Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Aniversário de 11 anos do blog! – meus posts preferidos

No dia 6/11/2013 nascia este blog e esta blogueira! Festejo o aniversário com vocês, honrando a quarta-feira, que era o dia de postar antigamente. Trago uma seleção de 11 posts preferidos, um para cada ano de vida, escolhendo alguns da tag Vida Acadêmica também.

2013 Irmãos e irmãs de Shakespeare – “A maior de todas as libertações é a liberdade de pensar nas coisas em si” (Virginia Woolf, 1928) – Sobre a obra Um teto todo seu de V. Woolf e os passageiros do metrô (abaixo).

2014 300 dias – Listinha bem-humorada dos aprendizados com a obra e as três mudanças de apartamento do ano. Escolhi mais pelo desenho da nossa sala, que tem uma gostosidade (palavra da Alice) que gostaria de retomar. Meus preferidos da vida acadêmica são Dez lições da vida acadêmica e o Não passei.

2015 As cores de cada dia – Post sobre nosso jogo do Pior e do Melhor do dia. Mas pela ilustração escolho As quinze vidas de Margaret Mee e Vida, modo de usar — Doze lições de Oliver Sacks. E nesse ano teve também os queridinhos Dez truques da escrita num livro só e Defesa de doutorado: dez dicas para sobreviver (e aproveitar).

2016 Poesia potente – “Sinto que se conseguir escrever agora o que se passa comigo estarei salvo, repito isso a mim mesmo algumas vezes, como repito mentalmente o refrão de que onde há obra não há loucura e onde há loucura não há obra e venho escrever.” (Carlito Azevedo, Monodrama). Nesse ano há posts que me marcaram muito como o Brincando de pesquisar, primeira aula lúdica e o da imagem abaixo que ilustra o Mente selvagem: dicas de escrita de Natalie Goldberg.

2017 – Doze dicas de cursos de desenho e aquarela que já fiz (presenciais e online) – Sem dúvida um dos posts que expressa a vida de artista até aquele momento e para o qual sempre volto em busca de inspiração. Já me prometi fazer uma atualização e vou! Gostei demais de escrever os Lições de escrita com Agatha Christie (Parte 1) e Parte 2 e o Sete coisas invisíveis na vida de uma professora

2018 Caderninho bom, bonito e barato sobre a Papelaria Botafogo que hoje é uma referência para toda a comunidade artística do Rio de Janeiro. Muitos posts emocionantes em 2018, esse ano terrível de tantas perdas, como o assassinato de Marielle e o incêndio do Museu Nacional. Na vida acadêmica, o mais marcante foi Desistindo de (quase) tudo, 14 dias para terminar um texto de 12 páginas (ou 5000 palavras), Não Passei (2) – Janeiro foi fork! e as Dicas para terminar tcc etc 1 e 2.

2019 Lola (2009-2019) sobre a vida da nossa gatinha Lola. Da vida acadêmica, Férias de professora, que é onde está também a ilustração mais difícil e a que mais gostei de fazer.

2020 Medo do medo do medo (e um pouco de coragem) – sobre os muitos medos de criança e da vida acadêmica (um post que esqueci de colocar na página da vida acadêmica, inclusive).

2021 Montanha russa emocional – Ano de pouquíssimos posts, em que fiquei doente emocional e fisicamente, bem simbólico do período da pandemia, respirando como a garotinha do desenho abaixo.

2022 De mim, recap e Quinze dicas para ajudar a ler textos acadêmicos (ou não) – Nesse ano em que perdi o amor da minha vida, esses posts me lembraram de como eu era antes da perda e, depois, de como o prazer pela leitura me salvou.

