Karina Kuschnir

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Julho/2025 com o coração cheio

Não! Desse jeito, o senhor é uma folha ao vento. Essa vontade, o senhor tem de encontrá-la dentro de si mesmo. Somente assim vai poder cuidar de fato da sua neta. As crianças são extraordinárias, o senhor sabe disso, percebem mais o que é silenciado do que o que é dito. Se o senhor cuidar de Miraijin com um vazio no coração, transmitirá esse vazio a ela. Se, ao contrário, tentar preencher esse vazio, e não importa se vai conseguir ou não, basta que tente preenchê-lo, então, transmitirá a ela esse esforço, e esse esforço, simplesmente, é a vida. Pode acreditar. (…)

“– Trabalhamos com os desejos, com os prazeres. Porque os desejos e os prazeres sobrevivem até mesmo na situação mais desastrosa. Somos nós que os censuramos. Atingidos pelo luto, censuramos nossa libido quando é justamente ela que pode nos salvar. Você gosta de jogar bola? Pois então, jogue. Gosta de caminhar à beira-mar, comer maionese, pintar as unhas, capturar lagartixas, cantar? Faça-o. Isso não vai resolver nenhum dos seus problemas, mas também não vai agravá-los, e, nesse meio-tempo, seu corpo se livrará da ditadura da dor, que quer mortificá-lo.”

“– E o que tenho de fazer?
– Não sei, são coisas complexas, não dá para dizer pelo telefone. Mas, basicamente, deve ter em mente que, neste momento, o senhor está frágil, está em perigo. E tem de tentar salvar do naufrágio todas as coisas de que gosta.” (Sandro Veronesi, O Colibri, p. 176-7)

As falas acima são do doutor Carradori, psiquiatra aposentado que aconselha Marco Carrera, protagonista do romance O Colibri, de Sandro Veronesi, em luto profundo por perder sua amada filha de 20 e poucos anos.

Os contrastes extremos da conversa me encantam. Há um reconhecimento da dor e de sua legitimidade: o que nos puxa para o naufrágio e mortifica é real e perigoso. Mas, ao mesmo tempo, há a persistência da libido, “porque os desejos e os prazeres sobrevivem até mesmo na situação mais desastrosa”.

Diante desse paradoxo, que bonito lembrar que nossas tarefas na vida são “coisas complexas” , que não se resolvem com fórmulas ou truques do tiktok! É preciso encontrar nossas vontades mais profundas, sem censura, pois a libido é o que “pode nos salvar”. Mais do que o resultado, é o esforço da busca que conta: “esse esforço, simplesmente, é a vida”.

Se no mês passado eu trouxe a ideia de felicidade como “viver na primeira pessoa do plural”, nesse mês lembro de como precisamos de uma conexão íntima com nossas vontades e prazeres para poder estar no coletivo. Se nosso coração estiver vazio, é isso que transmitiremos ao mundo.

Nesse momento, escrevo com o coração cheio. Partes dele permanecem escuras, difíceis ou vazias? Sim, mas olho para elas com ternura. Há muita beleza em reconhecer as pessoas que “estão sepultadas dentro de nós” (Veronesi, p. 241).

Bom julho, pessoas queridas!

Faça aqui o download do PDF em alta resolução para imprimir.

PS-alerta: Este post não é um apoio à ditadura da felicidade! Resgatar nossa libido quando ela é necessária e preciosa não é o mesmo que positividade a qualquer custo ou negação do valor do sofrimento. Sobre isso, acabei de ler Happycracia e recomendo!

Sobre as citações: As frases iniciais estão no romance O Colibri, de Sandro Veronesi (trad. Karina Jannini, ed. Autêntica). Agradeço à minha querida amiga Julia O’Donnell pela indicação! O Happycracia é uma livro de não-ficção Edgar Cabanas e Eva Illouz (Trad. Humberto do Amaral, ed. Ubu). A obra foi indicada no primeiro semestre do clube do livro do Calma Urgente. Não participei mas estou lendo a listinha deles. Gostei tanto das indicações que comecei a participar do segundo semestre de 2025!

