um serviço aqui, um abrigo ali, ainda que isso não fosse salvar o povo inteiro.
Voltar a escrever o blog de forma descompromissada e cotidiana estava me parecendo uma tarefa impossível. Sabe quando a gente deixa a tese de lado para ir a um congresso e depois fica impossível voltar? Ou quando abandonamos a academia de ginástica depois de um resfriado prolongado? Então, imaginem essa paralisia multiplicada por mil. Não sei como medir o peso da pandemia em 2020, do burnout que vivi em 2021 e do luto que me inundou de 9/4/2022 até hoje.
Mas para quê medir, não é mesmo? Como o amor, a dor não pode ser medida. Todos temos as nossas, mais ou menos em carne viva ou cicatrizadas, talvez nunca só uma coisa ou outra. Tenho aprendido a deixar as minhas irem e virem, me colocando aos pouquinhos em movimento, sem estagnar.
Uma das minhas felicidades mais recentes foi voltar à sala de aula. Bem no dia do meu aniversário, comecei uma nova turma de antropologia e desenho, no IFCS/UFRJ, com direito a um final com visitas dos filhos, genros, alunos e um enorme bolo de chocolate. Divido com vocês a alegria desta grande-pequena festa, desejando secretamente 😉 (no assoprar da velinha) a retomada da nossa conversa: que a gente possa colocar o papo em dia, rumo aos dez anos do blog que se avizinha (6/11/2023).
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Sobre a citação na epígrafe: Trecho das páginas 246-247 do livro Fora do lugar: memórias, de Edward Said (Companhia das Letras, trad. José Geraldo Couto, original de 1999).
Sobre o desenho: Aquarela de uma suculenta que achei abandonada em um vidrinho fofo no meu prédio durante a pandemia, feita em caderninho Laloran em 2020. Linhas em caneta Pigma Micron 0.05; pintura com tintas da minha paleta de várias origens. Minha inspiração foi a lindeza das cores da série do Lapin sobre as suculentas de sua varanda em Barcelona. Comprei o curso dele em uma promoção da Domestika (não é propaganda… me decepcionei com a maioria dos cursos dessa plataforma, menos esse rs). Achei que a plantinha resistente simbolizava bem esse tempo de espera do tempo de voltar a criar.
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Você acabou de ler “De volta para o futuro – rumo aos dez anos de blog“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2023. “De volta para o futuro – rumo aos dez anos de blog“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Zp. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Hoje é teu dia”. Era uma vez um menino que nasceu no dia de Santo Antônio e no dia de Fernando Pessoa. Parou de chorar aos 7 anos, bateu no Fofinha aos 12, conheceu Kau e Te aos 18, escreveu 11 livros, amamentou 2 filhas, adotou outros dois, deu de fumar à Pinga, tocou bateria-bongô-e-carron, foi Pai Noel 17 vezes, teve 587 melhores amigos, 39 irmãos e irmãs. Foi o mais feliz, amoroso, gentil, e engraçado pai e companheiro pra Alice B, Clara, Tê, Antonio, Alice K. e pra mim. Dormiu um bom terço da vida. Gostou tanto de dormir que resolveu dormir mais um bocadinho. Virou o beija-flor que aparece na janela, o vento que traz frescor, a ideia que surge de madrugada, a magia dentro de um livro, o quentinho doce que invade quem pensa em ti.
Saudades de quando você abria os olhos e perguntava: “Dormi?” Sim, dormiu, amor. Dormiu tão profundamente que não tive coragem de te acordar… E da sua resposta: “Dormi tão bem… Estava precisando.” A tua felicidade era simples. Bastava um abraço, um copo, um queijo quente, banho e piscina.
No dia do desenho com chapéu, você estava em Portugal, debatendo literatura e recebendo aplausos. Como era linda a tua voz. Lembras que lemos na última noite em que passamos acordados? Li um capítulo de uma história esquisita. Mas te ouvi dizer, divertido: “você lê muito bem”. ♥
Às vezes me revolta o teu otimismo inabalável. “Coisas melhores virão”, diz o verso da nossa música favorita. Te desenhei pequenino em cima desse coração cor-de-rosa gigante, como o teu. O meu ficou espremido quando vi a parte inferior do desenho: uma pessoinha diante do caminho interditado.
