Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Novembro/2015

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Aproveitem a coisa rara: eu entregando uma tarefa com antecedência! Até gosto de cumprir prazos, mas terminar antes é meio contra a minha religião… Acho que foi uma tentativa de fazer novembro — e o meu salário — chegarem mais rápido! (Para imprimir, cliquem na imagem acima ou nesse pdf.)

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Fiz também um pequeno desenho para os aniversariantes do mês colarem no seu dia. Para imprimir no tamanho certo, clique nesse pdf que já está no tamanho de uma folha A4.

A inspiração para o desenho veio de uma noite imersa em livros e obras do artista Paul Klee. No dia seguinte, deixei todas as imagens de lado e tentei explorar as cores que tinham ficado gravadas na minha memória. É pena que o resultado escaneado não tenha sido muito fiel às diferenças mais sutis, principalmente nos tons amarelos.

5 Coisas impossivelmente-animadoras-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota de outubro:

* Achei na arqueologia dos e-mails uma historinha de quando o Antônio tinha seis anos:
A — Mãe, o que você prefere: a Estátua da Liberdade ou o Cristo Redentor?
K — Ah, filho, não sei… E você? (Achando que eles estava falando das estátuas…)
A — Eu prefiro a Estátua da Liberdade. Sabe por que? Por que o Cristo a gente não sabe se existe, mas a Liberdade existe sim.

* Esse mesmo filho chega da escola, agora aos 14 anos, muito animado para fazer um trabalho sobre a luta por direitos civis nos EUA nos anos 1960. E durante duas noites me ensina sobre Nina Simone, Rosa Parks, Malcom X., Panteras Negras e Martin Luther King. Fiquei feliz demais por ele e por sua professora de história. (E perdoem a notinha de mãe orgulhosa: o trabalho foi escolhido para virar painel na mostra anual da escola.)

* Alice segue aprendendo violão, indo de Cold Play, Cazuza e R5. É a minha trilha sonora particular.

* As capivaras na Lagoa estão cada vez mais numerosas e gordinhas. Espero que isso seja sinal de saúde — está sendo um privilégio poder dar bom dia a essas criaturas tão pacíficas. (E esse foi um jeito discreto de dizer que meu projeto verão está em curso!)

* A campanha de venda das camisetas “Câncer infantil tem cura!” vai indo muito bem! Expliquei o trabalho nesse post. Para comprar, é só clicar aqui. Qualquer dúvida, me encomendem diretamente por email ou mensagem de facebook! Faremos uma caminhada no dia 8/novembro, às 9 horas, na orla da praia do Leblon. Toda a renda obtida será revertida para as crianças e jovens com a doença. Abaixo, uma amostrinha de como ficou o desenho que fiz. Nesse próximo domingo (1/nov) a campanha estará no programa Esquenta!, da tv Globo.

camiseta

Sobre o desenho: O desenho do calendário desse mês é muito simples… Fiz os quadradinhos com caneta Pigma Micron 0.05 e colori com lápis de cor Prismacolor e Caran D’Ache.


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Setembro/2015!

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Bem-vindo, setembro de 2015! Que este calendário nos lembre que as melhores coisas do mundo não são coisas; que as maiores delícias da vida são gratuitas, como o leite materno; e que o amor prevaleça, sempre.

Sobre o desenho: Jardim chinês baseado numa página do livro “Como viver para sempre”, de Colin Thompson (Brinque Book editora). Feito com canetinhas (Stabilo e Staedtler) e lápis de cor Prismacolor Carand’Ache.