Sobre as felicidades coletivas acessíveis: Para participar do clube do livro do Calma Urgente, cliquem aqui: https://clubedolivro.calmaurgente.com/. Acho que ainda dá tempo. Para ter um gostinho de boas discussões trazidas por eles, um exemplo aqui sobre espionagem digital, capitalismo e política. Nesse mês, gostei de ouvir algumas conversas do Christian Dunker sobre psicanálise, como essa sobre ter raiva na terapia (tem no spotify também). De podcast, o Não inviabilize continua meu top10 para a faxina. Ouço no app de assinantes mas tem no spotify.

Sobre o calendário: Para imprimir, não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”.

Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de lilás no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de julho e fiz o PDF.

Você acabou de ler “Junho/2025 e a felicidade no plural”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Junho/2025 e a felicidade no plural”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48z. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Junho/2025 e a felicidade no plural

“Então aquilo era felicidade, viver na primeira pessoa do plural.” (Chimamanda Adichie)

Hoje, a aula de antropologia foi sobre o texto “A expressão obrigatória dos sentimentos” (1921), de Marcel Mauss. Há uns anos, inventei de começar essa aula fazendo uma dinâmica inspirada em exercícios teatrais. Chamo um grupo de estudantes para a frente da sala e peço para eles sortearem um papel. Neste, está descrita uma situação que eles devem representar para a turma. As situações evocam emoções fortes do tipo “medo de uma barata”, “feliz por receber uma mensagem de amor”, “prendendo o riso”, “com dor de queimadura”, “com raiva de alguém” etc. Na dinâmica, o grupo que sorteia a situação fica de costas e, ao ouvir “1, 2, 3, já”, se vira para a turma com a expressão facial correspondente. A turma precisa adivinhar o que estava escrito no papel.

Eles acertam logo. Às vezes, é preciso relaxar, voltar a ficar de costas e repetir o gesto ou expressão facial. Mas é fascinante como, em qualquer turma, esse exercício sempre dá certo. Dele concluímos um dos principais conceitos do texto: o de que existem modos de expressão dos sentimentos padronizados, reconhecível tanto para quem emite quanto para quem recebe o gesto, quando ambos participam dos mesmos códigos culturais.

Mauss chama isso de expressão “obrigatória”, provocando propositalmente uma sensação de desconforto em pessoas que se acreditam únicas e singulares, ainda mais naquilo que consideram íntimo. Pois é aí que está a beleza: o “mais que humano em nós” está nos coletivos, onde vivemos e naqueles que vivem em nós, nossa língua, nossa memória, nossos afetos, nossas músicas queridas.

Nessa virada de maio para junho, agradeço por tantas sensações de viver plenamente “na primeira pessoa do plural”, como diz Chimamanda. Na aula de hoje, vendo os psicólogos do futuro encenando suas emoções; no teatro Poeira, assistindo “Deserto”, inspirada em Roberto Bolaño; no show de Gilberto Gil, cantando “Se eu quiser falar com Deus”, junto com a multidão; no almoço festivo de domingo, comemorando e compartilhando pratos, comidinhas e afetos feitos de gatos e gente.

Viva Marcel Mauss, viva a antropologia e a sociologia. Podemos até não ter as soluções, mas sem suas reflexões não poderíamos sequer vislumbrá-las.

Bom junho para nós, pessoas queridas!

Faça aqui o download do PDF em alta resolução para imprimir.

Sobre as citações: A frase que abre o post está na p. 112 do livro “A contagem dos sonhos”, de Chimamanda Adichie (Companhia das Letras, 2025). A expressão “o mais que humano em nós” é da canção “Tá combinado”, de Caetano Veloso. O texto “A expressão obrigatória dos sentimentos” (1921), de Marcel Mauss tem várias edições, mas a referência que utilizo é: Leitura: MAUSS, Marcel. 2003. “A expressão obrigatória dos sentimentos”. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac & Naify.

