“Não! Desse jeito, o senhor é uma folha ao vento. Essa vontade, o senhor tem de encontrá-la dentro de si mesmo. Somente assim vai poder cuidar de fato da sua neta. As crianças são extraordinárias, o senhor sabe disso, percebem mais o que é silenciado do que o que é dito. Se o senhor cuidar de Miraijin com um vazio no coração, transmitirá esse vazio a ela. Se, ao contrário, tentar preencher esse vazio, e não importa se vai conseguir ou não, basta que tente preenchê-lo, então, transmitirá a ela esse esforço, e esse esforço, simplesmente, é a vida. Pode acreditar.” (…)
“– Trabalhamos com os desejos, com os prazeres. Porque os desejos e os prazeres sobrevivem até mesmo na situação mais desastrosa. Somos nós que os censuramos. Atingidos pelo luto, censuramos nossa libido quando é justamente ela que pode nos salvar. Você gosta de jogar bola? Pois então, jogue. Gosta de caminhar à beira-mar, comer maionese, pintar as unhas, capturar lagartixas, cantar? Faça-o. Isso não vai resolver nenhum dos seus problemas, mas também não vai agravá-los, e, nesse meio-tempo, seu corpo se livrará da ditadura da dor, que quer mortificá-lo.”
“– E o que tenho de fazer? – Não sei, são coisas complexas, não dá para dizer pelo telefone. Mas, basicamente, deve ter em mente que, neste momento, o senhor está frágil, está em perigo. E tem de tentar salvar do naufrágio todas as coisas de que gosta.” (Sandro Veronesi, O Colibri, p. 176-7)
As falas acima são do doutor Carradori, psiquiatra aposentado que aconselha Marco Carrera, protagonista do romance O Colibri, de Sandro Veronesi, em luto profundo por perder sua amada filha de 20 e poucos anos.
Os contrastes extremos da conversa me encantam. Há um reconhecimento da dor e de sua legitimidade: o que nos puxa para o naufrágio e mortifica é real e perigoso. Mas, ao mesmo tempo, há a persistência da libido, “porque os desejos e os prazeres sobrevivem até mesmo na situação mais desastrosa”.
Diante desse paradoxo, que bonito lembrar que nossas tarefas na vida são “coisas complexas” , que não se resolvem com fórmulas ou truques do tiktok! É preciso encontrar nossas vontades mais profundas, sem censura, pois a libido é o que “pode nos salvar”. Mais do que o resultado, é o esforço da busca que conta: “esse esforço, simplesmente, é a vida”.
Se no mês passado eu trouxe a ideia de felicidade como “viver na primeira pessoa do plural”, nesse mês lembro de como precisamos de uma conexão íntima com nossas vontades e prazeres para poder estar no coletivo. Se nosso coração estiver vazio, é isso que transmitiremos ao mundo.
Nesse momento, escrevo com o coração cheio. Partes dele permanecem escuras, difíceis ou vazias? Sim, mas olho para elas com ternura. Há muita beleza em reconhecer as pessoas que “estão sepultadas dentro de nós” (Veronesi, p. 241).
PS-alerta: Este post não é um apoio à ditadura da felicidade! Resgatar nossa libido quando ela é necessária e preciosa não é o mesmo que positividade a qualquer custo ou negação do valor do sofrimento. Sobre isso, acabei de ler Happycracia e recomendo!
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Sobre as citações: As frases iniciais estão no romance O Colibri, de Sandro Veronesi (trad. Karina Jannini, ed. Autêntica). Agradeço à minha querida amiga Julia O’Donnell pela indicação! O Happycracia é uma livro de não-ficção Edgar Cabanas e Eva Illouz (Trad. Humberto do Amaral, ed. Ubu). A obra foi indicada no primeiro semestre do clube do livro do Calma Urgente. Não participei mas estou lendo a listinha deles. Gostei tanto das indicações que comecei a participar do segundo semestre de 2025!
Sobre as felicidades coletivas acessíveis: Para participar do clube do livro do Calma Urgente, cliquem aqui: https://clubedolivro.calmaurgente.com/. Acho que ainda dá tempo. Para ter um gostinho de boas discussões trazidas por eles, um exemplo aqui sobre espionagem digital, capitalismo e política. Nesse mês, gostei de ouvir algumas conversas do Christian Dunker sobre psicanálise, como essa sobre ter raiva na terapia (tem no spotify também). De podcast, o Não inviabilize continua meu top10 para a faxina. Ouço no app de assinantes mas tem no spotify.
Sobre o calendário: Para imprimir, não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”.
Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de lilás no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de julho e fiz o PDF.
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Você acabou de ler “Junho/2025 e a felicidade no plural”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Junho/2025 e a felicidade no plural”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48z. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Então aquilo era felicidade, viver na primeira pessoa do plural.” (Chimamanda Adichie)
Hoje, a aula de antropologia foi sobre o texto “A expressão obrigatória dos sentimentos” (1921), de Marcel Mauss. Há uns anos, inventei de começar essa aula fazendo uma dinâmica inspirada em exercícios teatrais. Chamo um grupo de estudantes para a frente da sala e peço para eles sortearem um papel. Neste, está descrita uma situação que eles devem representar para a turma. As situações evocam emoções fortes do tipo “medo de uma barata”, “feliz por receber uma mensagem de amor”, “prendendo o riso”, “com dor de queimadura”, “com raiva de alguém” etc. Na dinâmica, o grupo que sorteia a situação fica de costas e, ao ouvir “1, 2, 3, já”, se vira para a turma com a expressão facial correspondente. A turma precisa adivinhar o que estava escrito no papel.
Eles acertam logo. Às vezes, é preciso relaxar, voltar a ficar de costas e repetir o gesto ou expressão facial. Mas é fascinante como, em qualquer turma, esse exercício sempre dá certo. Dele concluímos um dos principais conceitos do texto: o de que existem modos de expressão dos sentimentos padronizados, reconhecível tanto para quem emite quanto para quem recebe o gesto, quando ambos participam dos mesmos códigos culturais.
Mauss chama isso de expressão “obrigatória”, provocando propositalmente uma sensação de desconforto em pessoas que se acreditam únicas e singulares, ainda mais naquilo que consideram íntimo. Pois é aí que está a beleza: o “mais que humano em nós” está nos coletivos, onde vivemos e naqueles que vivem em nós, nossa língua, nossa memória, nossos afetos, nossas músicas queridas.