Tag: Fiz essa tag para os amigos aniversariantes colarem no dia do aniversário… (O azul deveria ser o mesmo do calendário mas o scanner mudou o tom, pra variar! rrrrr). O desenho do balão com um ratinho dentro é da mesma fonte.
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O quebra-cabeça do artista

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Resolvi me dedicar ao calendário do mês porque estou numa semana de férias (com tempo!) e meu aniversário tá chegando (não que eu ligue, hehehe). Lembrei que amo quebra-cabeças e que tenho uma caixa de 250 peças de madeira com o tema da chuva na ponte do artista japonês Ando Hiroshige. O recorte das peças é uma lindeza, como vocês podem ver acima (ou na versão inteira, abaixo): todas são diferentes umas das outras e várias homenageiam as artes plásticas, como o potinho de pincéis, a paleta, o pincel e o vidro de nanquim… Adoro desenho e também adoro chuva: é uma combinação irresistível. Espero que vocês também gostem!

(No dia 21, coloquei a pecinha que traz o chapéu do barqueiro na chuva… É uma delicadeza infinita.)

* 7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Leitores do post da semana passada me escreveram mensagens super gentis, dando força, elogiando os desenhos e me incentivando. Mil vezes obrigada a tod@s!! Como expliquei no Facebook, não estou desanimada não! Só quis compartilhar a montanha russa negativa-positiva que povooa a nossa (ou a minha? rs) cabeça no processo de aprender uma atividade nova. Devia ter enfatizado que, apesar das dúvidas, é justamente o *desafio* que me motiva, e muito! Meu maior prazer é estar sempre aprendendo, não me acomodar! Obrigada por compartilharem comigo essa jornada.

Algumas frases legais que surgiram sobre o assunto:

* “A vida é um desenho feito de múltiplas camadas. Não importa a ordem!”, escreveu a querida Yoko Nishio.

* “Acho que a gente sempre acha que está aquém do que pensamos que deveríamos ser ou fazer, mas na verdade estamos sempre além quando conseguimos seguir em frente e tentar e fazer, superar as auto sabotagens.”, comentário muito bacana e bem-vindo da Isadora Zuza.

* “One day, in retrospect, the years of struggle will stryke you as the most beautiful.”, por Sigmund Freud — Citação que me chegou pelo blog da ultra-plus-simpática-e-talentosa Lisa Congdon.

* “O artista tem que se autorizar e partir, sem culpa.  Acreditar no caminho.” Assim disse a escultora Denise Milan, num documentário do canal Arte 1.

* Uma amiga me escreveu: “Para certas atividades, só a longo prazo conseguimos ver algum resultado. Mas isso é o máximo. E uma ótima notícia. Pode demorar, mas uma hora ele aparece. E quando ele aparece ele é seu para sempre.

* A mesma amiga contou que o Chico Buarque errou uma letra de música em pleno programa ao vivo na Rede Globo. Depois de um breve silêncio, olhou para a platéia e docemente disse: “Não sei porque eu insisto nessa profissão?”. O público derreteu literalmente e aplaudiu com vontade. Veja aqui(Muito obrigada à Suzana pelo envio do link.)

* Sobre o desenho, abaixo: Minha vida (de desenhadora) mudou depois que tomei coragem e comprei um bloco de papel Arches (300 g., Hot press, que em artês quer dizer um papel bem liso, sem textura). Além de ser uma delícia de pintar, a página “desaparece” no scanner, deixando que as imagens se sobressaiam. Para as pecinhas do quebra-cabeças, usei canetinhas Unipin (0.05, 0.1 e 0.2), tintas aquarela Winsor & Newton e pincéis WN da linha University 000, 0 e 1. Foi um desenho que levou horas para ficar pronto… Cada vez mais percebo a importância de pintar em camadas finas sobrepostas. E isso leva tempo. Cada pecinha foi feita a lápis primeiro, em seguida a nanquim (contorno e imagens internas) e depois ainda pintei de duas a cinco camadas de aquarela em cada uma. É isso que permite chegar nas cores sutis do Hiroshige com alguma segurança. Na hora de fazer a borda de madeira, eu já estava exausta… Então parti para a “ignorância” e fui de marcador Pitt-brush da Faber-Castell, em dois tons de marrom. Nas primeiras tentativas achei que tinha estragado o trabalho, mas até que não! A perspectiva não é meu forte, como vocês podem ver, mas as Pitts não fizeram feio e se misturaram bem. Aprendi mais essa!