Sobre as felicidades coletivas acessíveis: Vejam no RJ a peça “Deserto”, inspirada em Roberto Bolaño, no teatro Poeira, ou acompanhem possíveis viagens pelo país no instagram deles. O show Tempo Rei de Gilberto Gil vai seguir acontecendo até o final do ano. Não percam!

Sobre o calendário: Para imprimir, não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”.

Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de lilás no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de junho e fiz o PDF. (Estou em busca de um Ipad usado, pois o meu tem 7 anos e está pifando. Se alguém tiver interesse em vender, me manda uma mensagem por favorzinho.)

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Junho/2025 e a felicidade no plural”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48z. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Maio/2025 e a beleza de atrasar

Quando eu crescer, quero chegar atrasada!

Essa frase saiu de surpresa junto com a vontade de compartilhar o calendário de maio de 2025, mesmo já sendo dia 7. E, de repente, vejo tantos significados nela… Desde muito pequena, me cobri de metas e obrigações. Por fora, talvez eu fosse só uma espectadora de novelas, como já contei aqui. Por dentro, porém, o norte da minha bússola era a independência: trabalhar, fazer o certo, servir.

E o que tem isso a ver com chegar atrasada? Tudo. A pessoa responsável não atrasa, não passa mal, não pode ter um defeitinho para não decepcionar ninguém. E haja terapia. Até que um dia, finalmente eu cheguei atrasada — e o terapeuta me deu parabéns!

Isso foi há mais de 25 anos e, com o tempo, acabei esquecendo os encantos do atraso. Voltei para os meus padrões: planejar tudo, entregar no prazo, chegar no horário, emitir pareceres e relatórios em dia. Aprendi a dizer não, mas só para não falhar. Foi importante, mas nada de improvisos — aí já seria demais!

Agora, crescidinha, desejo atrasar bastante! Em vez de querer ser grande logo, como na época da A bolsa amarela, estou tentando ser mais espontânea, mais criança. É meio clichê dizer isso? Mas quem se importa? Ninguém, como diz o bordão favorito aqui de casa: “ninguém liga!”.

Então, bora andar na chuva, ficar enrugada no mar, queimada de sol na trilha, feliz em São Gonçalo, atrasada ouvindo Beto Guedes e Ana Frango Elétrico. Ah, e que o mês mais lindo do ano só comece no dia 7!

Bom maio para nós, pessoas queridas!

Faça aqui o download do PDF em alta resolução para imprimir.

Sobre o calendário: Não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”. Testei na minha impressora (Epson L386) e a cor ficou ok. Espero que gostem!

Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de azul no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de maio e fiz o PDF. Estou em busca de um Ipad usado, pois o meu tem 7 anos e está pifando. Se alguém tiver interesse em vender, me manda uma mensagem por favorzinho.

Você acabou de ler “Maio/2025 e a beleza de atrasar”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Maio/2025 e a beleza de atrasar”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48p. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Abril/2025

Pessoal, hoje um post só para compartilhar o calendário de Abril/2025 — espero que a gente tenha um ótimo mês!

Aqui o PDF para imprimir em alta resolução.


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Março/2025 e os desafios da escrita

“A vida ainda era vivível. Bastava esquecer, tomar essa decisão com determinação, brutalmente. A escolha era simples: a escrita ou a vida. Teria eu a coragem (…)?” (Jorge Semprún, A escrita ou a vida)

Pessoas queridas, calendário atrasadíssimo mas feito! Perdi meus óculos e fiquei sem condições de trabalhar no computador. Mas foi por uma ótima causa: fiz uma pequena viagem à serra, imersa no verde, em banhos de rio e até chuva! Foi mágico! E vocês? Blocaram, descansaram ou ficaram presos na escrita da tese?

Recebam meu abraço apertado e votos de força e paciência aos que estão com os prazos de 31 de março nos calcanhares. Tá acabando, vai passar. E abraço também aos que têm outros prazos pela frente.