Nessa virada de maio para junho, agradeço por tantas sensações de viver plenamente “na primeira pessoa do plural”, como diz Chimamanda. Na aula de hoje, vendo os psicólogos do futuro encenando suas emoções; no teatro Poeira, assistindo “Deserto”, inspirada em Roberto Bolaño; no show de Gilberto Gil, cantando “Se eu quiser falar com Deus”, junto com a multidão; no almoço festivo de domingo, comemorando e compartilhando pratos, comidinhas e afetos feitos de gatos e gente.
Viva Marcel Mauss, viva a antropologia e a sociologia. Podemos até não ter as soluções, mas sem suas reflexões não poderíamos sequer vislumbrá-las.
Sobre as citações: A frase que abre o post está na p. 112 do livro “A contagem dos sonhos”, de Chimamanda Adichie (Companhia das Letras, 2025). A expressão “o mais que humano em nós” é da canção “Tá combinado”, de Caetano Veloso. O texto “A expressão obrigatória dos sentimentos” (1921), de Marcel Mauss tem várias edições, mas a referência que utilizo é: Leitura: MAUSS, Marcel. 2003. “A expressão obrigatória dos sentimentos”. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac & Naify.
Sobre as felicidades coletivas acessíveis: Vejam no RJ a peça “Deserto”, inspirada em Roberto Bolaño, no teatro Poeira, ou acompanhem possíveis viagens pelo país no instagram deles. O show Tempo Rei de Gilberto Gil vai seguir acontecendo até o final do ano. Não percam!
Sobre o calendário: Para imprimir, não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”.
Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de lilás no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de junho e fiz o PDF. (Estou em busca de um Ipad usado, pois o meu tem 7 anos e está pifando. Se alguém tiver interesse em vender, me manda uma mensagem por favorzinho.)
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Você acabou de ler “Junho/2025 e a felicidade no plural”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Junho/2025 e a felicidade no plural”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48z. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Essa frase saiu de surpresa junto com a vontade de compartilhar o calendário de maio de 2025, mesmo já sendo dia 7. E, de repente, vejo tantos significados nela… Desde muito pequena, me cobri de metas e obrigações. Por fora, talvez eu fosse só uma espectadora de novelas, como já contei aqui. Por dentro, porém, o norte da minha bússola era a independência: trabalhar, fazer o certo, servir.
E o que tem isso a ver com chegar atrasada? Tudo. A pessoa responsável não atrasa, não passa mal, não pode ter um defeitinho para não decepcionar ninguém. E haja terapia. Até que um dia, finalmente eu cheguei atrasada — e o terapeuta me deu parabéns!
Isso foi há mais de 25 anos e, com o tempo, acabei esquecendo os encantos do atraso. Voltei para os meus padrões: planejar tudo, entregar no prazo, chegar no horário, emitir pareceres e relatórios em dia. Aprendi a dizer não, mas só para não falhar. Foi importante, mas nada de improvisos — aí já seria demais!
Agora, crescidinha, desejo atrasar bastante! Em vez de querer ser grande logo, como na época da A bolsa amarela, estou tentando ser mais espontânea, mais criança. É meio clichê dizer isso? Mas quem se importa? Ninguém, como diz o bordão favorito aqui de casa: “ninguém liga!”.
Então, bora andar na chuva, ficar enrugada no mar, queimada de sol na trilha, feliz em São Gonçalo, atrasada ouvindo Beto Guedes e Ana Frango Elétrico. Ah, e que o mês mais lindo do ano só comece no dia 7!
Sobre o calendário: Não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”. Testei na minha impressora (Epson L386) e a cor ficou ok. Espero que gostem!
Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei os anteriores e acrescentei camadas transparentes de azul no aplicativo Procreate (Ipad). Ajustei as datas para o mês de maio e fiz o PDF. Estou em busca de um Ipad usado, pois o meu tem 7 anos e está pifando. Se alguém tiver interesse em vender, me manda uma mensagem por favorzinho.
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Você acabou de ler “Maio/2025 e a beleza de atrasar”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Maio/2025 e a beleza de atrasar”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-48p. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“A vida ainda era vivível. Bastava esquecer, tomar essa decisão com determinação, brutalmente. A escolha era simples: a escrita ou a vida. Teria eu a coragem (…)?” (Jorge Semprún, A escrita ou a vida)
Pessoas queridas, calendário atrasadíssimo mas feito! Perdi meus óculos e fiquei sem condições de trabalhar no computador. Mas foi por uma ótima causa: fiz uma pequena viagem à serra, imersa no verde, em banhos de rio e até chuva! Foi mágico! E vocês? Blocaram, descansaram ou ficaram presos na escrita da tese?
Recebam meu abraço apertado e votos de força e paciência aos que estão com os prazos de 31 de março nos calcanhares. Tá acabando, vai passar. E abraço também aos que têm outros prazos pela frente.
Escrever durante um período como o Carnaval é renunciar à viver, sejam as delícias da gandaia ou do ócio. Não é fácil. Precisamos nos entregar ao texto, enquanto o mundo continua a girar lá fora. E haja paciência para lidar com o tempo da criação, com seus ritmos, pausas e acelerações fora do nosso controle. E haja disciplina para aplacar a ansiedade pelas cobranças internas e externas, junto à sensação de que não somos suficientes.
Passei por tudo isso nos primeiros 15 dias de fevereiro. Tive um artigo para entregar e foi desafiador demais. Tentei seguir planos, rotinas, pomodoros, mas passei pelos clássicos: evitação, lentidão, empacamento, inspiração, descrédito, para-que-serve-isso-tudo, e aquele final de horas seguidas sobrecarregadas de cafeína para finalizar.
Ufa. Por que precisa ser assim?
Sobre a dúvida de Semprún, sigo acreditando: coragem é optar pela escrita e pela vida, no pêndulo de difícil equilíbrio, mas de permanente tentativa. No dia 15 de fevereiro, o artigo foi enviado, o prazo foi cumprido. E a sensação no dia seguinte é indescritível. O alívio, a leveza, o desejo de sol e ar, vem tudo junto, como uma mini-primavera pessoal florescendo.
Aprendi sofrendo (muito) no mestrado: terminem primeiro, pensem depois.
Porque “depois” os pensamentos irão embora e sobrará só uma doçura de ter feito.
Pelo menos até que cheguem os pareceres! Hahaha Depois conto como foi.
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Sobre o calendário: aqui vai o PDF em alta resolução para imprimir. Não esqueçam de configurar para “ajustar à área de impressão”. Apesar da corzinha desmaiada na tela, na minha impressora (Epson L386) a cor ficou simpática. Espero que gostem!
Sobre a citação: SEMPRÚN, Jorge. A escrita ou a vida. Tradução de Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. A citação está na página 193 da versão eletrônica.