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Vivendo sem borracha

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Quando passo horas fazendo um desenho que sai certinho, como no calendário de julho, tenho uma sensação de conquista boa. Só que dura uns cinco minutos. Logo vem a irritação-avaliativa: tá cafona; tá igual ao guardanapo que a titia usa no Natal; tá parecendo uma sacola de supermercado; tá com cara de papelaria da Disney dos anos 1980. Tá certinho demais!

— Mas certinho é tão bonito…

— Né, não. Certinho é chato.

Difícil é ser irreverente como o Millôr, que dizia: “Viver é desenhar sem borracha”. Ou engraçada como a fada-fofa que fica nua e desafia: “se não gostares, a culpa é tua!” (Sylvia Orthof).

Ainda procuro o desenho com a imperfeição-que-saia-perfeita. Algo que não seja nem tão fruta-etiqueta, nem tão folha-de-teste-de-aquarela.

* 7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

* No caminho do post da semana passada tinha um apêndice. E dentro do apêndice tinha uma pedra. Como disse o poeta:

“Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.”

Carlos Drummond de Andrade – Alguma poesia (1930)

* Em resumo-resumidíssimo: filhote com dor, filhote operado, filhote sarado!

* Durante o caminho da pedra para fora da barriga, sua única preocupação era: “Meu cabelo tá direito?”

* Já sem pedra, mas antes da alta, ele perguntava: “Quando vou poder comer pipoca? E bolo de chocolate?”

* No meio do caminho, passei uma semana enganando minha mãe no Whatsapp. Ela estava viajando a trabalho, meio doente ainda por cima, e não merecia saber que o neto estava no hospital. E enganada ficou até domingo… O mundo pelo celular é uma ilusão.

* Antes da pedra, a vida parecia tranquila. Na árvore em frente à janela do meu quarto tinha uma família de bem-te-vis, com dois adultos e dois filhotes fofos. O Google me fez achar que eram Cambacicas, mas não eram. Minha carreira de ornitóloga-de-araque foi pro brejo. Depois da pedra, não os vi mais.

* Ainda antes da pedra: acordei às 7:15 da manhã para assistir uma aula-aberta de História da Arte com a professora Lisiane Bacelar como parte de ser a super-mãe de um aluno do 9o. ano do Colégio Andrews. Foi linda: aprendi que a música Starry starry night é uma homenagem a Van Gogh. Valeu o sacrifício de acordar tão cedo.

Sobre o desenho: Tirinha de papel com pinceladas de aquarela para testar as cores dos desenhos de frutas que fiz para o calendário de julho/2015. A intensidade dos desenhos (do calendário) se deve muito ao fato de que pintei em papel próprio para aquarela (meu primeiro Arches, hot press!), e não no papel comum. As tintas foram quase todas Winsor & Newton e os pincéis usados foram entre os tamanhos 00 e 2. As linhas foram feitas sem lápis e borracha. Desenhei com a canetinha Copic 0.05 (que está fina demais, mesmo trocando o refil do cartucho de tinta. Acho que não valeu o custo.) Depois de tudo pronto, escaneei, acertei os tamanhos das frutas e “colei” na folha do calendário com ajuda do Photoshop. Abaixo vai a imagem (reduzida) da página inicial, do jeito que estava antes da edição!

frutas pequeno

 


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Julho/2015

julho2015

Bom dia! Aí vai o calendário do mês!! O post só mais tarde…

Para imprimir, podem clicar na imagem acima (jpg) ou ir para a página Calendários e imprimir o PDF.