Escrever durante um período como o Carnaval é renunciar à viver, sejam as delícias da gandaia ou do ócio. Não é fácil. Precisamos nos entregar ao texto, enquanto o mundo continua a girar lá fora. E haja paciência para lidar com o tempo da criação, com seus ritmos, pausas e acelerações fora do nosso controle. E haja disciplina para aplacar a ansiedade pelas cobranças internas e externas, junto à sensação de que não somos suficientes.

Passei por tudo isso nos primeiros 15 dias de fevereiro. Tive um artigo para entregar e foi desafiador demais. Tentei seguir planos, rotinas, pomodoros, mas passei pelos clássicos: evitação, lentidão, empacamento, inspiração, descrédito, para-que-serve-isso-tudo, e aquele final de horas seguidas sobrecarregadas de cafeína para finalizar.

Ufa. Por que precisa ser assim?

Sobre a dúvida de Semprún, sigo acreditando: coragem é optar pela escrita e pela vida, no pêndulo de difícil equilíbrio, mas de permanente tentativa. No dia 15 de fevereiro, o artigo foi enviado, o prazo foi cumprido. E a sensação no dia seguinte é indescritível. O alívio, a leveza, o desejo de sol e ar, vem tudo junto, como uma mini-primavera pessoal florescendo.

Aprendi sofrendo (muito) no mestrado: terminem primeiro, pensem depois.

Porque “depois” os pensamentos irão embora e sobrará só uma doçura de ter feito.

Pelo menos até que cheguem os pareceres! Hahaha Depois conto como foi.

Sobre o calendário: aqui vai o PDF em alta resolução para imprimir. Não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”. Apesar da corzinha desmaiada na tela, na minha impressora (Epson L386) a cor ficou simpática. Espero que gostem!

Sobre a citação: SEMPRÚN, Jorge. A escrita ou a vida. Tradução de Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. A citação está na página 193 da versão eletrônica.

Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei o de fevereiro e acrescentei camadas transparentes de verde no aplicativo Procreate (Ipad). Dessa vez, refiz os números dos dias em cor preta pois achei o branco difícil de ler no dia a dia. Para os demais desenhos: canetinha Pigma Micron 0.3 e lápis de cor, em caderno Tilibra A5, linha Happy. Datas com carimbo Colop, mini-dater s120.

Um ótimo março para nós.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Março/2025 e os desafios da escrita”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-47O. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Fevereiro/2025 e quase tudo que fiz em Janeiro

Oi pessoal, postando hoje para ver se fevereiro chega mais rápido! O janeiro de vocês também tá demorando? O meu, sim! Não que tenha sido mal: foi um mês até simpático, com projetinhos concluídos. Estou em paz com ele. Só que meu foco de 2025 é “saúde com finanças em dia” [risos de nervoso]. E para isso o mês precisa acabar, já que não há salário que chegue para cuidados com “saúde”. Quem não amaria ter terapia toda semana, personal trainer à vontade, nutricionistas e médicos com hora marcada e mimos de brinde? E as roupinhas de Yoga, os cremes importados, as comidinhas fitness… Já viram o preço do cottage? Então o jeito é manter um olho na Smart Fit da esquina, outro na planilha de gastos.

Coisinhas que aproveitei para fazer em janeiro — segue uma lista para animar vocês já que nós universitários ainda temos Férias de professora com muitas aspas até meados de março.

. Usei bastante a furadeira e a aparafusadeira (sim, tenho uma, amo!), pendurei espelhos, ganchos, quadros, instalei mãos francesas em estantes querendo cair.
. Fui à praia depois de séculos sem ir (me lembra demais o Ju).