Sobre os desenhos: Para o calendário, aproveitei o de fevereiro e acrescentei camadas transparentes de verde no aplicativo Procreate (Ipad). Dessa vez, refiz os números dos dias em cor preta pois achei o branco difícil de ler no dia a dia. Para os demais desenhos: canetinha Pigma Micron 0.3 e lápis de cor, em caderno Tilibra A5, linha Happy. Datas com carimbo Colop, mini-dater s120.
Um ótimo março para nós.
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Você acabou de ler “Março/2025 e os desafios da escrita”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Março/2025 e os desafios da escrita”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-47O. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Oi pessoal, postando hoje para ver se fevereiro chega mais rápido! O janeiro de vocês também tá demorando? O meu, sim! Não que tenha sido mal: foi um mês até simpático, com projetinhos concluídos. Estou em paz com ele. Só que meu foco de 2025 é “saúde com finanças em dia” [risos de nervoso]. E para isso o mês precisa acabar, já que não há salário que chegue para cuidados com “saúde”. Quem não amaria ter terapia toda semana, personal trainer à vontade, nutricionistas e médicos com hora marcada e mimos de brinde? E as roupinhas de Yoga, os cremes importados, as comidinhas fitness… Já viram o preço do cottage? Então o jeito é manter um olho na Smart Fit da esquina, outro na planilha de gastos.
Coisinhas que aproveitei para fazer em janeiro — segue uma lista para animar vocês já que nós universitários ainda temos Férias de professora com muitas aspas até meados de março.
. Usei bastante a furadeira e a aparafusadeira (sim, tenho uma, amo!), pendurei espelhos, ganchos, quadros, instalei mãos francesas em estantes querendo cair. . Fui à praia depois de séculos sem ir (me lembra demais o Ju).
. Li 5 livros, 2 inéditos, 3 releituras. Das releituras, duas muito boas para férias. Uma curta: “Poirot perde uma cliente” (A. Christie); e uma longa: “David Copperfield” (C. Dickens). De primeira vez, amei “A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy” (L. Sterne). Maravilhoso; empreitada longa. . Dei parecers para projetos e artigos, fui à reuniões, escrevi documentos de trabalho, me envolvi em tretas chatinhas mas no final deu tudo certo. . Ajudei bastante na logística da vida dos filhos. Quando são crianças a gente leva e traz. Quando são adultos, é tipo: mãe, pode comprar peixe? ou pode receber o eletricista? Mas que delícia de filhos eu tenho. ♥
. Fui com Alice trocar e consertar instrumentos musicais; e comemos bastante pipoca vendo Dias perfeitos. . Tentei consertar a bateria do Ipad (de 2018!) mas não deu certo. . Visitei uma amiga que não via há muito tempo, recebi e mandei audios para os amigos que moram longe. . Não vi nenhuma série boa; escutei muito Não Inviabilize (assinantes) e chorei com o podcast da Rádio Novelo sobre a escritora Vanessa Bárbara, “CPF na Nota” (começa a partir de 10 minutos). Fiquei revoltada com quem passou pano.
. Cuidei da gata da vizinha, mas não fui muito gentil com algumas baratas que ganhei de brinde! . Fiz 2 sessões de acupuntura, fui a uma médica péssima e uma ótima (do plano). . Arrumei estantes, armários, bagunças eternas e outras do semestre passado! . Atualizei meus arquivos de finanças e organização (planilhas, listas, projetos). . Aprendi a fazer biscoitos fininhos com sementes. Ficaram uma delícia mas segundo o ChatGPT têm umas 5 mil calorias por receita kkkk. Não dá.
. E por falar em ChatGPT, tenho usado muito a função “Projetos” na opção paga (sim, estou pagando por enquanto e acho que vale a pena!) . Fui 11 vezes à academia, algumas só para andar um pouquinho na esteira, mas tá valendo. . Finalmente, estou escrevendo um artigo, mas caminhando “com a barriga”, igual bicho-preguiça. Avancei só umas 1000 palavras. Faltam 3 mil. Torçam por mim . Desenhei 215 mini pessoinhas, escrevi 31 diários, pintei o calendário de fevereiro, comi uma pizza e cortei o cabelo, ufa!
Sobre os desenhos: Para o calendário, a explicação detalhadinha está no post de Janeiro. Fiz tudo igual para Fevereiro, diminuindo o tamanho das bolinhas e dos números no Ipad.
Os mini-desenhos que ilustram a listinha foram feitos no meu “diário” que na verdade é um caderno espiral simples, marca Tilibra, tamanho A5, com 80 folhas pautadas (56g/m), da linha Happy, que custa cerca de 26 reais, dependendo da papelaria. É levinho e com bom espaçamento. Quando quero usar um pouco de aquarela ou canetinha que mancha, colo a página na seguinte com fita adesiva dupla face (atualmente uso uma mini Pentel “Glue Tape”). Meus materiais favoritos para o diário de papel são: carimbo de data, lápis de cor, canetinha Mitsubishi Signo DX 0.38 e canetinhas Pigma Micron.
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Você acabou de ler “Fevereiro/2025 e quase tudo que fiz em Janeiro”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2025. “Fevereiro/2025 e quase tudo que fiz em Janeiro”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-47g. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Pois era mais provável que a vida cotidiana arrastasse o palco para baixo, em seu próprio nível, do que o palco conseguir mantê-la num nível assim tão elevado; e toda a ordem do mundo podia muito bem acabar de pernas para o ar.” (Karen Blixen, Tempestades, p. 93)
Pessoas queridas, os calendários estão de volta! Como diz a epígrafe, criamos roteiros para classificar e organizar o cotidiano, mas ele insiste em virar tudo de cabeça pra baixo, né? Mas a gente continua tentando. Na estampa do calendário, acabei gerando um contraste entre as formas geométricas e as cores granuladas e imperfeitas da aquarela. Gosto dessa mistura de ordem e criatividade! Acho que é bem o meu estilo ansiar pela rotina das linhas limpas e também amar a bagunça e as formas orgânicas, falhas como nós, humanas.
Quem me acompanha no Instagram viu o processo de pintar essa aquarela para o planner (ainda está no feed). Acabei me empolgando e criei também o mês de Janeiro. Mantive a semana começando segunda-feira e o espaço para a listinha na lateral. A base das cores foi pintada em aquarela, mas as linhas e números foram feitos à mão no aplicativo Procreate. Será que ficaram muito grandes? Se sim, reclamem que reduzo no próximo mês. Por enquanto, é o que temos pra hoje! Hahaha. Espero que gostem!