 


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O gato que virou livro

junho2015

Imaginem uma família crítica, agora multipliquem e elevem ao quadrado… É mais ou menos de onde eu vim. A tia mais fofinha era do tipo que olhava seus dentes antes de te dar bom dia. A avó pegava no colo e contava histórias, mas ai se você estivesse mais gorda. A redação da escola vinha com nota dez, ufa, parabéns; mas o filho da fulana escreveu uma com 60 linhas — quantas linhas tinha a sua mesmo?

A pessoa não sai ilesa vivendo 20 anos nessa espécie de bancada-Roda-Viva constante. Vira crítica também; ao cubo, três vezes. Isso não garante que vai ser boa em alguma coisa, mas até que favorece a profissão acadêmica… Adquire-se uma imaginação infinita para antecipar críticas.

Agora, joguem essa pessoa no mundo da arte? Ferrou. Num universo de parâmetros tão subjetivos, de mestres tão obsessivos, de imagens tão encantadoras… Como a pessoa pode se achar no direito de bater à porta? Não, de jeito nenhum. Me deixem aqui no meu cantinho rabiscando no caderno, que é melhor. Assim eu pensava.

Mas uma rede de amigos e até muitos da família (!) me empurraram porta adentro… Manoel, Nathalia, Arthur, Manya, Mário, Gilberto, Eduardo S., Clau, Bel, Mari, Ale, Robs, Joana, Malu, Sofia, Susi, Andrea, Hanny, Dady, Ronald, Elisa, Celina, Antônio, Alice, Vera, Cilene e, claro, o Juva, que escreveu, esperou, ouviu, aturou, incentivou, acolheu, elogiou, amou… Taí a coragem que vocês me ajudaram a ter! Meus agradecimentos infinitos também para os leitores desse blog, e aos amigos do Facebook, por tantas gentilezas, incentivos e apoios, principalmente em 2014, um dos anos mais difíceis da minha vida.

E um pote de sachê para o Charlie, a Lola e o Ulisses, meus gatos amados que aceitaram virar livro-de-verdade! (E não levem atum, porque a Lola é membro dos Atumhólicos Anônimos.)

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Se estiverem fora do Rio, podem pedir online na Vieira & Lent !


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Gato sarado, dona arranhada, calendário de maio

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Gato Ulisses bem melhor! A sequela é que está bravíssimo comigo, que não paro de enfiar comprimidos, azeites e outros unguentos goela dele abaixo. O problema é o intestino inflamado, mas sobrou até pro olho, que está levando colírio três vezes ao dia. Ele odeia.

No início do tratamento, tudo se compensava quando eu vinha mimá-lo com o pote de ração úmida, mais cara que caviar russo, e que ele ama (e seus companheiros comem de lambuja em delírio gatífero). Hoje, para deixar claro que não somos mais amigos, ele olhou para a iguaria, começou a cobrir com a pata (tipo “isso é lixo”) e me olhou feio, como quem diz:

“Não venha me seduzir com esses ópios felinos… Sei muito bem que depois você vai enfiar aquela joça amarga na minha garganta.”

E partiu para o arranhador, onde sempre desconta suas mágoas e zangas. Ufa. Sinal de que está voltando ao normal, pois ele é assim, muito previsível.

Chave na porta? Ulisses pensa: “bora tentar fugir” ou “bora não deixar ninguém sair”. Na primeira opção, passa como um raio por entre as nossas pernas. Numa dessas, no prédio antigo, quase foi morto pelo chow-chow da vizinha, mas outra vez quase foi parar na portaria, para nosso desespero. E na casa provisória, nos deixou trancados do lado de fora, como contei nesse post aqui.

Quando está com preguiça, no entanto, Ulisses resolve que nenhum humano deve deixar seu reino: corre pra porta e se joga de barriga para cima, miando alto feito um lobo uivando pra lua, como quem diz: “Estou mal, muito mal, preciso de cuidados, e você, ó humano cruel, vai me abandonar aqui sozinho, forever alone…” É seu papel preferido — Ulisses-the-drama-king.