. Li 5 livros, 2 inéditos, 3 releituras. Das releituras, duas muito boas para férias. Uma curta: “Poirot perde uma cliente” (A. Christie); e uma longa: “David Copperfield” (C. Dickens). De primeira vez, amei “A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy” (L. Sterne). Maravilhoso; empreitada longa.
. Dei parecers para projetos e artigos, fui à reuniões, escrevi documentos de trabalho, me envolvi em tretas chatinhas mas no final deu tudo certo.
. Ajudei bastante na logística da vida dos filhos. Quando são crianças a gente leva e traz. Quando são adultos, é tipo: mãe, pode comprar peixe? ou pode receber o eletricista? Mas que delícia de filhos eu tenho. ♥

. Fui com Alice trocar e consertar instrumentos musicais; e comemos bastante pipoca vendo Dias perfeitos.
. Tentei consertar a bateria do Ipad (de 2018!) mas não deu certo.
. Visitei uma amiga que não via há muito tempo, recebi e mandei audios para os amigos que moram longe.
. Não vi nenhuma série boa; escutei muito Não Inviabilize (assinantes) e chorei com o podcast da Rádio Novelo sobre a escritora Vanessa Bárbara, “CPF na Nota” (começa a partir de 10 minutos). Fiquei revoltada com quem passou pano.

. Cuidei da gata da vizinha, mas não fui muito gentil com algumas baratas que ganhei de brinde!
. Fiz 2 sessões de acupuntura, fui a uma médica péssima e uma ótima (do plano).
. Arrumei estantes, armários, bagunças eternas e outras do semestre passado!
. Atualizei meus arquivos de finanças e organização (planilhas, listas, projetos).
. Aprendi a fazer biscoitos fininhos com sementes. Ficaram uma delícia mas segundo o ChatGPT têm umas 5 mil calorias por receita kkkk. Não dá.

. E por falar em ChatGPT, tenho usado muito a função “Projetos” na opção paga (sim, estou pagando por enquanto e acho que vale a pena!)
. Fui 11 vezes à academia, algumas só para andar um pouquinho na esteira, mas tá valendo.
. Finalmente, estou escrevendo um artigo, mas caminhando “com a barriga”, igual bicho-preguiça. Avancei só umas 1000 palavras. Faltam 3 mil. Torçam por mim
. Desenhei 215 mini pessoinhas, escrevi 31 diários, pintei o calendário de fevereiro, comi uma pizza e cortei o cabelo, ufa!

Um ótimo fevereiro para nós!

Segue o calendário em PDF para imprimir.

Sobre os desenhos: Para o calendário, a explicação detalhadinha está no post de Janeiro. Fiz tudo igual para Fevereiro, diminuindo o tamanho das bolinhas e dos números no Ipad.

Os mini-desenhos que ilustram a listinha foram feitos no meu “diário” que na verdade é um caderno espiral simples, marca Tilibra, tamanho A5, com 80 folhas pautadas (56g/m), da linha Happy, que custa cerca de 26 reais, dependendo da papelaria. É levinho e com bom espaçamento. Quando quero usar um pouco de aquarela ou canetinha que mancha, colo a página na seguinte com fita adesiva dupla face (atualmente uso uma mini Pentel “Glue Tape”). Meus materiais favoritos para o diário de papel são: carimbo de data, lápis de cor, canetinha Mitsubishi Signo DX 0.38 e canetinhas Pigma Micron.

Você acabou de ler Fevereiro/2025 e quase tudo que fiz em Janeiro”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 

Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Fevereiro/2025 e quase tudo que fiz em Janeiro”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-47g. Acesso em [dd/mm/aaaa].



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Feliz 2025! Calendário de Janeiro, Planner e um pouquinho de Karen Blixen

“Pois era mais provável que a vida cotidiana arrastasse o palco para baixo, em seu próprio nível, do que o palco conseguir mantê-la num nível assim tão elevado; e toda a ordem do mundo podia muito bem acabar de pernas para o ar.” (Karen Blixen, Tempestades, p. 93)

Pessoas queridas, os calendários estão de volta! Como diz a epígrafe, criamos roteiros para classificar e organizar o cotidiano, mas ele insiste em virar tudo de cabeça pra baixo, né? Mas a gente continua tentando. Na estampa do calendário, acabei gerando um contraste entre as formas geométricas e as cores granuladas e imperfeitas da aquarela. Gosto dessa mistura de ordem e criatividade! Acho que é bem o meu estilo ansiar pela rotina das linhas limpas e também amar a bagunça e as formas orgânicas, falhas como nós, humanas.