A base da pintura foi em papel Waterford cold press (sem textura). Resolvi gastá-lo porque já é tão antigo que estava amarelando. Vocês também ficam economizando coisas caras e depois se arrependem? Eu sim!
Para o quadriculado, coloquei fitinhas washi tape super finas que ganhei da minha prima. Depois pintei com cores pouco saturadas, inspirada numa paleta que utiliza o Winsor Blue (da Winsor&Newton) como base. Escaneei o original e multipliquei por quatro no Photoshop, gerando um padrão com quadradinhos menores. Fiquei mais feliz assim porque prefiro estampas de motivos pequenos.
Após montar a aquarela no Photoshop, passei a imagem digitalizada para o aplicativo Procreate. Aqui, aproveitei os formatos da grade do mês e da lista do Planner de 2024, mudando apenas a cor, o ano e, para o mês de Janeiro, o nome e os números. Utilizei o “pincel” Narinder do Procreate em todas as etapas e a resolução de 300 dpi nas imagens (do scanner ao app), só reduzindo para colar no post.
Aqui em casa, vou usar esse calendário impresso na parede do meu mini-escritório (uma parte do meu quarto mesmo rs), anotando datas importantes, como aniversários, compromissos e prazos. Para o restante, vou de Google Agenda! Fiz o espaço da lista do mês para anotar ações recorrentes que preciso incorporar (tipo beber mais água) e tarefas sem prazo (como terminar um conserto, comprar algo difícil, organizar alguma bagunça específica). Quero anotar também os “melhores acontecimentos do mês”, no espírito do jogo “melhor do dia”, que já expliquei aqui.
Fiquem à vontade para compartilhar! Fico feliz de participar do cotidiano de vocês!🌟Como escreveu Karen Blixen: “As únicas coisas que devemos levar conosco desta vida terrena são as que doamos!” (A festa de Babette, p. 53) Que em 2025 vocês sigam como os peixes de Blixen: “erguidos e sustentados por todos os lados”, com confiança e harmonia (O mergulhador, p. 20-1)
Sobre a citação: O trecho da epígrafe é do conto Tempestades, e o das frases finais do post são dos contos A festa de Babette e O mergulhador. Todos estão incluídos no livro “Anedotas do destino”, de Karen Blixen (edição da saudosa CosacNaify, tradução de Cássio de Arantes Leite.) O meu volume foi presente do Juva e está todo marcado com trechos lindos, lidos em 2021, um ano difícil mas ainda puro da experiência do luto. Sinto saudades não só dele e de nós, mas também de quem eu era antes de sua morte. Hoje, vários dos trechos parecem sobrenaturais como o tema do próprio livro, mas deixo-os para um próximo post!
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Você acabou de ler “Feliz 2025! Calendário de Janeiro e Planner e um pouquinho de Karen Blixen”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Feliz 2025! Calendário de Janeiro e Planner e um pouquinho de Karen Blixen”, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-46Q. Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Para ter esperança, é preciso reconhecer que não sabemos tudo e não sabemos o que acontecerá. Se abrir às possibilidades e se permitir se transformar é a única forma de seguir em frente e continuar a fazer arte.” (Austin Kleon, Keep Going, p. 132)
A todos que estão diante da página em branco: criar é desafiador mesmo. O desconhecido nos amedronta e desestabiliza. E a gente se pergunta: por que nos colocamos nessa situação? É que a criação tem um poder mágico — nos energiza e nos fascina! Como escreveu Austin Kleon, criar é assumir nossa esperança no mundo e “seguir em frente” mesmo com todas as dúvidas e incertezas. Continuemos!
E assim surgiu mais um presentinho para vocês (e para mim mesma)! Fiz um calendário mensal tipo planner. A mesma folha pode ser reimpressa ao longo do ano. Basta escrever o nome do mês no topo e preencher os números dos dias nos quadradinhos. Ao lado do mês, fiz um espaço para listas de objetivos, tarefas, compras e o que mais vocês quiserem registrar.
Um ano de muitas criações e esperanças para nós! ♥
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Sobre a imagem: A inspiração para esse formato de calendário-planner veio da ilustradora Fran Meneses (@frannerd), que costuma fazer um desses anualmente para quem participa da plataforma Patreon dela. Eu já tinha a estampa pronta de uma época em que fiquei viciada em fazer essas folhinhas com aquarela e depois desenhar padrões por cima. Não anotei data nem detalhes, mas foi feita no verso de uma pintura que não gostei, em papel Arches (não consigo desenhar nem pintar em materiais caros! rs). Folhinhas em aquarela de cores variadas. Padrões em linha preta com canetinhas Pigma Micron 0,1. Outros materiais de pintura e desenho que utilizo com frequência vocês encontram aqui.
A folha era maior do que A4, por isso o scanner não deu conta direito. Juntei quatro dessas imagens no aplicativo Procreate no Ipad e fiz os ajustes para preencher os vazios e manter o fundo branco. Depois desenhei as linhas em tom de verde com o pincel Narinder pencil (meu favorito do Procreate). Consultando Antônio e Alice, resolvi deixar a parte da lista com 15% de transparência para não ficar idêntica ao calendário. Inclusive, vocês podem cortar a imagem e imprimir só essa seção. ♥
versão escaneada sem ajustes
Sobre as citações: tradução livre de trechos do livro Keep Going, de Austin Kleon. A versão em português chama-se Seguir em frente (Rocco, 2019). Recomendo demais esse livrinho sábio e despretensioso.
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Você acabou de ler “Calendário 2024 para imprimir“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2024. “Calendário 2024 para imprimir“, Publicado em karinakuschnir.com, url: https://wp.me/p42zgF-42V. Acesso em [dd/mm/aaaa].
Amo receber comentários e mensagens. Leio todos, só que nem sempre consigo responder com o carinho que vocês merecem. Querendo continuar a conversa, me chamem no chat do Instagram! Obrigada por estarem aqui.♥.
“Há uma frase de Gustave Doré que sempre achei muito bonita: Eu tenho a paciência de um boi. Vejo nesta frase ao mesmo tempo algo bom, uma certa honestidade decidida; enfim, esta frase contém muitas coisas: é uma verdadeira frase de artista. (…) Eu tenho paciência, como é calmo, como é digno;” (Vincent Van Gogh)
Paciência é das virtudes que mais admiro. Como escreveu Van Gogh: como é calma, honesta e digna.
Desejo paciência nos dias em que o luto parecer interminável; paciência para a mãe do bebezinho aprendendo a mamar; paciência para a amiga fazendo quimio (tendo que lidar com a pneumonia do companheiro); paciência para a Ana Paula Lisboa continuar escrevendo; paciência para quem enfrenta enfermidades longas; paciência para todos os brasileiros para mais um dia, apesar de tudo.