O azul deixa tudo um pouco triste, mas anotei que estávamos ambos alegres nesse desenho. Tínhamos a casa só para nós, com cama, gatos, comidinhas, canetas e livros. Ainda sinto o cheiro da tua camiseta azul-clara Best alguma-coisa. Já te disse que amo teus pés tortos? Já.
Bem no cantinho esquerdo da imagem acima tem teu pé de novo. Quem te ama, te reconhece pelo pé. Cada dedinho operado pelo doutor. Nessa página confusa, misturei nosso dia na livraria Blooks e em casa. Registrei: “você não está lindo como és, mas eu te amo”. A Lola gostava do teu colo. Eu lia Virginia Woolf, presente teu.
Nesse caderno, brincamos de retratos no café Severino, na livraria Argumento. Te desenhei e você me desenhou. ♥ Você nunca-não tinha coragem de fazer as coisas. Não sei medir se tenho mais saudades do teu lado rotineiro (natação-café-trabalho-as-mesmas-piadas) ou do teu lado “vamos a isto”, que topava qualquer coisa. Eram sólidos mas infinitos de você.
Talvez estejam pensando que os desenhos estão feios, mas você gostava. Festejamos meu aniversário na hora do trabalho, mesmo sabendo que íamos nos ver à noite de novo. Sua mãe ligou se queixando de labirintite. A sua paciência era quase infinita para coisa difíceis; e às vezes curtinha para coisas fáceis. Era engraçado esse contraste.
Por que te escrevo coisas que você já sabe? Não sei. Ainda acho bilhetes teus e meus dentro de livros e cadernos. As palavras escritas eram parte da gente junto.
Termino esse feliz aniversário com um desenho teu com cabelos! Esse fica na sala, escondido em um porta-retrato com duas portinhas da Gato Preto, de Lisboa. Estás ali e estás aqui.
Você, que ainda parece ao alcance da mão todas as madrugadas, agora me diz: “É isso, Kau. Escreve, desenha, chora um bocadinho, se der vontade. Moro em ti.”
Sim, amor, estou tentando. Te amo, hoje, teu dia, todos os dias.
“Há uma frase de Gustave Doré que sempre achei muito bonita: Eu tenho a paciência de um boi. Vejo nesta frase ao mesmo tempo algo bom, uma certa honestidade decidida; enfim, esta frase contém muitas coisas: é uma verdadeira frase de artista. (…) Eu tenho paciência, como é calmo, como é digno;” (Vincent Van Gogh)
Paciência é das virtudes que mais admiro. Como escreveu Van Gogh: como é calma, honesta e digna.
Desejo paciência nos dias em que o luto parecer interminável; paciência para a mãe do bebezinho aprendendo a mamar; paciência para a amiga fazendo quimio (tendo que lidar com a pneumonia do companheiro); paciência para a Ana Paula Lisboa continuar escrevendo; paciência para quem enfrenta enfermidades longas; paciência para todos os brasileiros para mais um dia, apesar de tudo.
Que a calma e a dignidade da paciência contagiem vocês, leitores queridos. Que o mês de julho venha renovar o nosso estoque. Baixem aqui o arquivo PDF para imprimir.
Que a segunda metade de 2022 seja generosa para nós. ♥
Vincent Van Gogh, 1883, vaca deitada
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Sobre a citação na epígrafe: Trecho da página 123 do livro “Cartas a Théo”, de Vicent Van Gogh, edição L&PM Pocket, tradução de Pierre Ruprecht.
Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval, depois desenhada com canetinha Wacom e editada no Photoshop. Uma explicação detalhada sobre como tenho feito os calendários está no post de junho.
Sobre a pintura: Imagem de pintura a óleo de Van Gogh de sua página na Wikiart (onde se pode ver mais 1930 desenhos e pinturas dele). Há lá também uma página sobre o artista Gustave Doré, citado por Van Gogh na epígrafe.
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Você acabou de ler “Julho/2022 – Com a paciência de um boi“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada!