Quem me acompanha no Instagram viu o processo de pintar essa aquarela para o planner (ainda está no feed). Acabei me empolgando e criei também o mês de Janeiro. Mantive a semana começando segunda-feira e o espaço para a listinha na lateral. A base das cores foi pintada em aquarela, mas as linhas e números foram feitos à mão no aplicativo Procreate. Será que ficaram muito grandes? Se sim, reclamem que reduzo no próximo mês. Por enquanto, é o que temos pra hoje! Hahaha. Espero que gostem!

A base da pintura foi em papel Waterford cold press (sem textura). Resolvi gastá-lo porque já é tão antigo que estava amarelando. Vocês também ficam economizando coisas caras e depois se arrependem? Eu sim!

Para o quadriculado, coloquei fitinhas washi tape super finas que ganhei da minha prima. Depois pintei com cores pouco saturadas, inspirada numa paleta que utiliza o Winsor Blue (da Winsor&Newton) como base. Escaneei o original e multipliquei por quatro no Photoshop, gerando um padrão com quadradinhos menores. Fiquei mais feliz assim porque prefiro estampas de motivos pequenos.

Após montar a aquarela no Photoshop, passei a imagem digitalizada para o aplicativo Procreate. Aqui, aproveitei os formatos da grade do mês e da lista do Planner de 2024, mudando apenas a cor, o ano e, para o mês de Janeiro, o nome e os números. Utilizei o “pincel” Narinder do Procreate em todas as etapas e a resolução de 300 dpi nas imagens (do scanner ao app), só reduzindo para colar no post.

Aqui em casa, vou usar esse calendário impresso na parede do meu mini-escritório (uma parte do meu quarto mesmo rs), anotando datas importantes, como aniversários, compromissos e prazos. Para o restante, vou de Google Agenda! Fiz o espaço da lista do mês para anotar ações recorrentes que preciso incorporar (tipo beber mais água) e tarefas sem prazo (como terminar um conserto, comprar algo difícil, organizar alguma bagunça específica). Quero anotar também os “melhores acontecimentos do mês”, no espírito do jogo “melhor do dia”, que já expliquei aqui.

Fiquem à vontade para compartilhar! Fico feliz de participar do cotidiano de vocês!🌟Como escreveu Karen Blixen: “As únicas coisas que devemos levar conosco desta vida terrena são as que doamos!” (A festa de Babette, p. 53) Que em 2025 vocês sigam como os peixes de Blixen: “erguidos e sustentados por todos os lados”, com confiança e harmonia (O mergulhador, p. 20-1)

PDFs para download e impressão

Janeiro/2025Baixem aqui o PDF em alta resolução para imprimir.

Planner utilizável para o ano inteiro – – Baixem aqui o PDF em alta resolução para imprimir.

Sobre a citação: O trecho da epígrafe é do conto Tempestades, e o das frases finais do post são dos contos A festa de Babette e O mergulhador. Todos estão incluídos no livro “Anedotas do destino”, de Karen Blixen (edição da saudosa CosacNaify, tradução de Cássio de Arantes Leite.) O meu volume foi presente do Juva e está todo marcado com trechos lindos, lidos em 2021, um ano difícil mas ainda puro da experiência do luto. Sinto saudades não só dele e de nós, mas também de quem eu era antes de sua morte. Hoje, vários dos trechos parecem sobrenaturais como o tema do próprio livro, mas deixo-os para um próximo post!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Feliz 2025! Calendário de Janeiro e Planner e um pouquinho de Karen Blixen”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-46Q. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Calendário 2024 para imprimir

“Para ter esperança, é preciso reconhecer que não sabemos tudo e não sabemos o que acontecerá. Se abrir às possibilidades e se permitir se transformar é a única forma de seguir em frente e continuar a fazer arte.” (Austin Kleon, Keep Going, p. 132)

A todos que estão diante da página em branco: criar é desafiador mesmo. O desconhecido nos amedronta e desestabiliza. E a gente se pergunta: por que nos colocamos nessa situação? É que a criação tem um poder mágico — nos energiza e nos fascina! Como escreveu Austin Kleon, criar é assumir nossa esperança no mundo e “seguir em frente” mesmo com todas as dúvidas e incertezas. Continuemos!