Que a calma e a dignidade da paciência contagiem vocês, leitores queridos. Que o mês de julho venha renovar o nosso estoque. Baixem aqui o arquivo PDF para imprimir.
Que a segunda metade de 2022 seja generosa para nós. ♥
Vincent Van Gogh, 1883, vaca deitada
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Sobre a citação na epígrafe: Trecho da página 123 do livro “Cartas a Théo”, de Vicent Van Gogh, edição L&PM Pocket, tradução de Pierre Ruprecht.
Sobre o desenho: Aquarela feita em papel Canson Montval, depois desenhada com canetinha Wacom e editada no Photoshop. Uma explicação detalhada sobre como tenho feito os calendários está no post de junho.
Sobre a pintura: Imagem de pintura a óleo de Van Gogh de sua página na Wikiart (onde se pode ver mais 1930 desenhos e pinturas dele). Há lá também uma página sobre o artista Gustave Doré, citado por Van Gogh na epígrafe.
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Você acabou de ler “Julho/2022 – Com a paciência de um boi“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada!
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Julho/2022 – Com a paciência de um boi“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Y3 Acesso em [dd/mm/aaaa].
“Quando meu filho estava com oito meses, podia-se dizer de verdade que ele devorava literatura. Se alguém lhe dava um livro, mastigava-o.” (Anne Fadiman)
Quem se identifica com a ideia de “devorar” livros levanta a mão! Para mim, faz todo sentido. Quando uma obra me conquista, sinto que entro num espaço de prazer, como se estivesse comendo as páginas, de tão boas. Só que nem sempre é assim…
Um dos maiores desafios da vida acadêmica é a quantidade de leituras de que precisamos dar conta. Gostaríamos de ler mais do conseguimos e, pior, nem sempre podemos decidir o que vamos ler. Faz parte: alunos têm que passar pelas bibliografias que os professores selecionam; docentes precisam encarar leituras essenciais para suas pesquisas e ainda monografias, teses, dissertações e trabalhos de curso.
Como dar conta de ler tudo? Listo abaixo algumas dicas a partir da minha experiência e das dificuldades pelas quais passei. Foi mais ou menos isso que aprendi:
1) Prazer de ler – Para saber se estou na área de pesquisa certa, sempre me pergunto: “sinto prazer de ler os textos que estou lendo?” Muitos alunos me escrevem em dúvida sobre qual caminho ou tema seguir. Minha primeira sugestão é se questionar: sobre o quê você realmente gosta de ler? Porque, uma vez escolhida a área, haverá uma montanha de textos para dar conta. Foi assim que descobri meu amor pela antropologia, depois de passar por design, publicidade e jornalismo: quando me deparei com textos como o “Pessoa, tempo e conduta em Bali”, de Clifford Geertz, percebi que queria mais!
Só que dentro de uma área existem centenas de recortes possíveis. Inclusive, isso me lembra um episódio vergonhoso da minha vida acadêmica, quando fiz uma pesquisa numa universidade no exterior. Apesar de toda a alegria de ter recebido o auxílio para esse trabalho, passei boa parte do meu tempo lendo livros e fuçando bibliotecas sobre outro assunto. Pois é. Isso foi há muitos anos! Já fiz relatório, publiquei, prestei contas, tudo certinho. Só que até hoje me sinto culpada por ter me dedicado menos do que deveria às leituras apropriadas. Demorei a perceber que aquela “fuga” era um sinal de que estava na hora de mudar. (Voltarei a esse tema adiante.)
2) Organização do calendário – Ao começar um semestre, pego um calendário dos próximos meses e assinalo todos os compromissos, como aulas, defesas, bancas, congressos etc. Pesquiso e marco os feriados. Feito isso, tento calcular qual será o volume de leitura de cada etapa (por semana). Se eu tiver períodos de sobrecarga ou de eventos, tento compensar programando menos textos nas aulas da época.
Sei que é difícil prever tudo isso, mas essa lista é para lembrar de tentar. Ao aceitar participar de uma banca, por exemplo, tento aliviar a carga de leitura daquela semana. Ah, Karina, isso não existe… Gente, não é porque não existe que não devemos querer que passe a existir. Já vi várias vezes colegas chegarem em bancas sem terem lido direito o material do candidato; e eu mesma já cheguei numa aula sem me sentir preparada. Então vale estarmos atentas: somos humanas e nossa capacidade de leitura é finita!
3) Calcule sua capacidade de leitura por número de páginas – Uma das dicas mais importantes é aprender quanto tempo levamos numa leitura. Aprendi fazendo assim: ao começar um texto, anotava o horário de início no alto da página. Seguia lendo até a primeira interrupção, quando escrevia novamente o horário da pausa, mesmo que fosse para ir ao banheiro ou buscar um copo d’água. Fui fazendo isso em vários os textos até chegar numa média de velocidade para cada tipo de texto. Por exemplo: leituras em português ou em língua estrangeira; não-ficção ou ficção; texto obrigatório x texto complementar; texto em PDF x texto em papel; livros x artigos; leituras x releituras; trabalhos de alunos, dissertações ou teses. Cada material desses traz pequenas alterações no nosso rendimento. Eu não medi todos eles (não sou tão obsessiva assim!) A ideia é chegar numa média, numa medida realista da nossa velocidade. Por exemplo, no meu caso, costumo ler de 20 a 30 páginas por hora. (Pode ser menos ou mais a depender dos fatores envolvidos, como explico abaixo.)
4) Calcule sua capacidade conforme o objetivo da leitura – Outra dica importante é entender quanto tempo você leva para ler um texto sobre o qual deverá falar, apresentar seminário ou dar uma aula sobre. Nesses casos, eu, pelo menos, preciso sublinhar, anotar e, se possível, fazer um fichamento. Então não adianta utilizar as medidas de leitura do item 3. Eu sei, a gente insiste em achar que vai dar, mas não dá. E dá-lhe virar noite ou chegar na aula insegura porque não fez o trabalho direito. Melhor fazer um planejamento pragmático. Para citar o meu caso, fui preparar uma aula sobre um texto de apenas 22 páginas (que já tinha lido antes): levei 1 hora e meia entre reler e fichar os principais pontos para falar.