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Julho/2022 – Com a paciência de um boi“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Y3 Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Uma única pessoa está ausente, mas o mundo inteiro parece vazio.” (Phillipe Ariès)
“E então… não mais. (…) o que chamamos de luto é como estar em um submarino, em silêncio sobre o leito do oceano, sentindo a carga da profundidade, ora perto, ora longe, açoitados por recordações. (…)
Você se senta para jantar, e a vida que você conhecia termina. Em uma batida do coração. Ou na ausência de uma. (….) Eu queria gritar. Eu queria que ele voltasse.” (Joan Didion)
No dia 9/4/2022, às 11:50h da manhã, faleceu meu companheiro de amor e de vida, Juva Batella. Ao contrário da Joan, que passou seus primeiros meses de luto tentando entender se havia algo que ela pudesse ter feito para evitar a morte do marido, sinto-me serena quanto à inevitabilidade do que ocorreu. Não havia nada que alguém, máquina ou medicamento pudesse ter feito. Ele precisava da cirurgia, ele marcou a data, e fomos avisados dos imensos riscos.
Minhas tempestades são outras: acordo com a certeza de que ele ainda está aqui, e já não está; lembro que preciso lhe contar o que está acontecendo, e já não posso. Tudo dói uma dor sem remédio, porque não há sorrisos e abraços dele à venda nas farmácias. Seus áudios no Whatsapp soam menos reais a cada dia. Havia tantos planos — nossa rede, nossa varanda –, e já não há.
É preciso reaprender a viver, ser, sentir, pensar, falar… É como se as bordas do mundo que eu conhecia tivessem desaparecido. Sinto-me no oceano de que fala Didion, mas em mar aberto, sem os contornos de um submarino ou de alguma terra à vista.
Ao mesmo tempo, não estou só. O Juva — como falarei no próximo post — foi a pessoa das pessoas. Deixou-me numa ilha cuidadosamente povoada por seres que o amavam, aquecendo o meu coração.
A cada um dos “navegantes e navegantas”, como ele escreveu, agradeço o imenso carinho, sem o qual eu não poderia estar aqui, tentando seguir. Na mensagem que mandou à família, amigos e alunos avisando da cirurgia, terminou por me deixar instruções sobre o que fazer:
“A Karina vai cuidar de vocês, este grupo de amigos do coração, mandando-lhes as novidades acerca do andamento do update [do coração].
Navegar é preciso. (Mas viver também é preciso.) Pensem em mim. ♥”
Cá estou, procurando as palavras e “cuidando de vocês”, escrevendo as “novidades” que eu não queria escrever, vivendo a vida — porque “é preciso” — e pensando nele, com todo amor do mundo, pra sempre.
Relendo os últimos posts, me surpreendi que minhas prioridades para 2022 continuam válidas, ainda que a vida tal como eu conhecia tenha desaparecido. Registrei: “preciso manter a saúde física, mental e artística em dia — e não esquecer disso depois do Carnaval”. O que eu não imaginava era o significado desse “carnaval”, uma época de inversões e liminaridades festivas que se assemelha tanto ao tempo da morte, como a antropologia nos ensina.
Ainda não estou “do outro lado” do meu luto. Mas 52 dias, 8 horas e dez minutos depois, estou aqui escrevendo, já tendo pintado uma aquarela, desenhado um padrão de corações, feito três sessões de terapia e duas de musculação. É um degrauzinho.
Bom junho para todos, com amor, saúde e paciência. ♥
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Sobre a citação: Os trechos das epígrafes estão no livro “O ano do pensamento mágico”, de Joan Didion (Harper Collins, 2021, tradução de Marina Vargas).
Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em pedaços A4). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de lilás, pincelando com outras cores. Achei que ia seguir os processos anteriores, trabalhando no app Procreate, mas minha canetinha do Ipad quebrou (não carrega, não funciona ). Lembrei da minha velha plaquinha de digitalização Wacom Intuos que graças às deusas funcionou direitinho associada ao Photoshop (mencionei essa compra de 2019 aqui). O processo foi o mesmo dos demais calendários desse ano: mantive duas camadas da aquarela sobrepostas, uma mais escura por cima de uma mais clara. Depois desenhei as linhas dos corações apagando a camada de cima com a canetinha eletrônica (modo lápis-borracha no Photoshop). Para a grade do calendário, adaptei as de 2021 como sempre.
A estampa de corações foi baseada em um desenho que fiz para o Juva quando ele estava em Portugal. Minha inspiração foram as aulas da artista Neha Modi, que assisti no Skillshare em janeiro. Vocês podem ver o trabalho dela no Instagram @expressionsbyneha.