Nesses tempos de convalescença, seu maior consolo foi poder dormir com a Alice e saber da notoriedade aqui no blog. Vaidoso, não pode ver visita, entregador, porteiro, vizinho. Quer logo fazer amizade e ouvir: “que gato bonito”, “que gato engraçado”, “nossa, como ele é simpático”. Ele só não fica muito feliz quando reparam nos seus defeitos: “Ixe, a cabecinha dele é meio torta?”, “Ele não tem dente de um lado da boca?”, “Ele é agitado assim mesmo, feito um cão?”. E nós sempre respondendo: “É sim, sim, sofreu muito… Mas pode fazer carinho… Ele adora aventura e gente estranha.”

Assim estamos indo: ele bem melhor e eu mais pobre (de tanta despesa do tratamento) e toda arranhada (de tanto dar remédio), mas muito, muito feliz, de ver meu gatinho amado voltando a ser quem ele é.

Ulisses mal sabe, mas em breve, muito breve, ele vai ficar famoso de verdade! Cariocas, guardem a data: 11 de junho!

7 Coisas impossivelmente-legais-inusitadas-interessantes-engraçadas-difíceis-ou-dignas-de-nota da semana:

* Surpresa maravilhosa de uma aluna recém-chegada na minha vida: em plena segunda-feira, às 18:15 da noite, eu longe e preocupada com o gato, a Regina me entrega um livrão incrível e diz: “Olha, professora, lembrei de você…” Era simplesmente o “Margaret Mee – Em busca das flores da Amazônia”, um volume incrivelmente bonito e interessante, que me fez esquecer tudo de ruim do dia, da cidade, do país, do mundo. Muito obrigada, Regina!

* Alice assim, como quem não quer nada, está cada vez mais interessada nas aquarelas! Eu tinha um estojo parado na gaveta que agora está a pleno vapor. Todo dia de manhã a gente experimenta um pouco. São momentos mágicos vê-la se maravilhando com as misturas de cores, água e pincéis. Um simples conta-gotas virou um tesouro no seu estojo hoje!

* Li metade do romance que chegou via Estante Virtual na semana passada: O Senhor March, da Geraldine Brooks (Ediouro, prêmio Pulitzer), mas cansei. A melhor coisa foi o capítulo em que o personagem principal encontra Henry David Thoreau, pois descobri que o filósofo foi também inventor do lápis a grafite moderno! (E já deu vontade de comprar mil livros sobre a história do lápis, claro, mas o dólar tá caro…:-( ). O livro, no entanto, não me conquistou.

* No domingo, ganhei de presente de um amigo muito querido dois pincéis de aquarela maravilhosos  — e ainda por cima vindos diretamente de Londres, cidade para onde mais desejo me transportar num futuro próximo. (Oops, meu passaporte tá vencido.)

* Aliás, para quem ama Londres, design, arte, livros: o blog London Letters, do Claudio Rocha, é uma lindeza de ver e de ler!

* Um presente para todos que amam desenho: novo pequeno filme Tommy Kane Draws Hong Kong, Imperdível!

* E, pra terminar: esse é o 70º post do blog, justamente no mês em que chegamos a impossíveis 70.000 visitas!

Sobre o desenho: Calendário de maio inspirado nos desenhos das estações do ano de uma ilustradora romena que sigo no Instagram, perfil @aitch.ro. Como não ficava bem sair só copiando, incluí algumas referências de outonos da minha infância (as amêndoas, a flor do abricó-de-macaco, os caquis e as flores vermelhas da Escola Parque) e do Jardim Botânico (a folha de palmeira-de-leque-da-china e seus frutinhos roxos, e uma vitória régia). As nuvens azuis são ideia da @aitch.ro, e achei que eram perfeitas para o céu de maio. As linhas foram feitas com canetinha Pigma Micron 0.2, as cores com aquarela Winsor & Newton, pincéis waterbrush Kuretake e sombras com uma Pitt Brush Faber-Castell warm grey 270.