5) Calcule sua capacidade de leitura conforme o período do dia ou da semana – Nossos corpos têm ritmos distintos e níveis de concentração muito variáveis. Sou do tipo que prefere varar a madrugada. Nunca entendi quem dorme cedo e coloca o despertador para as 5 da manhã para terminar de preparar ou ler algo! Simplesmente não funciono nesse horário, mas tem gente que sim. Outra coisa muito idiossincrática minha: às vezes prefiro acumular um volume maior de leituras para sábado e domingo, do que ler um pouquinho todos os dias (principalmente trabalhos monográficos). Depende de cada um encontrar o seu jeito; e não tem jeito certo, desde que você termine a tarefa a tempo sem se esgotar.
Depois de medir uma participação em banca de doutorado (tese grande), cheguei à conclusão de que gastei quase 6 dias inteiros de trabalho, entre leitura, preparação da arguição e a defesa em si. Sim, seis dias rolando com a tese e as demais tarefas de dona-de-casa, mãe e professora. É muito! Então, toda vez que me convidam para uma banca, já tenho uma noção bem realista do tempo que vai me tomar. (Quando o trabalho é bom, tudo ótimo, aprendemos bastante… Mas quando é ruim, que sofrimento. No fundo, a grande medida para tudo isso é a qualidade do texto. )
6) Não dá para ler tudo – A vida é feita de escolhas, né? Essa é bem clichê mas a gente insiste tanto nesse erro que vale apontar: não dá para ler 1500 páginas por semana! E digo isso para alunos, que se sentem culpados porque não deram conta; e repito para os professores que (ainda) fazem seus programas de curso como se esquecessem que os alunos têm outros cursos para atender. Para ler 1500 páginas por semana, a pessoa teria que ler 11 horas por dia, de segunda a domingo (média de 20 páginas/hora). Quem tem condições de fazer isso? Eu até posso ler (e leio) um romance de 900 páginas numa semana livre. Mas isso se for uma boa ficção e eu estiver de férias! (Mesmo assim, varia. Por exemplo, li em seis dias Um defeito de cor, da Ana Maria Gonçalves; mas levei várias semanas para ler Middlemarch, da George Eliot. Ambos são imensos e adoráveis, mas são narrativas com ritmos diferentes.)
Sim, sei que alguns alunos ainda precisam aprender a se concentrar e a priorizar a tarefa da leitura. Ler para uma aula é parte do trabalho de ser estudante. Não desanimem, tá? A velocidade melhora com a prática e conforme vamos nos familiarizando com a linguagem acadêmica e com o vocabulário conceitual da área em que estamos inseridos. E às vezes o problema não é seu: é que o texto é ruim mesmo! Saber identificar essa diferença é um aprendizado. Tenham paciência.
Pelo lado dos professores, porém, vejo que alguns programam textos demais por aula. Isso pode ter motivos válidos, como apresentar um curso bem completo com o “estado da arte” de um tema. Mesmo nesses casos, o docente, na minha opinião, deveria calcular uma quantidade de texto obrigatória razoável: em torno de 100 páginas por semana numa pós-graduação que exige que o estudante faça três ou até quatro disciplinas por semestre. O restante pode ser indicado como leitura complementar. Alguns professores esquecem que eles leram aqueles textos ao longo de muitos anos, e não em poucos dias, como estão exigindo dos alunos. E tem os que montam programas imensos por vaidade mesmo. Sem comentários…
7) Tenha um kit de leitura (acessórios, bebidas e comidas) – Sou dessas que não consegue ler sem óculos e uma lapiseira na mão. Esse é meu kit-mínimo. Não importa se estou lendo romance, livro acadêmico, artigo, até PDF: preciso sublinhar, marcar, anotar. Minha companheira preferida é uma lapiseira Pentel 0.7, com grafite pelo menos 2B — se tiver 3B, melhor. Passei a comprar cor-de-rosa-choque porque as crianças não gostavam. Mas isso é passado. Hoje a Alice tem uma igualzinha e Antônio já me roubou várias. A solução foi enrolar washi tape para marcar a minha. 😉
Tenho um pequeno sistema de códigos pessoal de anotação, com carinhas (sorrindo, chorando, com raiva e de boca aberta), coração, pontos de exclamação e um sinal para quando encontro erros tipográficos. Sempre acho que vou escrever para a editora para avisar do erro, mas depois a preguiça me vence. Outra coisa que faço, quando gosto muito de uma frase ou expressão: reescrevo com a minha letra no alto da página, colocando entre aspas, só para destacar bem ou porque pode ser algo para trazer para o blog. Não uso caneta mas adoro rever um livro cheio de anotações. Quando não tem, é porque não gostei ou li correndo.
Além da lapiseira, costumo ter um lápis-borracha e um caderno ou bloquinho de rascunho. Outra coisa que não pode faltar: post-its de vários tipos. Quando já sei que vou dar aula sobre o texto, marco páginas com trechos essenciais para ler com os alunos. Em livros que não posso anotar, colo post-its maiores com anotações sobre os trechos que pretendo utilizar depois. Já tive suportes de leitura, desses que mantém os livros inclinados na mesa, mas o meu preferido quebrou e nunca mais consegui um igual (era cheio de regulagens, super leve, perfeito).
Finalmente, tem a parte sobrevivência para me manter acordada: comes e bebes! Copo d’água, chá, mate, refrigerante, suco, água com gás, vale tudo né? (Quem leu o post sobre meu TCC, sabe que ele foi feito à base de coca-cola diet. Tomei tanto que nunca mais! Café não está na minha lista porque não tomo, me perdoem a falha.) De comidinhas, prefiro todas que sejam pequenas e picadas, para durarem mais: pipoca, frutas cortadas ou uvas, passas, castanhas, biscoitos, chocolate amargo, até semente de abóbora. Serve qualquer coisa que me mantenha mastigando por um tempo, com o cuidado de não ser muito trash para não dar dor de estômago. Uma época, fiquei com mania de comer torrada seca (de pacote) picada em pedacinhos para render mais. Hoje em dia, costumo comer coisas sem glúten e continuo viciada no mate solúvel (sem açúcar); mas também tomo bastante chá, se estiver frio.
8) Prepare e varie seu local de leitura – Esse post começou inspirado no desenho do início: eu lendo no quarto da Alice com meu gato Charlie. É o único cantinho da casa onde tem rede e ainda bate o sol da manhã. Tornou-se um dos meus locais preferidos para leituras longas de trabalho. Na sala tem um cantinho bom perto da janela. Pra mim, o importante é ter boa iluminação, pois não enxergo bem, nem de perto, nem de longe. Por isso, reforcei as luminárias e lâmpadas em todos os cantos da casa onde pude. Meu sonho ainda é melhorar essa parte e, principalmente, no futuro, ter uma varanda.