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Você acabou de ler “Junho/2022 – Viver é preciso“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada!
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Junho/2022 — Viver é preciso“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3UJ. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Pessoas queridas, aí vai o mês de abril, com o arquivo em PDF em alta resolução para imprimir.
Continuo lendo muito e planejando posts, mas a energia de produzir novas publicações ainda não está se encaixando na rotina. Os posts que vocês mais gostam levam um dia inteiro para ficar prontos, sem contar o tempo de elaboração das imagens. Sim, eu contei: são 6 horas em média para cada parte!
Minhas prioridades para esse ano, como escrevi em janeiro, são manter a saúde física, mental e artística em dia — e não esquecer disso depois do Carnaval! Março passou e sigo na musculação, na terapia e no meu caderninho (desenhando e pintando) todos os dias. Recomendo muito!
Desinstalei o aplicativo Instagram para ter mais tempo. Estava muito viciada em ver stories e reels. Esses algoritmos são malignos! Agora entro de vez em quando pelo navegador, o que é uma experiência tosca, porque eles nos querem viciados no app.
Como estou geneticamente programada para ter vícios, claro que já me viciei em outras coisas: ouvir audiobooks gratuitos no Spotify.
Espero que vocês curtam o calendário de abril e se planejem. Bom novo mês para nós! ♥
PS: O subtítulo é “seguindo” porque é o que temos pra hoje. Estou com duas pessoas amadas doentinhas, precisando de atendimento de saúde sério e acolhimento. Não é hora de metas. O plano é ficar bem. Por isso, mando um abraço fraterno aos alunos de graduação, pós-graduandos, pesquisadores e professores que me seguem — e a todos os amigos e leitores de outras áreas também — vamos superar essa fase!
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Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em pedaços A4). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de verde, pincelando com outras cores. Escaneei e abri no app Procreate do Ipad, mantendo duas camadas da aquarela sobrepostas, uma mais escura por cima de uma mais clara. Depois desenhei as linhas e folhas apagando a camada de cima com a canetinha eletrônica (pincel Narinder Pencil). Para a grade do calendário, adaptei uma de 2021 com o Photoshop.
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Você acabou de ler “Abril/2022 – Seguindo!“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada!
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Abril/2022 – Seguindo!“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Uz. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Pessoas queridas, aí vai o mês de março, com o arquivo em PDF em alta resolução para imprimir.
Nem vou me justificar muito para não atrasar esse post. Espero que ainda dê tempo de vocês curtirem o calendário e se planejarem. Bom março para nós! ♥
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Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em pedaços A4). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de rosa, pincelando com outras cores. Escaneei e abri no app Procreate do Ipad, mantendo duas camadas da aquarela sobrepostas, uma mais escura por cima de uma mais clara. Depois desenhei as flores apagando a camada de cima com a canetinha eletrônica (pincel Narinder Pencil). Para a grade do calendário, adaptei uma de 2021 com o Photoshop.
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Você acabou de ler “Março/2022 – Atrasadaaaa!“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Março/2022 – Atrasadaaaa!“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3TS. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Conforme alteramos nossas referências, transformamos também nossas definições do possível e do impossível.” (Tamara Klink)
Há quanto tempo a gente não encara algo fácil?
Vamos relembrar, porque estamos enferrujados: “fácil” é o que se faz sem dificuldade ou esforço; algo claro, compreensível, cristalino!
Então? Repassemos nossa vida:
Habitar: custoso, complicado, apertado.
Comer: caro, dá trabalho e a louça nunca acaba.
Ter saúde: viva o SUS, mas a conta da farmácia tá maior que a do mercado.
Usar máscara: sufocante, apertado, indispensável.
Testar pra Covid: qual, onde, quanto, quando?
Namorar: Tinder? Socorro.
Transportar: demora, sufoca e estorque.
Estudar: quem ainda aguenta aulas online? Manda o link que eu ass… zzzzzz…
Escrever: aconselham desligar as notificações e digitar… Mas o quê? Pra quê? Por quê? Socorro 2!
Há tempos, o bom senso rareia na vida coletiva. Do lockdown de algumas semanas, aqui estamos, tendo que engolir que “não somos coveiros” e que os e-mails da Pfizer foram parar no spam.