E assim surgiu mais um presentinho para vocês (e para mim mesma)! Fiz um calendário mensal tipo planner. A mesma folha pode ser reimpressa ao longo do ano. Basta escrever o nome do mês no topo e preencher os números dos dias nos quadradinhos. Ao lado do mês, fiz um espaço para listas de objetivos, tarefas, compras e o que mais vocês quiserem registrar.

Aqui vai o PDF em alta resolução para baixar e imprimir.

Um ano de muitas criações e esperanças para nós! ♥

Sobre a imagem: A inspiração para esse formato de calendário-planner veio da ilustradora Fran Meneses (@frannerd), que costuma fazer um desses anualmente para quem participa da plataforma Patreon dela. Eu já tinha a estampa pronta de uma época em que fiquei viciada em fazer essas folhinhas com aquarela e depois desenhar padrões por cima. Não anotei data nem detalhes, mas foi feita no verso de uma pintura que não gostei, em papel Arches (não consigo desenhar nem pintar em materiais caros! rs). Folhinhas em aquarela de cores variadas. Padrões em linha preta com canetinhas Pigma Micron 0,1. Outros materiais de pintura e desenho que utilizo com frequência vocês encontram aqui.

A folha era maior do que A4, por isso o scanner não deu conta direito. Juntei quatro dessas imagens no aplicativo Procreate no Ipad e fiz os ajustes para preencher os vazios e manter o fundo branco. Depois desenhei as linhas em tom de verde com o pincel Narinder pencil (meu favorito do Procreate). Consultando Antônio e Alice, resolvi deixar a parte da lista com 15% de transparência para não ficar idêntica ao calendário. Inclusive, vocês podem cortar a imagem e imprimir só essa seção. ♥

versão escaneada sem ajustes

Sobre as citações: tradução livre de trechos do livro Keep Going, de Austin Kleon. A versão em português chama-se Seguir em frente (Rocco, 2019). Recomendo demais esse livrinho sábio e despretensioso.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Calendário 2024 para imprimir“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-42V. Acesso em [dd/mm/aaaa].

Amo receber comentários e mensagens. Leio todos, só que nem sempre consigo responder com o carinho que vocês merecem. Querendo continuar a conversa, me chamem no chat do Instagram! Obrigada por estarem aqui.♥.


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Julho/2022 – Com a paciência de um boi

“Há uma frase de Gustave Doré que sempre achei muito bonita: Eu tenho a paciência de um boi. Vejo nesta frase ao mesmo tempo algo bom, uma certa honestidade decidida; enfim, esta frase contém muitas coisas: é uma verdadeira frase de artista. (…) Eu tenho paciência, como é calmo, como é digno;” (Vincent Van Gogh)

Paciência é das virtudes que mais admiro. Como escreveu Van Gogh: como é calma, honesta e digna.

Desejo paciência nos dias em que o luto parecer interminável; paciência para a mãe do bebezinho aprendendo a mamar; paciência para a amiga fazendo quimio (tendo que lidar com a pneumonia do companheiro); paciência para a Ana Paula Lisboa continuar escrevendo; paciência para quem enfrenta enfermidades longas; paciência para todos os brasileiros para mais um dia, apesar de tudo.

Que a calma e a dignidade da paciência contagiem vocês, leitores queridos. Que o mês de julho venha renovar o nosso estoque. Baixem aqui o arquivo PDF para imprimir.