2023 Você não está sozinha e Uma doce sensação de abrigo – Posts que me lembram a alegria de reconstruir minha vida aos poucos, focando bastante na pintura também. Dos acadêmicos, fico feliz de ter escrito Laboratório de escrita – Fã ou Hater – Ideia para aula lúdica (6 – Parte 1) e Parte 2; e sobre os aplicativos de leitura em: Seis dicas para ouvir e transcrever textos falados — ou como depender menos dos olhos na vida acadêmica

2024 Arrumar gavetas, escrever textos – 2 truques para driblar a procrastinação criativa – meu preferido entre os poucos posts até o momento.

Como disseram vários poetas, não há vilão que impeça a primavera de retornar. Em 2018, num dia de ressaca eleitoral, como hoje, citei de fonte desconhecida: “Em dias nublados, os girassóis se viram uns para os outros, buscando energia. Mesmo quando não há luz, se fortalecem por estarem juntos.” É isso, vida só faz sentido quando temos vínculos, afetos, cooperação, compartilhamento e esperança.

Obrigada pela companhia nesses 11 anos, pessoas queridas!

Seguimos! ♥

Sobre os desenhos: todos os desenhos e aquarelas deste post estão nos links indicados (não há imagens inéditas).

Coisas: Para os posts não ficarem muito grandes decidi alternar entre posts com textos mais longos e posts só com 5 ou 7 “coisas impossivelmente legais” (indicações de leituras, links, artes etc.). A inspiração de dividir vem do podcast É nóia minha, da Camila Fremder, que tem uma edição curtinha e outra longa toda semana. Amo as curtinhas.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Aniversário de 11 anos do blog! – meus posts preferidos“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-44T. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Mente selvagem: dicas de escrita de Natalie Goldberg

dragaoculturap

“A vida não é ordeira. Por mais que tentemos pô-la em ordem, bem no meio dela morremos, perdemos uma perna, nos apaixonamos, derrubamos um pote de geléia.”

Assim Natalie Goldberg começa seu Mente selvagem. O dragão da imagem me fez puxar esse livro da estante. Estou assustada com a falta de confiança dos meus alunos em escrever. Não se reconhecem como autores. Repetem as frases que os professores querem ler nas provas. É um bom truque aprender a escrever aquilo que seus avaliadores desejam, mas é também uma armadilha.

“Confiar em nossa mente é essencial para escrever”, diz Natalie, antes de apresentar seus 7 conselhos para o ofício:

  1. “Mantenha sua mão em movimento.” Estabeleça um tempo e não pare. Deixe que a mão criativa assuma o controle, impedindo a mão editora-crítica de interferir.
  2. “Descontrole-se. Diga o quer dizer.”
  3. “Especifique-se. Não carro, mas Cadillac. Não fruta, maçã.”
  4. “Não pense. (…) Limite-se a treinar e esqueça todo o resto.”
  5. “Não se preocupe com pontuação, ortografia e gramática.”
  6. “Esteja livre para escrever o pior lixo das Américas.”
  7. “Ataque a jugular. Se alguma coisa apavorante surgir, vá em frente. É ali que está a energia.”

“Estamos sempre recomeçando”, ela escreve. “É como beber água. Não bebemos um copo uma vez e nunca mais temos de tornar a beber. Não terminamos um poema ou um romance e nunca mais temos de escrever outro. Estamos sempre recomeçando. Isso é bom. É bondade.”

“Mantenha-se simples”, afunde-se em si mesmo e escreva naquele lugar tranquilo de igualdade e verdade, segue Natalie.

“Somos lentos em nos dar conta da grandeza que há em nós.”

“Escrever é a brecha pela qual podemos nos esgueirar para um mundo maior, para nossa mente selvagem.”

“Se quer escrever, escreva. Essa é sua vida. Você é responsável por ela e não vai viver para sempre. Não espere. Arranje tempo agora, mesmo que dez minutos por semana.”

“Muitas vezes, quando está sendo difícil escrever, digo a mim mesma: ‘não existe fracasso’. O único fracasso de quem escreve é parar de escrever. (…) Não faça isso. Deixe que o mundo lá fora grite com você. Crie um mundo íntimo de determinação.”