Se você está lendo isso, você sobreviveu, bate aqui.
Vim trazer a esperança de fevereiro porque ninguém aguenta mais. Chegamos. Sequelados, vacinados, seguimos!
Meu maior sonho é aglomerar igual sardinha (no mar, né? não no BRT). Nem sou tanto de carnaval, mas passei a ser. Que mágica será maior do que pular num bloco de rua, cantando uma marchinha bem louca sobre um mundo sem vírus, desemprego e inflação?
Sinal de que estamos mesmo em 2022: é permitido sonhar! O Carnaval de 23 está logo ali.
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Calendário de Fevereiro de 2022: Segue o mês de fevereiro no PDF em alta resolução para imprimir.
O desenho é inspirado na viagem da Tamara Klink. Ela partiu da Noruega no veleiro “Sardinha” e veio sozinha até o Recife. Agora está descendo a costa brasileira em direção a São Paulo. Vejam abaixo um pouquinho da história dela e onde acompanhá-la nas redes.
Esses peixinhos também são uma homenagem a um moço-peixe que amo muito, que tá sentindo falta da água mas que, já já, estará de volta nas piscinas do mundo. Conta comigo, sempre. Nadamos juntos há exatos 11 anos hoje. 🐟🐟
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Coisas:
♥ A citação da Tamara Klink está numa entrevista que ela deu para o canal #Sal, no Youtube.
♥ Tem uma matéria resumindo a primeira parte da viagem dela aqui.
♥ Dá para acompanhar a viagem em tempo real pelo Instagram dela.
♥ E ainda tem livros!! Sim, Tamara Klink já escreveu dois livros (que estão na minha lista de desejos), publicados pela Editora Peirópolis.
♥ Fiquei sabendo de tudo isso pela Helê, do Duas Fridas, que tem também a Monix. Assinem a newsletter delas. É sempre uma delícia de ler.
♥ Aviso: a abertura da exposição do Antonio Kuschnir no MAC-Niterói foi adiada por causa de um problema no ar-condicionado do Museu. Já já aviso a nova data.
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Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em pedaços A4). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de azul, pincelando com outras cores. Escaneei e abri no app Procreate do Ipad, mantendo duas camadas da aquarela sobrepostas, uma mais escura por cima de uma mais clara. Depois desenhei as sardinhas apagando a camada de cima com a canetinha eletrônica (pincel Narinder Pencil). Para a grade do calendário, adaptei uma de 2021 com o Photoshop.
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Você acabou de ler “Fevereiro/2022 – É permitido sonhar“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Fevereiro/2022 – É permitido sonhar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3TS. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Diante dos meus olhos, vi minha mãe erguer sua mão direita e segurar com força o braço que avançava rompendo o ar para lhe atingir. Bastou esse gesto para que cessassem os urros e a cólera da mulher, e um fluxo de serenidade se instaurasse entre os presentes.” (Itamar Vieira Jr., Torto arado, p.59)
Li Torto arado em fevereiro de 2021. Ah, como sonhei em ser segurada pelos braços dessa mãe… Era em mim que ela derramava seu “milagre de energia”, serenando o mundo, por dentro e por fora.
Foi na época em que vivíamos a segunda tsunami pandêmica, falta de vacinas e o sufocamento em Manaus. Não preciso explicar, vocês sabem. Na versão particular desse pesadelo, tive um descolamento de retina e espiralei para aquele tipo de doença que todos os médicos diagnosticam como “stress” e te dizem para “relaxar”. Ah, tá.
Itamar Vieira Jr. chegou fazendo a mágica dos grandes escritores: trouxe paz e esperança, força e suavidade, susto e sossego. Fez surgir pessoas inteiras, complexas, encantadas. Lembrou-me de certezas que eu já julgava impossíveis — de que existem o bem-querer, o barro, o estudo, o rio e os milagres.
“O desalento que se abateu sobre todos com a prolongada estiagem contrastava com o sopro de vida que tudo aquilo poderia ser para nós.” (p. 79)
Essa frase traduz, pra mim, a vida seca e fértil de 2021. Foi ano de doença e morte, de ciência e vacina. Pudemos chorar de ódio, medo e dor, mas também de emoção, conforto e alegria.