Que a segunda metade de 2022 seja generosa para nós. ♥

Vincent Van Gogh, 1883, vaca deitada

Sobre a citação na epígrafe: Trecho da página 123 do livro “Cartas a Théo”, de Vicent Van Gogh, edição L&PM Pocket, tradução de Pierre Ruprecht.

Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval, depois desenhada com canetinha Wacom e editada no Photoshop. Uma explicação detalhada sobre como tenho feito os calendários está no post de junho

Sobre a pintura: Imagem de pintura a óleo de Van Gogh de sua página na Wikiart (onde se pode ver mais 1930 desenhos e pinturas dele). Há lá também uma página sobre o artista Gustave Doré, citado por Van Gogh na epígrafe.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Julho/2022 – Com a paciência de um boi“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Y3 Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Calendários 2021 de Janeiro a Dezembro

Pessoas queridas, que bom estar de volta! Espero que gostem desses calendários de 2021 um pouquinho diferentes. Pintar aquarelas abstratas foi uma das minhas terapias na quarentena. Fiz pinturas grandes pela primeira vez (como contei aqui) e aproveitei alguns dos originais para criar a decoração dos meses.

Para imprimir os calendários em alta resolução, seguem abaixo duas opções de download:

• Arquivo .zip com todos os meses de 2021 em PDF.

• Arquivos em PDF por mês de 2021: Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro.

Aproveitei para melhorar a qualidade gráfica da grade, das letras e dos números, redesenhando tudo à mão, no app Procreate do Ipad. Também mudei as semanas para começarem na segunda-feira. Achei melhor para visualizar sábado e domingo juntos. Vocês concordam? Outro detalhe: adicionei os dias do mês anterior e seguinte em cinza claro. Depois me contem o que acharam e se as impressões deram certo!

Tenho pensado muito no blog e em como me faz falta desenhar e escrever aqui, mas não quero fazer promessas nem planos.

Meu maior desejo para mim e para todos vocês é que a gente sobreviva até a segunda dose da vacina. Que possamos seguir, um dia de cada vez, com paciência, compaixão e delicadeza. E que cada família em luto ou em recuperação possa ser acolhida e apoiada nesse momento tão difícil. ♥

Seguem as imagens dos calendários em .jpg para vocês verem com mais detalhes antes de baixar:

Sobre os desenhos: Todas as pinturas foram feitas em papel Hahnemühle Harmony (300gr, sem algodão, comprado em folhas grandes que fui cortando). Pintei no verso pois é um pouco mais liso. No início, fiz três trabalhos com fundo branco, desenhando as esferas primeiro a lápis, depois pintando com aquarela bem aquada. Depois resolvi me aventurar pintando fundos coloridos antes de desenhar. Todos tiveram um pouquinho de tinta Lunar Black (Daniel Smith), assim como de outras que dão efeito granulado (azul ultramar, sienna queimada e tintas que descrevo aqui). Todos foram feitos a partir de pinturas de verdade. O único mais editado em Photoshop foi o de outubro, para ficar com o fundo mais escuro. Uma curiosidade: a aquarela original que menos gostei gerou o mês que achei mais bonito: dezembro, aniversário da Alice.

Sobre a impressão: Fiz testes em casa e os primeiros 11 meses ficaram bem certinhos, até que a impressora falhou em “outubro” (último mês que finalizei). Tenho uma Epson L396 que comprei em 2018 devido à qualidade do scanner (é ótimo mesmo) e por ter tanque de tinta líquida com refil. Mas ela deu problema de manchar e agarrar (ou não) o papel desde o início. Já utilizei a garantia duas vezes e agora o amarelo parou de imprimir (apesar do tanque cheio). Suspiros… Depois me contem se deu tudo certo para imprimir. Fiquei um pouco preocupada com essa diferença (de requerer mais tinta) em relação aos calendários anteriores.

Você acabou de ler Calendários 2021 de Janeiro a Dezembro, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺ Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Calendários 2021 de Janeiro a Dezembro”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3RE. Acesso em [dd/mm/aaaa].