“É bom experimentar coisas diferentes, mas eventualmente temos que escolher uma coisa e assumir um compromisso. Do contrário estaremos sempre à deriva e não teremos paz. (…) a capacidade de se concentrar é de onde vêm o contentamento e o amor.”

Adorei reler essas frases que sublinhei na época da leitura, nos anos 1990. Quem sabe ressoem em vocês.

Sobre o livro: Goldberg, Natalie. Mente Selvagem: como se tornar um escritor. Rio de Janeiro: Gryphus, 1994. (Tradução de Tati Moraes.) A citação está na página 7. Da mesma autora, recomendo Writing Down the Bones, que tem uma edição brasileira muito bonitinha: “Escrevendo com a Alma” (ed. Martins Fontes, 2008, trad.: Camila Lopes Campolino).
Post atualizado em 31/08/2018 – Obrigada a todas que me escreveram pedindo mais detalhes e indicações sobre a autora!

Revistas acadêmicas! A seguir um presentinho preparado pela querida Daniela Manica (obrigada! ♥) a partir de um post que publiquei no Facebook pedindo sugestões de revistas que aceitam trabalhos de alunos de graduação. A Dani também é professora de oficinas de escrita no IFCS e faz um trabalho incrível com os alunos, de pesquisa e preparação de textos para publicação. Aí vai a listinha completa das revistas indicadas:

Revista Habitus (IFCS/UFRJ)
http://www.habitus.ifcs.ufrj.br/index.php/ojs

Cadernos de Campo (FFLCH/USP)
http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/index

Ponto Urbe (FFLCH/USP)
https://pontourbe.revues.org/

Revista Três Pontos (FAFICH/UFMG)
https://seer.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/index

Revista Ensaios (UFF)
http://www.uff.br/periodicoshumanas/index.php/ensaios

Revista Todavia (UFRGS)
http://www.ufrgs.br/revistatodavia/

Revista Florestan (UFSCAR)
http://www.revistaflorestan.ufscar.br/index.php/Florestan/index

Revista Textos Graduados (UNB)
http://periodicos.unb.br/index.php/tg

Revista Primeiros Estudos (USP)
http://www.revistas.usp.br/primeirosestudos/index

Revista Pensata (Unifesp)
http://www2.unifesp.br/revistas/pensata/

Revista Escrita da História – REH
http://www.escritadahistoria.com/

E para quem se interessa pelo mundo acadêmico: o blog tem posts com 25 dicas de edição de textos, sobre brincar de pesquisar, sobre o tempo pra fazer a tese – parte 1 e parte 2, como explicar sua tese, dicas para aproveitar a defesa de doutorado e outros textos sobre minhas experiência na importância de escutar, nos truques da escrita, na elaboração de uma carta para a seleção de mestrado, na escrita de projetos, nas defesas de tese, nas dores de não passar, na falta de tempo, no ensino de antropologia e desenho, no aprender a desescrever, nas agruras de ser doutoranda, na vida dos alunos, no sorriso do professor, nas lições da vida acadêmica, na importância de não ser perfeito e nas muitas saudades de Oxford 1, 2, 3 e 4!

Sobre o desenho: Dragão feito por observação na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, de São Paulo, durante uma aula de desenho da Fernanda Vaz Campos, que gentilmente me convidou para participar. Foi uma festa estar na terra da garoa por quatro dias, mas sobre isso escrevo mais em outro post. O desenho foi feito num moleskine pequeno com canetinha Unipin 0.2 e aquarelado no local, do jeito que deu. Passei um pouquinho de lápis-de-cor branco antes de escanear para tentar marcar os brilhos na fórmica preta, mas acho que não deu muito certo.

Você acabou de ler “Mente selvagem: dicas de escrita de Natalie Goldberg“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2016. “Mente selvagem: dicas de escrita de Natalie Goldberg”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-Ui. Acesso em [dd/mm/aaaa].