Quem não derramou lágrimas na primeira dose? Eu e a moça do posto choramos. Até então, prevalecia o desespero, “como se o arado velho e retorcido percorresse as minhas entranhas, lacerando a minha carne” (p.127).
Torto arado trouxe uma energia que estava ali e não se via. Nas palavras de Zeca Chapéu Grande:
“Se o ar não se movimenta, não tem vento. Se a gente não se movimenta, não tem vida (…).” (p. 99)
Pensei na necessidade de me mexer. A terapeuta falou disso. A energia está dentro da gente. Ok, falta um mapa, mas é melhor do que o “relaxa” dos médicos. O único movimento em que eu conseguia pensar nessa época era fugir. Só que não dava, né? Pra onde? Como dizem sobre o lixo, não existe o fora no planeta terra.
Lembrei dos meus antepassados que escaparam da falta de perspectiva e das perseguições religiosas. Pensei no meu avô que ainda por cima fugiu sozinho. “O sangue do passado corre feito um rio”, escreve Itamar, sobre veias abertas há mais de 500 anos. Só que a fuga aqui não é medo: é coragem. As personagens do livro têm aquela força heroica que nos falta:
“Vocês podem até me arrancar dela como uma erva ruim, mas nunca irão arrancar a terra de mim.” (p. 230)
É tão bom que Torto arado seja novo e traga verdades tão antigas, como a história que conta: “triste mas bonita”. É tão reconfortante que possamos ler e imaginar possibilidades; movimentar não apenas o corpo mas os pensamentos na direção de algo bom:
“Juntas fecharam os olhos e compartilharam a dádiva daquele instante.” (p.258)
Os livros tiveram esse efeito sobre mim em 2021: seguraram minhas mãos e me enlaçaram em seus braços, como Bibiana faz com Belonísia na cena citada acima. Foram 68 volumes; 68 dádivas a me trazer para o instante.
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Coisas:
♥ Livro citado: Torto arado, de Itamar Vieira Junior. Editora Todavia, 2019. (Desenho da capa da talentosa artista Linoca Souza).
♥ A dica acima foi do Instagram da Helô Righetto. Além de stories sobre Londres, caminhadas e plantas, a Helo faz ótimas recomendações de livros (reunidas na #HeloReads). Em 2021 ela até gravou (com a Rapha Perlin) um simpático podcast de 8 episódios sobre Jane Austen.
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Sobre o desenho: Desenho feito com canetinhas Pigma Micron 0.05 e 0.1 no verso de uma folha do bloco A4 XL Aquarelle Canson (capa turquesa). Cores feitas com aquarela e lápis de marcas diversas. Quis imaginar as irmãs saindo de dentro do livro, talvez para mostrar o quão vivas elas me pareceram em suas páginas. Escaneei na impressora Epson L396 (que não recomendo pois vive dando problema) e depois editei um pouquinho no Photoshop. Não consegui acertar as cores do original na tela, mas segue assim mesmo. Até porque esse blog é um espaço de amor; e amor não combina com vaidade, concordam? ☼
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Você acabou de ler “A dádiva daquele instante – Torto Arado“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “A dádiva daquele instante – Torto Arado”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3To. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Quando não souberes pra onde ir, olha para trás e saiba pelo menos de onde vens.” (Provérbio africano, citado em Um defeito de cor)
Oi! Tem alguém aí? Passando para dizer que estou com saudades e trago o calendário do mês de janeiro, com o PDF em alta resolução para imprimir! Queria ter feito o ano todo de 2022, mas o meu possível foi um mêszinho só.
Como vocês estão? Espero que bem, vacinados e acolhidos entre pessoas queridas e por si mesmos.
Passei 2021 como a maioria: numa Montanha russa emocional. Atravessei ondas internas e externas difíceis. Precisei aceitar a vontade de ficar quietinha. Trabalhei, cuidei de mim, curti meus amores, me refugiei nos livros, desenhei (pouco) e escrevi (bastante) em papéis de verdade.
Agora veio o desejo de voltar pro blog, grata pela montanha de coisas boas que esse espaço virtual me trouxe, em especial, vocês, leitores tão gentis.
Para 2022, meus votos são por saúde, alegria e simplicidade; que possamos respeitar e considerar as emoções uns dos outros, acolhendo tristezas e dores, promovendo estimas e afetos. Tudo passa. Os tempos difíceis vão passar também.