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Abril/2015

abril2015

 

Precisando da oração da sabedoria para aceitar que as cores originais nunca saem como quero na imagem escaneada… Laranjas tão bonitos viraram vermelhos medonhos… Brancos suaves viraram marcas disformes…

Mas aí vai, o novo calendário e a tempo! O pdf aqui.

Bom mês de abril para tod@s nós — estamos precisando!


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Cores de março

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Não sei se já comentei aqui, mas um dos desafios da minha vida foi assumir que adoro ser útil e fazer trabalhos manuais.

Comecei a ter noção de que tinha vergonha disso na faculdade de jornalismo. Amava as aulas de teoria, filosofia, história, cinema etc… Mas secretamente continuava querendo ajudar o meu avô a lavar selos.

Um dos professores que eu mais admirava era o Wagner Teixeira (agora já falecido). Ele escrevia divinamente, contava histórias incríveis sobre reportagens heróicas, publicava livros, um sábio. Ficamos amigos porque eu falei para ele: — Professor, me desculpe, mas vou ter que trancar a sua disciplina para fazer um curso de cinema no Estação Botafogo com o Luiz Vieira (da UFF). Ele ficou impressionado de eu dizer isso no meio do semestre ao invés de tentar enrolar para ver se colava. (E não conto isso para posar de certinha: é claro que enrolei vários dos meus professores, mas não ele.)

Não sei bem como foi, mas a partir daí começamos a marcar conversas e ficamos amigos. Ele era da velha guarda, adorava beber, fumar, e tinha uma barriga imensa… e era uma figura adorável e humana. Ia direto ao ponto, sem papo furado. Me indicava livros, me ajudou a sobreviver ao tédio do meu primeiro estágio e me fez ter confiança para tentar o mestrado.

Um dia marcamos um encontro no Centro, na Rua da Quitanda. Ele estaria no escritório de uma associação de aficcionados por dicionários (ele próprio era um). Aficcionados é pouco: eram estantes e mais estantes só de dicionários e obras de referências de todos os tipos. Um lugar incrível! (Pena eu não me lembrar do nome.)

Pois bem. Quando eu chego lá, vejo o seguinte: o professor Wagner Teixeira com tesoura e cola na mão, cortando e colando etiquetas de remetente nos envelopes de correspondência da associação. E ainda escrevendo cada endereço dos destinatários à mão, com caneta e letra caprichada.

Ele me viu chegar e foi logo dizendo: — Quer me ajudar? Adoro fazer esse tipo de trabalho manual. Me acalma. E você?

Eu — Sim! Também adoro!

E ficamos lá, um tempão, naquele silêncio delicioso de quando nos sentimos bem acompanhados, preenchendo papéis que muito provavelmente iam parar no lixo.

Esse momento ficou na minha memória. Sei que é banal… Mas foi mágico saber que uma pessoa que eu admirava tanto intelectualmente também gostava de tesoura e cola; e de fazer coisas práticas e úteis. (Nessa época eu tinha sublimado o desejo de desenhar.)

Queria também dizer obrigada pelos comentários tão gentis aqui e no Facebook sobre o post da semana passada. Foram quase 10 mil visualizações — não que eu esteja contando… imagina! 😉 Mas esse tipo de repercussão ajuda a achar que um blog também pode ser útil!

Sobre o desenho: Amo listras! O calendário de março foi inspirado nas cores de um potinho de porcelana portuguesa (moderna) que tenho aqui em casa; e também na lateral de um livro sobre teoria da cor que vi no atelier da Chiara Bozzetti, com quem estou começando um curso de aquarela. Fiz as linhas com canetinha Pigma Micron 0.2 e as cores com lápis de cor. Comecei usando os aquareláveis, mas depois troquei para o Prismacolor Premier que se mostrou realmente muito superior para cores chapadas e fortes como essas. Acrescentei um pouquinho de Abril porque nunca é demais lembrar que tem feriado no final do mês!