Fora isso: uma leitura longa pede apoio para os pés, ventilador no calor, cobertor no frio! Se bater o sono, vale sentar numa mesa de trabalho mais formal ou até ler em voz alta. Mesmo mudar de lugar dentro de casa, ou ler num outro local ajuda. No meu prédio tem um espaço que dá para ler no terraço. Não vou sugerir que vocês leiam em cafés e bancos de praça porque não estamos no Instagram, né? Pelo menos no Rio de Janeiro, sei lá, é bem surreal: se for silencioso, é caro; se for barato, é barulhento; se for na rua, é sujo ou num cenário de desespero social. Talvez na praia ou em uma biblioteca dê jeito. Vocês conseguem?
9) Ler em papel ou PDF – Sou totalmente adepta da leitura em papel. Ler em telas é uma tortura, seja pelo cansaço ocular, seja porque não consigo memorizar os conteúdos. Computador, notebook, tablets, Kindle: todos me trazem a mesma dificuldade. Não sinto o texto, não me aproprio das palavras, não rendo.
Só que preciso ler PDFs mesmo assim! Na área acadêmica é praticamente impossível evitar. Quando não tem jeito, utilizo o aplicativo Books do Ipad e uso a canetinha para destacar ou anotar. Se for uma leitura importante, faço um fichamento à parte. Sobre o Kindle, não tenho, mas utilizo o app para Android e Ipad. Além dos preços mais baixos e do acervo de livros gratuitos (domínio público), a grande vantagem é a função de reunir todas as nossas marcações num arquivo à parte. Isso já me salvou para fazer bons resumos e selecionar trechos para artigos.
10) Ler livros, capítulos ou artigos – Assim como prefiro papel, também sou fã de ler livros inteiros ao invés de capítulos ou artigos. Semestre passado inclusive, dei um curso de graduação cuja bibliografia obrigatória era o volume todo do Truques da Escrita, do Howard S. Becker. As demais referências eram complementares. Os alunos adoraram. A maioria me disse que nunca tinha lido um livro acadêmico do início ao fim na faculdade!
Sei que essa não é uma proposta fácil, nem factível em todos os tipos de cursos. Mas reforço a ideia que defendi acima: não é porque uma prática não ocorre que não devemos desejar que passe a ocorrer. Os textos que mais marcaram minha vida foram livros que li integralmente. Foi esse tipo de leitura que me formou e é isso que desejo para minha vida e para a dos meus colegas e alunos.
11)Renove suas leiturascom resenhas, entrevistas, ficção etc. – Um truque para entender melhor as ideias de um autor: ler resenhas sobre os seus livros e entrevistas que ele tenha dado em revistas acadêmicas. É impressionante como esses tipos de textos ajudam a encaixar um autor com suas reflexões e conceitos. Autores que escrevem difícil, às vezes têm um jeito de falar bem claro! Da mesma forma, uma boa resenha sobre um livro, pode nos trazer informações fundamentais sobre o contexto da obra, sua inserção numa área de pesquisa e suas principais contribuições teóricas e empíricas. Ler entrevistas e resenhas de forma aleatória é também um jeito divertido de buscar novos temas e abordagens para nossa pesquisa quando estamos enjoados ou empacados.
A leitura de textos de ficção que se aproximem (ou não) do nosso tema (por área geográfica, temática, histórica etc.) pode ser outra forma de sacudir nossas ideias. No caminho acadêmico, cabe ampliar o leque de autores, saindo da lista tradicional da sua disciplina. Tenho feito isso nos últimos anos e as descobertas são muitas. No sentido inverso também: reler clássicos que você leu quando ainda estava imatura traz supresas. Volta e meia me supreendo com releituras de textos que achava datados ou de pequena relevância. Isso ocorre tanto porque não estávamos preparados para entendê-los quanto porque, com o tempo, nossas perguntas e referências mudam.
12) Registre uma lista das suas leituras – Essa é uma dica bem simples: anote tudo que você lê! Não precisa baixar aplicativos sofisticados. Atualmente, utilizo uma planilha simples do Google, com número, ano, mês, autor, título, editora, origem, estrelinhas e um espaço para observações. É uma boa forma de lembrar do que li e do que gostei nos últimos meses e anos. Também é um jeito de registrar os PDFs que acabam perdidos em vários dispositivos diferentes.
Divido a lista por ano e a linha superior é a mais recente. Às vezes deixo em vermelho o que estou lendo (se estou com mais de uma leitura simultânea). Aproveito também para anotar os empréstimos com fundo em amarelo para não deixar de cobrar.
Nas primeiras linhas da minha tabela, deixo em cor cinza os autores e livros que tenho vontade de ler mas ainda não comecei ou não tenho. Alguns ficam morando ali durante anos e acabo apagando. Mas tem horas que essa listinha é um lembrete fundamental do que já tenho ou do que quero comprar.
Nessa planilha, ficam registradas todas as leituras (ficção, não-ficção; acadêmicas etc.). Só não anoto releituras para dar aula, pois são muitas e tornariam a lista super confusa.
13) Leitura dinâmica para situações de emergência – Aprendi essa dica com um professor que admiro muito. Mesmo sendo um gênio, ele teve a generosidade de me dizer que também não dava conta de ler tudo.
A sugestão era mais ou menos assim: “Karina, quando você não tiver mais tempo, pelo menos ‘sinta o cheiro’ do texto.” Fiquei olhando com cara de pastel: “Cheiro? Como assim?” Ele explicou: “Você vai folheando o livro, página por página, lendo os títulos dos capítulos e das seções. Se possível, leia a primeira linha de cada parágrafo. Isso já vai te dar uma ideia do que o autor quis dizer.”
Lógico que não é o ideal e que esse método pode gerar percepções erradas, mas eu estaria mentindo se dissesse que nunca fiz isso. Claro que sim. E também já apelei para aquele velho truque de ler só a introdução e a conclusão. Recomendo? Não. Mas às vezes a vida é assim, e a gente faz o que dá. 😉
14) Crie um grupo de estudos ou tutoria entre colegas – Essa foi sugestão de um amigo-professor que vem se deparando com os “alunos da pandemia”. A vida dos estudantes já era difícil antes da Covid-19, agora então… Muitos chegam na universidade depois desses dois anos de ensino online (seja no Ensino Médio, seja nos primeiros períodos da faculdade) se sentindo sem base para compreender as leituras e as aulas presenciais, mais densas. Uma forma de compensar isso pode ser criar grupos de leitura entre os colegas da própria turma ou com alunos mais experientes que possam atuar como tutores. Embora o exemplo seja entre alunos, eu mesma tive um grupo de leitura com colegas durante a pandemia. Recomendo.