Sei que temos motivos de sobra para chorar e ter medo, mas gostaria de um 2022 que nos desse permissão para cantar, dançar e sorrir. Por isso adotei um lema que achei no Google (sem autoria): “Life is hard. Choose joy anyway.” (Algo como: “A vida é dura. Escolha alegria mesmo assim.”)
Meu lado Addams olha com certo nojinho para esse conselho tipo “seja feliz”. Como assim, tanta desgraça acontecendo, não dá! Só que dá sim, tem que dar. Há crianças nascendo, livros sendo publicados, médicas se formando, negros protagonizando séries de amor, pessoas recebendo alta, organizações plantando árvores e salvando bichos, pesquisadores descobrindo remédios contra Covid, chilenos votando, jovens se apaixonando. E tem a 5ª temporada de The Office.
Desespero tem limite: bora acreditar. Sei que virada de “ano novo” é apenas um dia normal em que o sol dá uma volta ao redor da terra. Mas pesquisas comprovam que datas rituais nos ajudam a mudar, de verdade.
Façamos planos, sem culpa. Quais são os de vocês?
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Coisas:
♥ O provérbio citado na abertura do livro “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves (Record). Leitura maravilhosa de 2021. Espero trazer para cá num futuro post.
♥ Ouvi sobre como as datas especiais no calendário (festas, aniversários, estações, signos, feriados etc.) são boas para aumentar nossa capacidade de mudança em entrevistas com a Katy Milkman, autora do livro How to Change, no Intagram (Igtv do @peopleiveloved) e en vários podcasts (só procurar o nome dela). A autora é uma simpatia.
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Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval (cortei uma folha grande em 14 pedaços A4, me preparando para o ano todo, só que não deu tempo). Molhei o papel e fiz manchas nos tons de amarelo e laranja, pincelando com toques de outras cores. Depois desenhei com lapiseira fina (e grafite HB) as coisinhas de praia: conchas em vários formatos (viva o Pinterest), mas também pequenos objetos que às vezes esquecemos na areia. A ideia era fazer tudo à mão, mas depois que exagerei nos detalhes, acabei finalizando no app Procreate do Ipad. Mantive duas camadas da aquarela sobrepostas e apaguei uma delas com a caneta eletrônica. Para a grade do calendário, consegui adaptar das que fiz para 2021 no Photoshop. Boa passagem de ano, pessoal! ☼
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Como citar: Kuschnir, Karina. 2021. “Janeiro/2022 – Planos sem culpa”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3T2. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Representou o nada com um símbolo. Trouxe à existência o inexistente.” (Yoko Ogawa)
Tenho pensado muito em vocês e em tudo que estamos passando. É difícil exprimir o invisível que nos separa e ao mesmo tempo nos une — seja pela calamidade, seja pela necessidade de esperanças que tragam ar.
A frase que abre o post evoca a beleza ambígua do zero — esse número mágico que nomeia o vazio mas à direita dos demais multiplica-os ao infinito!
Desenhei essa imagem das idas e vindas no mar num dia que experimentei essas duas intensidades: a sensação boa de compartilhar conhecimento, logo em seguida sufocada pelas notícias da falta de oxigênio em Manaus. Lembrei-me do quanto o oceano é bonito, irrespirável, pacífico, assustador; de como às vezes nos atrai para o fundo; dos dias em que respiramos por um fio ou daqueles em que nadamos fortes como peixes ou alegres como uma criança.
Nos piores momentos dessa experiência pandêmica, sinto-me em busca de uma linguagem para expressar o horror do vazio (dos hospitais sem estrutura à ausência de um plano nacional de saúde). Como nomear a sensação de fundo sem fundo diante do empenho governamenal a favor do vírus?*
Nos melhores momentos, me agarro à emoção das pessoas vacinadas, à poesia de Amanda Gorman, à echarpe da Mônica de Bolle em homenagem à sua avó comunista (que me faz chorar de saudades da minha), às dores de Darwin que, mesmo dilacerado por uma doença desconhecida, lutou pela ciência que hoje produz nossas vacinas, aos Afetos da Gabi e da Karina, ao Mundaréu da Dani e da Soraya, aos textos da Ana Paula Lisboa, ao Gil, ao Caetano, ao Rio das Lembranças do Zé Manoel, ao IGTV do The Dodo, aos áudios do Chris, aos livros e desenhos, aos bom-dias do Ju, às meditações com cores, aos esplendores da pintura do Antônio, às músicas ao violão e às gargalhadas da Alice.