 

 


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Continue a nadar, continue a nadar

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Quase me afoguei no mar por volta dos onze anos. Não perdi a consciência, mas fui tirada da água por dois salva-vidas que seguravam meus braços com força e me mandavam afundar e respirar, afundar e respirar. Nunca recuperei a coragem com onda de praia, mas sou um pouquinho teimosa (de onde será que a Alice puxou?) e cheguei a me formar num curso de mergulho, com cilindro, pé-de-pato e tudo mais.

Também já tive dois namorados-peixes (um ainda tenho!), do tipo que morre se não nadar todo dia. Os dois tentaram me conquistar para participar desse amor pelo mergulho matinal. Só faltou combinarem com meu sono, meu ouvido, meu nariz, meu cabelo, meu frio… ah, e ainda arranjarem uma piscina sem cloro. Em 2013, fiz até um protetor de ouvido especial para tentar vencer o bloqueio, mas a anti-piscinice foi mais forte.

Pessoa-peixe é ótima para namorar, desde que você saiba com quem está nadando… É do tipo que fica bem sozinha, gosta de sons repetitivos (conhecem o Philip Glass dos anos 1980?), acorda cedo feliz, tem relógio à prova d’água e mini-toalha de atleta. E tem o lado peixe: escorrega toda vez que você tenta segurar!

Essa é a graça. Amar alguém que nada ao seu lado; nem te puxa, nem te empurra. Não tem tempo ruim, chuva, frio, madrugada, tristeza; é “bora pra piscina”. Como canta a peixinha Dory, personagem do filme Procurando Nemo, toda vez que se atrapalha:

— Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar…

[No original: “Just keep swimming, just keep swimming, just keep swimming.” Vejam aqui]

Essa filosofia-aquática da Dory serve pra tudo, vamos combinar?

E é bem mais delicada do que a da Alice, que outro dia pegou um copo d’água bem grande e foi toda sorrateira jogar na cara do irmão. Detalhe: ele estava dormindo. Só ouvi os gritos pela casa!!

Eu — Filha, por que você fez isso????

Alice — Ah, não sei… queria ver se era engraçado!

Antônio — Mentira, mãe. Ela viu isso no Rezende!

Eu — Rezende?? Quem é Rezende? O que é Rezende?

Alice — Ele é muito legal, Antônio!!

Antônio — Ele faz vídeos sobre Minecraft, mãe. Outro dia ele jogou água na cara do irmão dormindo também.

Alice, na maior cara-de-pau: — É, e pelo menos o irmão dele achou engraçado…!

Eu, a mãe-sendo-mãe — Alice?? Dois dias sem internet! E pede desculpas para o seu irmão.

Sobre o desenho: Fiquei feliz porque as crianças finalmente voltaram a me ajudar nesse calendário de fevereiro — por acaso mês do signo de peixes também. Aprendemos no Google que esse era o último mês do calendário romano, e não tinha nome porque ninguém marcava o tempo no inverno. Existem várias lendas sobre por que fevereiro tem 28 dias mas, para mim, a grande data é 26, aniversário do meu filhote, nascido em pleno Carnaval de 2001, com direito a pediatra cheio de purpurina na sala de parto (contei a história nesse post aqui; e indico também uma fonte engraçadíssima sobre fevereiro aqui).

Fica o convite para que, mesmo nesses tempos difíceis, “continuemos a nadar”, cada um nas suas cores e no seu ritmo.

Fizemos o desenho com canetinhas Unipin 0.05 e colorimos com lápis-de-cor Prismacolor. As sombras foram feitas com caneta brush Tombow Abt, n.95. No Rio, dá para comprar as duas canetas na papelaria JLM, no Largo do Machado.