15) Tenha um gato ou um cachorro pra ler contigo – Sei que esse conselho não deveria estar nessa lista, mas eu precisava de quinze itens, né? Cá entre nós, para quem já curte gatinho ou cachorro em casa: tem coisa melhor do que ler com um bichinho no colo? Eles são a melhor companhia do mundo.
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E chegamos ao fim dessa listinha! Lembraram de algo que esqueci? Escrevam nos comentários por favor. Sou apaixonada por livros e pelo prazer de ler, a tal ponto que, durante uma boa parte da minha prática artística, eu só desenhava pessoas lendo!
Obrigada pelo mar de mensagens de carinho e apoio que vocês têm me mandado por aqui e pelas redes sociais. Tem dias que sou só lágrimas, melancolia e saudades, mas há outros em que sinto que vou sobreviver. Consegui ler, escrever e desenhar um pouquinho. Já significa muito.
Boas leituras para todos. Que vocês tenham amor, saúde e paciência. Até o próximo post! ♥
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Sobre a citação: A epígrafe do post é do livro “Ex-Libris: confissões de uma leitora comum”, da Anne Fadiman. (Tradução de Ricardo Quintana, editora Zahar, 2002). Adoro esse livro. O meu original, todo anotado, se perdeu em algum empréstimo. Há uns anos atrás, acabei comprando outro mas ainda preciso reler para resublinhar tudo de novo. Apesar disso, nunca esqueci a parte em que ela conta sobre a mania do filho de comer os livros! Comia mesmo, principalmente se tivesse desenho de comidas. 😀
Sobre os desenhos: O desenho que abre o post foi feito no meu caderno-diário em tempos bem mais felizes (26/01/2022). Os demais desenhos foram feitos hoje (23/6) para o post, inspirados numa coleção de imagens sobre livros que junto há muitos anos. Alguns fazem referência aos Simpsons, como vocês podem reconhecer; a menina com a pilha de livros é inspirada num desenho do Quentin Blake, que amo. A menina estudando com um gatinho no colo fiz em homenagem a uma conta do Instagram que adoro seguir: @cats.friedaandhenry.
O caderno que utilizo como diário é um A5 espiral da Papel Craft, capa dura com elástico. (O link que coloquei é só um exemplo; a estampa do meu não tem mais.) É meio caro para um caderno, mas ganhei de presente e dura bastante. Tem um bom acabamento, 90 folhas e bom espaçamento entre as linhas. Apesar do papel ser 75g, consigo desenhar com canetinha e a cor não vaza para o outro lado. No dia-a-dia, para listas e organizações, uso um caderninho A5 da Tilibra de 80 folhas que custou R$12,50! Quando quero colocar algum desenho nele, faço num papel à parte e colo na página. Atualmente, o meu tem sido esse aqui:
Para esses desenhos, utilizei canetinha Pigma Micron azul 0.1 nas linhas, e marcador Tombow n. 451 azul claro. O primeiro desenho era só um registro pessoal, sem rascunho, sobre o “melhor do meu dia”. Segui o estilo nos desenhos de hoje, desenhando de forma rápida, sem usar lápis antes. Escaneei tudo e separei as imagens no Photoshop.
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Você acabou de ler “Quinze dicas para ajudar a ler textos acadêmicos (ou não)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada!
Como citar: Kuschnir, Karina. 2022. “Quinze dicas para ajudar a ler textos acadêmicos (ou não)“, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3WN Acesso em [dd/mm/aaaa].
Pessoas queridas, que bom estar de volta! Espero que gostem desses calendários de 2021 um pouquinho diferentes. Pintar aquarelas abstratas foi uma das minhas terapias na quarentena. Fiz pinturas grandes pela primeira vez (como contei aqui) e aproveitei alguns dos originais para criar a decoração dos meses.
Para imprimir os calendários em alta resolução, seguem abaixo duas opções de download:
Aproveitei para melhorar a qualidade gráfica da grade, das letras e dos números, redesenhando tudo à mão, no app Procreate do Ipad. Também mudei as semanas para começarem na segunda-feira. Achei melhor para visualizar sábado e domingo juntos. Vocês concordam? Outro detalhe: adicionei os dias do mês anterior e seguinte em cinza claro. Depois me contem o que acharam e se as impressões deram certo!
Tenho pensado muito no blog e em como me faz falta desenhar e escrever aqui, mas não quero fazer promessas nem planos.
Meu maior desejo para mim e para todos vocês é que a gente sobreviva até a segunda dose da vacina. Que possamos seguir, um dia de cada vez, com paciência, compaixão e delicadeza. E que cada família em luto ou em recuperação possa ser acolhida e apoiada nesse momento tão difícil. ♥
Seguem as imagens dos calendários em .jpg para vocês verem com mais detalhes antes de baixar:
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Sobre os desenhos: Todas as pinturas foram feitas em papel Hahnemühle Harmony (300gr, sem algodão, comprado em folhas grandes que fui cortando). Pintei no verso pois é um pouco mais liso. No início, fiz três trabalhos com fundo branco, desenhando as esferas primeiro a lápis, depois pintando com aquarela bem aquada. Depois resolvi me aventurar pintando fundos coloridos antes de desenhar. Todos tiveram um pouquinho de tinta Lunar Black (Daniel Smith), assim como de outras que dão efeito granulado (azul ultramar, sienna queimada e tintas que descrevo aqui). Todos foram feitos a partir de pinturas de verdade. O único mais editado em Photoshop foi o de outubro, para ficar com o fundo mais escuro. Uma curiosidade: a aquarela original que menos gostei gerou o mês que achei mais bonito: dezembro, aniversário da Alice.
Sobre a impressão: Fiz testes em casa e os primeiros 11 meses ficaram bem certinhos, até que a impressora falhou em “outubro” (último mês que finalizei). Tenho uma Epson L396 que comprei em 2018 devido à qualidade do scanner (é ótimo mesmo) e por ter tanque de tinta líquida com refil. Mas ela deu problema de manchar e agarrar (ou não) o papel desde o início. Já utilizei a garantia duas vezes e agora o amarelo parou de imprimir (apesar do tanque cheio). Suspiros… Depois me contem se deu tudo certo para imprimir. Fiquei um pouco preocupada com essa diferença (de requerer mais tinta) em relação aos calendários anteriores.
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Calendários 2021 de Janeiro a Dezembro, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺
Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Calendários 2021 de Janeiro a Dezembro”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3RE. Acesso em [dd/mm/aaaa].