Passei janeiro trabalhando por três. Sobrevivi com bastante auto-cuidado, aprendendo — na marra e na terapia — a conviver com o cansaço acumulado de 11 meses de pandemia: dor no ombro, rinite, enjôo, dores de cabeça, cólicas, cansaço, insônia, vontade de dormir o dia inteiro. De todos os males intermitentes, só não estou sofrendo de gula e alcoolismo, porque nos momentos de angústia meu estômago se fecha.
Boa parte desse trabalho foi de contato com os alunos e gestores da universidade. Tem um lado positivo porque gosto de me sentir útil. Precisei de forças para responder às mensagens de estudantes que perderam seus familiares mais próximos, ou daqueles que não estavam aguentando o ensino remoto… E me emocionei a cada contrato de estágio assinado, a cada declaração de colação de grau confirmada, a cada problema pedagógico-burocrático resolvido — foram as minhas pequenas alegrias no clique-clique do computador.
E vocês, quais foram os altos e baixos desse janeiro?
Que fevereiro nos traga vacinas, auto-acolhimento e cuidado.
Voltando ao mar, esqueci de dizer: esse mês aprendi que as dores da alma vêm em ondas. Às vezes precisamos aceitar o tempo da onda passar. Não acabou ainda, mas vai acabar. ♥
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Sobre as coisas mencionadas acima:
♥ O livro de Yoko Ogawa citado na epígrafe é A fórmula preferida do professor (ed. Estação Liberdade). Gostei da leitura. Traz uma simultânea compaixão pelo envelhecimento e pela beleza das crianças. Li por conta desse vídeo da Leena Norms que me recomendaram. Depois fiquei curiosa e li algumas das histórias sobre o número zero aqui.
* Sobre como o atual governo vem atuando constantemente a favor do vírus ver o relatório completo, ou uma reportagem com resumo no El País e também tem uma boa conversa com Deisy Ventura.
♥ Amanda Gorman recitando sua poesia, com legendas aqui.
♥ A homenagem da Mônica de Bolle para a avó com écharpe está aqui.
♥ O dia que me senti feliz por compartilhar foi nessa live que participei no canal da Thais Godinho, do Vida Organizada. Que gentileza e delicadeza de pessoa é a Thais!
♥ Sobre o Darwin, acabei de ler um biografia gigante (acho que será um post, mas desde já não recomendo essa edição porque a tradução é ruim.). O livro estava pegando poeira na estante há anos, mas deu vontade de ler quando ouvi o podcast Vinte Mil Léguas, indicado pela querida Marília.
♥ Os podcasts que sempre valem a pena ouvir: Afetos e Mundaréu. Que ilhas de esperança.
♥ Adoro tudo que a Ana Paula Lisboa escreve. Tá n’ O Globo (para assinantes), mas acho que um outline resolve. Volta e meia coloco nos meus stories quando sai.
Desculpem a quantidade de links! Normalmente prefiro ser mais comedida, só que as ondas estão altas e achei que seria bom espalhar botes para nos manter na superfície. Me mandem os pedacinhos de esperança de vocês. Não precisa ser em forma de url — vale risada de filho, avó sendo vacinada!, gato no colo, pão saindo do forno…
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Sobre o desenho: Linhas feitas no caderno-terapia, com canetinha Uniball Signo Dx 0.38. Fundo do mar e céu amarelo (em homenagem ao AmarElo, do Emicida) feitos com aquarela num pedaço de papel Harmony da Hahnemühle. Escaneei e sobrepus os dois, editando no app Procreate do Ipad. Fiquei umas boas horas apagando o papel do desenho original para que a imagem vazasse no fundo aquarelado. Descobri que não gosto muito de criar no Ipad, mas editar e ajustar até que é divertido. Não vejo a hora de parar de pagar as taxas abusivas para ter o Photoshop.
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Você acabou de ler “Montanha russa emocional“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2021. “Montanha russa emocional”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3SG. Acesso em [dd/mm/aaaa].